O modelo para o teste da influência das variáveis independentes sobre o risco é:
Riscot+1 = β1ROAt + β2ROAindt + β3Expt + β4Aspt + β5Slack1t + β6Slack2t + β7Slack3t +
β8Slack1t2 + β9Slack2t2 + β10Slack3t2 + β11Riscot + εt
Onde:
Riscot+1 risco da empresa no período t+1
ROAt desempenho da empresa no período t
ROAindt desempenho médio do setor em que a empresa atua no período t
Expt expectativas sobre o desempenho da empresa formadas no período t
Aspt aspirações sobre o desempenho da empresa formadas no período t
Slack1t nível de folga disponível no período t
Slack2t nível de folga recuperável no período t
Slack3t nível de folga potencial no período t
Riscot risco da empresa no período t
εt termo de erro no período t
Nesse modelo, a variável risco da empresa no período t, Riscot, representa uma
Além de se testar esse modelo do risco em que os três tipos de folga aparecem como variáveis independentes, foram testados, também, os modelos de risco com as folgas consideradas individualmente, com o objetivo de se identificar a influência específica de cada tipo de folga organizacional sobre o risco, e comparar os resultados dos modelos individuais com os resultados do modelo completo, conforme abaixo:
• Modelo para a verificação da influência da folga disponível sobre o risco:
Riscot+1 = β1ROAt + β2ROAindt + β3Expt + β4Aspt + β5Slack1t + β8Slack1t2 + β11Riscot + εt
• Modelo para a verificação da influência da folga recuperável sobre o risco:
Riscot+1 = β1ROAt + β2ROAindt + β3Expt + β4Aspt + β6Slack2t + β9Slack2t2 + β11Riscot + εt
• Modelo para a verificação da influência da folga potencial sobre o risco:
Riscot+1 = β1ROAt + β2ROAindt + β3Expt + β4Aspt + β7Slack3t + β10Slack3t2 + β11Riscot + εt
• Hipóteses do modelo com risco como variável dependente
Desempenho: se a utilidade para a empresa de cada $ adicional no lucro é levemente
inferior que a utilidade da unidade anterior de $ do lucro (utilidade marginal decrescente do lucro), a utilidade esperada de um investimento irá decrescer com elevações na variância dos retornos daquele investimento (FISHER; HALL apud BROMILEY, 1991). Para que um investimento com variância elevada apresente uma utilidade equivalente à obtida por um investimento de baixa variância, este último deve apresentar uma rentabilidade média superior.
Hipótese específica 1: o desempenho tem uma influência negativa sobre o risco (β1 < 0 na
equação)
Desempenho médio do setor: se os competidores estão tomando medidas
arriscadas, como a introdução de novas tecnologias e novos produtos, a empresa em questão será forçada a adotar medidas equivalentes para sustentar sua posição, mesmo que seu nível
de desempenho seja elevado. Tome-se como exemplo uma empresa com lucratividade elevada em um setor com baixos níveis de lucros, em que a introdução de novos produtos é a principal forma de competição. A maioria das empresas no setor gera baixos lucros e, conseqüentemente, assume riscos pela introdução de novos produtos. A empresa com elevada lucratividade será pressionada a seguir o movimento competitivo das outras empresas no setor e também assumirá riscos pela introdução de novos produtos. Assim, baixo desempenho médio do setor deve incrementar a assunção de risco pela empresa, tenha essa empresa um desempenho acima ou abaixo da média do setor.
Hipótese específica 2: o desempenho médio do setor tem uma influência negativa sobre o risco (β2 < 0 na equação)
Aspirações e expectativas: se uma empresa aspira um nível de desempenho superior
a aquele correspondente a seu status quo, procurará formas de elevar seu desempenho. Dado o papel das rotinas na elevação da previsibilidade, pode-se entender que as mudanças em algumas rotinas ocasionadas pela tentativa de elevar o desempenho reduzirão a previsibilidade organizacional. Tais reduções elevarão a incerteza relativa aos resultados que a empresa pode oferecer e podem, inclusive, elevar a incerteza relativa ao fluxo de resultados da empresa.
Lant; Montgomery (apud BROMILEY, 1991) identificaram que um desempenho abaixo dos níveis aspirados resulta em escolhas mais arriscadas e pesquisas mais inovadoras do que um desempenho que atinge ou supera as aspirações da empresa.
O fluxo de receitas de uma empresa que realiza poucas mudanças deve ser mais previsível – menos arriscado – que o fluxo de receitas de uma empresa que realiza muitas mudanças. Assim, o nível de aspirações deve ter uma influência positiva sobre a assunção de risco e as expectativas devem ter uma influência negativa, uma vez que elevações nas aspirações (o objetivo) são associadas ao incremento na assunção de risco, enquanto elevações nas expectativas (enquanto representando retornos antecipados) são associadas à redução na assunção de risco. Dessa forma, o risco pode ser entendido como uma função das aspirações menos as expectativas.
Hipótese específica 3: expectativas têm uma influência negativa sobre o risco (β3 < 0 na
Hipótese específica 4: aspirações têm uma influência positiva sobre o risco (β4 > 0 na
equação)
Folga organizacional: conforme exposto anteriormente no capítulo 4, a influência
da folga organizacional na assunção de risco depende da relação da folga com um nível desejado. Se a folga se encontra substancialmente abaixo do seu nível desejado, os gestores assumem riscos de forma a criar folga adicional (BROMILEY, 1991; CYERT; MARCH, 1992; AUDIA; GREVE, 2006). Por outro lado, com um nível de folga próximo do nível objetivado, os gestores assumem poucos riscos. Se o nível de folga encontra-se significativamente acima de seu nível objetivado, os gestores se engajam na busca por riqueza tentando novas idéias.
Assim, a folga deve ter uma influência não linear sobre a assunção de risco, com altos e baixos níveis de folga associados a altos níveis de risco e níveis moderados de folga associados a baixos níveis de risco. O modelo representa essa influência incluindo variáveis que mensurem tipos diferentes de folga e o quadrado dessas variáveis.
Hipótese específica 5: altos e baixos níveis de folga devem resultar em níveis mais elevados de risco assumido do que em níveis moderados de folga (β5, β6, β7 < 0 e β8, β9, β10 > 0 na
equação ou, alternativamente, β5, β6, β7 > 0 e β8, β9, β10 < 0 na equação, isto significa que se a
influência de uma folga for negativa, a influência de seu quadrado deve ser positiva, por outro lado, se a influência de uma folga for positiva, a influência de seu quadrado deve ser negativa, de forma a representar a influência não linear da folga sobre o risco).