4.8 Evaluering av forskningsdesign og -metode
4.8.5 Metodiske betraktninger
Tomanik (2004, p. 169) dá visibilidade aos processos de pesquisas sociais nos quais o cientista participa da vida e do cotidiano das populações pesquisadas, apresentando esse tipo de atividade como sendo “[...] realizada dentro de um contexto social, influenciada, ou mesmo determinada por este contexto”. Numa experiência como essa, o cientista social sofre influências, tendo em vista suas próprias convicções e os interesses do grupo com o qual mantém contato, estabelecendo assim uma relação que não é baseada na neutralidade. Muitas vezes fazendo parte do próprio grupo com o qual está pesquisando e junto a ele propõe novos contornos para as questões que lhes são apresentadas.
Aquilo que foi exposto por Tomanik (2004) remete a abertura dos diálogos estabelecidos com os sujeitos da pesquisa tendo em vista a opção por um trabalho pautado transdisciplinaridade, o que permite que também seja estabelecido um contato mais direto com os saberes dos autores acadêmicos e dos atores da pesquisa. Na mesma direção, referimo-nos a um conto de Marina Colasanti (1985, p. 88) que auxilia no processo de contextualização da necessidade de uma aproximação mais direta com disciplinas e campos de atuação que o objeto de trabalho desta tese requer.
Cabe misturar ficção e realidade ao colocar que a ausência de diálogo, o silêncio, era algo que o rei do conto de Colasanti (1985) apreciava. “Por isso, muito jovem ainda, mandou construir altíssimos muros ao redor do castelo. E logo, não satisfeito, ordenou que por cima dos muros e, por cima das torres, por cima dos telhados e dos jardins, passasse imensa redoma de vidro. Agora sim, nenhum som entrava no castelo. O mundo podia gritar lá fora, que dentro nada se ouviria”. Nesse cenário constantemente narrado o tempo passa, as palavras acumulam-se pelos cantos, frases serpenteiam na superfície dos móveis, interjeições salpicam as tapeçarias. Tudo teria continuado assim, se em determinado momento da história, um murmúrio, um rasgo de conversa não tivesse colhido a lembrança de suas palavras, junto ao diálogo que há tantos anos estava trancado, religando-o a si mesmo.
[...] por entre o estilhaçar, subindo, planando, pássaro-grito que no azul se afasta, trazendo atrás de si em revoada frases, cantigas, epístolas, ditados, sonetos, epopeias, discursos e recados, e ao longe – maritacas – um bando de risadas. Sons que no espaço se espalham levando ao mundo a vida do castelo [da biblioteca, da escola, ciberespaço], e que, aos poucos, em liberdade se vão (COLASANTI, 1985, p. 92).
As questões possibilitadas por esse grito preso na garganta pode ser indicado como instrumento de compreensão e transformação das práticas instituídas nos territórios da pesquisa. Como pesquisadores, costumamos construir redomas em torno das estratégias adotadas, impedindo, muitas vezes, que um diálogo mais efetivo seja fomentado. Os caminhos adotados para a realização desta pesquisa, culminam em trocas de experiências que envolvem saberes, fazeres, atitudes, compartilhamento de conhecimento sobre as competências dos contadores de histórias. Abrem possibilidades de discutir os processos de um trabalho narrativo que é vivido e que entre as propostas que esta tese apresenta ganham visibilidade. Diante do exposto, apresentamos no percurso da pesquisa a identificação das competências dos contadores de histórias contemporâneos que culminou na proposição de um modelo de rede colaborativo dialogado.
5.2.1 Classificação da pesquisa
Quanto aos fins esta investigação se classifica como uma combinação de estudos exploratórios e descritivos. Os dados coletados e analisados permitiram buscar uma descrição das características do objeto estudado o que não apareceu como uma certeza, mas sim como possibilidades de buscar entendê-lo, ao mesmo tempo em que se procurou proporcionar maior contato com o problema com vista a explicitá-lo juntamente com a hipótese, porém, de maneira flexível. Esta pesquisa é do tipo qualitativa e, em determinados momentos, também assume contornos quantitativos (GIL, 2009).
Quanto aos procedimentos, assume as características de uma pesquisa participativa, devido ser imperativo a interação entre os sujeitos que dela participam: pesquisador contador de histórias; contador de histórias entrevistado; comunidade envolvida em projetos de pesquisas e extensão, etc. Acrescenta-se aos seus procedimentos a observação do fato de que o processo de pesquisa levou seus participantes a investigar e colocar em análise a realidade em que se encontra o seu trabalho no Estado do ES.
5.2.2 Estratégias, técnicas e instrumentos
Existem muitos caminhos que mostram como fazer e organizar os dados de uma pesquisa, por esse motivo, entramos em contato com várias teorias metodológicas, o que ampliou nosso campo de visão. Todavia, uma investigação que se consolida perante a relevância social de identificar as competências dos contadores de histórias, tendo ainda como finalidade pensar um modelo de rede colaborativa, não poderia caber apenas em uma maneira de pensar o problema.
Utilizamos, assim, como estratégia, a criação de espaços de interação em eventos de pesquisa e extensão organizados ao longo do processo de investigação, sendo alguns deles solicitados pelos membros da comunidade externa à Universidade. Por meio de diálogos, estabelecidos em ações como palestras, oficinas e outras, estabeleceu-se contato com os sujeitos narradores, bem como, procedeu-se ao processo de mapeamento e proposição da rede colaborativa dos contadores de histórias (APÊNDICE G).
Procedeu-se a técnica de observação direta e extensiva por meio da aplicação de um questionário contendo indicadores de perfil e contexto, com a finalidade de diagnosticar e identificar as competências dos contadores de histórias (APÊNDICE A e C). Por outro lado,
adotou-se a observação direta e intensiva por meio das entrevistas tendo como base um roteiro com questões semiestruturadas para complementar a identificação das competências e diagnosticar a dinâmica das conexões em redes dos contadores de histórias (GIL, 2009).
Em alguns momentos acompanhamos mais de perto os movimentos do grupo de contadores de histórias, permitindo a exploração da prática narrativa em territórios como livraria, escola, museu e ciberespaço. Esse tipo de observação foi guiada pela avaliação diagnóstica obtida após a aplicação do questionário contendo indicadores de perfil e contexto organizado junto com o roteiro de entrevistas (instrumentalização da pesquisa) (APÊNDICE E).
5.2.3 Coleta e análise dos dados
Da fase de construção dos instrumentos até a interpretação dos dados coletados, destaca-se a contribuição recebida da análise de conteúdo que resulta num conjunto de técnicas de análise dos dados coletados, por meio de procedimentos sistemáticos para abstrair a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção de indicadores e índices (BARDIN, 2011).
Essa técnica auxiliou no processo de identificação dos temas que se fizeram relevantes no processo de categorização dos assuntos trabalhados nos instrumentos da pesquisa. Também resultou no processo de análise detalhada do material coletado. Para isso, elaborou-se um escopo comparativo das informações relevantes (processo de categorização), o que tornou possível uma análise comparativa dos dados tabulados a partir da aplicação do questionário e da transcrição das entrevistas.