No terceiro momento aconteceram as entrevistas. Nessa fase a aplicação dos indicadores de perfil e contexto teve continuidade, auxiliando na identificação de pontos importantes no processo de diálogo. Também foram realizados encontros coletivos para a aplicação dos questionários, realização das entrevistas e observação do campo. As entrevistas foram realizadas apenas presencialmente, individualmente e em grupo. Com isso, lançamos mão de encontros coletivos em eventos e roda de conversas para reunir um maior número de narradores nessa fase da pesquisa.
A coleta dos dados e análise do conteúdo das entrevistas foram feitas à luz dessas categorias que em muito auxiliaram no processo de categorização. Nesse momento, houve um aprofundamento das questões mais relevantes, segundo apontado no início da fase diagnóstica. O diálogo necessário à validação do modelo foi acontecendo cotidianamente em oficinas, cursos, seminários e outros tipos de eventos realizados com os contadores de histórias que atuam em territórios de informação, educação e cultura do Estado do ES. Esses eventos foram essenciais em todas as etapas da pesquisa e principalmente nessa fase de aplicação (APÊNDICE G).
Barreiras geográficas, de tempo e outras dificuldades do dia a dia impediram que todos os questionários fossem preenchidos e entrevistas realizadas. Mesmo não conseguindo agendar os momentos de diálogos com todos aqueles que aceitaram participar da pesquisa, tornou-se possível identificar territórios de informação, educação e cultura nos quais atuam os contadores de histórias da pesquisa88.
87 Consta no documento várias informações, tais como, objetivo, método e responsáveis pela pesquisa. Além disso, compromete-se tratar os dados de forma ética, divulgar os resultados da pesquisa ao final do processo e não divulgar o nome do participante sem a sua autorização.
88 Por meio do mapeamento da rede conseguimos estabelecer contato com bibliotecários, professores, atores e contadores de histórias autônomos que atuam ou atuaram na Prefeitura Municipal de Vitória (PMV), ES - Prefeitura Municipal de Cariacica (PMC), ES – Prefeitura Municipal de Jerônimo Monteiro (PMJM), ES – Prefeitura Municipal de Viana (PM Viana), ES – Prefeitura Municipal de Vila Velha (PMVV), ES; Escola da Ilha da Rede de Ensino Particular de Vitória, ES; Escola Primeiro Mundo da Rede de Ensino Particular de
Na maioria das vezes os questionários foram preenchidos presencialmente e, em alguns momentos, devido a dificuldades como de tempo e espaços geográficos, também foram utilizados e-mails, redes sociais e telefone, alcançando-se, assim, os contadores de histórias que mostraram dificuldade em participar dos encontros presenciais. Desse modo, eticamente optamos pela divulgação dos narradores profissionais que permitiram o registro dos seus nomes artísticos durante as entrevistas:
Quadro 12 – Identificação dos entrevistados e descrição das atividades desenvolvidas89
ENTREVISTADO ÁREA DE ATUAÇÃO PARALELA ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
Alzinete Biancardi Professora da Ufes - Ensino Superior Narradora profissional, voluntária, formadora e pesquisadora
Alzira Bossois Terapeuta holística – Autônoma Narradora profissional e voluntária Cláudia Perere Professora - Autônoma Narradora profissional e formadora Eduardo Valadares Bibliotecário escolar - Ensino
Fundamental Narrador profissional e formador
Elane Uliana Bibliotecária escolar - Ensino Fundamental Narradora profissional bibliotecária Eugênia Broseguini Bibliotecária escolar - Ensino Fundamental Narradora profissional, voluntária e
formadora
Eugênio Fernandes Psicopedagogo – OSCIP Narrador profissional e formador Fabiano Moraes Professor da Ufes - Ensino Superior Narrador profissional, formador,
pesquisador e escritor
Fábio Perere Professor - Autônomo Narrador profissional, voluntário e formador
Gab Kruger Professora - Autônoma Narradora profissional, formadora e empreendedora cultural
Ingrid Pereira Bibliotecária escolar - Ensino Fundamental Narradora profissional bibliotecária Marcela Mendonça Bibliotecária escolar - Ensino Fundamental Narradora profissional e formadora Márcia Helena Bibliotecária escolar - Ensino Fundamental Narradora profissional bibliotecária Marta Samôr Escritora - Autônoma Narradora profissional, voluntária e
escritora
Rita Santos Pedagoga - Autônoma Narradora profissional e formadora Rosário Varejão Pedagoga – Educação Infantil Narradora profissional, formadora e
pesquisadora
Tiana Magalhães Advogada - Autônoma Narradora profissional, voluntária e Vitória, ES; Projeto Colorir (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP); Grupo de Contadores de Histórias Chão de Letras da Biblioteca Pública Municipal de Vitória Adelpho Poli Monjardim (FAFI); A Mala Produções; Filhos de Griô do MUCANI e GECHUFES via Projeto de Extensão Informa-Ação e Cultura da Ufes.
89 Foram selecionadas apenas as atividades e áreas de atuação mais citadas pelos contadores de histórias no processo de entrevitas, assim como, todos são considerados como contadores de histórias profissionais com ou sem remuneração específica.
formadora Silvana Sampaio Professora e Escritora - Ensino
Fundamental Narradora profissional, formadora, pesquisadora e escritora Vânia Célia Bibliotecária escolar - Ensino Fundamental Narradora profissional bibliotecária Fonte: Produzido pela autora durante a realização da pesquisa.
O trabalho de campo iniciado com o preenchimento do questionário contendo indicadores de perfil e contexto, acabou sendo iniciado em 18 de março e finalizado em 14 de agosto de 2015, culminando em diálogos possibilitados pelos processos de entrevistas90. O desdobramento dos assuntos abordados tomaram rumos diferenciados devido a liberdade que um roteiro semiestruturado ofereceu aos participantes (APÊNDICE E). Na medida em que novas questões surgiram foram imediatamente acrescentadas às categorias da análise (Quadro 11). Processos de observação mais efetivos aconteceram na biblioteca escolar da EMEF Aristóbulo Barbosa Leão (PMV/ES), Escola da Rede de Ensino Particular Primeiro Mundo (Vitória/ES), Espaço infantil da Livraria Saraiva do Shopping Vitória (ES) e Museu Capixaba do Negro (MUCANE) (Vitória/ES). Essa fase teve como meta identificar competências necessárias às conexões dos contadores de histórias capixabas (centralizadas, descentralizadas e distribuídas).
No quarto momento ocorreu a análise do material observado no campo da pesquisa e procedeu-se a tabulação dos dados da avaliação diagnóstica, especificamente dos indicadores de perfil e contexto das competências dos narradores de histórias do Estado do ES. Nessa etapa, trabalhou-se com a apresentação de dados percentuais que, em alguns momentos, são visualizados em gráficos, tabelas e no corpo do texto. Os dados obtidos à luz da identificação das competências dos narradores de histórias foram analisados com o auxílio dos diálogos estabelecidos com os narradores entrevistados. Nessa fase procedeu-se ao desenho da rede dos contadores de histórias que participaram da pesquisa possibilitada pelos indicadores de perfil e contexto. No que se refere ao processo de representação gráfica dessa rede, desça-se o auxílio do software UCINET91.
90 As entrevistas foram gravadas com o consentimento dos participantes que também permitiram a divulgação dos nomes e das imagens relacionadas ao seu trabalho no âmbito profissional (APÊNDICE F). No processo de gravação, utilizamos técnicas da História Oral para que o participante estivesse mais integrado com o processo e, em seguida, essas técnicas contribuíram para a transcrição das gravações. Um processo de observação do campo mais efetivo, apareceu como uma consequência dos diálogos.
91 O contexto de representação das conexões em rede dos sujeitos da pesquisa, teve o auxílio do software “UCINET 6.586” que instala automaticamente a ferramenta de desenho digital livre “Net Draw 2.155”. Para isso, utilizou-se o manual na versão em Portugês (ALEJANDRO; NORMAN, 2006).
Após esse processo elaboramos a proposição do planejamento da rede colaborativa voltada para a realidade de trabalho do contador de história. Obviamente essa etapa teve como meta dialogar sobre a proposta de um modelo de rede em que o narrador de histórias capixaba possa estabelecer relações com seus pares (companheiros de atividade), público e outros sujeitos interessados em acessar, produzir e compartilhar informação que gira em torno da prática narrativa. A proposição da rede (método de interlocução) levou em consideração a possibilidade do acesso, uso e compartilhamento de uma informação efetivamente direcionada à prática do narrador de histórias, de modo que possa atender as demandas desse profissional na sociedade da informação.
6 UMA ARTE MILENAR BORDADA NA ORALIDADE: PERFIL PROFISSIONAL E