• No results found

Metoder og /eller tiltak for å hjelpe et barn med utfordrende atferd

5.0 Drøfting av funn

5.2.2 Metoder og /eller tiltak for å hjelpe et barn med utfordrende atferd

O exame que Lukács faz na maturidade das concepções estéticas burguesas em geral e de Hegel em particular, bem como de sua teoria estética juvenil, revela as

30 Muitos são os comentadores que ressaltam essa afiliação, de maneira explícita ou implícita. Entre eles,

destacamos Werner Mittenzwei e José Chasin. Em “La evolución de la postura de Georg Lukács em teoria literária” (In: MITTENZWEI, W. (org.). Diálogos y controversias con Georg Lukács”. Madri: Akal Editor, 1979), Mittenzwei salienta nessa obra juvenil de Lukács a identificação de sujeito e objeto personificada no proletariado que adquiriu consciência própria (cf. pp. 25-6). No capítulo dedicado a Lukács de seu “Marx – estatuto ontológico e resolução metodológica”, op. cit. (cf. n. 3), Chasin salienta também a identificação de sujeito e objeto nessa obra, mas vai além: citando o ensaio sobre Rosa Luxemburgo, explicita que, para o jovem Lukács, Marx tomara o método de Hegel e o transformara de maneira original para torná-lo o fundamento de uma nova ciência. Nessa metodologia, com a qual se almeja alcançar o entendimento da história, a categoria da totalidade ocupa posição central, em oposição à ciência burguesa, que defende o predomínio do econômico. Transcrevendo uma passagem do Posfácio de 1967 à republicação de História e consciência de classe, Chasin concorda com a avaliação que o Lukács maduro faz dessa sua posição juvenil: “eu produzi uma exageração hegeliana ao contrapor a posição metodologicamente central da totalidade ao econômico”.

49 transformações radicais que seu pensamento sobre arte sofreu com a guinada marxista. Percebemos já no exame das duas correntes burguesas de pensamento estético, na análise dos méritos e limites de Hegel, bem como na crítica severa à ironia do romantismo alemão como “primeira teoria artística da decadência” alguns dos fundamentos que nortearão a sua perspectiva estética de maturidade.

Em primeiro lugar, na crítica à tendência subjetivista de que a sua produção juvenil constitui uma expressão, entrevemos a concepção da arte como uma criação

objetiva cujo significado deve ser extraído de sua própria constituição, independente da

intenção subjetiva do autor. A posição do autor não pode constituir elemento de análise da obra: assim, a intenção revolucionária de um autor não basta para fazer da sua obra uma obra revolucionária, bem como uma perspectiva conservadora não conduz necessariamente a uma obra literária conservadora. O critério, para Lukács, deve ser sempre a própria obra. Entretanto, é possível que a intenção subjetiva do autor figure como elemento da sua obra, seja como posicionamento expresso do autor, seja na manipulação das ações e destinos dos personagens. Na mesma crítica ao subjetivismo na teoria literária, podemos perceber que a manipulação arbitrária, porque fundada no desejo subjetivo do escritor, dos destinos dos personagens será alvo de severas críticas de Lukács; adiantemos que a inserção do posicionamento (político, filosófico etc.) na obra, como elemento que lhe é exterior, também será criticada por Lukács na maturidade. No entanto, o mais importante a salientar aqui é o critério pelo qual ambas as maneiras de inserir a intenção subjetiva serão refutadas – e que nos leva ao segundo complexo de questões que caracterizarão o pensamento estético maduro de Lukács: a medida em que a inserção da intenção subjetiva afasta a obra da expressão da realidade.31

Assim, em segundo lugar, é possível perceber, já nas críticas maduras acima expostas, a concepção que prioriza a necessidade de a obra de arte apreender a

realidade em seu caráter essencial, ou seja, não apenas a afirmação da possibilidade de

apreensão sensível e configuração artística da realidade objetiva em suas próprias determinações, mas também o estabelecimento dessa apreensão como critério central para o exame e julgamento das obras literárias. Esse aspecto fundamental da concepção madura lukácsiana se revela e desdobra na discussão sobre as correntes estéticas do pensamento burguês progressista. Ressaltemos, com Lukács, que o período de

31 Criticar a inserção da intenção subjetiva na obra literária não implica desconsiderar a contribuição da

50 ascendência da burguesia produziu pensamentos que, embora distintos, têm em comum a asserção de que a finalidade central da arte é a configuração da realidade em sua essencialidade. Contudo, essa afirmação comum se desenvolve de maneira diversa nas duas tendências modernas. De um lado, a concepção iluminista insiste no reflexo direto, imediato e fotográfico da realidade; de outro, a filosofia clássica alemã, conforme expressa por Schiller, assevera a necessidade de retratar não a aparência ou superficialidade da realidade, mas a sua essência, em que reside a verdade. Ao discutir as duas tendências, Lukács ressalta que, na primeira, a verdade é identificada à imediaticidade; na segunda, a verdade é situada numa transcendência espiritual, apartada da realidade material. Embora considere correto o impulso de buscar a verdade além da imediaticidade, Lukács evidencia que a separação entre essência e materialidade, resultante necessária do idealismo, conduz à equiparação de materialidade e imediaticidade. Portanto, em ambas as correntes, a objetividade é identificada à imediaticidade.

É certo que, para Lukács, a teoria estética hegeliana supera o dualismo presente na concepção de Schiller; mas, como procuramos salientar, não supera o idealismo no âmbito da totalidade do sistema. Nesse momento, importa-nos destacar dessa discussão um aspecto central do pensamento maduro de Lukács: a arte é a configuração da essência da realidade, que existe como conjunto de relações da própria realidade concreta e produz a aparência da realidade como a sua aparência. Assim, a imediaticidade da realidade não revela diretamente a sua essência e pode até mesmo deturpá-la e invertê-la, mas constitui-se como aparência desta essência; por outro lado, a essência pertence à realidade material, concreta, como a sua determinação mais profunda. Desse modo, no pensamento maduro de Lukács, imediaticidade e essência não são opostos de maneira rígida e idealista, mas, antes, definem-se como momentos contraditórios da mesma realidade concreta. A conseqüência para a teoria estética é a ênfase na necessidade de a arte apreender a objetividade assim compreendida, isto é, não como um reflexo fotográfico, mas como apreensão e configuração de um momento mais profundo e essencial da realidade. Lukács denominará realista a forma artística que alcança realizar essa configuração, que será tema de intensa discussão ao longo dos anos trinta e manterá sua centralidade nos desenvolvimentos posteriores da filosofia lukácsiana da arte. No interior das formulações do realismo, o tema da subjetividade criadora ocupará uma posição significativa, e alcançará resoluções cujas especificidades

51 ainda não se evidenciam aqui, mas que, de maneira coerente com a teoria do realismo, responderá à sua finalidade de configuração artística da essencialidade real.

Igualmente, as discussões que fizemos até aqui não revelam aspectos fundamentais da concepção madura de Lukács a respeito da relação de sujeito e objeto em geral e na literatura. Entretanto, podemos vislumbrar a relevância atribuída por Lukács a essa relação em sua discussão da teoria romanesca de Hegel, que põe em relevo a vinculação entre a condição objetiva e subjetiva da humanidade na modernidade, bem como na apreensão da crítica kierkegaardiana à unidade dialética de subjetividade e objetividade. Já entrevemos, pela aproximação crítica a Hegel e rejeição a Kierkegaard, que Lukács argumentará em favor do vínculo determinativo de sujeito e objeto e, na tentativa de superar o idealismo hegeliano, procurará estabelecer a primazia da objetividade na mútua determinação das duas esferas.

Como sugerimos no início do capítulo, a transformação de seu pensamento teve como motor inicial e substrato filosófico a aproximação ao pensamento de Marx, entendido como um complexo teórico que supera em sua totalidade o pensamento da modernidade. De acordo com o nosso autor, ele pôde se apropriar de momentos fundamentais do pensamento de Marx não só após quase uma década de estudos da obra marxiana, e após o contato com a obra de Lênin, mas também graças a um longo processo prático de adesão ao movimento operário. Desde 1918, quando ingressa no Partido Comunista, e durante toda a década subseqüente de trabalho prático nas fileiras do movimento operário, que logo o obrigou a dedicar-se aos escritos econômicos de Marx, conforme ele mesmo relata em “Meu caminho para Marx”, Lukács empenhou-se em “dominar a dialética marxista”. A luta por superar o “subjetivismo ultra- esquerdista”, segundo o nosso autor, prolongou-se ainda durante todo esse decênio (LUKÁCS, 1988, p. 94).

Somente a íntima adesão ao movimento operário, devida a uma prática de muitos anos, e a possibilidade que tive de estudar as obras de Lênin e pouco a pouco compreender seu significado fundamental, propiciaram o terceiro período de meu interesse por Marx. (LUKÁCS, 1988, p. 94, grifo do autor)

No interior desse esforço de compreensão do significado amplo da totalidade da obra marxiana, Lukács atribui uma importância fundamental à descoberta dos

Manuscritos econômico-filosóficos de 1844. Vivendo em Moscou nos anos de 1930-

3132 e trabalhando na organização dos escritos de Marx no Instituto Marx-Engels-Lênin,

32 Depois da derrota de revolução húngara de 1919, Lukács teve Viena como sua principal residência,

52 Lukács esteve entre os primeiros a tomar contato com esses Manuscritos de Marx, até então desconhecidos. Sobre essa descoberta, nosso autor afirmou em entrevista a Leandro Konder, em 196933:

Quando estive em Moscou, em 1930, Ryazanov me mostrou os manuscritos escritos por Marx em Paris em 1844. Você pode imaginar meu excitamento: a leitura destes manuscritos mudou toda a minha relação com o marxismo e transformou minha perspectiva filosófica. (LUKÁCS, 1978, p. 49)

Nesse mesmo período, além dos primeiros textos filosóficos em que Marx expõe o pensamento que desenvolverá até o fim da vida, Lukács toma conhecimento também com os escritos filosóficos de Lênin que, como veremos, influenciaram significativamente sua concepção sobre a relação entre sujeito e objeto e o reflexo da realidade na consciência nos anos trinta.34 No Postscriptum de 1957 a “Meu caminho para Marx”, Lukács recorda:

Se se acrescentar que nós mesmos, naqueles anos, conhecemos as obras fundamentais do jovem Marx, sobretudo os Manuscritos Econômico-Filosóficos, como também os Cadernos Filosóficos de Lênin, terei apontado aqueles fatos que trouxeram grandes esperanças no início da década de trinta. (LUKÁCS, 1988, p. 96)

Não apenas o próprio Lukács em vários momentos esparsos em textos e entrevistas, mas também diversos estudiosos da sua obra reconhecem a importância da leitura dos Manuscritos de Paris na transformação do fundamento filosófico de seu pensamento e no princípio da maturidade marxista. De acordo com Celso Frederico e Mittenzwei35, o rompimento com o hegelianismo de sua última fase juvenil, presente em A teoria do romance e História e consciência de classe, deve muito ao contato com essa obra marxiana. Mittenzwei enfatiza a importância da leitura dos Manuscritos de Marx para a superação do idealismo presente na coletânea publicada em 1923. O aspecto central dessa contribuição, salientado por ambos os comentadores citados, é a consideração marxiana da objetividade. Conforme a exposição de Mittenzwei,

Moscou. Lá vive até meados de 1931, quando se transfere a Berlim. Em março de 1933, é expulso da Alemanha pelo governo fascista e se muda novamente à União Soviética. Ali vive emigrado por um longo período, até dezembro de 1944, quando retorna definitivamente a Budapeste. Do primeiro período em Moscou data o contato de Lukács com os Manuscritos de 44 e os textos filosóficos de Lênin. Ao segundo período em Moscou pertencem os Escritos de Moscou, que sintetizam os avanços de Lukács no campo estético-literário marxista, e que serão objeto de nosso terceiro capítulo. (Cf. ROSENBERG, J. “La vida de Georg Lukács”, in MITTENZWEI, W. (org.), Dialogos y controversias con Georg Lukács, op. cit.).

33 LUKÁCS, G. “Autocrítica do marxismo”. In: Revista Temas de Ciências Humanas – nº 4. São Paulo:

LECH, 1978. Entrevista concedida a Leandro Konder publicada pela primeira vez no Jornal do Brasil, edição de 24-25/08/1969.

34 Temos em mente aqui “Materialismo e empiriocriticismo”, que fundamenta as discussões em “Arte e

verdade objetiva”, cuja tematização do reflexo da realidade na consciência em geral e de alguns aspectos do reflexo artístico segue de perto os argumentos de Lênin.

35 MITTENZWEI. W. “La evolución de la postura de Georg Lukács em teoria literária”, in Diálogos e

53

Fascinara-o especialmente a exposição de Marx da objetividade como característica primária material de todo objeto e relação. Este era o ponto que concebeu como reificação em História e consciência de classe e que conduzira a falsas conclusões. (MITTENZWEI, 1979, p. 34)

Celso Frederico estende a mesma linha argumentativa e afirma que a consideração marxiana da objetivação permitiu a superação da identificação hegeliana de objetivação e alienação, ainda presente na coletânea de 1923. A compreensão da objetivação, ou a atividade prática dos homens, como elemento inerente ao processo de humanização e da alienação como objetivação degradada pelas condições histórico- sociais significou o salto para além do hegelianismo e o impulso em direção à maturidade. Nos termos de Celso Frederico:

A ênfase posta pelo jovem Marx na objetivação acenava, contrariamente [àquela identificação hegeliana], para uma outra visão da vida social. A objetivação, resultado da atividade do homem, é um dado perene da história da hominização, e não deve, por isso, ser confundida com a alienação, o resultado negativo da objetivação que se degradou momentaneamente devido a condições sociais superáveis. (FREDERICO, 2005, p. 69)

Mas é o próprio Lukács que o afirma em termos cristalinos em seu Posfácio de 1967 à reedição de História e consciência de classe:36

Seja como for, posso lembrar ainda hoje do efeito perturbador que tiveram em mim as frases de Marx sobre a objetividade como propriedade material primária de todas as coisas e de todas as relações. A isso se somou a compreensão, já exposta aqui, de que toda a objetivação é um modo natural – positivo ou negativo, conforme o caso – de domínio humano do mundo, ao passo que a alienação é um desvio especial em condições sociais determinadas. (LUKÁCS, 1974, p. 376)

Contudo, se os lineamentos filosóficos dos Manuscritos adquiriram para Lukács um sentido de originalidade, não se pode dizer que apresentem um conteúdo ausente nas demais produções marxianas. Ao contrário, nosso autor ressalta que a dimensão filosófica dos Manuscritos encontra-se presente em toda obra de Marx. Foi a leitura desfigurada pelas lentes hegelianas que o impedira de perceber a primazia da objetividade no pensamento de Marx, e apenas um texto novo pôde fazer com que esse aspecto lhe saltasse aos olhos, e impusesse a necessidade de reler a obra de Marx a partir dessa nova compreensão. Nas palavras de Lukács:

A leitura do texto de Marx [Manuscritos de 1844] arrasou todos os meus preconceitos idealistas de História e Consciência de Classe. /.../ É certo que já teria podido encontrar nos seus outros textos oportunidades para esta transformação teórica. Mas isso não acontecera, obviamente porque eu então os lia sob uma interpretação hegeliana, e só um texto inteiramente novo poderia provocar esse choque. /.../ Na altura não me preocupei nada: estava ébrio de entusiasmo por este novo começo. (Ibid., pp. 375-6)

36 In LUKÁCS, G. História e consciência de classe: estudos de dialética marxista. Porto: Publicações

54 Tampouco as descobertas filosóficas de 1930 constituem um marco isolado. Se a leitura desses textos representou um marco da “guinada” marxista de Lukács, no que respeita ao fundamento filosófico de seu pensamento, o próprio autor defende que a superação do fundamento sócio-político do idealismo hegeliano já havia encontrado expressão pouco tempo antes, em suas “Teses de Blum”, consideradas o primeiro texto fundado em concepções marxianas. Nosso autor insere entre parênteses na passagem acima citada o seguinte comentário: “A isto se soma, naturalmente, o fato de eu já ter superado os fundamentos políticos e sociais deste idealismo nas teses de Blum”. Sem pretender adentrar o tema político específico, ainda mais por se tratar de um texto “de circunstância”, como Lukács afirma em seu Posfácio de 1967, convém fazer uma breve apresentação dessas “Teses”, particularmente por constituírem o marco inicial da maturidade do filósofo húngaro.

Blum era o pseudônimo que Lukács adotou em suas atividades clandestinas, e por isso ficaram conhecidas como “Teses de Blum” as Teses sobre a situação política e

econômica da Hungria e sobre as tarefas do PC húngaro37. Foram escritas em 1928 e apresentas no Segundo Congresso do Partido Comunista da Hungria em 1929. Em linhas gerais, as teses defendiam a exigência de enfocar a luta pelas reformas democráticas como resposta necessária à ascensão do nazi-fascismo; assim, apresentavam como temas centrais a necessidade de tomar o campo da democracia burguesa como campo de luta – tanto por reformas democrático-burguesas como por reformas verdadeiramente democráticas – e a necessidade da aliança de classe contra o fascismo.

No sentido da defesa da democracia burguesa como campo de batalha, Lukács defendia a “ditadura democrática do proletariado e do campesinato”, que constituiria a “realização perfeita da democracia burguesa”, como momento necessário e transitório da transformação da revolução burguesa para a revolução proletária. Uma vez que a realização da democracia burguesa não é compatível com o poder econômico e social da burguesia, o campo em que essa luta é levada a cabo “é, no sentido estrito da palavra, um campo de batalha, a frente de toda luta decisiva entre a burguesia e o proletariado”.38 De acordo com Mittenzwei, o mérito extraordinário das teses consiste precisamente em que foram escritas para reconhecer e combater o fascismo, cuja

37 LUKÁCS, G. “Blum Theses”, in: Political Writings 1919-1929. Londres: British Library of Political

and Economic Science, 1974. Trad. Michael McColgan.

55 ameaça era crescente. Assim, Lukács denunciava as chamadas “formas democráticas do fascismo”, que consistiam no rebaixamento do nível de vida da classe operária e a revogação do direito de greve. O fascismo procurava suprimir a democracia em nome da democracia.

Contra isso, a solução socialdemocrata, “democracia ou fascismo?”, não representava um programa de luta efetivo. Cumpria desmascarar a política de traição socialdemocrata; às alternativas desorientadoras desse partido cumpria opor a solução “luta pela ditadura democrática”. (MITTENZWEI, 1979, p. 31)

De maneira coerente, as “Teses” procuram discutir e estabelecer uma estratégia concreta para a aliança. Os problemas que elas suscitam viriam a constituir, a partir de 1935, as questões primordiais que o movimento operário internacional se colocou com a finalidade da luta antifascista, e as estratégias ali propostas seriam semelhantes àquelas que conduziriam as políticas da frente popular. Contudo, tanto no Congresso em que foram apresentadas, como no movimento operário internacional, as teses foram derrotadas, e Lukács acusado de oportunismo direitista. De acordo com Celso Frederico, no momento de discussão das teses,

a Internacional Comunista realizou uma guinada à esquerda39: a orientação seguida

considerava a social-democracia como “irmã gêmea do fascismo” e, conseqüentemente, ao rejeitar a política de alianças, procurava incentivar a política de “classe contra classe”. (FREDERICO, 2005, p. 68)

Lukács entrevia um período de reação, que o movimento histórico subseqüente confirmou. Assim, como Mittenzwei salienta, as teses não apenas revelavam uma apreensão precisa dos problemas presentes, mas também uma ruptura com o esquerdismo que predominava em História e consciência de classe. Essa ruptura se manifesta na proposta de aliança de classe contra o fascismo, embora sem perder de vista a perspectiva da revolução proletária, a superação da sociedade de classes. Assim, Mittenzwei sintetiza o significado das “Teses”:

As “Teses de Blum” não são, certamente, apenas um projeto ou uma proposta para uma política unitária e de frente popular. Ainda que a fixação de um objetivo semelhante constituísse já um programa bastante amplo. Em seu conteúdo estratégico e filosófico, são o conceito de uma ação anticapitalista e anti-imperialista numa situação não revolucionária. Lukács reconheceu de imediato a ameaça que o fascismo representava. Foi consciente desse perigo e da força que a reação ainda poderia tomar. Instruído pela experiência, contava com um largo período de restauração. O processo seguido até 1933 pareceu confirmar suas previsões. (MITTENZWEI, 1979, pp. 33-4)