• No results found

Metode

In document 124.pdf (909.1Kb) (sider 7-11)

Alguns estudos têm especial significado para a compreensão dos processos individuais envolvidos na experiência14 daqueles que fazem parte do público-alvo do ensino profissionalizante15. Tais experiências particulares e individuais, contêm a estrutura social na qual se realizam, podendo ser reveladoras também de seu contexto mais amplo e do impacto da modalidade educacional na sociedade.

Dentre estes estudos, o trabalho de Franco e Serber (1990), que investigou “a função social do ensino técnico industrial no contexto da relação que se estabelece entre educação e trabalho, na realidade brasileira” (p.1), oferece contribuição de suma importância.

As autoras efetuaram um estudo de caso de uma escola técnica federal, privilegiando o estudo dos seus egressos. Com isso, procuraram conhecer as características de uma escola técnica industrial; confrontar dados qualitativos e quantitativos para detectar pontos críticos, acertos, desacertos e distorções e

14 Sob o rótulo de “experiência” são considerados trabalhos que têm como objeto de estudo relatos de indivíduos a respeito da experiência passada e presente e projeção futura da vida profissional, relacionada ou não a outros aspectos da vida pessoal e social. Neste sentido, estudos que abordam as trajetórias educacionais e profissionais são particularmente relevantes para a revisão de literatura. Pesquisas que abordam as escolhas educacionais e profissionais podem representar material de interesse, apesar de contemplarem uma parte limitada a um único momento da trajetória educacional e profissional. Também as investigações dos projetos profissionais são capazes de relacionar aspectos individuais ao contexto social, visto que o projeto profissional relaciona a história passada e presente para a projeção do futuro. As respostas que compõem a classe de comportamentos envolvidos na projeção da vida profissional também são determinados socialmente, possibilitando a visão do sistema social e da cultura contidos em sua particularidade. Percepções e expectativas sobre a vida profissional como fenômeno estudado podem contribuir de forma semelhante.

15 São considerados relevantes para a compreensão da trajetória ocupacional da clientela do ensino profissionalizante de nível médio os estudos relacionados à experiência de indivíduos que compartilham características comuns a este público. Egressos do ensino técnico de nível médio, trabalhadores de classes subalternas, jovens de baixa renda, participantes de cursos profissionalizantes e de cursos de qualificação profissional são exemplos de possíveis populações cujo estudo deve ser considerado para a revisão da literatura. A discussão de temáticas pertinentes àquelas reveladas pelas histórias de egressos do ensino técnico presentes na origem do atual trabalho, também influenciaram a seleção da bibliografia.

identificar condições de subsistência, inserção no mercado de trabalho, trajetória escolar, necessidades, dificuldades, representações sociais, expectativas, aspirações e nível de participação social e política dos egressos.

O estudo contou com a coleta de dados a respeito da escola por meio do contato com diretor, docentes, equipe técnica, alunos, visitas à escola e enquetes enviadas aos egressos. Franco e Serber (1990) optaram, na enquete, por um “questionário reflexivo”, no qual são inseridas questões provocativas, que oferecem oportunidade para a reflexão a respeito “de suas condições de vida enquanto produto de uma estrutura social contraditória” (p. 22).

O questionário enviado pelas autoras foi composto por questões abertas e fechadas. Em um primeiro bloco de perguntas, foram investigada a origem social e identificação do egresso; no segundo, as perguntas enfocaram a situação ocupacional do egresso e na última parte do questionário, foi explorado o conjunto de representações sociais do egresso a respeito da escola, do mercado de trabalho, da sociedade, suas expectativas e aspirações.

A enquete foi enviada para 2045 concluintes de cursos técnicos da escola entre os anos de 1985 a 1988, dos quais foram obtidas respostas de 550 egressos (27%).

A escola selecionada para o estudo de caso foi a Escola Técnica de Campos (RJ). As autoras descrevem a cidade de Campos como pertencente a um pólo produtor de açúcar e álcool, além de ter na atividade petrolífera um importante determinante da economia e da absorção da mão de obra da região

Franco e Serber (1990) observam que a oferta de cursos da escola é determinada pela demanda da região por mão de obra. A escola é muito bem equipada, como é regra para as escolas da rede federal, mas tem diferenças em relação às outras escolas da rede federal no que diz respeito ao seu funcionamento e à sua organização. A escola tem projetos e programas voltados para a democratização do ensino e integração com a comunidade e com as empresas. O projeto mais

polêmico mencionado pelas autoras origina-se em uma medida do diretor, eleito em 1986 por eleição direta (fato inédito na rede federal de ensino técnico), e objetiva a democratização do processo seletivo, tomando como critério, além do domínio dos conteúdos escolares, a realidade sócio-econômica do candidato, procurando evitar a seleção de muitos candidatos que não querem a terminalidade do ensino técnico ou não precisam dela.

As respostas às questões de identificação do egresso, presentes na enquete, permitiram que as autoras caracterizassem a clientela do ensino técnico na Escola Técnica Federal de Campos, no período estudado. Trata-se de um público predominantemente masculino. Como não havia qualquer entrave institucional para o ingresso de mulheres na escola, as autoras atribuem esta característica da clientela às expectativas sociais tradicionais sobre o papel feminino na sociedade, expectativas que tomam como mais apropriadas atividades afastadas da produção. Ainda há distribuição distinta de alunas do sexo feminino em diferentes cursos da escola, o que as autoras atribuem a dois fatores: a discriminação da mulher em determinadas áreas do mercado de trabalho e a organização curricular dos cursos em que predominam mulheres, compostos por mais matérias básica, facilitando a continuidade dos estudos àqueles que não necessitam de inserção imediata no mercado de trabalho.

Quanto à idade dos egressos, Franco e Serber (1990) constaram, na amostra, 45% de egressos que concluíram o curso com mais de 20 anos de idade, o que permitiu que elas observassem que estes alunos tiveram uma trajetória escolar tortuosa, marcada por um ou mais anos de atraso. Porém, as autoras ressaltam que este dado não difere daquele encontrado no sistema escolar brasileiro, especialmente na rede pública.

Em relação aos pais dos egressos, Franco e Serber (1990) perceberam um aumento crescente do acesso à escolarização por membros das camadas menos

favorecidas, manifestado pelo avanço da formação técnica para os egressos em relação à maioria dos pais, que possuíam apenas o 1º grau16.

Em relação à motivação que levaria o egresso a buscar o curso técnico na escola, Franco e Serber (1990) revelaram que 46% dos egressos responderam que a habilitação escolhida era requisitada no mercado de trabalho, 24% das respostas dadas atribuíram a escolha ao gosto pela área e 11% à escolha a boa qualidade do ensino no colégio em relação aos outros colégios da região.

As autoras argumentaram que a possibilidade de já estarem aptos para entrar no mercado de trabalho ao final do 2º grau17, por ter uma profissão regulamentada, era um grande atrativo para estes jovens. Elas ainda destacaram a consciência destes jovens da dificuldade de continuação de estudos, seja por terem que trabalhar para se sustentarem, em função de suas condições sócio-econômicas, ou pela fragilidade dos conteúdos escolares adquiridos, em geral insuficientes para que concorressem às poucas vagas no ensino superior18.

Baseadas no processo seletivo do ano de 1989, as autoras perceberam que havia diferentes status entre diferentes cursos oferecidos pela escola, sendo a procura maior pelos cursos que ofereciam inserção facilitada no mercado de trabalho, ou seja, os cursos de Mecânica e Eletrotécnica. Além do status do curso, a procura pela escola também era influenciada pela ótima formação de 2º grau que oferece para aquele que, por terem melhores condições, pretendem prestar o vestibular.

16 Grau de formação escolar equivalente ao atual Ensino Fundamental após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 1996, ou seja, 6 anos após a publicação do trabalho de Franco e Serber (1990).

17 Grau de formação escolar equivalente ao atual Ensino Médio após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 1996, ou seja, 6 anos após a publicação do trabalho de Franco e Serber (1990).

18 As autoras devem se referir às vagas nas universidades públicas, consideram que no período em que o estudo foi realizado o ensino superior privado não oferecia tantas vagas em tantas localidades quanto hoje.

No que diz respeito à situação ocupacional dos egressos, Franco e Serber (1990) encontraram um alto índice de inserção no mercado de trabalho (69%) e uma relação muito estreita entre a formação técnica e a atividade desempenhada pelo egresso. As habilitações cujos egressos apresentaram maior percentual de inserção na área de formação foram os cursos de Mecânica e Eletrotécnica, o que corrobora os dados de que estes seriam os cursos com maior absorção pelo mercado.

Uma alta mobilidade de emprego, marcada por uma maioria dos egressos estar em seu emprego atual há menos de um ano, é relatada pelas autoras. Pelas respostas ao questionário, Franco e Serber (1990) entenderam que o ingresso e permanência destes jovens em seus empregos se dava independentemente da escola, e que a definição das atividades da função de técnico fica a encargo da empresa empregadora. Os egressos atribuíram, entre outros problemas, a insatisfação com o trabalho à falta de clareza, durante o período de formação, a respeito da função de técnico, de quais são seus direitos e de como é a relação deste profissional com o mercado de trabalho.

Apesar da alta mobilidade de emprego, Franco e Serber (1990) relataram que a maioria dos egressos procuram emprego em sua área de formação e, mesmo aqueles que exerciam outra profissão, esperam ser valorizados como técnicos de nível médio.

Mesmo sendo identificada pelas autoras uma maior remuneração dos egressos em relação àqueles que trabalhavam em outras ocupações19, era frequente o relato de insatisfação em relação à remuneração pelos egressos. Os egressos também demonstraram insatisfação em relação à falta de aplicação dos

19 As autoras não esclarecem a que se referem quando falam sobre “outras ocupações”. Não é possível saber se elas comparam a remuneração do egresso com a remuneração de egressos do ensino médio normal ou se a comparação é da remuneração recebida por egressos que trabalham em sua área de habilitação técnicas com àquela recebida por egressos do ensino técnico que trabalham em outras áreas ou ainda se o parâmetro usado pelos egressos do ensino técnico é a remuneração de pessoas próximas que apresentam condições sociais e econômicas semelhantes, independente de sua escolarização.

conhecimentos adquiridos durante a formação profissional à prática cotidiana de seus trabalhos.

Franco e Serber (1990) perceberam que os egressos não tinham clara a função do técnico dentro da empresa. As autoras entenderam que as empresas utilizavam este profissional como mão-de-obra barata para a execução de tarefas que não exigiam especialização ou não permitiam que o jovem utilizasse todo o seu potencial.

Na opinião de Franco e Serber (1990), a discussão da formação técnica não deveria buscar adequá-la ao mercado ou determinar qual deveria ser a prática educativa e a prática dentro das empresas do profissional técnico. Para as autoras, seria necessário entender as forças sociais que atuavam sobre a escola, as práticas educativas e o mercado de trabalho, a fim de discutir melhor a formação do técnico e o caminho percorrido por este a partir do momento em que deixavam a escola.

Quanto às dificuldades enfrentadas no exercício profissional, 30% dos egressos responderam ter problemas ligados às tarefas que realizavam, 27% indicaram questões relacionadas à dificuldade de inserção no mercado de trabalho, 20% declararam não ter encontrado dificuldades, 17% indicaram dificuldades em relação à formação recebida e apenas 6% responderam ter problemas de ordem pessoal. Franco e Seber (1990) chamaram a atenção para o fato de os egressos não apresentarem preocupação com uma possível falha da escola em relação à formação destes como cidadãos, demonstrando uma perspectiva pragmática e imediatista em que a formação profissional deveria pautar-se pelas expectativas do mercado, ou seja, atender aos interesses do capital.

Contrariando a posição dos egressos de haver dificuldades no exercício profissional, a maioria destes, quando perguntados, respondeu que não precisavam fazer algum curso complementar. Franco e Serber (1990) atribuíram

este resultado a uma idéia, que entendiam como muito comum entre alunos de cursos médios profissionalizantes, de que é na prática que se aprende.

Ao avaliarem a formação profissional recebida, as habilidades técnicas receberam o maior número de críticas pelos egressos. Tais críticas eram direcionadas, principalmente, à insuficiência a e baixa quantidade de aulas práticas, à subutilização dos recursos físicos e à baixa utilização dos conhecimentos práticos adquiridos na vida profissional. Ainda assim, 26% dos egressos sugeriram, por suas respostas, que as habilidades técnicas vinham sendo utilizadas na vida profissional e eram importantes para a mesma.

Novamente, Franco e Serber (1990) identificaram, no discurso dos egressos, a relação entre educação e trabalho frequentemente entendida como relação escola-empresa, sendo que a primeira atende às necessidades da segunda, ignorando-se a tarefa da escola de formar o cidadão, de forma que este possa compreender e manipular um mundo extremamente complexo, permitindo que usufrua dos avanços produtivos e tecnológicos propiciados por este mundo. Para as autoras, a escola parecia não abrir possibilidades para deixar de ser um centro de reprodução de mão-de-obra.

Os egressos também foram investigados por Franco e Serber (1990) em relação à continuidade de seus estudos. Da amostra, 82% dos egressos declararam não estar cursando o ensino superior, sendo que 66% responderam que não tinham condições de fazê-lo, 14% disseram não ter interesse em cursar a faculdade e 10% se refeririam à dificuldade de ingresso no ensino superior devido à insuficiência de sua formação.

Entre os egressos que iniciaram o ensino superior, 18% pareciam conciliá-lo com a formação técnica. Entretanto, na maioria das vezes, matricularam-se em cursos noturnos na área de Ciências humanas, o que Franco e Serber (1990) interpretaram como um “prêmio de consolação” para aqueles que vislumbravam uma possibilidade de ascensão social via obtenção de um título no ensino

superior. As autoras ainda entenderam que a organização do sistema educacional brasileiro inviabiliza o acesso de egressos da rede pública de ensino médio à rede pública de ensino superior.

Para Franco e Serber (1990), a realidade na escola técnica pesquisada era diferente da realidade do ensino técnico no país. Porém, perceberam algumas contradições, pois, apesar dos ideais democráticos, ainda havia um pesado compromisso da escola com a formação técnica que prejudicava tais ideais. Para as autoras, os egressos não estavam preparados para apreender o funcionamento do modo de produção capitalista de forma que pudessem reivindicar seus direitos. Franco e Serber (1990) entendiam que:

(...) competência técnica e compromisso político são indissociáveis para aqueles que tentarem oferecer contribuições para a formação do técnico de nível médio, desenvolvendo a consciência crítica do estudante-trabalhador, explicitando o conceito de trabalho do ponto de vista histórico e social, e levando-os à compreensão de seu papel histórico (p. 51).

Ao analisar o caso estudado, Franco e Serber (1990) criticaram a profissionalização estreitamente atrelada às necessidades do mercado e propuseram uma organização dos currículos de 2º grau em torno do trabalho, visto como “princípio educativo”. As autoras também salientaram a necessidade de investigações futuras que contemplassem as relações entre educação, ciência, tecnologia e trabalho, começando pela verificação do real efeito dos avanços científicos e tecnológicos.

O estudo de Franco e Serber (1990) traz especial contribuição para a compreensão das trajetórias educacionais e ocupacionais da clientela do ensino técnico, visto que priorizou informações obtidas junto aos egressos de cursos técnicos. A escolha de uma escola em particular para o estudo de caso possibilitou relacionar as respostas dos egressos à sua realidade educacional e às atividades produtivas da região. Alguns aspectos da trajetória ocupacional e educacional dos egressos foram explorados pelas autoras, levantando questões

como a influência das atividades econômicas locais, a escolha do curso técnico e a habilitação para o trabalho, que também são questões presentes nas trajetórias de egressos que tive acesso. Estas questões se tornam ainda mais familiares pelo fato de a escola estudada ser da mesma rede que a escola que frequentei e ainda ter sido realizado no mesmo período em que cursei o ensino técnico, assim como a maioria dos egressos que conheço.

Outros estudos mais recentes20 apresentam achados sobre egressos e estudantes de cursos técnicos em diversas áreas, além de aspirantes a estes cursos. Estes estudos foram realizados em diferentes cidades do Brasil e instituições.

Trevisan e Veloso (2007) tiveram como objetivos investigar origens e expectativas da clientela de escolas técnicas, identificar motivos das escolhas profissionais e avaliar as políticas públicas que buscam equilíbrio entre o conhecimento adquirido na escola e o exigido pelo mercado de trabalho, já que os autores partem da premissa de que há incompatibilidade entre o perfil da demanda de mão-de-obra de padrão médio de qualificação e seu tipo de oferta. Para cada objetivo, foi atribuído um núcleo específico de observação.

Foram pesquisadas pelos autores duas unidades do Centro Paula Souza, instituição do governo estadual paulista. As escolas foram escolhidas pelo vínculo do currículo de seus cursos com o setor de telefonia. Também foram pesquisadas duas empresas na área de telefonia.

Trevisan e Veloso (2007) realizaram um estudo exploratório utilizando o método indutivo visando generalizações sobre a coleta de dados e procedimentos quantitativos e qualitativos. A amostragem da pesquisa foi não-probabilística,

20

Vários trabalhos foram produzidos na última década que abarcam, em algum sentido, trajetórias e/ou expectativas de alunos e/ou egressos do ensino técnico. Estes trabalhos foram acessados, mas nem todos são relatados neste capítulo. Sobre a totalidade destes trabalhos, é importante salientar a observação de que a maioria deles abordaram instituições públicas, da rede estadual ou federal. Os poucos restantes, abordavam instituições particulares gratuitas ou de grande prestígio, como as instituições do “Sistema S”. Nenhum dos trabalhos abordou trajetórias de alunos e/ou egressos de instituições particulares de menor prestígio, o que, entre outras questões enfrentadas no presente estudo, levam a delimitações do método utilizado.

utilizando-se amostra proposital. As entrevistas utilizaram roteiros semi- estruturados.

Para a investigação do primeiro núcleo (origens e expectativas da clientela), foram realizadas reuniões com o corpo diretivo da escola, junto ao qual foi constatada uma concorrência para o ingresso nas escolas em torno de 12 candidatos por vaga. Quanto à origem dos ingressantes, os dirigentes reconhecem sua dificuldade em indicar escolas públicas das proximidades que tivessem maior incidência de ingressantes na escola técnica.

O perfil dos ingressantes, segundo os dirigentes, não segue um padrão, sendo o corpo discente composto por jovens com necessidade de profissionalização para viabilização do ingresso no mercado de trabalho e adultos em situação de desemprego ou com necessidades de aprimoramento ou certificação para melhoria das condições de trabalho.

A motivação para estudar nas escolas estudadas por Trevisan e Veloso (2007), conforme os autores constataram pela versão da coordenação, são a gratuidade, a imagem de eficácia na colocação no mercado e a qualidade de ensino das instituições.

Apesar da exclusão ocasionada pelo processo seletivo, os dirigentes consideram o vestibulinho importante para a democratização do acesso às vagas e para a homogeneização do nível dos alunos, aprimorando o nível do ensino.

Na visão dos professores, as escolas de ensino básico, não informam os alunos das possibilidades de curso e não os influenciam na escolha de um curso técnico e os alunos ingressam com a idéia de que os conceitos teóricos estariam em segundo plano, já que ingressaram em um curso técnico.

Pelos dossiês levantados por Trevisan e Veloso (2007), 62% das vagas preenchidas pelos alunos do primeiro ciclo foram preenchidas por alunos oriundos

de 133 escolas diferentes em uma das escolas e, na outra, 58% eram oriundos de 174 estabelecimentos de ensino.

Para os educadores, tais escolas reuniam a elite do ensino público. Os autores compreendem que o ensino profissionalizante na rede pública funciona como uma válvula de contenção e de exclusão social (Trevisan e Veloso, 2007).

Na investigação do segundo núcleo (identificação dos motivos das escolhas profissionais), as entrevistas com os coordenadores, segundo os autores, indicaram que a infra-estrutura das escolas são um estímulo à demanda pelos cursos e que, para os pais dos alunos, a localização tem grande importância, embora considerem o perfil curricular um diferencial no mercado de trabalho.

Os coordenadores identificam expectativas quanto ao mercado de trabalho mais

In document 124.pdf (909.1Kb) (sider 7-11)