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3. Teaching proposal

3.3. Methodology

As entrevistas são fonte de conhecimento sobre alguns aspectos objectivos dos processos de descentralização, porque revelam não só o que aconteceu na leitura dos entrevistados que nos dão informações, algumas em primeira mão, sobre um passado recente e ainda não estudado, permitindo uma reconstituição do acontecido, mas porque revelam também a reflexão que os actores, hoje, fazem do processo, decorrido mais de uma década sobre a sua acção política.

A par de um discurso contextualizado e personalizado, feito por actores significativos e significantes, as entrevistas registam também, em certos passos, uma explicação demonstrativa da política governativa da época (caso dos Ministros da Educação, dos Secretários Regionais de Educação e de Quadros Dirigentes da ANMP).

Os actores entrevistados são actores política e culturalmente muito informados sobre as questões colocadas e, por isso, constituíram para nós como que um “sounding board”, relativamente ao nível teórico da investigação9.

Os critérios de escolha destes actores foram determinados em função do tempo, do espaço e da acção.

Como actores significantes, escolhemos os dois Ministros da Educação que fizeram as últimas reformas estruturais da Administração Central, como actores significativos das Autonomias Regionais, os Secretários Regionais fundadores, que negociaram o processo de transferência de competências e os Secretários Regionais mais significativos pela permanência no cargo no período em estudo, e quadros dirigentes da Associação Nacional de Municípios que

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A este propósito Walford (1994: 227-228), cita a este respeito Moyser (1988) nos seguintes termos”

interviews with elite members differ from many interviews with those who are less powerful in that these interviewees can act as experts about events, processes, institutions and other powerful individuals. They will usually be exceptionally well informed about the issues in question, and may well have a good understanding of social science research. They can sometimes be used as sounding boards for tentative theories and as aids to guide the path of research programme.”

negociaram o processo de transferência de competências (o Secretário Geral que ainda hoje se mantém no cargo, o Secretário Adjunto e o elemento de ligação que fez parte do grupo interministerial de transferência de competências como representante da ANMP).

As entrevistas só foram concebidas e realizadas depois de termos concluído a leitura crítica da inovação e mudança no Capítulo VII, a qual foi enriquecida, em certos pontos, em resultado do confronto com o conteúdo das entrevistas.

CONCLUSÃO

Considerando a problemática equacionada e as respectivas questões de investigação, os objectivos e as hipóteses de trabalho definiu-se o percurso metodológico e diferenciaram-se as fases de investigação.

Na primeira fase, procedeu-se à construção do quadro teórico de análise, na segunda fase realizámos o trabalho empírico de investigação, que se foi construindo à medida que o estudo decorria e emergiam novas questões.

Para além das questões metodológicas e de critério, colocou-se ainda a questão ética da relação do entrevistador com os entrevistados, na medida em que este fizera parte da equipa dos dois ministros entrevistados e de um Secretário Regional da Educação e pertencera ao grupo interministerial de negociação de transferência de competências para as Autarquias, em representação do Ministério da Educação, tendo representado ainda o Governo, no Conselho Nacional de Educação.

A esta questão, que já tinha sido levantada ao nível da análise documental e para além dos esclarecimentos já referidos, resta acrescentar, no que diz respeito às entrevistas, que a relação entre entrevistador e entrevistado foi de respeito mútuo.

Foi uma conversa com uma finalidade.

Por um lado, isso pode atribuir-se ao facto de haver já um distanciamento temporal suficiente relativamente às matérias abordadas, aliás significativamente referido por todos ou quase todos os entrevistados que estão afastados do poder há dez ou mais anos10 e, por outro lado, devido ao facto de todos os entrevistados terem mostrado compreender que o interesse da entrevista não era pessoal, mas uma análise distanciada e desapaixonada, numa profunda compreensão até teórica dos acontecimentos.

Pensamos mesmo que alguns dos actores entrevistados sentiram que estavam a contribuir para documentar um certo período histórico da Administração da Educação e que todos tinham a compreensão daquilo que uma investigação académica envolve.

Como nota final, acrescentaremos que neste trabalho de investigação há uma interacção da experiência do investigador com a dos entrevistados e o resultado é um estudo informado tanto pela compreensão subjectiva de um observador interno aos processos (insider), como

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São excepções um Secretário Regional da Madeira que cessou funções na Educação há sete anos e a ANMP que se mantém com os mesmos dirigentes o que, do nosso ponto de vista, constituiu uma vantagem pela perspectiva comparativa que introduziram nos seus pontos de vista e porque a ANMP funciona como estrutura política independente do governo.

pela perspectiva socio-histórica de um observador externo (outsider), isto é, que se coloca numa posição exterior ao processo, mas que é conhecedor da cultura administrativa.

A lógica da problemática da investigação é uma lógica de descoberta, de exploração de construção emergente, na qual a Administração do Sistema Educativo é entendida como uma problemática e não como uma matéria caracterizável ex ante.

Poder-se-á suscitar porventura a dúvida sobre se a aceitação do discurso dos entrevistados não pode correr o risco de reproduzir o discurso do poder.

O investigador não entende assim, visto que o que se procura conhecer e saber são as motivações e as contribuições individuais para a construção das políticas, as dificuldades surgidas, a representação dos actores, as quais se analisam e validam com o recurso a outras fontes e em contextos teóricos e metodológicos distintos.

CAPÍTULO IV

MUDANÇA SOCIAL, REGULAÇÃO