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8.5 Methodological and ethical considerations

8.5.1 Methodological considerations

A nossa terceira pesquisa deveria ocorrer em uma agência de crowdsourcing ou colaborativa, como previsto em nosso corpus, com um sistema de trabalho bastante aberto, inclusive pela possibilidade de contar com profissionais que não sejam necessariamente efetivos, contratados por job, e que não se localizam no mesmo “tempo e espaço” (home

ao sigilo das informações dos clientes, às formas de remuneração e ao comprometimento com o trabalho (prazos e especificações do briefing).

Tendo em vista a ausência desse modelo, buscamos uma agência que tivesse um perfil colaborativo, ainda que configurado sob outros moldes organizacionais, por exemplo, o fato de muitos profissionais terem vínculo, como ocorre na agência pesquisada, que realiza projetos que mobilizam diferentes pessoas para a criação e execução de campanhas. Pessoas e também empresas, uma vez que, nas palavras do CEO/presidente e diretor criação, estas funcionam como um “ecossistema”. A agência faz parte de uma holding, cuja estrutura organizacional é híbrida; são várias empresas amalgamadas que funcionam conjuntamente (ou não), dividem um mesmo espaço com diferentes áreas, como ocorre com a criação. Ocupa um andar inteiro de um edifício localizado na zona sul de São Paulo, entre o quadrilátero das avenidas Nações Unidas e Santo Amaro, Bandeirantes e Jornalista Roberto Marinho.

A nossa pesquisa foi realizada em uma das agências de publicidade da holding, a que tem mais tempo no mercado, 12 anos (a outra agência fica em um andar diferente no mesmo edifício e tem um modelo de trabalho similar, com uma forma de remuneração alternativa) e que atende contas de diferentes produtos alimentícios de um conglomerado multinacional, várias bebidas de outro grupo, também multinacional, marcas de produtos esportivos, canais de televisão, entre outros produtos e serviços.

O CEO/presidente e diretor de criação tem formação multidisciplinar, em programação, em estratégia de gestão e em publicidade, com um perfil mais digital e de tecnologia. Atua como diretor de criação da agência e centraliza as decisões sobre as demais empresas da holding. Apesar de se posicionar como uma agência de propaganda, com um

slogan bastante propositivo (que não podemos citar), o sócio e presidente não a considera

uma agência de propaganda, o que sinaliza mudanças no modelo de negócio:

[...] a gente usa o nome agência só porque ele carrega essa semântica, esse significado mesmo [...] só que (no conceito da agência expresso no slogan, que não podemos citar) não existe agência, não faz nenhum sentido. Pensa que agência é agente, é intermediário. No mundo, nasce todo dia um cara querendo “matar” um intermediário, porque a oportunidade de negócio está no meio. Quando a rede toda se conecta, e agora isso começa a ficar visível, quase se enxerga a malha da rede, a conectividade, a internet ajudou a exemplificar... todos os conceitos, até os conceitos de rede, redes de pessoas, tudo [...] A agência e o veículo, que é o meio, esse business (aqui), teoricamente não existe no futuro [...] essa estrutura não vai existir, é o que eu acho [...] não é que vai morrer o business do jeito que é hoje e vai existir outra coisa, mas vai se transformar [...] não existe uma mudança que sai daqui e vai pra cá, existe um processo de transição, agora, não vai ser mais devagar [...] (CEO/PRESIDENTE/DIRETOR DE CRIAÇÃO, agência colaborativa).

relações pessoais, mas a partir de um e-mail disponível no site (que não traz conteúdo algum), respondido por um profissional que agendou a primeira visita. A função desse profissional é híbrida (como acontece com muitas outras empresas): responsável pela comunicação da

holding da qual faz parte a agência, pelo desenvolvimento humano e por uma “experiência

transformadora de trabalho”, dentro das empresas e fora delas. Pessoalmente, quis detalhes da pesquisa e explicou o funcionamento do grupo. Esse profissional também intermediou a nossa solicitação envolvendo mais duas pessoas, a assistente do diretor de criação que também é tráfego da criação, e outra do departamento jurídico, responsável pela autorização e que, no primeiro contato, relatou os termos sobre os quais a pesquisadora deveria estar atenta devido às exigências do sócio majoritário internacional, principalmente quanto à confidencialidade.

Alguns dias depois da troca de e-mails, recebemos um documento similar a um contrato, que estabelece os critérios da confidencialidade absoluta: todas as informações sobre as empresas, clientes e dados devem ser mantidos em sigilo, sob pena de multa e processo. Ficou combinado, inclusive, a entrega de uma cópia da tese para leitura e verificação antes da finalização. Como relatado pela pessoa que enviou esse contrato, é um documento padrão, assinado por todos os que trabalham nas e com as empresas, uma vez que são projetos que requerem profissionais diversos, de dentro e de fora da holding e, por isso, são advertidos sobre o uso indevido das informações.

Após a confirmação da data de início, fomos convidados a participar de um evento de boas-vindas, junto de outras pessoas que ingressavam na holding. Nesse evento, profissionais da área de desenvolvimento humano fizeram uma apresentação sobre a cultura das empresas (trabalhos desenvolvidos; posicionamento de cada empresa; o que fazem e de que maneira se comportam no mercado, além de especificidades, como o envolvimento com estudos sobre neurociência para processos criativos). Na apresentação, todos participaram de uma atividade e, ao final, assinaram o termo de confidencialidade, que a pesquisadora já havia entregado.

Os antecedentes do campo aqui descritos estão na ordem cronológica da realização das pesquisas, porém, para os demais relatos, questões e observações sobre os espaços e fluxos de trabalho, utilizamos a ordem prevista no corpus – agência tradicional, digital e colaborativa – junto da perspectiva teórica, com autores e conceitos que nortearam a nossa investigação. Antes, realizamos um percurso diacrônico que consideramos fundamental para a compreensão dos processos da publicidade hoje e suas lógicas permeadas pelo desenvolvimento dos meios e os movimentos da artes, não nos referindo ao passado como aquilo que se conta, memória, mas como acesso ao nosso entendimento do presente.