2. Jernbanen
2.2 Systemet jernbane
2.2.1 Mer om Planoverganger
Dentro da religião o fenômeno religioso pode ser analogicamente comparado a uma praia. No sentido de que assim como uma praia é constituída pelas suas partes (vegetação, areia, seres vivos, oceano, etc.) ele está numa posição que abrange ao mesmo tempo a totalidade da religião. Alguém pode, inclusive, admitir essa analogia pela obviedade do que significa o fenômeno em si como sistematizou Husserl
(1996)11, mas essa suposta trivialidade dessa analogia, se dissolve nas alturas da profundeza do oceano, na dimensão de Educação ontológica que o ER centrado no modelo das Ciências das Religiões representa.
Isso é cognoscível quando verificado de acordo com o entendimento que Holanda (2011) aponta entre a função da Tradição Religiosa encontra-se o ramo de educar para a vida, bem como, na sensibilidade de muitos pesquisadores que transitam pelo campo da religião, como denotam as palavras de Rubens Alves:
A religião fala sobre o sentido da vida. Ela declara que vale a pena viver. Que é possível ser feliz e sorrir. E o que todas elas propõem é nada mais que uma série de receitas para a felicidade. Aqui se encontra a razão por que as pessoas continuam a ser fascinadas pela religião, a despeito de toda a crítica que lhe faz a ciência [...] a dura lição que aprendemos da ciência é que o sentido da vida não pode ser encontrado ao fim da análise científica, por mais completa que seja. (ALVES, 1984, p. 53 – 54, grifos nosso).
Então, alusiva ao que tange as sensibilidades e complexidades na averiguação das formas de compreensão do educando sobre o fenômeno religioso desses professores, conforme elas foram examinadas em suas narrativas nas diversas perspectivas temos que: “[...] então tem hora que você olha e diz: o que é que eu estou fazendo aqui? Eu consegui? Ou não consegui? Há avanços, claro! Mas há desafios maiores do que os avanços. De conscientizar esse alunado, de conscientizar esse público” (Professor 05).
Ah! É difícil essa pergunta de responder.
Os alunos normalmente, há um problema hoje na educação por parte dos nossos discentes que é exatamente o pouco interesse que eles têm pelo ensino no Brasil.
Isso sim eu vejo todas, em todas as camadas sociais, não só das escolas públicas como das escolas particulares.
11 Husserl (1996, p. 7) conceituou a abordagem fenomenológica como parte da concepção filosófica de
entendermos a fenomenologia como a ciência do que aparece na consciência e como a ciência das coisas e do mundo, analisando o fenômeno de acordo como diz Rezende (1990, p.34): “... como uma estrutura, reunindo dialeticamente na intencionalidade o homem e o mundo, o sujeito e o objeto, mente e o corpo, existência e a significação”.
Segundo essa perspectiva Resende esclarece que a Fenomenologia não reduz a dimensão do ser enquanto pessoa a nenhum dos seus aspectos, embora importantes, como as dimensões corporal- espiritual, individual-social, teórico-prático, entre outras, mas em conservá-la num todo maior (Ibidem, p.36). Admitimos assim que um único aspecto da realidade não pode ser utilizado para abranger à realidade em sua totalidade, por isso a fenomenologia aqui empregada propõe uma leitura dialética da realidade, numa forma de entendê-la em todos os seus aspectos: histórico, social, político, sentimental e de vivência do homem.
O interesse dos alunos pela educação, em todos os níveis, não é apenas no sentido de aprender o conteúdo, no sentido de se envolver com o conteúdo, mas de passar de ano.
E isso é grave. É grave para a educação. É grave para o ministério da educação. É grave para o Brasil. [...]
O aluno não tem interesse em melhorar o seu conteúdo, melhorar a sua participação, de envolver-se na participação do conteúdo das escolas. E por isso, eles não levam muito a sério.
E eu tenho dúvidas a respeito do aprendizado desses alunos em todos os níveis da escola, em todas as áreas, não só de Ensino Religioso. É matemática, é português, ciências, artes, etc. Há um descaso por parte dos alunos também com relação a esse tipo de coisa. Você desculpe-me, mas é o que eu penso. (Professor 03).
Ademais, em meio a essa alusão averiguamos ainda formas do tipo:
De duas maneiras. Primeiro, primeiro pelo feedback. Como é que você sente isso? Pelo testemunho de algumas pessoas.
Eu dei aula numa escola e quando terminou o ano, a diretora me chamou. Eu trabalhava com criança de primeira série, do primeiro ano até o quinto, e ela me chamou na sala dela e chamou a equipe técnica e disse: professor a gente queria que o senhor ouvisse a opinião da equipe técnica sobre o seu trabalho. E foi unanime eles dizendo que: o Ensino Religioso quando entrou dentro da sala de aula, lá nessa escola, eles perceberam uma mudança total. Tanto no comportamento dos professores uns para com os outros dentro da sala de repouso dos professores. Como os alunos uns para com os outros dentro da sala de aula e os alunos com os professores. Foi unanime entre os professores a opinião em dizer que o Ensino Religioso estava modificando o comportamento dos alunos e dos próprios professores na escola. Porque eles pensavam que o Ensino Religioso ia tratar de religião em sala de aula e o Ensino Religioso trouxe para sala de aula algo que é maior do que a religião que é o amor. Então, isso aí traz para mim o feedback. (Professor 01).
Nesse viés de testemunhos bem-sucedidos de aprimoramento de consciência ontológica, são várias as histórias, com exemplos práticos das interações centradas na perspectiva da tolerância como diria Hall (1906)12, “Eu desaprovo o que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”:
12 Embora, essa frase e sua variante "Eu não concordo com uma palavra do que você diz, mas
defenderei até a morte o direito de dizê-las" seja atribuída a François-Marie Arouet (1694-1778), o qual é mais reconhecido pelo pseudônimo de Voltaire, ela não foi dita por Voltaire. Porém, devido ter sido utilizada pela escritora biografa de Voltaire Evelyn Beatrice Hall (1868-1956) para enfatizar a posição de Voltaire em um acontecimento envolvendo Claude-Adrien Helvétius (1715-1771), (HALL, 1906), algumas pessoas desprovidas ainda dos detalhes desse fato por equivoco citam essa frase atribuindo erradamente a Voltaire. Disponível em: http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/44/a- falsa-citacao-de-voltaire-investigacao-afirma-que-a-300467-1.asp Acessado em: 14/11/2014.
Eu vou responder essa pergunta com um exemplo de aula também. Eu tinha uma aluna, no quinto ano. E a gente conversando sobre a questão de valorizar a religião do outro e ela era evangélica, ela não está mais na escola. Ela me disse, me contou que: pediu, ela e um grupo de jovens que ela participava na igreja evangélica, deve participar ainda, pediram permissão ao pastor da igreja para participarem de um final de semana, numa igreja católica de um seminário, para entender, a questão: se realmente católico adorava imagens.
E eles participaram o final de semana todo, depois voltaram pro pastor, e disseram, que: católico não adoram imagens. Porque as pessoas lá e o padre explicaram bem direitinho a questão de adoração e veneração.
Então, na sala de aula ela me contou essa história e eu achei maravilhoso. Maravilhoso um grupo de jovens ter essa ideia. Maravilhoso um pastor de uma igreja evangélica permitir, liberar. E, assim, o resultado final foi lindo.
Na aula onde tinham uns alunos querendo discutir ou por conta da questão do menino que era evangélico, de outra igreja, não da igreja dela. E ele não queria aceitar a questão do católico e ela veio com essa história. E assim, deu um show. Um show de testemunho de
tolerância, com a religião do outro. (Professora 02).
Outros tipos averiguados de constatação são: cartazes, diálogos, trabalhos em grupos, aceitação das diferenças religiosas e aceitação de si mesmo e do outro:
Eh! Em meio de debates, onde cada aluno traz à tona os seus conhecimentos. Através também podemos entender de simulados que ele vai transmitir também para o papel aquilo que ele entendeu. Através de cartazes onde nós, através de cartazes nós estamos ali demonstrando, também, cada aprendizagem de cada aluno. (Professor 08).
Eles interagem comigo. E quando eu interajo com a turma, quando há um questionamento e um levantamento. E quando se trabalha em grupo, quando se trabalha em dupla. Então assim, quando há essa interação, esse diálogo, a gente ver que as crianças interagem mais, tem momentos que a aula passa quarenta e cinco minutos eles dizem: já terminou? Já. Mas foi tão boa a aula hoje. Porque teve uma interação, uma participação ambígua, tanto de um como do outro, na sala de aula. (Professor 04).
Então quando você começa a estabelecer diálogos e você percebe que eles já conseguem dialogar e eles já conseguem fazer essa ponte, sem ali estabelecer: a minha é verdadeira e a do outro é falsa. Aí você consegue perceber que você atingiu o seu objetivo. (Professor 06). Sabe que eu penso e tenho observado nos meus alunos é uma maior abertura. Ainda precisa ser trabalhado, esse diálogo, esse respeito ao outro, é tanto que essa resistência é um pouco. Mas de qualquer forma eu já percebo, que eles tão aceitando mais as diferenças religiosas em
sala de aula nesses longos nove anos. Eu percebo isso em sala de aula tranquilamente. (Professor 07).
Então, eu percebo quando ele começa a aceitar a si mesmo e quando começa a aceitar o outro, quando começa a aceitar a religião do outro, quando começa a aceitar a cor do outro. [...] Então, isso é gratificante e abrir as discussões assim, mostrar para o aluno que o importante, o mais importante do que a religião é mostrar que todos nós somos criados e somos irmãos. (Professor 09).
Então, fica nítido nessa averiguação das formas de compreensão do educando sobre o fenômeno religioso desses professores que como o ER convive diretamente com a pluralidade de pensamentos e todo pensamento é suportado pelas interpretações das intersecções dos saberes de quem busca expressar – em primazia através da fala – o seu pensamento, o diálogo encontra-se entre os constituintes da fundamentação do ER. Ademais,
como eu diria citando um grande professor, um grande sociólogo, chamado Zigmam Bauman, ele diz, para que as nossas crianças não tenham dentro de pouco tempo uma mentalidade pulverizada, uma mentalidade fragmentada, por valores que não dignificam a vida humana e nenhuma contribuição moral trazem para as nossas crianças. (Professor 03).
Destarte, averiguou-se, ainda, que esses professores consideram a capacidade de interpretar como um requisito indispensável para uma educação conveniente, para gerar transformações sustentáveis, através do prevalecimento da percepção do nível de respeito da moral e da ética de cada indivíduo.
1.5 AS REITERAÇÕES MAIS SIGNIFICATIVAS OBSERVADAS ENTRE OS