5. Feiltrenalyser
5.1 Palmafossen planovergang
Ao examinar a questão, decidimos começar a partir do todo. Ou seja, da Religião. No sentido de imediato assumir a postura de construir percepções para distinção entre uma religião e uma tradição religiosa. No contexto acadêmico de acordo com Greschat (2005, p. 21) não há uma definição universal para o termo “religião”:
Todavia, carregada por conteúdos múltiplos e até contraditórios, a palavra “religião” não serve como expressão inequívoca, como conceito. Felizmente, uma palavra, nome ou conceito não é idêntico ao objeto a ser nomeado ou definido. O fato de não possuirmos uma definição universal de religião é um defeito, mas não uma catástrofe, uma vez que o objeto permanece e a qualidade de palavras inventadas ou a serem inventadas atinge o objeto apenas marginalmente.
Pelo viés da História das Religiões, Agnolin (2013), declara como ela “colocou e resolveu o problema de uma definição da religião” tornando esse conceito “funcional às culturas particulares estudadas”, através da perspectiva histórico-comparativa
55 Até mesmo devido a esse tipo de educação do ER ser mais provocadora dos questionamentos a
respeito dos diversos comportamentos manifestos nas faces das mais distintas realidades. As quais, na vida do educando, as vezes ocupam o mesmo contexto, como o de alguns bairros nos quais há a presença de várias religiões diferentes, bem como, diferentes tradições religiosas da mesma religião numa mesma rua.
56 A partir da similaridade dos relatos de muitos educandos nas escolas onde atuamos na primeira fase
do Ensino Fundamental (do 1º ao 5º ano) suspeitamos que essa confusão tenha alguma relação com essas declarações apresentadas nos diálogos. Nos quais as crianças afirmam ir para uma reunião de certa Religião e dada Tradição Religiosa com a avó, ir para outra atividade religiosa de Tradição Religiosa diferente quando vai passar um dia na casa de uma madrinha, por exemplo, e acompanhar sua mãe na Tradição Religiosa e as vezes até mesmo em outra Religião diferente.
quando analisadas as múltiplas “Origens da “História das Religiões” admitindo o reconhecimento da dilatação do conceito de religião com os significados de que:
“religião” significa alguma coisa quando se refere a um
denominador (religião romana, religião chinesa...), ou seja, quando
se fala de “religiões” – no plural referencial às culturas – e não de “religião”;
“religião” no singular e sem denominações significa um espaço de ação que se pode individualizar somente em contraposição a um espaço de ação “cívico”;
A contraposição religioso/cívico é peculiar à nossa cultura e, portanto, traiçoeira e inútil quando utilizada para aproximar-se das culturas etnológica. (AGNOLIN, 2013, p. 187, grifo nosso).
Dessa e outras observações acadêmicas, quanto a Religião, dentre os diversos vieses de seu estudo (seja entre outras, filosofia, antropologia, sociologia, psicologia da religião), verifica-se um dado consenso de uma ideia principal como sendo a Religião um conjunto das crenças das pessoas que a integram, fundamentadas pelas visões de mundo, cosmologias e hábitos desenvolvidos pelos significados atribuídos a símbolos e ritos relacionados a suas práticas de vida.
Já a característica organizacional humana dentro de uma religião denota os aspectos dos hábitos religiosos de cada Religião em forma de cultura religiosa. A cultura de cada Religião é própria e apresenta características idiossincráticas de crenças e hábitos que a distingue de outra Religião. Porém, verifica-se que, embora as religiões apresentem suas particularidades, de um modo geral, existem na constituição das religiões alguns elementos que podem ser identificados em comum, tanto entre as consideradas maiores religiões do mundo, como entre as novas religiões e/ou alguns dos considerados novos movimentos religiosos.
A divindade e/ou divindades, por exemplo, é um desses elementos. Ela está presente em praticamente uma boa parte dos sistemas de crenças sobrenaturais das religiões ocidentais. As ideias a respeito da deidade se evidenciam em expressões do tipo “meu deus”, “meus deuses”, “nosso/nossos deus (es) ” como são encontradas sobre as diversas estruturas socioculturais. O que exprime, também, o como a cultura religiosa perpassa cada sociedade onde se encontrar inserida.
A mesma constatação dá-se para elementos como o da pessoa que assume a função (separadas e/ou conjuntamente) de representar, comandar, ensinar aos adeptos da religião. Tal pessoa, pode-se assim dizer, ocupa uma posição como a de
“sacerdote”57 ou “sacerdotisa” é encontrada presente em várias religiões. E esta constatação pode se repetir quanto a outras práticas religiosas dentro da religião como a propagação, o culto, as festas, etc.
Assim, utilizamos a ideia do Transcendente como o denominador para determinar cada religião (AGNOLIN, 2011, p. 187). Mais especificamente a partir da constatação dos educandos da existência de várias religiões e sua independência uma das outras, ou seja, cada Religião a princípio passou a ser identificada pelo nome próprio, o qual é dado pelos seus adeptos ao Transcendente. Assim o Siquismo é a Religião de “Ik Oankar” (Deus é único), o Islamismo é a Religião de “Alá” (Deus é único).
Entretanto, para o profissional que atua como professor de ER, de acordo com o modelo das Ciências da Religião, em sua revisão epistemológica, logo vai perceber que ainda em meio a religiões monoteístas, como a Religião do Judaísmo, começam a surgir as necessidades de realizar pontuações sobre as particularidades que caracterizam cada Religião. Mesmo que seja a partir da proposta da utilização de um denominador, como nesse exemplo no qual utilizamos como denominador o nome pelo qual o deus é chamado.
Contudo, isto não se constitui uma problemática necessariamente. Pois, trata- se de características idiossincráticas de cada religião. Que apenas precisa ser apresentado como fato: “Judaísmo é a religião de um deus reconhecido pelo tetragrama (transliterado por YHWH)”, mas, também “O Judaísmo é a Religião de “Eloim””. Daí para as conotações das traduções bíblicas “Senhor”, “Yahweh”, até as imagens e metáforas dos textos bíblicos para designar a pluralidade do deus que
57O uso de conjunções para formar expressões do tipo essas: “como o da pessoa que”, “como a de
sacerdate”” junto as colocações apontadas durante esse texto buscam aqui tão somente preservar o reconhecimento do viés mais atual que reconhece as ressignificações de desempenho de funções e práticas que emergem nas sociedades tanto quanto as relações entre religião, religiosidade, espiritualidade, bem como, ciência e religião. No dizer de Japiassu (2009, p. 132) “Não resta dúvida de que a Ciência nos permite melhor compreender como a natureza funciona e nos mostra as inter- relações entre seres vivos, independentemente de toda crença. Enquanto ela se funda em provas racionais, a Religião, se baseia na fé. Por isso, compete à Religião responder às questões últimas, às causas primeiras e aos fins derradeiros sobre os quais o discurso das Ciências pouco ou nada tem a dizer. De essência, normativa, há milênios a Religião tem apaziguado, pacificado e tranquilizado, por seus relatos, seus ritos e cultos diversos, as angustias da humanidade diante das forças da natureza que ameaçam esmagá-la; e contribuído, por suas cerimônias, para estabelecer e reforçar os elos sociais (religare) que unem os seres humanos no interior da comunidade, motivo pelo qual Bergson a considera “uma reação defensiva da natureza contra a representação, pela inteligência, da inevitabilidade da morte”. Eis sua função política.
também é dito como “O Deus único” todas são pontuações que devem ser feitas58. Se bem que, nem sempre, tais pontuações são realizadas pelo professor porque na liberdade desse componente curricular, como na maioria das vezes, são os próprios educandos que falam das suas crenças. Assim, de acordo com essas considerações poderemos ter vários exemplos, como ilustra a figura a baixo. Onde em cima de cada quadrado (que representa uma religião) encontra-se a intitulação de uma religião e em baixo uma designação dada a uma respectiva divindade de acordo com essa religião e/ou segmento religioso.
Figura 04: Demonstração analógica representativa de cada quadrado indicar uma Religião.
Candomblé Islamismo Siquismo Hinduísmo Judaísmo Zoroastrismo
Olorum Allah Ik Oankar Vishnú Eloim Ahura Mazda
Nação Ketú59
Fonte: DAMASCENO, Sidney A. C. – Arquivo pessoal.
Do mesmo modo, essas relações são implicadas por pontuações propícias. Essa também pode ser uma forma de conduta mais oportuna quando se trata de
58 É certo que qualquer pontuar como colocado nesse texto, é um detalhe que se dar em função do reconhecimento do nível da turma, assim como, pontuar é uma decisão que cabe sempre ao professor titular do componente curricular de ER. Pois, é o professor titular que estabelece o nível pelas suas práticas didáticas/pedagógicas, o qual, não depende do que o educando sabe para estabelecer o seu nível de ensino. Mas considera, a partir “do que” o educando, o qual, menos compreende sobre o assunto, não sabe (diagnóstico inicial), para suportar a sua organização Didática do conteúdo.
59 Destacamos Nação porque uma vez que o professor reconhece que o “saber sábio” sistematiza a Religião do Candomblé como uma Religião Afro-brasileira e que no nível do Ensino Fundamental II as discussões abrirão esse leque cabe (se ele estabelecer esse nível) pontuar desde já, assim como as outras características das demais religiões. Tais particularidades na Religião do Candomblé perpassam também as suas nações de origem no continente africano e o nome pelo qual a divindade é chamada (o Candomblé é a Religião de Nzambi – Nação Bantu; o Candomblé é a Religião de Mawu – Nação Jejé, entre outras). Até porque, essas pontuações suportam as compreensões das Religiões Afrodescendentes e suas Tradições Religiosas pelo território brasileiro (Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Maranhão, etc.), bem como, suas distinções regionais e denominações populares Omoloko, Catimbó, Xangó e distinções das religiões afro-americanas.
religiões politeístas. Assim, “O Hinduísmo é a Religião de “Vishnu””, mas, também “O Hinduísmo é a Religião de “Shiva”” e a pontuação de que alguns hindus afirmam que todas as diferentes deidades do panteão hindu “são aspectos de um único ser divino todo-poderoso” (FLOOD, 2004, p. 59), é uma observação que deve ser lançada para o aprendente, acompanhada do esclarecimento de que esse, assim como outros assuntos, serão mais detalhados nos estudos do componente curricular do Ensino Religioso nos anos subsequentes no nível do Ensino Fundamental II.