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Kapittel 6: Norsk OPEC- politikk

6.3 Mer og mer forberedt

A reprodução social, representada pelo ambiente escolar, faz o jovem com poucas perspectivas familiares e de trabalho reagir da mesma forma, com violência. A escola passa a ser uma arena privilegiada da violência juvenil, seja contra o sistema escolar formal, seja contra os representantes desse sistema: professores, pessoal de apoio, administradores. Em muitos casos, os atos são praticados pelos alunos contra os próprios colegas.

A violência praticada contra o professor, nem sempre é o ato contra a pessoa, mas representa uma resposta aos conteúdos desconexos, ao formato de aprendizagem perverso, massificado e homogeneizado, que nem sempre faz sentido para o sujeito-aluno. Modelo de aprendizagem significado para o mundo do trabalho do qual o aluno terá poucas chances de alcançar. A escola reproduz, para a juventude, o mundo do trabalho, o qual lhes é negado e merece uma reação contra o sofrimento causado. A violência provoca a desorganização do conjunto do sistema escolar, para adaptar-se a essa realidade imprime uma luta preventiva contra a violência, legitimando a força contra a violência. A antítese provocada é a

concentração dos esforços dos alunos na disciplina, na ordem, na autoridade, formas exteriores do bem viver e do respeito (DEJOURS, 2007a; 2007b).

Outro paradoxo, apontado pelo autor, dessa vivência escolar é a violência praticada pelos alunos contra eles. Os alunos que observam as regras são vítimas de suas colegas, por colocarem em risco a coerência das estratégias de defesa coletiva dos colegas que praticam atos violentos.

A soma do caráter disciplinador da conduta escolar, conteúdos desconexos, com baixo significado imediato, que implicam esforços e obrigações aos alunos, a crença de que a escola, em última análise, oferece o emprego formam o caldo da bebida amarga, a qual a juventude tem muita dificuldade de engolir.

Antes de se aprofundar nas relações entre violência juvenil e trabalho, fazem-se necessárias algumas reflexões sobre os significados e conceitos que a violência assume no cotidiano da sociedade brasileira e da sua cultura. Como dito anteriormente, a discussão sobre violência inicia-se um passo atrás, na própria discussão sobre os limites, conceitos e definições, visto a polissemia que a palavra assume, nos diversos campos do conhecimento e a falta de consenso que o tema-assunto provoca nos autores.

O ambiente escolar e suas relações contribuem para a formação de significados para o trabalho, tensionados por relações de trabalho conflituosas, internamente nas relações entre os professores, pais, alunos, pessoal de apoio e direção; externamente pelas relações educação- escola, família e comunidade (MINAYO; SOUZA, 1999; ARAÚJO, 2001; MARTY, 2006; BRASIL et al., 2007; DEJOURS, 2007a; 2007b). Esse universo relacional é tensionado pela violência, no idealizado e complexo, por muitas vezes inadministrável, “mundo novo e real” da rede pública de ensino do Distrito Federal (BRASIL et al., 2006), frente à antinomia riqueza-pobreza, permeado de violência, ditada pelo trabalho e suas relações na sociedade brasileira.

O papel da escola também variou, buscando adaptar-se e responder às questões da vida contemporânea (CAMACHO, 2001; NAKANO et al, 2007; VILLALOBOS, 2007), bem como o papel do professor na era digital do trabalho (LOUZADA; SCHECHTMANN, 2008). No intuito de preparar, ou não, para o trabalho a educação assiste e convive com ações violentas, vivenciadas nos ambientes escolares, reprodutores simbólicos da sociedade do mundo do trabalho, que provocam sofrimento e dor nos sujeitos. As relações que se estabelecem a partir do significado do trabalho, juventude, violência e escola estão imbricadas num contexto que ganha relevância e busca soluções (SARRIERA, et al., 1996; ABRAMO, 1997; ABRAMOVAY, et al., 2002; BRASIL, et al., 2003; BRASIL, et al., 2007)

É nesse intrincado e complexo mundo relacional, que se insere e se circunscreve a presente investigação. Os alunos adolescentes e jovens do Distrito Federal, moradores das regiões com os menores índices de qualidade de vida representados pelo IDH, desenvolvem sua psique e a sua identidade relacionada aos significados do trabalho, que poderão, ou não, possibilitar um futuro tanto pra si, quanto para a sociedade.

A pesquisa realizada por Ristum e Bastos (2004) retrata o ensino fundamental, porém não foi possível identificar a localidade, talvez Salvador/BA, na qual a amostra foi composta de professoras de escolas públicas e particulares que resultou na identificação quinze formas de violência : “1) agressão física; 2) assalto; 3) agressão verbal; 4) assassinato; 5) agressão com arma de fogo; 6) roubo; 7) abuso sexual; 8) agressão com arma branca/objeto; 9) supressão ou restrição de direitos; 10) surra/briga; 11) seqüestro; 12) coação; 13) suicídio; 14) “pega” de carro; 15) tortura (RISTUM; BASTOS, 2004).

Concordamos com Abramo (1997) em suas considerações sobre a juventude e a importância que assume tratarmos essa fase da vida com mais cuidado e atenção. Identificar os significados do trabalho na vida dos sujeitos desta pesquisa, bem como propor uma nova interpretação para determinados atos de violência praticados pelos jovens, à luz da Psicodinâmica do Trabalho (DEJOURS, 2007a; 2007b) pode ressignificar as relações entre os atores da arena saúde-educação-sociedade.

As relações entre violência e o ambiente escolar são complexas, muitas vezes sutis – violência simbólica, outras vezes fortes e marcantes - agressividade humana. Entender esse mundo relacional necessita perceber o tecido social no qual se inserem essas relações, pois a juventude se veste deste tecido na construção do self. A seguir, tratamos de alguns questionamentos sobre a violência e a juventude no DF.

2.2.8 A Violência e a Juventude no Distrito Federal

Como a violência no DF se caracteriza? A violência juvenil está circunscrita somente nos homicídios e suicídios praticados nessa faixa etária? Como se posiciona a escola em meio à violência que atinge os adolescentes e jovens? Em meio ao turbilhão representado pela violência e pela escola, o que significa trabalho para jovens em situação de risco biopsicossocial? Em parte, a resposta do conceito de violência juvenil reside na diferenciação entre agressividade e a violência, propriamente dita. Para tanto, estabelecemos os seguintes limites, neste texto: (1) a agressividade trata-se da qualidade do agressor (sujeito) cuja ação individual e instintiva, que provoca estranhamento ou ofensa a outrem e (2) a violência trata-

se da qualidade do violento (sujeito), que necessita de uma vítima (objeto) sobre a qual será praticada a ação, marcada de força e com intuito de destruição. (WIEVIORKA, 2004).

O Mapa da Violência IV, elaborado pelo UNESCO Office Brasil, aponta um crescimento da ordem de 62,3% de homicídios entre os jovens na faixa etária de 15 a 24 anos, entre 1993 a 2002. Nesse contexto, o Distrito Federal passou de 2º lugar (1993) para 6º lugar (2002) nessa faixa etária, representando 74,1 mortes para cada 100.000 habitantes. No item suicídio, a realidade do DF, nesse período, demonstra um pequeno aumento (4,8%), quando comparado os dados de 1993 (105) e 2002 (110). O que chama atenção nesse mesmo período são os números de MG com aumento de 54,2% (794 – 2002) e de GO com aumento de 90,3% (371 – 2002) bem acima da média nacional 38,9% (WAISELFISZ, 2004).

Do ponto de vista social, o assunto violência juvenil no Distrito Federal, no sistema público de ensino ganhou status de problema de saúde coletiva. A relevância do tema fez a UNESCO instalar, entre 2002/2004, juntamente com a Universidade Católica de Brasília, o Observatório de Violências nas Escolas, para sistematizar, pesquisar e acompanhar o fenômeno da violência no ambiente escolar do DF. Essa ação demonstra uma mudança no foco de pensar e agir sobre a violência que envolve esse segmento populacional. O tema violência na adolescência e juventude se desloca da esfera da segurança pública e assume status de questão de desenvolvimento social e de saúde pública.

As relações entre escola, violência e juventude exigem a compreensão dessas dimensões sociais complexas e multifacetadas. Um aspecto fundamental para reverter um quadro de violência é a construção do senso de pertencimento à comunidade. Nesse contexto é que as Estratégias Educativas para a Prevenção da Violência (ORTEGA; REY, 2002) se apresentam como uma ferramenta valiosa, pois permite abordar essas questões de forma inovadora se traduzindo num guia de como lidar com os conflitos por meio de um conjunto de estratégias educativas e de prevenção, buscando modificar os padrões de relacionamentos entre os atores da arena escolar, visando a melhoria da convivência coletiva.

Em Villalobos (2007) encontramos uma experiência mexicana, que trata a violência com um fenônemo que tem existido em diferentes momentos da história da humanidade, tendo se manifestado nas diferentes formas de organização social e nos diferentes âmbitos que interagem os indivíduos. Para a autora, existem diferentes enfoques que tem abordado seu estudo dos quais se desprendem uma série de idéias, recomendações e receitas para evitar o fenômeno, que tem crescido fazendo vítimas, principalmente para os componentes dos grupos em situação de vulnerabilidade.

ainda carecem de atenção e da sistematização de estudos que auxiliem no enfrentamento desse fenômeno e transformem o ambiente escolar num ambiente saudável e de proteção juvenil.

Para Sposito (2007) há um significativo conjunto de questões, ainda não investigadas, que afetam os processos educativos e em especial a escola na sociedade contemporânea. A autora ressalta que o tema violência escolar é um tema pouco estudado, insuficientemente estudado, o assunto é complexo e deixa ser um fenômeno restrito à sociedade brasileira.

É possível perceber preocupação e atitudes para enfrentar a violência que atinge a juventude do Distrito Federal. Essas atitudes, se contarem com a participação efetiva dos adolescentes e jovens tendem ao êxito, e podem promover uma maior reflexão sobre o tema na sociedade do DF. No próximo tópico, resgatamos os marcos legais da educação brasileira, em busca das relações entre educação-escola e trabalho.