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Kapittel 3: Samarbeid 1 1986- 1990

3.4 Beslutningsprosessen

Etimologicamente a palavra trabalho origina-se do latim tripalium , instrumento de três paus utilizado para tortura. Na Grécia e na Roma antigas, o trabalho é uma atividade humana, exercida pelos escravos, em oposição ao otium (lazer, atividade intelectual) dos cidadãos livres (JAPIASSÚ; MARCONDES, 2006). Essa concepção de trabalho servil era corroborada por Aristóteles na obra Política, afirmando que o trabalho era incompatível com a vida livre e o ócio dos cidadãos gregos ocupados das tarefas nobres como a política, a filosofia e as artes (ARISTÓTELES, 1997).

Das sociedades antigas, Grega e Romana, à idade média, pouco mudou no mundo do trabalho e de seus atores (os servos, camponeses, artesãos, mercadores) que produzem e vendem tudo àquilo que a sociedade necessita. Os nobres se encarregam das guerras e o clero da teologia.

É importante ressaltar que a palavra “trabalho” não adveio com o início da prestação de serviços, mas que, foi somente por volta do século XI que passou a ser assim denominado o oferecimento da força pessoal de uma pessoa em favor de uma outra. A palavra “trabalho” no início teve uma conotação negativa ou depreciativa, significando, a dificuldade em viver, ou mesmo de sobreviver, pois tudo o que é difícil de ser alcançado, é denominado de “trabalhoso”. No começo o termo “trabalho” era usado para indicar as obras e tarefas humildes dos homens e mulheres que daí retiravam qualquer proveito (DELFINO, 2008)

alicerçada nos ideais protestantes. Nessa época as atividades laborais alcançam lugar de destaque, de um lado o trabalho é visto como expressão da força do homem. De outro lado, o significado religioso, cerne da Reforma Protestante, dá status moral, pois o exercício do trabalho dignifica o homem (ALBORNOZ, 2009).

Da filosofia à economia, o trabalho reafirma seu lugar de destaque, quando no século XVIII passa a nortear as teorias de economia política, em detrimento à concepção clássica de que a riqueza de uma nação advém do ouro que esta possui (SMITH, 1776/1985). Afinal, Smith propõe, como explicação para as nações emergentes daquela época, o trabalho como fonte geradora de riqueza dos países. Pouco tempo depois Hegel, por volta de 1803-1804, cunha a idéia de que o trabalho é a mediação entre o ser humano e o mundo, afirmava que o trabalho era espiritual e o homem só podia ser, realmente, homem se fosse capaz de auto- satisfazer suas necessidades pelo trabalho (HEGEL, 1830/1995).

A partir da Revolução Industrial iniciada no século XIX, o trabalho passa por transformações radicais que o levaram a um elevado grau de especialização, ditado pelo uso de máquinas nas unidades fabris e pela divisão do trabalho. Nesse contexto histórico, entram em cena as concepções de Marx (1867/1989) e Weber (1930/1996) que vão reorientar o tema trabalho. A análise crítica proposta por Marx (1867/1989) corrobora a idéia de Hegel (1830/1995) sobre o trabalho ser o fator de mediação entre o homem e a natureza, além disso, a teoria econômica e as relações com o trabalho fazem surgir os conceitos de trabalho concreto e abstrato, trabalho morto, trabalho vivo, mais valia e outros que contribuem para a terminologia trabalho (MARX, 1867/1989).

Por outro lado, retomando o discurso do trabalho enobrecedor do homem, âmago da Reforma Protestante Calvinista, Weber dá uma preciosa interpretação ao trabalho, notadamente sobre a moral cristã, relacionando intimamente a economia e a ética protestante (WEBER, 1930/1996). Com o decorrer do tempo e as necessidades, quase sem limites da acumulação do capital, pelo trabalho, entra em cena uma interpretação política para o trabalho. Parte dessa concepção nasce da tensão crítica de Arendt (1958/2009) que busca na polis grega a resposta para a natureza humana. Propõe a autora uma diferenciação entre o labor – atividade de subsistência e o trabalho livre, consciente, transformador e político, contrário da supervalorização da produção fabril e do trabalho alienante, nele expresso e defendido por Marx (1867/1989) já expressos no subitem 1.2 deste capítulo.

No decorrer da história pós-revolução industrial, foram diversos métodos e sistemas de produção apresentados e testados, no entanto, os sistemas de produção propostos por Taylor e Ford, ainda hoje influenciam as novas tendências de organização do trabalho e do modo de

produção capitalista, apesar de não mais se aplicar nenhum destes em sua integralidade. Sinteticamente, Taylor (1990) propôs um sistema de produção baseado na Organização Cientifica do Trabalho (OCT) e trouxe para as fábricas um modo de produção organizado, retirando os trabalhadores dos ambientes altamente insalubres e impróprios para uma melhor produtividade que eram comumente utilizados desde a Revolução Industrial. Nesse modelo de produção o sujeito é reduzido a um operador de instruções e regras, não havendo muito espaço para a criatividade e o prazer na realização das atividades de trabalho.

O sistema proposto por Ford, segundo Costa et al. (2008) baseava-se na divisão do trabalho e na produção em massa, de acordo com a capacidade produtiva das fábricas, e empregou, na sua época, grande parte da mão-de-obra desempregada e sem qualificação laboral, apesar de seu sistema também não qualificar o empregado (DELFINO, 2008). A divisão do trabalho exigia pouca qualificação da mão de obra e uma facilidade maior no treinamento dos trabalhadores envolvidos. Porém com a divisão do trabalho, cria-se também a divisão dos homens o que na atualidade, juntamente com a OCT contribuem para o maior esvaziamento da organização coletiva dos trabalhadores para o enfrentamento das adversidades do mundo real do trabalho (DEJOURS et al.,1997).

Tanto a OCT taylorista quanto a divisão do trabalho fordista continuam a influenciar os modos de produção e organização do trabalho na atualidade. Com uma nova roupagem ou, simplesmente, com outros nomes – Toyotismo, 5S, Qualidade Total, Capital Humano e muitas outras denominações – os modos de organização e de produção capitalista proposto por Ford e Taylor ainda se encontram presentes nos dias atuais e influenciam os significados e sentidos do trabalho.

No intuito de encontrarmos significados na história do trabalho nos deparamos com filósofos, economistas e sociólogos, ora defendendo o cidadão grego e romano ocioso, ora em outros tempos alicerçado no Iluminismo Humanista e Reformista, ganhando o trabalho o valor cristão e moral. Nas críticas ao nascente liberalismo econômico e capitalista (SMITH, 1776/1985), do século XVIII, encontramos o trabalho alienante, o trabalho abstrato, o labor (MARX, 1867/1989; HEGEL, 1830/1995; ARENDT, 1958/2009), porém encontramos alguma convergência na atividade humana, transformadora da natureza e do próprio homem, que o realiza, que o identifica, insere e causa dor e sofrimento-prazer (ARENDT, 1958/2009; DE BOTTON, 2009; SENNETT, 2009).

O panorama histórico, aqui expresso, tem por finalidade demonstrar que o conceito variou, desenvolveu, retrocedeu, num ir e vir característico dos autores e do tempo histórico- social, no qual foram cunhados. Esse panorama dá algumas pistas dos significados que

encontramos nesta pesquisa. Não podemos esquecer que o trabalho na era digital, vai transformar a dimensão do trabalho que ora conhecemos e ressignificar seu sentido, inserindo o caráter virtual a atividade laboral.

Diante desse quadro internacional, como se comportou o trabalho no Brasil? No próximo tópico buscamos resgatar um pouco do trabalho e dos seus significados na sociedade brasileira.