6. FINDINGS AND DISCUSSION
6.1. Mending “rifts” with CSA principles
Nos últimos anos o desenvolvimento espetacular do turismo em todo o mundo tem exercido uma forte pressão sobre o meio ambiente, pela característica consumista do turista, que busca beneficiar- se dos serviços turísticos da melhor maneira possível, gerando deste modo múltiplas possibilidades de negócios. Essa forma de consumo, marcadamente individualista, trouxe para a atividade turística a necessidade de consumir os melhores recursos naturais: a flora, a fauna, o clima, a paisagem, a cultura, o silencio etc., sem se levar em conta que estes valores ecológicos em sua maior parte não são renováveis e dependendo da forma como se dá o consumo, se caminha para a sua destruição.
97
No Brasil, esse quadro não foi diferente, e ainda o problema permanece de maneira significativa devido à ausência de planejamento, ou à insuficiência deste, na implantação de projetos turísticos. Na realidade, os problemas causados direta ou indiretamente pelo turismo, de modo geral, passaram por algum crivo da administração pública que, diante da possibilidade de geração de recursos a curto prazo, ignora os prejuízos que ocorrerão a médio e longo prazo. De modo geral, os Relatórios de Impacto Ambiental dos grandes empreendimentos turísticos, ou são ignorados, ou feitos sem critérios técnicos adequados, tornando-se instrumentos que justificam a depredação de algum recurso natural.
Com o uso generalizado dos meios de transporte particularmente do automóvel, e com uma profunda modificação da forma de vida do homem nas grandes cidades, houve, no fim do século XX, uma busca de um maior contato do homem com a natureza. Essa busca do natural se traduziu, nos grandes centros, na intensificação de deslocamentos, nos finais de semana e nos feriados prolongados, para sítios, chácaras, fazendas e outros locais em áreas rurais. As administrações públicas, particularmente as municipais, não estavam preparadas para essa demanda, e autorizaram empreendimentos em áreas de mananciais, a destruição de ecossistemas importantes, a implantação de loteamento próximo a rios e repressas com a consequente destruição das matas ciliares, e um sem-número de decisões administrativas tomadas em função de um desenvolvimento desordenado, resultado da inexistência de políticas públicas, ineficiência na gestão e visão imediata encontrada de desenvolvimento econômico e social em alguns locais.
Embora as alterações no meio ambiente fossem significativas, as decisões que foram tomadas pelas administrações municipais trouxeram melhorias em infraestruturas e, em alguns casos, na forma de vida de núcleos rurais que até então permaneciam isolodos e, em muitos casos, esquecidos pelas autoridades. Desse modo, mesmo dentro do quadro de destruição ambiental que é possível assinalar, não se deve deixar de apontar os benefícios trazidos para as comunidades pelo aumento do turismo. Entre esse podemos assinalar:
98
a. Uma revalorização das propriedades rurais, em função de uma
reorientação da função de uso do solo, de eminente produtivo, para estabelecimento de atividades prestadoras de serviços;
b. A construção de novas vias de comunicação, facilitando o acesso do
turista, e o seu uso pela população local. Agregue-se a isto a melhoria dos sistemas de comunicação local: telefone, televisão etc.;
c. A maior valorização das áreas naturais como recurso turístico, de tal forma que passaram a ser vistas por seus proprietários com outros olhos, agora como fonte de renda;
d. Criação de novos postos de trabalho, em áreas rurais. Aumento da necessidade de prestadores de serviços para o atendimento do turista.
Por outro lado, há uma série de aspectos negativos que devem ser considerados, e que de modo geral estão relacionados com os impactos no meio ambiente. Entre esses podemos indicar:
a. Uma grande urbanização de áreas rurais, sem planejamento e infraestrutura
sanitárias adequadas. Particularmente importantes são as áreas próximas as repressas, a santuários paisagísticos, praias de rara beleza etc.;
b. Um aumento de resíduos de todo tipo, particularmente os sólidos, que
modificam a paisagem e o meio ambiente. São particularmente significativos os sacos de lixo e os vasilhames de bebidas em lugares públicos;
c. Com o aumento de pessoas nas zonas naturais, há uma fuga da fauna silvestre e a diminuição de sua capacidade de reprodução; as espécies vegetais, por sua vez, são recolhidas de forma irresponsável, quando não destruídas pelo volume de trânsito no local;
99
d. Modificações significativas e irreversíveis na paisagem, pela proliferação de
infraestruturas e construções. Aqui se incluem abertura de novas vias de comunicação, instalações turísticas de todo tipos etc.
Desse modo, a exploração desordenada dos recursos naturais para fins turísticos, embora tenha gerado e continue gerando dividendos econômicos para muitas regiões provocam tais impactos no meio ambiente que pode acabar com os mesmos recursos naturais que motivaram a demanda turística.
Este aspecto do turismo é importante para diferenciá-lo de outras atividades, pois mantém uma estreita relação com o meio ambiente, a ponto de um uso turístico intenso a curto prazo, provocar a médio e a longo prazo uma clara diminuição de demanda, em razão de o recurso natural que atraiu o visitante, não mais existir ou estar tão degradado que não será mais atrativo.
Em função dessa realidade do turismo, impõe-se a necessidade de se instituírem novas formas de exploração dos recursos naturais para fins turísticos, que levem em consideração sua capacidade de suporte, e as condições de sustentabilidade, para que futuras gerações passam usufruir do mesmo benefício.