• No results found

cursos, 02 de uso exclusivo do IECOS e um em que se concentra a administração da unidade, as secretarias das faculdades de Letras, História, Educação e Matemática, e do PPLSA, uma sala de reuniões, além de laboratórios e salas de professores destas faculdades. Para isso, foi necessária a derrubada de uma escola pública municipal que funcionava em um terreno atrás da área originalmente doada pela prefeitura e, em 2010, oficialmente doado à UFPA pela gestão municipal. Construiu-se um novo prédio para abrigar a escola em outra rua, no mesmo bairro em que se situa o campus. No ano de 2013, iniciam-se as obras de urbanização da unidade, que visa dar novo aspecto às áreas comuns e de circulação, com a construção de uma portaria, passarelas cobertas, estacionamentos, rampas de acessibilidade e estruturação das redes hidráulica e de esgoto. Os investimentos oriundos do governo federal, possibilitaram, portanto, no decorrer da última década e na atual, o incremento dos quadros docente e técnico da unidade, bem como uma mudança significativa nos espaços disponíveis para a comunidade acadêmica.

Atualmente, a expansão do ensino superior na região começa a ganhar novos contornos, em direção a uma possível transformação do Campus de Bragança em uma nova universidade federal, ideia que vem sendo cogitada desde 2011. Há estudos para viabilização da implantação da Universidade Federal do Nordeste do Pará (UFNEPA), visando abranger toda a Mesorregião do Nordeste do Pará46 (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ, 2011, p. 111). Essa proposta vem sendo discutida com a comunidade bragantina e conta com o apoio do poder público municipal, que, em junho de 2013, fez a doação de um terreno à UFPA, com a finalidade de ser aí construída uma estrutura que permita a expansão do campus em direção à pretendida universidade (UNIVERSIDADE..., 2012, p.5).

2.1.3 O Curso de Letras

46 O projeto prevê o incremento da oferta de cursos, que atingiriam o número de 50 cursos

de graduação, implicando a oferta de 2.000 vagas, além de mais de uma centena de vagas na pós-graduação. A perspectiva é implementar cursos voltados para o desenvolvimento regional, abrangendo temas tais como pesca, aquicultura, agricultura familiar, desenvolvimento sustentável, turismo, história, saúde, economia, biotecnologia, engenharias, geologia, paleontologia, petrologia etc. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ, 2011, p. 112).

A partir de 1987, com a interiorização da UFPA, o Curso de Letras funcionava com a oferta contínua de turmas de graduação na modalidade intensiva, passando a ofertar também turmas na modalidade extensiva a partir de 1993. Nesse período, contava com a coordenação pedagógica do Campus de Belém, não dispondo de corpo docente nem de projeto pedagógico próprios. Apenas em 1997 ocorreu a primeira contratação de professores efetivos, sendo contratados 02 docentes por meio de concurso público. Entre 1998 e 2002, contrataram-se mais 02 professores efetivos. Em 2005, foram recebidos mais 03 docentes: um transferido da unidade de Soure, os outros dois contratados via concurso público. Até então, o Curso continuou dependendo continuamente tanto da contratação de professores substitutos quanto da colaboração de profissionais oriundos de outros campi, a fim de dar conta das atividades acadêmicas, que se restringiam basicamente à oferta de ensino de graduação, com algumas intervenções em atividades de extensão. Em função disso, a oferta de disciplinas manteve-se em formato intensivo ao longo dos anos, mesmo para as turmas da modalidade extensiva.

Em 2005, com o aporte de recursos oriundos do Programa REUNI, foi possível iniciar a ampliação do corpo docente. Até 2010 foram contratados 13 profissionais efetivos. Além disso, nesse mesmo ano um professor do Campus de Belém solicitou transferência para a unidade de Bragança. Atualmente, o quadro docente é constituído por 16 professores efetivos, sendo 04 doutores, 11 mestres, dos quais 04 estão em processo de doutoramento, e 01 professora especialista, a qual, tendo obtido o título de mestre em instituição no exterior, aguarda processo de validação.

Referimo-nos ao panorama do Curso até o final de 2013. O quadro docente atual deveria contar com 21 professores efetivos, entre aqueles contratados via concurso público e transferidos para o Campus de Bragança, no entanto, entre os anos 2005 e 2013, quatro deles solicitaram transferência para outros campi e um faleceu. A maioria dos docentes reside em Belém (no período da realização da pesquisa de campo, apenas quatro professores residiam em Bragança), onde mantêm a casa própria e convivem com a família, por isso, não pretendendo adquirir outra moradia no interior. Em função disso, os professores mantêm-se em trânsito

semanal entre essa capital e o município de Bragança, eventualmente se deslocando a Capanema, onde também são ofertadas turmas de graduação. A distância entre o local de moradia e o local de trabalho é significativa e o deslocamento diário não costuma ser uma alternativa viável. Essa situação remete ao fenômeno da mobilidade socioespacial, comum entre os professores que atuam em campi de universidades públicas no contexto da interiorização da educação superior, tal como constatado em pesquisa realizada por Pinheiro (2013). Mas, tendo em vista a ocorrência de transferências de docentes entre diferentes campi do interior ou entre esses e o campus da capital, podemos perceber que a mobilidade socioespacial pode assumir também essa característica.

Em função da ampliação do corpo docente, atualmente a contratação de professores substitutos ocorre em geral devido ao afastamento de docentes efetivos para realização de curso de pós-graduação. Como a maior parte dos professores efetivos que ingressou no Curso a partir de 2005 estava ainda em processo de construção de sua formação na pós-graduação stricto sensu, não possuindo ainda o título de Doutor, até o período de realização de nossa pesquisa, observamos a manutenção da necessidade frequente de contratação de professores substitutos47.

A Faculdade de Letras (FALE) oferta atualmente dois cursos de graduação que funcionam nos turnos matutino e noturno: a licenciatura com habilitação em Língua Portuguesa, com a oferta de 07 turmas na modalidade extensiva, das quais 03 funcionam no espaço do Campus de Capanema, e uma turma na modalidade intensiva; a licenciatura com habilitação em Língua Inglesa, criada em 2006, com a oferta de 05 turmas na modalidade extensiva, das quais 02 funcionam no Campus de Capanema, e 03 turmas na modalidade intensiva, sendo uma delas ofertada naquela unidade. Mantém ainda dois cursos de pós-graduação lato sensu, no formato de especialização, com aulas aos sábados: Ensino-Aprendizagem em Língua Portuguesa e Literaturas, desde 2007, já tendo formado três turmas; Linguagens e Culturas na Amazônia, desde 2011, estando na segunda versão. Em 2011, foi criado o PPLSA, regulamentado por meio da Resolução 4.148/CONSEPE, de 16 de junho de 2011, que mantém um curso de Mestrado, estando na sua

47 Para se ter uma ideia dessa situação, no ano de 2007, o quadro docente era formado por

9 professores, dos quais 6 eram efetivos e 3 substitutos. Entre os efetivos, 3 possuíam o título de Mestre, 1 era graduado e 2 eram especialistas (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ, 2007).

terceira edição (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ, 2012, p. 49). O programa mantém duas linhas de pesquisa: Leitura e Tradução Cultural; Memórias e Saberes Interculturais. Seu quadro docente apresenta uma formação multidisciplinar e conta com docentes oriundos de várias faculdades e campi diversos48.

A elaboração do primeiro Projeto Pedagógico do Curso (PPC) é iniciada apenas em 2004, passando por um longo processo de discussão e de reformulações, sendo o documento aprovado três anos depois, regulamentado por meio da Resolução nº 3.593, de 10 de setembro de 2007. Em 2011, iniciaram-se as discussões para revisão e atualização desse projeto. No ano seguinte, foi elaborado e aprovado o novo PPC (Resolução nº 4.346, de 21 de novembro de 2012), que passou a vigorar para as turmas com entrada a partir de 2013.

No que concerne à infraestrutura, durante as duas décadas iniciais de funcionamento do Curso, as condições eram bastante precárias. Tratava-se de um espaço em grande parte compartilhado pelos demais cursos, estando disponíveis especificamente para o Curso de Letras 02 salas de aula, no período matutino e noturno; 01 sala pequena em que funcionavam a secretaria e a coordenação; 01 sala em que funcionavam os projetos de extensão. Não se dispunha, nesse período, de uma sala de reuniões, nem de gabinetes de trabalho para os professores ou outras salas disponíveis para projetos de pesquisa, até meados dos anos 2000, não desenvolvidos.

A partir de 2008 essa situação se modifica e, entre os anos de 2009 e 2010, o Curso passa a contar com 02 salas de aula disponibilizadas nos prédios recém construídos. As salas antigas passam, temporariamente, a ter outras utilidades: uma delas se transforma em sala de professores, para os cursos de Letras e de

48 Com docentes de faculdades (Letras, Ciências Sociais, História e Educação) e campi

diversos (Belém, Castanhal, Bragança e Marabá), há uma diversidade de abordagens teórico-metodológicas e proposições investigativas oriundas de realidades e campos disciplinares diferentes, favorecendo estudos de caráter intercultural e interdisciplinar. Porém, isso traz dificuldades relacionadas à plena participação dos docentes em atividades administrativas, formativas e investigativas que exijam mobilização em curto espaço de tempo. Busca-se minimizar as dificuldades com o planejamento prévio do deslocamento dos professores para realização dessas atividades em Bragança e com a utilização da internet para consultas, reuniões on-line e teleconferências. No entanto, esses recursos nem sempre têm sido plenamente utilizados em razão das dificuldades de conexão em cidades do interior do Estado do Pará, onde a qualidade dos serviços fica aquém das demandas de atividades de ensino superior e particularmente da pós-graduação, referentes a pesquisas a banco de dados, intercâmbios de pesquisadores, atividades de registro e controle acadêmico on-line (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ, 2012, p. 51).

Pedagogia; outra, transforma-se em laboratório pedagógico. Em 2013, após a construção de um prédio administrativo, a infraestrutura passa a dispor de 02 salas de professores, 01 sala para a secretaria e a coordenação do Curso, 01 sala para a secretaria e a coordenação do programa de pós-graduação, além de 01 sala de reuniões e 01 laboratório de linguagens, em que funcionam os projetos de extensão e de pesquisa, atendendo, assim, a necessidades antigas de sua comunidade.