Chapter 4: The historical-political context of media in Kosovo
4.4. Media as tool in war (1997-June 1999)
Greice Fracari Bosi, Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Rua Silva Jardim 1175 CEP 97010.491, Santa Maria – RS, [email protected];
Karine Pereira De Lima, Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria – RS; Luisa Miranda Dreher, Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria – RS; Pâmella Cassol Zago, Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria – RS; Cátia Regina Storck, Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria – RS. RESUMO
Este trabalho tem como objetivo verificar se existe relação entre o consumo de alimentos não saudáveis trazidos nas lancheiras e o excesso de adiposidade abdominal. O delineamento do estudo foi transversal realizado em turmas de 2º Ano de cinco escolas públicas do município de Santa Maria (RS), em março e abril de 2012. A amostra foi constituída por 155 crianças, e foram excluídos 21 alunos que não realizaram a avaliação da circunferência da cintura, totalizando 134 alunos. Foram categorizados segundo excesso ou não de adiposidade abdominal. Dos 155 alunos avaliados, 20,6% não levaram lancheira em nenhum dia, 19,4% levaram uma vez na semana, 12,3% duas vezes, 16,8% três vezes, 13,5% quatro vezes e 17,4% cinco vezes. Foi identificado que 26% apresentam excesso de adiposidade abdominal, não havendo diferença entre os gêneros. Para o grupo de frituras houve diferença significativa (p<0,05) entre as variáveis de frequência de consumo e presença ou ausência de excesso de adiposidade abdominal. Com base nos dados analisados, conclui-se que existe uma relação entre o consumo de alimentos não saudáveis e o excesso de adiposidade abdominal.
Palavras-chave: adiposidade abdominal; avaliação nutricional; hábitos alimentares. INTRODUÇÃO
Os avanços da vida moderna têm proporcionado grandes mudanças no modelo de vida de muitas pessoas, suprindo as necessidades nutricionais de forma inadequada, por meio do consumo de dietas hipercalóricas, acompanhadas de uma voracidade alimentar, substituindo refeições por lanches rápidos. Geralmente esses fatores se associam a inatividade física que, atualmente, sofre mudanças nas brincadeiras infantis, tendo como preferência a televisão, o computador, os jogos de videogame e as guloseimas¹. Sendo assim tem-se observado um aumento nos quadros de sobrepeso e obesidade, que se relaciona com o desenvolvimento de doenças crônicas².
O excesso de peso determina importante fator de risco à saúde das crianças, que necessita de planejamentos que envolvam ações preventivas e assistências³. O interesse na prevenção do excesso de peso infantil e juvenil se confirma pela sua alta prevalência na vida adulta4.
A identificação precoce de indivíduos em risco para certas doenças prestaria grande colaboração melhorando o quadro atual da saúde no mundo5. Sabe-se que o papel da gordura abdominal tem sido apontado no desenvolvimento de doenças, principalmente aos que associam os fatores de risco de doenças cardiovasculares6.A circunferência da cintura é considerada indicador do tecido adiposo abdominal, que demonstra o excesso de peso e de gordura corporal, sendo estes definidos como obesidade7. Sua medida pode ser apurada por meio da menor circunferência entre a crista ilíaca e o rebordo costal8.
A criança vem se tornando mais vulnerável ao excesso de peso. Mudanças na dieta e na atividade física podem ser influenciadas pelos pais e poucas modificações no balanço
calórico podem causar alterações substanciais no excesso de peso4. A família exerce um papel importante no desenvolvimento dos hábitos alimentares dos filhos e geralmente é responsável pela compra e preparo dos alimentos em casa, transmitindo seus hábitos às crianças9. Da mesma forma, são responsáveis pela escolha do alimento que seus filhos irão levar de lanche para a escola. Devido ao fato da maioria dos pais trabalharem, sobra pouco tempo para preparar lanches mais saudáveis, e com isso mandam produtos industrializados, prontos para o consumo os quais, geralmente, tem baixo valor nutricional10.
Assim, este trabalho tem como objetivo verificar se existe relação entre o consumo de alimentos não saudáveis trazidos nas lancheiras e o excesso de adiposidade abdominal.
METODOLOGIA
O presente trabalho possui delineamento transversal e foi realizado em todas as turmas de 2° Ano de cinco escolas públicas do município de Santa Maria (RS) indicadas pela 8ª Coordenadoria Regional de Educação e Secretaria Municipal de Educação para o Estágio Obrigatório em Alimentação Escolar realizado junto aos alunos do 5º semestre do Curso de Nutrição, no período de março e abril de 2012. As atividades foram autorizadas pelos responsáveis de cada escola, obtiveram a aprovação das professoras e alunos envolvidos.
Na avaliação das lancheiras, a amostra foi constituída por 155 crianças, que possuíam idade media de 7,6 anos. Destes, 85 são do gênero masculino e 70 do feminino. Foram excluídos 21 alunos que não realizaram a avaliação da circunferência da cintura, totalizando 134 alunos.
Para avaliação do conteúdo das lancheiras foi elaborado um formulário próprio onde constavam dados referentes ao nome, à idade e ao sexo dos alunos. As lancheiras foram avaliadas durante cinco dias letivos de uma semana, antes do intervalo para o lanche, solicitando aos alunos que colocassem seus lanches sobre a mesa. Foram anotados no formulário todos os alimentos trazidos pelos alunos.
Neste estudo utilizou-se os alimentos não saudáveis que foram classificados em quatro grupos: refrigerantes (qualquer tipo), frituras (salgadinhos industrializados, batata palha, pipoca e salgados fritos), doces (chocolate, bala, chiclete, pirulito, creme de chocolate, paçoca, torta doce) e bolachas (bolachas, barras de cereais e/ou bolos recheados e/ou com cobertura, bolachas waffers, cookies, pão de mel e bolinhos industrializados).
Foi realizada uma avaliação antropométrica aferindo a circunferência mínima da cintura, localizada entre o bordo costal e a crista ilíaca, por meio de fita métrica inelástica, graduada em milímetros. Para verificar a medida, os indivíduos encontravam-se em pé, na posição ortostática. Para avaliação dos resultados foi utilizada a classificação de Taylor8, que considera como ponto de corte o percentil 80. Valores menores que este percentil foi considerado sem excesso de adiposidade abdominal e, valores maiores, com excesso.
Após a coleta de dados, foi realizada a tabulação dos dados na planilha eletrônica do programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 18.0. Os resultados estão apresentados em frequência absoluta e relativas. Para verificar a diferença entre as variáveis categóricas foi utilizado o teste qui-quadrado onde se considerou estatisticamente significativo p<0,05.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dos 155 alunos avaliados, 20,6% não levaram lancheira em nenhum dia, 19,4% levaram uma vez na semana, 12,3% duas vezes, 16,8% três vezes, 13,5% quatro vezes e 17,4% cinco vezes. A avaliação antropométrica realizada com os 134 alunos identificou que 26% apresentam excesso de adiposidade abdominal, não havendo diferença entre os gêneros.
A relação entre a frequência de alimentos não saudáveis nas lancheiras e a adiposidade abdominal pode ser observada na Tabela 1. Foram considerados alimentos não saudáveis os refrigerantes, as frituras, os doces e as bolachas.
Para os grupos de refrigerantes, doces e bolachas, não houve diferença significativa (p>0,05) entre as variáveis de frequência de consumo e presença ou ausência de excesso de adiposidade abdominal, já para o grupo de frituras houve diferença significativa (p<0,05).
Em relação ao consumo de refrigerantes, percebe-se que a presença de excesso de adiposidade abdominal foi maior no grupo que trazia uma vez na semana do que no grupo que não trazia. O mesmo pode ser observado para o consumo de frituras, doces e bolachas quando houve aumento na frequência de consumo. A ingestão elevada tem relação direta com o maior percentual de adiposidade abdominal, apesar de 23,1% dos escolares que não levaram fritura em nenhum dia apresentarem-se com excesso de adiposidade abdominal.
Um estudo verificou maior prevalência para obesidade em crianças que consumiam quantidades elevadas de alimentos industrializados, como salgados fritos, batata frita, salgadinhos, bolachas, balas e refrigerantes. Confirmando a relação entre práticas alimentares inadequadas e o excesso de peso11.
Outro estudo avaliou a composição das lancheiras de criança do segundo ao quinto ano do ensino fundamental de escolas privadas de São Paulo. Destacou a alta proporção dos grupos “bolo, bolacha e barra de cereais recheados e/ou com cobertura” e a baixa presença do grupo “verduras e legumes”. Também notou que as meninas levavam mais alimentos saudáveis, como frutas e sucos naturais, verduras e legumes, quando comparadas aos meninos. Apresentou dados negativos, relativos à proporção de crianças que levaram para a escola sucos artificiais e outras bebidas, bolos, bolachas e barra de cereais recheados12.
CONCLUSÃO
Com base nos dados analisados, conclui-se que existe uma relação entre o consumo de alimentos não saudáveis e o excesso de adiposidade abdominal. A alta frequência de frituras deve ser modificada para obter-se um menor risco de doenças crônicas. Recomendam-se ações preventivas que orientem bons hábitos alimentares.
Tabela 1. Relação entre a frequência de consumo de alimentos não saudáveis com a presença ou ausência de excesso de adiposidade abdominal
Frequência de consumo semanal Sem excesso de adiposidade abdominal n= 99 Com excesso de adiposidade abdominal n= 35 p* Refrigerante 0 79 (76) 25 (24) 0,227 1 17 (63) 10 (37) 2 3 (100) 0 Fritura 0 80 (76,6) 24 (23,1) 0,018 1 18 (72) 7 (28) 2 1 (20) 4 (80) Doces 0 70 (77,8) 20 (22,2) 0,113 1 21 (75) 7 (25) 2 3 (33,3) 6 (66,7) 3 2 (66,7) 1 (33,3) 4 2 (66,7) 1 (33,3)
5 1 (100) 0 Bolacha 0 57 (71,3) 23 (28,8) 0,871 1 25 (80,6) 6 (19,4) 2 13 (76,5) 4 (23,5) 3 2 (66,7) 1 (33,3) 4 2 (66,7) 1 (33,3)
Valores apresentados em n(%); *Qui-quadrado; p<0,05 AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Centro Universitário Franciscano – UNIFRA por apoiar e financiar essa pesquisa, assim como às Escolas Municipais e Estaduais participantes que autorizaram e apoiaram a realização deste trabalho.
REFERÊNCIAS
1. Wong DL. Fundamentos de enfermagem pediátrica. 7ª. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2006.
2. Soares, BG. Associação do nível e atividade física e qualidade alimentar com IMC de crianças [trabalho de conclusão de curso]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Curso de Educação Física, Escola de Educação Física; 2010.
3. Travi, MC. Prevalência de sobrepeso e obesidade em escolares da cidade de Campo Grande, MS [dissertação]. Mato Grosso do Sul: Universidade Federal do Mato Grosso do Sul; 2008.
4. Leão LSCS, Araújo LMB, Moraes LTLP, Assis, AM. Prevalência de obesidade em escolares de Salvador, Bahia. Arq Bras Endocrinol Metab. 2003 Abr; 47(2):151-7.
5. Zwiauer K, Widhalm K, Kerbl B. Relationship between body fat distribution and blood lipids in obese adolescents. Int J Obes. 1990; 14(3):271-7.
6. Bitsori M, Linardakis M, Tabakaki M, Kafatos A. Waist circumference as a screening tool for the identification of adolescents with the metabolic syndrome phenotype. Int J Pediatr Obes. 2009; 4(4):325-31.
7. Botton J, Heude B, Kettaneh A, Borys JM, Lommez A, Bresson JL, et al. Cardiovascular risk factor levels and their relationships with overweight and fat distribution in children: the Fleurbaix Laventie Ville Sante II study. Metabolism. 2007; 56(5):614-22.
8. Taylor RW, Jones IE, Williams SM, Goulding A. Evaluation of waist circumference, waist-to-hip ratio, and the conicity index as screening tools for high trunk fat mass, as measured by dual-energy X-ray absorptiometry, in children aged 3–19 y. Am J Clin Nutr. 2000; 72(2):490-5.
9. Gambardella AM, Frutuoso MF, Franch C. Prática alimentar de adolescentes. Rev Nutr. 1999;12:55-63.
10. Cano MAT, Pereira CHC, Silva CCC, Pimenta JN, Maranha PS. Estudo do estado nutricional de crianças na idade escolar na cidade de Franca – SP: uma introdução ao problema. Rev Eletrônica Enferm [periódico na Internet]. 2005 [acesso em 2011 Abr 10]; 7(2):179-84. Disponível em: http://www.fen.ufg.br.
11. Mondini L, Levy RB, Saldiva SRDM, Venâncio SI, Aguiar JA, Stefanini MLR. Prevalência de sobrepeso e fatores associados em crianças ingressantes no ensino fundamental em um município da região metropolitana de São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública. 2007; 23(8): 1825-34.
12. Matuk TT, Stancari PCS, Bueno MB, Zaccarelli EM. Composição de lancheiras de alunos de escolas particulares de São Paulo. Rev Paul Pediatr. 2011; 29(2):157-63.