Chapter 2: Theoretical framework
2.6. Two paradigms of professionalism in new transitional countries
2.6.2. Media patrimonialism paradigm
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – FSP/USP Avenida Dr. Arnaldo, 715, Cerqueira César. São Paulo/SP - CEP 01246-904
Email do autor principal: [email protected]
1
Graduanda do curso de Nutrição FSP/USP - São Paulo- SP 2
Nutricionista Doutora do Departamento de Nutrição da FSP/USP- São Paulo- SP 3
Professora Doutora do Departamento de Nutrição da FSP/USP- São Paulo- SP
Resumo: Este estudo teve por objetivo conhecer o perfil dos alunos ingressantes do curso de nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP. Os dados foram coletados a partir de um questionário composto por questões fechadas. Participaram do estudo 75 estudantes matriculados no período matutino e noturno. Os resultados indicam que o perfil do ingressante é composto por indivíduos do sexo feminino, sendo a média de idade de 19,9 anos, procedente do Estado de São Paulo, frequentaram curso pré-vestibular, o cinema é a principal atividade cultural e dependente do transporte público para se descolar até a universidade.
Palavras chave: ensino superior; nutrição; formação em saúde; perfil de ingressantes Introdução
A expansão do ensino superior no Brasil é observada desde a década de 60, o aumento no número de vagas e escolas é verificado em especial nos cursos da saúde principalmente em função das necessidades do setor público. O curso de graduação em nutrição foi o segundo curso que mais expandiu (658%), perdendo apenas para o de fisioterapia. (Haddad et al, 2010).
No Brasil o processo de formação do nutricionista teve início na década de 1940 no Instituto de Higiene, atual Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP). Nesta época o desafio do profissional era a modificação do perfil epidemiológico caracterizado pelas carências nutricionais, atualmente o aumento das doenças degenerativas associadas à modernidade são os novos desafios do nutricionista, sendo necessária a maior demanda por este profissional. (Vasconcelos, 2002)
É consistente na literatura o perfil do egresso de nutrição, sendo apontado por diversos estudos que a inserção deste profissional no mercado é predominante em apenas duas áreas, Nutrição Clínica e Administração de Unidades de Alimentação e Nutrição, sendo necessário estimular a educação continuada em nutrição, pois o campo de atuação é amplo e o objetivo do curso é formar generalistas. (Gambardella et al, 2000. Letro & Jorge, 2010)
Entretanto quando o assunto é o ingressante em nutrição poucos estudos abordam seu perfil e sua escolha pelo curso (Negri et al, 2011. Paulsen & Negri 2011). São necessários mais estudos sobre essa temática, pois o conhecimento do perfil do ingressante contribui para o planejamento e gestão do curso, visando à qualidade do ensino superior. (Oliveira et al, 2011) Metodologia
Foi realizado estudo quantitativo por meio de entrevistas com estudantes do 1º ano do curso de nutrição da FSP/USP. As entrevistas foram realizadas por meio de um questionário com questões fechadas durante o mês de março de 2011. O questionário foi estruturado a fim de obter informações quanto às atividades culturais, sociais, políticas e educacionais realizadas pelos alunos. As questões foram analisadas em termos percentuais através do programa Excel e apresentadas sob forma gráfica para melhor visualização dos resultados.
A participação dos alunos foi realizada mediante a assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de acordo com a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Resultados e Discussão
Responderam ao questionário 75 estudantes, sendo 38 ingressantes no período matutino e 37 no período noturno. A maioria dos alunos é do sexo feminino (92,10% matutino e 86,48% noturno), com médias de idade de 19,9 anos (DP= 5,11) e 21 anos (DP= 6,94), matutino e noturno respectivamente. Em ambas as turmas a moda é 18 anos. Os ingressantes são solteiros (96%), sendo grande parte natural da cidade de São Paulo (Tabela 1).
A característica de curso feminino foi encontrada também por Paulsen & Negri (2011) que identificaram que 92,5% dos calouros do curso de nutrição da UFPel é do sexo feminino. Diversos estudos apontam o avanço considerável do ingresso da mulher ao ensino superior, entretanto a preferência naturalizada por cursos relativos à educação e saúde reafirmam estereótipos sobre a mulher, contribuindo para a divisão das carreiras por gênero. (Borges et al, 2010; Ristoff, 2006)
A idade de ingresso à universidade (média 19,9 anos e moda 18 anos) e o estado civil dos ingressantes não diferem de estudos semelhantes realizados em universidades públicas (Paulsen & Negri, 2011; Borges et al, 2010). Porém em trabalho realizado com ingressantes de uma universidade particular em São Paulo os resultados encontrados foram 64% dos ingressantes são adultos jovens e 52% casados, indicadores de que os ingressantes já são trabalhadores ou têm obrigações familiares. (Santos & Leite, 2006)
Vale ressaltar que a média de idade encontrada no presente estudo teve seu valor influenciado pela diferença de idade de quase 30 anos entre os alunos, em especial, decorrente da existência de alunos que já haviam completado outro curso de graduação.
O ingressante de nutrição no estudo mostrou perfil urbano semelhante ao perfil do estudante de medicina da UFMG, o qual mais de 70% dos alunos é natural da cidade de Brasília, onde o curso é ofertado. (Ferreira et al, 2000)
Verifica-se no Gráfico 1 que o cinema é a atividade cultural citada por grande parte dos ingressantes. Souza et al (2010) ao avaliarem as atividades culturais de ingressantes e concluintes de um curso de psicologia identificaram que leitura, teatro e cinema foram as atividades que os alunos se envolveram. Em seu estudo o autor observou que a universidade não modificou a vivência cultural dos alunos e também não motivou a produção cultural. Diante o exposto é fundamental ressaltar que a Universidade de São Paulo tem um grande potencial de oferta de atividades culturais e deve estimular os estudantes, funcionários, docentes e comunidade em geral a frequentar esses espaços.
Verificou-se que quase 60% dos ingressantes frequentaram curso pré-vestibular. Zago (2006) ao estudar o acesso à universidade observou-se que 54% dos inscritos no vestibular da instituição pesquisada haviam frequentado algum tipo de cursinho e que mais da metade das vagas oferecidas (62%) foram preenchidas por candidatos com essa formação complementar. A autora argumenta que o comércio de cursinhos pré-vestibular aliado a uma série de investimentos familiares, contribui para a elitização do ensino superior. E afirma que para esses estudantes o ensino superior representa um investimento para ampliar suas chances no mercado de trabalho, cada vez mais competitivo.
A respeito dos transportes utilizados pelos estudantes os meios mais citados foram ônibus e metrô. Entre 10% (noturno) e 15% (matutino) utiliza o carro como meio de transporte.
Em relação à forma de locomoção até a universidade é importante salientar que a unidade FSP localiza-se no centro de São Paulo e as aulas nos primeiros semestres do curso de nutrição se dão em sua maioria na cidade universitária, distante do centro da cidade. Observou-se que grande parte dos ingressantes se locomove até a universidade através de transporte público, dependendo então deste meio de transporte inclusive após a aula, cujo horário noturno
finaliza-se às 23h00. Vale ressaltar que a capital econômica do país, São Paulo, tem os mais variados problemas urbanos como trânsito caótico, deficiência nos transportes coletivos, rodízio obrigatório de veículos nos dias úteis, escassez de locais para estacionar e falta de segurança pública. Sendo que estes problemas são agravados, sobretudo no período noturno, no percurso dos alunos à instituição de ensino e/ou quando da saída destes, com destino às suas residências. (Filho & Quaglio)
Conclusões
O ingressante de nutrição da FSP/USP, no presente estudo, apresentou perfil urbano, jovem, sexo feminino, precedente da cidade de São Paulo, grande parte frequentou curso pré- vestibular, o cinema é a principal atividade cultural e dependente do transporte público para se locomover até a universidade.
Tabela 1. Naturalidade dos ingressantes no curso de nutrição FSP/USP, conforme período matriculado. São Paulo, 2011.
Local Matutino Noturno
Nº % Nº % São Paulo-SP 20 52,63 26 70,27 Grande SP (Região ABC) 03 7,89 02 5,41 Interior e litoral de SP 08 21,05 03 8,11 Fora do Estado SP 03 7,89 01 2,70 Fora do País 01 2,63 01 2,70 Ignorado 03 7,89 04 10,81
Total 38 100,00 37 100,00
Gráfico 1. Atividades culturais e esportivas dos ingressantes no curso de nutrição FSP/USP, conforme período matriculado. São Paulo, 2011.
Legenda:
A= Toca algum tipo de instrumento musical
G= Já viajou para fora do Brasil B= Frequenta apresentações de orquestra H= Já fez intercâmbio
A B C D E F G H I J L M N 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00% 120,00% Matutino Noturno
C= Frequenta teatro I= Participa de alguma atividade cultural D= Frequenta cinema J= Pratica algum esporte
E= Frequenta shows L= Frequenta academia F= Participa de algum grupo de atividade
cultural
M = Pratica algum esporte profissional N= Frequenta o Centro Esportivo da USP
Referências
Haddad AE, Morita MC, Pierantoni CR, Brenelli SL, Passarella T, Campos FE. Formação de profissionais de saúde no Brasil: uma análise no período de 1991 a 2008. Rev Saúde Pública 2010; 44:383-93
Vasconcelos FAG. O nutricionista no Brasil: uma análise histórica. Rev. Nutr Campinas 2002 maio/ago; 15(2):127-138
Gambardella AMD, Ferreira CF, Frutuoso MFP. Situação profissional de egressos de um curso de nutrição. Rev. Nutrição 2000; 13:37-40.
Santana VLT, Pereira LMR. Atuação profissional dos egressos de um curso de nutrição. Rev. Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2010. Jan/fev/mar, v.3, n.1, 24-28
Letro LCMAO, Jorge MN. Inserção profissional dos nutricionistas egressos do centro universitário do leste de Minas Gerais-UNILEST/MG. NUTRIR GERAIS, Ipatinga, v. 4, n. 7, p. 668-680, ago./dez. 2011.
Negri ST, Ramos M, Hagem MEK. Influências na escolha por curso de nutrição em calouros de Porto Alegre (RS). Cadernos de Educação. FaE/PPGE/UFPel. Pelotas 2011. Maio/ago [39]:221-241.
Paulsen TB, Negri ST. Caracterização dos calouros ingressantes em um curso de nutrição. XX Congresso de Iniciação Científica II Mostra Científica. UFPel. CIC 2011.
Oliveira LAB, Queiroz JV, Souza RP, Queiroz FCBP, Hékis HR. Análise do perfil dos alunos ingressantes em cursos de graduação a distância para a tomada de decisões: o caso do curso de administração pública da UFRN. Revista Científica de Educação a Distância. Vol.3, n 5, dez 2011. ISSN 1982-6109.
Borges AG, Vannuchi MTO, Oliveira RD. Caracterização e expectativas de estudantes ingressantes de um curso de graduação em enfermagem.Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 12, n. 1, p. 01-06, dez. 2010. 2010;:1–6.
Ristoff D. A trajetória da mulher na educação brasileira. INEP, Brasília. 10 de março, 2006. Disponível em http://www.inep.gov.br/imprensa/entrevistas/trajetoria_mulher.htm
Santos CE, Leite MMJ. O perfil do aluno ingressante em uma universidade particular na cidade de São Paulo. Revista Brasileira de Enfermagem. mar-abr; 59(2): 154-6. 2006
Ferreira RA, Peret Filho LA, Goulart EMA, Valadão MMA. O estudante de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais: perfil e tendências. Rev Ass Med Brasil 2000; 46(3):224-31
Souza JRS, Witter GP, Witter C. Atividades culturais entre ingressantes e concluintes de um curso de psicologia. Boletim de Psicologia, 2010, Vol. LX. nº 133:217-228
Zago, N. Do acesso à permanência no ensino superior: percursos de estudantes universitários de camadas populares. Revista Brasileira de Educação. V.11, n.32. Maio/ago. 226-370
Filho, AT. Quaglio, P. O cenário urbano para o estudante do ensino superior noturno na cidade de São Paulo: triste realidade ou palco de heróis?. Millenium, Viseu, n. 31, p. 74-87, mai. 2005.