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Acompanhando as transformações dos espaços destinados às atividades in- telectuais, de controle e administrativas, o mobiliário avançou ao longo da história, atendendo às necessidades das sociedades. Desde quando intelectuais e escribas na Idade Média pesquisavam ou anotavam as ordens dos senhores e reis, acomoda- dos em pranchas de madeira sobre cavaletes, sentados em banquetas de madeira com pés altos.

No Renascimento com a organização, contabilidade e arquivamento dos papéis das indústrias artesanais: surgindo as escrivaninhas individuais e depois, como no Banco da Inglaterra - primeiro banco europeu - em 1694: os trabalhadores do banco alinhavam-se em mesas largas, contínuas e alinhadas lado a lado, sentados em ca- deiras de madeira, em grandes e vários salões do edifício construído especialmente para o banco.22

No inal do século XIX, a era industrial deinia a hierarquia de poder conforme a quantidade de detalhes, ítens do mobiliário e espaço reservado para cada trabalha- dor. Nos Estados Unidos caracterizando-se em grandes salões com os trabalhadores lado a lado e na Europa, com a organização de salas menores, alinhadas em longos corredores centrais, constituindo “a viva imagem da burocracia, com seu trabalho monótono e regido pelas instruções dos chefes.” (Jeska, p.17)

Houve uma quase paralisação econômica e social entre as duas grandes guer- ras mundias. Pouco foi feito. A partir da década de 1940, os projetos dos ambientes corporativos seguiram ainda o que se fazia na década de 1920.

Mas, com a valorização do indivíduo e da percepção pelas empresas de que a satisfação do operário era importante para a manutenção e aumento da produtivi- dade, os ambientes corporativos passaram a receber maior atenção. A partir da dé- cada de 1950 o mobiliário mudou, agregando tecnologia à diversidade de opções, tendo o desenho dos escritórios panorâmicos23 solicitado novas e variadas opções

para o mobiliário.

Segundo essa proposta, o mobiliário era organizado no espaço pré- viamente, e de acordo com as atividades a serem realizadas naquele ambiente. Tudo para agilizar a movimentação e favorecer a colabo- ração entre os funcionários. A divisórias eram baixas, para interferir o mínimo possível. Aqueles limitadores hierárquicos haviam deinitiva- mente icado para trás, dando lugar a espaços abertos nos quais os elementos não icam isolados. As células são deinidas por pratelei- ras, armários, arquivos. (Oice Style 20 anos, p.48)

Diversas formas de organizar o trabalho tornaram o ambiente corporativo tam- bém diversiicado. A segunda metade do século XX descobriu a importância do “ca- pital humano” ou conforme Thomas Arnold escreve: “a aceitação de que a eiciência de uma organização pode melhorar-se fomentando a comunicação entre seus cola- boradores.”24

22 - conforme Simone Jeska, que descreve a transformação do escritório desde a antiguidade até o século XX, no livro Atlas de Edifícios de Oicinas, pág.15

23 - idealizado pela empresa alemã de mobiliário Quickborner Team. 24 - In Atlas de Edifícios de Oicinas, pág.19.

De fato, a tecnologia da construção dos edifícios e o avanço nas comunicações, mudaram os ambientes dos escritórios, com a introdução de elementos facilitadores da comunicação mais informal. Zonas de descanso, de reunião, áreas de bar e copa foram criadas entre os conjuntos de estações de trabalho.

O mobiliário diversiicou-se, foram criadas mesas altas, assentos estofados, elementos para arquivamento, superfícies de trabalho em desenhos variados, divi- sórias componíveis com estantes e armários, acomodando cabos e tomadas para as instalações de energia e comunicação.

Figura 27: Mac’Cann Eri- csson Publicidade - auto- ria de Pileggi Arquitetura - do catálogo da linha B3, da empresa Forma de mobiliário. SP, set 2000.

Figuras 28 e 29: detalhes das divisórias da Linha B3 Forma: divisórias componíveis, ocultando cabeamen- to entre painéis estruturados - do catálogo da linha B3, da empresa Forma de mobiliário. SP, set 2000.

Arnold analisa25 que a partir de 1970, com a crise do petróleo, os ambientes

corporativos começaram a ser pensados de maneira a otimizar seus espaços. A idéia de que os recursos poderiam ser limitados, atingiu também a questão da ocupação dos edifícios de escritórios, iluminados e ventilados totalmente de maneira artiicial.

O escritório como paisagem deixou de ser um referencial válido. Mas seu rápido desaparecimento não só foi devido à crise econômica, já que o edifício de escritórios com núcleo central, escritórios ao seu redor e o fechamento entendido como uma pele, com suas grandes superfícies iluminadas e ventiladas artiicialmente. (Arnold, p.20) Em todo o mundo, no novo ambiente criado pelas lajes corporativas, os siste- mas modulares de mobiliário passam a ser usados. Um pouco diferente acontece na Europa, onde permanecem ambientes menores, com iluminação e ventilação naturais. (Arnold, 2005). A indústria do mobiliário cria estações de trabalho lexíveis e componí- veis, para atender à demanda das empresas e à diversidade das relações de trabalho.

Em meados da década de 1980 o fator pessoal ganha destaque nas relações de trabalho; efetivamente a globalização solicita à indústria do mobiliário avanços que acompanhem as necessidades de comunicação rápida e diversiicada. A empresa Steelcase26, sempre presente na percepção dos ambientes corporativos, participa des-

ta transformação analisando os tipos de trabalho num mesmo ambiente corporativo:

• Processos repetitivos, uso intensivo de ferramentas eletrônicas; alta interação e necessidade de comunicação;

• processos repetitivos com uso de ferramentas eletrônicas; baixa interação e necessidade de privacidade;

Figuras 30, 31: catálogo Corporate Overview da empresa Steelcase Inc., 2000, pág.10

25 - In Atlas de Edifícios de Oicinas, pág.20.

26 - fabricante de mobiliário corporativo, presente hoje no mundo todo, foi fundada em 1912 como Metal Oice Furniture Company, em Michigan, EUA. Desde seu início buscou a inovação em seus produtos, tendo recebido a primeira patente de fabricação de um cesto de lixo para escritórios durável, à prova de fogo e com baixo custo - maior inovação em 1914. Em 1968 foi considerada a maior fabricante no mundo de móveis para escritório. (http://www.steelcase.com/corporate- information/#about-steelcase)

• necessidade de alternação entre atividades de concentração individual e de colaboração em grupo;

• processo de análise e criação; necessidade de privacidade e conidencialidade:

Figuras 32 e 33: catálogo Corporate Overview da empresa Steelcase Inc., 2000, pág.10

Enfatiza assim o conceito de ambientes de trabalho: onde todo o espaço de tra- balho é ocupado, além da então chamada estação de trabalho. Neste espaço, estão os recursos necessários para atividades não suportadas pela estação de trabalho, favorecendo o intercâmbio de idéias, o trabalho em equipe e a produtividade.