Podemos descrever através do tempo, as características dos modelos de ocu- pação dos escritórios empresariais. Rita de Cassia S. Sampaio apresentou em sua dissertação de Mestrado uma sequência cronológica, onde percebe-se a relação di- reta entre as atividades, os recursos tecnológicos e a própria arquitetura do edifício.
Veriicamos que, ao longo dos anos, as atividades desenvolvidas nos escritórios se expandiram, graças às inovações dos meios de comu- nicação, e que quanto maior a escala das atividades e mais desenvol- vidos os meios de comunicação, , maiores são as exigências técnicas e de conforto, em relação à concepção e utilização desses edifícios. (Sampaio, 2003, p.09)
3.2.1. Bull Pen
Conceito pautado nos conceitos de Taylor de organização do trabalho. Carac- terístico das décadas de 1940 e 1950: modelo de produção como o de uma fábrica.
3.2.2. Landscape - escritório paisagem
Acaba com a hierarquia reletida na organização do trabalho. Mais percebido em empresas implantadas nas décadas de 1950 e 1960, principalmente na Alema- nha, enquanto em outros países ainda a estratiicação hierárquica taylorista era a mais percebida. (Sampaio, p.52). Era baseado nos conceitos de Ford para produção industrial, que obedecia a organização dos luxos de trabalho, valorizando a função do trabalhador.
3.2.3. Open Plan - escritório panorâmico
Parecido com Landscape, mas com mais lexibilidade; o mobiliário implantado como um sistema de componentes lexíveis, que se conectam de acordo com a ne- cessidade do posto de trabalho.
Muito utilizado nas décadas de 1970 e 1980, proporcionava a integração entre os departamentos, incentivando os funcionários a participarem com mais envolvi- mento e criatividade nos processos das organizações. Absorveu as questões coloca- das na Teoria das Relações Humanas19 e o conceito de qualidade de produto - pro-
cessos e produção - utilizado inicialmente nas empresas japonesas (primeiramente na indústria do automobilismo) com o modelo japonês do CCQ - círculo de controle de qualidade.
No modelo CCQ os funcionários se reuniam periódicamente para analisar e pro- por melhorias em seus processos de produção. Este modelo passou assim a valorizar a função e o indivíduo, tornando-se a linha de raciocínio para o planejamento orga- nizacional das empresas. Robert Propst airmou em seu livro The Oice: a Facitity Based on Changes20 que o Action Oice - 1o sistema completo de mobiliário, criado
por ele e desenvolvido pela Herman Miller no inal da década de 1960 - baseou-se na ilosoia gerencial do Movimento Behavorista - resultado dos estudos de Douglas Macgregor. Esse movimento é onde se encontram as idéias da Teoria das Relações Humanas.
Propst concordava com a equipe do Quickborner Team em que o ambiente de escritório deveria ser mais dinâmico, prático e lexível. nasce a partir daí o conceito de mobiliário, ou sistema integrado, que veio revolucionar integralmente a concepção do design de escritórios, fazendo surgir, assim um novo conceito de ocupação chamado open plan, ou escritório de planta livre. (Andrade, 2000, p.25)
Em 1958 na Alemanha, quando a consultoria administrativa Quickborner Team idealizou a nova proposta de organização espacial dos escritórios, criando o escri- tório panorâmico, estava operacionalizando a estratégia de controle das atividades
19 - A Teoria das Relações Humanas originou-se dos estudos de Elton Mayo, levando à criação dos departamentos de recursos humanos das empresas, a partir da crise dos processos produtivos tayloristas norte-americanos e europeus, nos anos 1960. Suas formulações teóricas questionavam as relações da organização taylorista do trabalho, buscando a lexibilização de etapas e funções. Em seus estudos, Mayo airma que o funcionário reage como membro de um grupo, ao invés de reagir como um indivíduo. A função a criação dos Recursos Humanos seria a de mapear, compreender e atuar sobre as limitações e reações dos funcionários. Estas pesquisas concluíram pela existência de uma organização informal subterrânea à formal taylorista. Ou seja, a perda de controle por parte da organização formal se daria pela atuação desse informal, impossível de ser detectada, pois atuava clandestinamente, longe das normas de procedimento. O objetivo da Teoria das Relações Humanas seria chegar a essa organização subterrânea e desarticulá-la. Para tal, precisava trazê-la para a superfície.” (Amaral, 1995, cap.3.7)
e produtividade dos funcionários. De acordo com Amaral (cap.3.7, 1995), a proposta acabaria com a ordem cartesiana e hierárquica do modelo taylorista. Funcionários e cheias ocupando uma mesma área, onde a supervisão hierárquica passa a ser quase autônoma: o autocontrole das atividades, sugerido pela disputa pelo melhor desem- penho, gerando assim o aumento da produtividade.
3.2.4. Transição do im do século XX para entrada do século XXI
Essa transição desenvolveu vários conceitos e ordens de ocupação dos espa- ços empresariais. Com a busca de novos mercados para aumento da produtividade, novas formas de administração e gestão empresarial foram estruturadas. Pode-se dizer que surgiram os escritórios territoriais e os não-territoriais. Os territoriais são assim chamados quando há uma estação de trabalho para cada funcionário.
1 - Escritório Aberto
inexistência de paredes, democracia e comunicação lexibilidade e eiciência agilidade nas decisões
2 - Escritório Fechado
composição de salas fechadas
individuais, para grupos, para reuniões
3 - Escritório Misto
A - Parcialmente Fechado (Combi Oice)
estações de trabalho em grupo, salas fechadas, de convívio central de equipamentos e pessoal de apoio
B - Alta Produção (High Performance Team)
integração de pessoas e processos num só espaço maior sinergia no trabalho e incremento de resultados
Nos escritórios não-territoriais a estação de trabalho foi substituída por um ga- veteiro volante - o mínimo de espaço individual - sem uma estação de trabalho indi- vidual para cada funcionário. Surgiu nos EUA no inal dos anos 1990, depois de aná- lise das atividades de proissionais externos às empresas: vendedores, consultores, executivos. Este tipo de ocupação do espaço proporcionou maior convívio social e integração, lexibilidade máxima da áreas, sendo a tecnologia dos equipamentos de comunicação - telefone sem io, notebooks - uma necessidade e condição.
Dividem-se em:
A - Hoteling ou Just-in-time para alta e médias gerências das empresas conceito do sistema de hotelaria
uso com hora / dia marcado, pessoal de apoio reserva de espaço e equipamentos
B - Free Adress
média gerência e demais funcionários (staf) redução do espaço da empresa em até 40% alta integração dos luxos de trabalho
entendimento das funções, pouco tempo dentro da empresa equipe de apoio e pool de equipamentos
C - Centros Satélites (Satelite Oice Center) distantes da sede
próximos dos clientes ou moradia dos funcionários D - Red Carpet Club
agrega os conceitos de Hoteling e Free Adress mais área de descompressão, convívio, lazer implantado na empresa ou em escritórios satélites E - Escritório Doméstico (Home Oice)
estruturado por um microcomputador, telefone e fax funcionário trabalha em sua casa, conforme sue horário F - Escritório Virtual (Virtual Oice)
ambiente não vinculado ao espaço físico da empresa funcionário carrega o que precisa,
trabalha em qualquer lugar e hora21