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MDMA og bilkjøring

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“A educação e o acompanhamento dos filhos em todo o processo educativo são não apenas um direito, mas uma obrigação dos pais. É da família que depende um quadro de referências que acompanhará a criança e o jovem ao longo da sua vida. A família é, portanto, a primeira das instâncias educativas e surge como determinante muito forte dos resultados dos alunos, pelo que a escola deve atuar como um parceiro na educação das crianças e dos jovens e deve envolver os pais, incentivar a sua participação e trabalhar colaborativamente com eles”.

(Miguéns, 2005, p. 9 - 10)

Como temos vindo a referir, a formação do aluno leitor literário entronca em diversos contextos que, por sua vez, devem estar em contínuo diálogo: a família, a escola, a biblioteca (da escola, pública), entre outros contextos sociais.

Sendo a leitura importante em todos os contextos sociais e em todas as formas, é, por isso, necessário que se fale do papel da família, pois, esta é a primeira instituição a promover e a colaborar na formação de crianças leitoras. Na verdade, a família é o lugar privilegiado para a criança despertar para o interesse da leitura (Manzano, 1988).

Assim, é consensual que a família tem um papel preponderante no desenvolvimento de atitudes favoráveis face ao desenvolvimento da leitura. Aliás, já em 1986, Richard Bamberger alegava que “a prontidão para a leitura é determinada, em parte, pela atmosfera literária e linguística reinante na casa da criança” (1986, p.71). Inclusivamente, Alvarez (2000) chega a asseverar que sem a ajuda dos pais são poucas as probabilidades de se desenvolver, na criança, uma atitude favorável em relação à leitura. Nesta medida, é no interior do modelo familiar que o gosto pela leitura se intensifica, que a leitura ganha status como valor social importante na construção socioeducacional das crianças e adolescentes.

Desta forma, a família constitui-se como o primeiro modelo de identificação da criança, uma vez que é ela que a confronta com livros, que lhe cria expectativas, lhe dá apoio e a estimula (Jolibert, 1991).

Os estudos mostram que a criança, ainda antes de entrar para a escola, pode tornar-se leitora e apropriar-se da leitura através da mediação da família, da convivência e dos hábitos desenvolvidos no ambiente familiar.

Assim, se o jovem aluno estiver inserida num ambiente estimulante e motivador da leitura, em que a presença de livros faça parte da vida do quotidiano, é natural que este venha a desenvolver o interesse por aprender a ler e, em especial, pela leitura. Por conseguinte, é necessário que, em contexto familiar, se estimule esse interesse e se faça

entender que através da leitura se pode conhecer o mundo, não só um mundo de imaginação, mas também um mundo de inclusão social.

Neste sentido, a família (nomeadamente a figura dos pais) deve procurar criar e incentivar hábitos de leitura nos seus filhos, para, desta forma, se efetivar como mediador entre a criança e a leitura (GIPP, 2011).

Com efeito, quando a leitura não é estimulada, em ambiente familiar, acaba, muitas vezes, por ser considerada irrelevante, já que acontece, somente, em lugares rígidos e sob a forma de obrigação, ou seja, na escola. Por outro lado, se o estímulo à leitura acontecer num ambiente informal, espontaneamente, no lar, é mais provável que o aluno desenvolva hábitos de leitura e, em concomitância, tenha mais facilidade na compreensão de textos. Aliás, Vieira (2004) afirma que

“o leitor formado na família tem um perfil um pouco diferenciado daquele outro que teve o contacto com a leitura apenas ao chegar a escola. O leitor que se inicia no âmbito familiar demonstra mais facilidade em lidar com os signos, compreende melhor o mundo no qual está inserido, além de desenvolver um senso crítico mais cedo, o que é realmente importante na sociedade” (p. 6).

É justamente neste quadro, que se nos assegura legítimo invocar que é missão dos pais a incumbência das primeiras estratégias, bem como a acessibilidade das literaturas infantis para, assim, lhes despertarem o gosto pela leitura e de lhes provocarem o desejo de ler.

Com efeito, segundo Ceia,

“Ler às crianças durante os seus primeiros anos de vida, ajuda-as a crescer não só intelectualmente como do ponto de vista da compreensão do mundo. A medida da imaginação de cada um na vida adulta, a meta que cada um de nós consegue atingir no exercício da mais espantosa e complexa das nossas capacidades – o ser capaz de pensar – é determinada pela forma como nos moldaram a nossa imaginação durante os primeiros anos de vida”.

(Ceia, 2009, p. 7)

Neste âmbito, são pequenas, mas inestimáveis, as ações quotidianas que podem fomentar o gosto pela leitura. Assim, partindo do pressuposto que “a leitura é uma aprendizagem desde os primeiros anos de vida. Ler a uma criança pode ser, ainda no útero, (…) benéfico, mesmo que a ciência não consiga provar que espécie de benefício possa ser esse” (op. cit., p. 6).

Os pais podem iniciar por: (i) mostrar e interpretar ilustrações; (ii) ler histórias ao deitar; (iii) oferecer livros às crianças; (iv) incentivar os filhos a contar histórias; (v)

frequentar bibliotecas; (vi) proporcionar à criança a constituição da sua própria biblioteca; (vii) partilhar leituras, manifestando interesse e conversando com as crianças sobre as suas experiências leitoras; (viii) acompanhar a criança a livrarias, propiciando a aquisição de livros, convidando-a à leitura e releitura dos seus textos preferidos. Como sublinha Vieira (2004), “os pais podem iniciar contando histórias para os filhos dormirem, presentear as crianças com livros, incentivar os filhos a contarem histórias em casa, assim haverá sempre uma troca de conhecimentos e cria-se o estímulo para que as crianças, adolescentes e jovens tenham realmente prazer pela leitura“ (p. 5).

Em jeito de síntese, podemos afirmar que o gosto de ler e a aquisição de hábitos de leitura, por parte dos jovens, resultam de uma educação com início nos primeiros anos de vida, no seu universo familiar. Na realidade, é no contexto familiar que tudo começa em relação à leitura. Portanto, “a motivação para aprender a ler será diretamente proporcional ao estatuto social e efetivo que a leitura tiver para a família e para o aprendiz de leitor. Quando há hábitos de leitura na família, desenvolver um sentimento de pertença a esta família passará por ser leitor” (Viana, 2012, p. 14).

Seguindo esta perspetiva, a promoção do gosto pela leitura, a aquisição e o desenvolvimento de hábitos de leitura é um processo contínuo que principia na família e se perpetua na escola, ao longo de todo o seu percurso escolar. “Mas se é importante esta noção de partilha de responsabilidades, assumindo que a escola não é a única instância responsável pela formação de leitores” (Sousa, 1999, p. 507), urgente é também que a família colabore ativamente com a escola (nomeadamente com o professor) nas atividades promovidas para estimular o gosto pela leitura, cooperando num trabalho que se quer conjunto.

Como já demonstrámos noutro local, o professor detém um papel determinante no que se refere ao favorecimento deste envolvimento, se não o principal, competindo-lhe incentivar, encorajar e apoiar as famílias, demonstrando-lhes o quão relevante é o seu contributo. Para tal, “é necessário que se construa uma relação de diálogo mútuo, onde cada parte envolvida tenha oportunidade de falar, analisar e partilhar, permitindo uma efetiva troca de saberes e experiências” (Caeiro, 2005, p. 22-23).

Efetivamente, é preciso fazer chegar a mensagem que, de acordo com o referenciado no Guião de Implementação do Português do Ensino Básico, 2011,

i) as crianças pequenas, em geral, têm grande apetência pela leitura e esse interesse deve ser alimentado;

ii) a partilha de momentos de leitura é importante. É bom que os pais leiam histórias aos filhos, que falem sobre as histórias, se a criança assim o quiser; que partilhem leituras com os seus filhos, que falem de livros de que tenham gostado;

iii) é bom que os pais leiam à frente dos filhos e que juntos vão a bibliotecas para requisitar livros e livrarias;

iv) sempre que possível devem oferecer livros que vão ao encontro dos interesses dos filhos;

v) as crianças devem manusear os livros que existam em casa, deixando-os ao seu alcance; devem também ter contacto com vários suportes de escrita: jornais e revistas.

(GIPP, 2011, p. 40).

Por fim, perante este quadro, resta-nos sublinhar que “tanto as crianças como as famílias como as escolas e, sobretudo as crianças, têm a ganhar e muito com uma relação mais estreita, com uma colaboração em parceria, com uma relação feita de confiança mútua” (Miguéns, 2005, p. 9-10).

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