Para além destas entrevistas ao grupo docente foi programada e efetuada uma entrevista ao diretor da instituição (anexo III), no âmbito de desenvolver o conhecimento dos processos de formação dos A.O.. Pretendemos apurar se são efetuadas formações e, se sim, a quem são destinadas, por quem são asseguradas e qual o seu impacto nos grupos intervenientes. Terminada a entrevista é igualmente realizada a análise de conteúdo da mesma.
Após a sua realização, obtivemos um entendimento mais detalhadamente do desenvolvimento dos processos de formação dos A.O.. Esta entrevista desenvolveu-se sempre com o objetivo de saber os processos que estão associados às necessidades de formação dos A.O..
O diretor da instituição é do sexo masculino. Ocupa este cargo há 3 três anos, possuindo o Mestrado em Administração Educacional, efetuado na Universidade do Minho.
Neste sentido, foi possível perceber que no que respeita à “oferta formativa aos assistentes operacionais”, o diretor da instituição escolar enuncia que existe todos os anos (no final de cada ano letivo) formação assegurada aos A.O., nomeadamente formações que dizem respeito à higiene, segurança e saúde, formações alimentares, formações na área de cuidados a ter com os alunos, na área de formação pedagógica ou formação direcionada para cada um dos A.O. específico.
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Quanto à “periodização de formações dos assistentes operacionais”, desde que assumiu a função de diretor, este refere que tem o objetivo de garantir as formações aos A.O. anualmente, uma vez por ano, tendo estas um caráter global, existindo formações específicas somente quando possível. Afirma ainda que se continuar a ser seguido este método de trabalho poderá ser atingido, passo a citar o diretor, um “modelo perfeito de formação”.
No que diz respeito à “relevância da formação dos assistentes operacionais”, o diretor considera a formação um instrumento importante.
A formação é, nas palavras do diretor da instituição, um assunto “importantíssimo”. Os A.O. têm “diferentes formas culturais de observação da realidade” o que os distingue será a qualificação que cada um possui. Um A.O. que não possua formação vai ter, certamente, muitas dificuldades em perceber qual a melhor relação que deve manter com os alunos, como deve ser o seu discurso com os mesmos e ainda como lidar com um aluno indisciplinado. Para o diretor, fazer entender a um A.O. que tem pouca formação que a relação pedagógica com os alunos melhora o sucesso escolar é um processo lento e demorado. Durante a entrevista o diretor salienta que um A.O. que possui formação sabe o que é o conteúdo funcional, sabendo ocupar de melhor forma o seu cargo, fazendo, como o próprio indica a “escola funcionar em pleno”.
No que diz respeito à “ entidade responsável pelas formações dos assistentes operacionais”, foi referido pelo diretor que as formações dos A.O. são asseguradas por centros de formação ou então por formadores contratados. No entanto, os formadores contratados têm custos e segundo o diretor da instituição “as escolas têm poucos recursos”. Salienta ainda que a instituição tem usufruído de formação por parte da Câmara Municipal, de alguns professores que estão a exercer as suas funções na instituição e ainda formações que vão surgindo. Tratando-se de um assunto importante, passo a citar o diretor “tenho vindo a investir mais um bocadinho” em formações.
No que diz respeito à “responsabilidade e critérios de seleção das formações dos assistentes operacionais” o diretor expressa que a escolha recai sobre um conjunto de opiniões. O próprio diretor efetua uma seleção de três ou quatro formações que ache importante para um melhor desempenho dos A.O.. Posteriormente, consulta o chefe dos encarregados dos A.O. e faz também uma sondagem – realizada em reuniões que surgem ao logo do ano letivo ou por outro lado, passo a citar o diretor “eles próprios de vez em quando vão-me dizendo”. Os próprios A.O. vão mostrando as suas carências. Sendo que a oferta formativa é reduzida, a escolha das formações deve ocorrer em conformidade com as carências dos A.O..
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Relativamente à categoria “avaliação ao impacto das formações dos assistentes operacionais”, foi possível entender que este é um processo que requer monitorização, não tendo sido ainda consumado qualquer tipo de avaliação às formações que realizadas. De acordo com o órgão do conselho máximo escolar, este “é um processo que temos que implementar na escola e ver como é que estavam os A.O. antes da formação e como é que eles depois reagem/agem após a formação.” Quanto à “participação dos assistentes operacionais em ações de formação no presente ano letivo”, o diretor indica que já foram realizadas algumas formações no presente ano letivo, nomeadamente formações sobre higiene, segurança e saúde alimentar.
Para terminar, o diretor da instituição salienta que a “análise de necessidades de formação dos A.O.” é um assunto de enorme importância visto que a focagem nas formações passa quase sempre pelos professores e alunos, sendo esta uma desvantagem para as escolas pública, no sentido em que seria vantajoso apostar na formação dos A.O.. O próprio menciona que “as escolas perderam um pouco ao não apostar na qualificação dos assistentes operacionais”. Para o diretor seria muito importante apostar mais nas formações dos A.O. pois muitos deles não são requalificáveis, resistindo mesmo à mudança devido a possuírem um percurso académico precário, terem uma idade avançada e ainda possuírem pouca formação. O diretor refere ainda que dar formações aos A.O. “ é um salto a dar e penso que todas as escolas estão a tentar” pois “é um problema que as escolas públicas têm”.