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Mathematical and Computational implementation of Principle Component Analysis 52

5.3 Principal Component Analysis

5.3.2 Mathematical and Computational implementation of Principle Component Analysis 52

O crescente número de casos de contaminação e o preconceito e discriminação que acompanhavam a doença exigiam ações cada vez mais urgentes e concretas e estimularam profissionais e ativistas políticos em todo o país a se organizarem em grupos para enfrentar os desafios que a epidemia apresentava. Entre os anos de 1985 e 1989, surgem os primeiros grupos de atuação exclusiva ou prioritária na luta contra a AIDS.

Três fatos marcam esse período: a criação do Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS de São Paulo (GAPA/SP) em 1985, primeira entidade com atuação exclusiva no enfrentamento à epidemia; a fundação da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) em 1986, primeira instituição fundada e presidida por um soropositivo, Hebert de Sousa, o Betinho; e a criação do primeiro grupo formado exclusivamente por soropositivos, o Grupo Pela Valorização, Integração e Dignidade do Doente de AIDS (PELA VIDDA), no Rio de Janeiro em 1989.261 A partir dessas três iniciativas, outras semelhantes surgem em todo o país, atribuindo diversidade à luta contra AIDS e ampliando o alcance das ações de combate à epidemia e defesa dos direitos das pessoas vivendo com HIV/AIDS.

A criação do GAPA/SP262 confere dinamicidade à luta contra AIDS e incorpora à agenda temas até então pouco discutidos e debatidos. É o GAPA/SP que cria a primeira assessoria jurídica para pessoas soropositivas, atuando de forma decisiva no combate à discriminação e ao preconceito. Essa iniciativa do GAPA/SP influenciou outras instituições e, hoje, existem aproximadamente 63 (sessenta e três) assessorias jurídicas destinadas a pessoas soropositivas em todo o país. 263 Além de trazer à tona o preconceito e a discriminação que acompanhavam a doença, o GAPA/SP, mediante sua assessoria jurídica, despertou nacionalmente a preocupação com os direitos civis das pessoas vivendo com HIV/AIDS. 264

A primeira dificuldade das assessorias jurídicas foi convencer a sociedade em geral e aos Poderes Públicos que os direitos das pessoas infectadas pelo vírus HIV são os mesmos de todas as outras, mas estavam sendo violado ou constantemente negado

261 GALVÃO, Jane. Aids no Brasil: agenda de construção de uma epidemia. P. 60.

262 Atualmente existem 18 GAPAs presentes em 14 estados brasileiros. Cada Grupo possui autonomia de

gestão e ação e juntos eles formam a Rede GAPAs. Informação encontrada no sitio www.aids.gov.br, acessado em 20/10/2006.

263 Informação encontrada no sitio www.aids.gov.br, acessado em 20/10/2006. 264 GALVÃO, Jane. Aids no Brasil: agenda de construção de uma epidemia. P. 69.

seu acesso por medo, preconceito ou discriminação, e não para proteção do direito da coletividade. (grifou-se)265

O surgimento do grupo Pela VIDDA266, por sua vez, tem uma importância exemplar porque mudou o rumo dos debates sobre a AIDS, colocando no centro da discussão a pessoa com HIV e não mais a doença ou vírus como acontecia até então. 267

A criação do Pela VIDDA ajuda a mudar o discurso até então apresentado pelas organizações com atividades em HIV/AIDS. Hebert Daniel, um dos fundadores e primeiro presidente do grupo, aponta, com indignação, a negação dos direitos às pessoas infectadas e doentes de AIDS. Essa subtração dos direitos ganha um nome, “morte civil” (Daniel, 1989: 9), e o tratamento contra a discriminação e o preconceito tem uma “vacina”: a solidariedade.”268

Nessa luta por direitos, um ator aparece como central: as pessoas vivendo com HIV/AIDS. O engajamento de pessoas assumidamente soropositivas na luta contra a AIDS mudou o cenário das respostas nacionais de combate à epidemia. Elas trouxeram para o debate a reflexão de que para combater os efeitos sociais, culturais e econômicos da epidemia era preciso tanto investimentos na área de prevenção (para evitar o surgimento de novos casos) como também de assistência às pessoas já infectadas e em processo de adoecimento. Elas reivindicavam ações especificas em seu benefício (acesso a medicamentos, por exemplo), e o direito de participar da esfera pública, de participar das decisões e da construção de políticas públicas. O slogan adotado por vários grupos de soropositivos em todo mundo deixa claro o espírito dessa reivindicação: nós não somos

somente o problema, mas parte da solução269. Reivindicava-se, em suma, reconhecimento e participação nos processos decisórios.

Na década de 90, cresceu o número de instituições formadas por pessoas vivendo com HIV/AIDS. Esse fato ocorre tanto pelo crescente número de pessoas infectadas, mas, sobretudo, pela cultura democrática dos novos tempos. 270

265 VENTURA, Mirian. Assessorias jurídicas das ONGs/AIDS e sua contribuição para a efetivação dos

direitos das pessoas que vivem com HIV/AIDS no Brasil. P. 95.

266 Além do Rio de Janeiro, o Grupo Pela Vidda está presente nas cidades de Niterói, São Paulo, Goiânia,

Curitiba e Vitória. Informações no sitio www.pelavidda.org.br, acessado em 20/10/2006.

267

GALVÃO, Jane. Aids no Brasil: agenda de construção de uma epidemia. P. 75.

268 GALVÃO, Jane. Aids no Brasil: agenda de construção de uma epidemia. P. 75. 269 GALVÃO, Jane. Aids no Brasil: agenda de construção de uma epidemia. P. 76. 270 GALVÃO, Jane. Aids no Brasil: agenda de construção de uma epidemia. P. 81.

A prioridade da ação dos grupos de luta contra AIDS centrava-se na mudança de comportamento individual (estímulo à prevenção) e combate à discriminação, duas questões relacionadas aos valores e ao imaginário social e comportamental da sociedade brasileira. Para cumprir esse objetivo, os grupos de luta contra AIDS procuravam dar grande visibilidade às suas ações, utilizando estrategicamente os meios de comunicação de massa.

Essa busca por ampla visibilidade, local e nacional, singulariza a atuação dos grupos de luta contra AIDS em relação a outros grupos de reivindicação de direitos que surgiram no final da década de 60 e 70. Como a maioria dos grupos de luta contra a AIDS surgiram fora do contexto de repressão militar, ou seja, final da década de 80 e início dos anos 90, não havia neles o medo da repressão ou as marcas da clandestinidade a que foram impostos tantos outros grupos da sociedade civil durante os anos de chumbo.

As entidades brasileiras que atuam na luta contra a AIDS desenvolvem ações em diferentes áreas, que vão desde prevenção à assessoria, assistência e aconselhamento, passando por pesquisa e consultoria. Além disso, uma vez que a epidemia passou a atingir diferentes públicos, as entidades passaram a atuar também junto a diferentes segmentos (homossexuais, bissexuais, mulheres, população rural, crianças e adolescentes e terceira idade) e setores (empresas, escolas, hospitais, executivo, legislativo, universidades, judiciário, etc.). 271