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Por meio da reunião dos diversos elementos colhidos nesta pesquisa, foi possível recuperar informações valiosas que dão margem para uma série de relações e discussões possíveis a respeito da presença de Walter Gropius no Brasil e dos episódios e debates suscitados. Cronologicamente, a passagem do arquiteto alemão pelo país tangenciou brevemente a linha do tempo onde está documentada a história da arquitetura moderna brasileira.

Revisitando críticas da presença de Walter Gropius no Brasil, entretanto, podemos observar que a passagem do arquiteto alemão pelo país passou realmente longe de não ser percebida. Foram dias em que seu entrosamento com outros arquitetos de renome, principalmente do cenário arquitetônico paulista foi, sem dúvida alguma, bastante significativo. Embora a arquitetura moderna brasileira demonstrasse, na época, em seus traços, maior proximidade e diálogo com os aportes corbusianos (principalmente devido à proximidade dos arquitetos cariocas com Le Corbusier), a capital paulista buscava outras referências para conquistar espaço próprio na arquitetura e nas artes, seja em virtude de suas demandas emergentes enquanto centro industrial, seja como recurso de legitimação da metrópole que se pretendia moderna.

Se o Rio de Janeiro, enquanto capital federal, já havia consolidado os talentos de Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Burle Marx, irmãos Roberto, Jorge Moreira e Reidy, entre outros, desde a década de 1930, por meio dos decisivos caminhos abertos a partir dos projetos do Ministério da Educação, da ABI, da Cidade Universitária, do Pavilhão do Brasil, da Pampulha, de Pedregulho e de encomendas da família Guinle, entre outras, São Paulo também constituía importante base capaz de subsidiar e patrocinar a modernidade arquitetônica.

A participação de figuras patronais da indústria paulista na construção de um panorama artístico reconhecido foi bastante significativa para definir os rumos do estado das artes e da arquitetura na terra dita bandeirante. Respeitáveis esforços se conjugaram na criação de instituições culturais de relevo, como o MASP, o MAM/SP, a Bienal e o IAB/SP, o fortalecimento do ensino, com a FFCL/USP, a Escola de Sociologia e Política, a FAU/USP e a Faculdade de Arquitetura Mackenzie, além de

iniciativas em outros campos como o TBC, Teatro de Arena, Companhia Vera Cruz e assim por diante; tais esforços estavam fortemente vinculados ao progresso industrial e ao sucesso de uma classe empresarial que buscava afirmar a capital paulista como parada cultural obrigatória no Brasil.

A materialização desse casamento entre cultura e indústria mostrou sua clareza e força com o surgimento da Bienal Internacional de Artes de São Paulo. No curto período de dois anos o evento passou de instalações provisórias em um pavilhão no Parque do Trianon para vistosas instalações de porte em edifícios modernos projetados pelas mãos da principal figura da arquitetura brasileira do momento: o carioca Oscar Niemeyer.

A coincidente ocasião da celebração do quarto centenário da fundação da cidade tornou-se o momento oportuno para uma série de eventos, congressos, celebrações e exposições de escala internacional procurando mostrar tudo aquilo que estava sendo realizado na cidade que mais rápido crescia no mundo. Entre eles, o de maior prestígio artístico-cultural, a II Bienal Internacional de Artes, foi acompanhada por uma Exposição Internacional de Arquitetura, tendo como principal estrela um dos maiores pioneiros e protagonistas da atualização da arquitetura na era industrial, Walter Gropius. A imprensa também fez sua parte, dedicando extensas matérias e uma minuciosa cobertura sobre o desenrolar de todos os eventos relacionados à segunda Bienal e todos os seus envolvidos.

Com premiações diversas, júri internacional composto por personalidades respeitadas no meio artístico e um enorme investimento da indústria, a Bienal rapidamente transformou-se num sucesso.

Na Segunda Exposição Internacional de Arquitetura, imersa na grandiosidade do evento no novíssimo Parque do Ibirapuera, a figura de Walter Gropius foi a escolhida para ser o destaque. O ineditismo de sua vinda ao Brasil e o prêmio São Paulo de Arquitetura que lhe foi atribuído, somado a um espaço de exposição reservado para acomodação de suas obras, como retrospectiva de sua carreira, foram providências certeiras que rapidamente estabeleceram uma relação sólida entre o arquiteto alemão e aquele ambiente de força artística e industrial que se mostrava no ambicioso conjunto de mostras, obras, personalidades e eventos reunidos na II Bienal.

No grande apanhado de projetos de Gropius que se encontrava exposto na Bienal, a imprensa e o público puderam se familiarizar com outra vertente arquitetônica mais distante daquela que inspirava as pranchetas cariocas. Experimentos com produções em série, trabalhos explorando a plasticidade de metais, e edificações de aspecto sóbrio, em que a inovação estética se perfilava no rigor funcional e geométrico da racionalização arquitetônica alemã eram, provavelmente, menos vistosos que a produção moderna de formas livres e inovadoras pela qual o Brasil havia se tornado conhecido, mas o indiscutível flerte com a indústria estava ali. Na primeira Bienal, a personalidade arquitetônica focada havia sido o patrono da arquitetura moderna brasileira celebrada até então, Le Corbusier; nessa segunda edição, a presença de Gropius denotava também uma tentativa de aproximação com os princípios do funcionalismo e da produção em massa.

O encontro entre a arte e a indústria se mostrou através das obras expostas e a arquitetura de Gropius foi o catalisador que mostrou as possibilidades de uma união bem sucedida e promissora. A reputação e carreira de realizações de Gropius, incluindo sua brilhante atuação no campo do ensino, da Bauhaus a Harvard, tornavam sua escolha como premiado e estrela da Bienal uma excelente manobra por parte dos patrocinadores paulistas, e veículo de propaganda para a São Paulo metropolitana e industrial.

Toda a obra exposta de Gropius foi constituída por realizações localizadas no Hemisfério Norte. Dessa maneira, estava implícito que a realidade da construção civil daquela parte do planeta era, em muitos pontos fundamentais, diferente da brasileira. Embora o ritmo de construção de diversos edifícios altos em São Paulo fosse muito veloz, pouco deste procedimento construtivo se aproximava das experiências arquitetônicas de Gropius com a estandartização e a pré-fabricação, uma das razões fundamentais pelas quais o arquiteto era conhecido. As experimentações arquitetônicas que aproximavam Gropius do Brasil eram casos isolados, como obras residenciais unifamiliares de Warchavchik (admirador confesso de Gropius) e alguns elementos pré-moldados em edifícios, que não chegavam a ser adotados em larga escala de produção.

Contudo, já nos primeiros dias de sua estada, Gropius acabou despertando maior interesse em sua passagem pelo Brasil por outro viés: o didatismo de sua experiência como professor e defensor da arquitetura. O conjunto de suas palestras,

análises críticas e discursos de motivação à figura do arquiteto suscitaram debates e atestaram sua relevância, culminando em sua breve (mas fundamental) participação no IV Congresso Brasileiro de Arquitetos.

São Paulo e principalmente o Rio de Janeiro já haviam conquistado espaço em publicações e discussões internacionais de arquitetura, devido às suas modernas edificações que constituíam uma significativa produção vanguardista situada, paradoxalmente, em um pais periférico. País que se industrializava rapidamente, mas que apresentava, justamente no campo da construção civil, uma base produtiva extremamente atrasada, baseada em processos semi-artesanais e na abundancia de mão-de-obra barata e desqualificada, carecendo de suporte para uma efetiva modernização da produção e do resultante ambiente construído. No campo do urbanismo, o contraste era ainda mais gritante, e as duas capitais não apresentavam, à exceção de alguns espaços centrais e bairros residenciais privilegiados, padrões de urbanização à altura de sua própria arquitetura edificada. A carência de pesquisas e estudos, tanto no campo teórico como prático, e a escassez de documentação de nosso acervo arquitetônico foram outros problemas diagnosticados na ocasião. Conforme foi verificado durante o IV Congresso, havia grande expectativa para apresentação de teses, provavelmente estimulada pela produção arquitetônica em alta e a quantidade de profissionais ilustres que participariam do evento. Mas tal expectativa desapareceu assim que se notou a baixa quantidade de teses enviadas para o Congresso. Em muitas discussões documentadas em ata pelo IAB, a necessidade de fortalecer a pesquisa e a discussão sobre a arquitetura brasileira que se consolidava veio à tona.

Entretanto, as preocupações recorrentes no congresso sobre o tema da tradição, as noções de continuidade e de nacionalidade, o estudo do nosso legado colonial e outros persistentes apelos nesse sentido tendiam a direcionar pesquisas e estudos para o campo do patrimônio, distanciando-se de temáticas e problemáticas contemporâneas.

Mesmo assim, foi uma oportunidade proveitosa em termos da mobilização dos profissionais, das entidades de classe e dos contatos interestaduais e internacionais que puderam ser estabelecidos. Podemos constatar que a presença de Walter Gropius foi apropriada para estimular o preenchimento desta lacuna, do ponto de vista acadêmico, no universo arquitetônico brasileiro. Seus discursos não foram

marcados por declarações polêmicas, e optaram por reafirmar o ideário modernista, racionalista, funcionalista e universalista do Movimento Moderno, e o papel decisivo do arquiteto, e, portanto, do ensino e da formação do arquiteto-urbanista, no mundo contemporâneo e na era industrial. Em São Paulo seus comentários mais críticos foram no sentido de denunciar o crescimento urbano desordenado, abstendo-se de louvar ou criticar fortemente a arquitetura moderna local, seja a de autores paulistas, seja a contribuição de Niemeyer no Ibirapuera - postura que não poderia ser uma surpresa na condição em que se encontrava Gropius: como convidado premiado e reconhecido por parte de um respeitável reduto da elite paulista, então em lua-de- mel com as artes e a arquitetura.

Se de um lado a contribuição de Gropius com suas palestras e considerações diversas tenha sido significativa, de outro, o fato de ele não ter deixado sequer um estudo ou esboço conhecido de intervenção arquitetônica de qualquer natureza que fosse em solo brasileiro foi crucial para que o reconhecimento da importância de sua presença em solo brasileiro tenha sido progressivamente minimizado ao longo dos anos seguintes. Fenômeno que não se verificou nas visitas de Le Corbusier, que produziu inúmeros desenhos e esboços diversos de intervenções em paisagens urbanas brasileiras, particularmente no Rio de Janeiro, além de alguns textos dedicados a essas passagens, mantendo sempre em evidência seu diálogo com o Brasil – tais gestos construídos através do desenho não serão esquecidos e, seguidamente, serão revisitados.

Contudo, ainda que Gropius tenha projetos memoráveis em sua carreira, com o passar do tempo o meio acadêmico o adotou como outra referência: a de defensor da arquitetura moderna. Sendo assim, ainda que o seu discurso guardasse traços de um proselitismo arquitetônico, suas reflexões publicadas ao longo de sua vida e uma retórica bastante pertinente às transformações da primeira metade do século XX eram garantia de atenção para suas palavras onde quer que estivesse. E uma vez no Brasil, a imprensa se fixou nesta característica de Gropius, publicando reportagens bastante completas sobre suas declarações.

Em todos os locais visitados por Gropius, o objetivo era expor o que havia de mais expressivo na produção moderna da arquitetura brasileira e outras características regionais que representassem o país. No papel de um estrangeiro ilustre, Gropius deu suas declarações, na maioria em tom bastante informal, a respeito de tudo o

que pôde testemunhar. A documentação do jornal carioca O Correio da Manhã foi a que melhor expôs Gropius e sua maneira de ser.

Embora a passagem do arquiteto alemão tenha sido tratada com bastante entusiasmo, sobretudo pela imprensa e arquitetos paulistas, ele não deixou marcas profundas em sua passagem pelo Brasil. E apesar de sua contribuição inspiradora documentada em reportagens e entrevistas, entre outros documentos, acabou por ficar mais lembrado nos meios arquitetônicos do país por sua crítica dirigida à residência carioca de Oscar Niemeyer na Estrada das Canoas.

No ano em que Gropius visitou o Brasil, 1954, este episódio foi tratado como um fato isolado, sem maior importância no âmbito de todo o contexto da visita, que incluiu a premiação, a exposição de suas obras na II Bienal, as demais homenagens, as conferências em São Paulo, a abertura do IV Congresso de Arquitetos, as entrevistas e comentários na imprensa; e mesmo entre as visitas realizadas no Rio de Janeiro – aos jardins de Burle Marx em Petrópolis, a Pedregulho, ao Ministério, tal como foi documentado pela imprensa da época. Entretanto, o que era um fato isolado acabou assumido, posteriormente, grandes proporções, a ponto de ser tratado como episódio-símbolo da presença de Walter Gropius no Brasil.

Após a conclusão da pesquisa realizada para construção do presente trabalho, foi possível estipular três possíveis razões para que esse arranhão na imagem de Gropius tomasse forma e se perpetuasse.

A primeira delas diz respeito à documentação da passagem de Gropius pelo Brasil. Após a pesquisa de fontes de informações que fossem relevantes para a reconstituição deste breve capítulo na história da arquitetura moderna brasileira, foi possível verificar que os registros fundamentais se encontravam em periódicos e nos arquivos de entidades como o IAB e a Fundação Bienal. Alguns textos de Gropius e breves entrevistas podem ser encontrados em publicações voltadas ao meio arquitetônico, como as revistas Habitat e L'Architecture d'Aujourd'hui, que embora tragam as palavras do arquiteto do ano em que esteve no Brasil, não guardam grandes surpresas para aqueles que têm alguma familiaridade com o discurso de Gropius. Dessa maneira, o que havia de mais interessante e rico em termos do material a ser estudado posteriormente, constante de entrevistas e reportagens em jornais e revistas semanais, ficou relativamente oculto em meio às inúmeras outras notícias relacionadas à movimentação artística e cultural do período em que durou a

II Bienal Internacional de Arte, a Exposição Internacional de Arquitetura e o IV Congresso Brasileiro de Arquitetos. Ao mesmo tempo, nenhuma das demais manifestações de Gropius no Brasil causou rebuliço; suas conferências e discursos não traziam grandes novidades, sua crítica à virtual ausência de planejamento urbano no explosivo crescimento das grandes cidades brasileiras tornava-o apenas mais uma entre as inúmeras vozes que clamavam nesse deserto. Sua defesa da aliança entre arquitetura e indústria, talvez a principal lição que tenha trazido de sua experiência e trajetória, embora contasse com a receptividade dos patronos da Bienal e do IV Centenário que o convidaram e premiaram, não encontrou grande eco num congresso de arquitetos marcado pelos temas da tradição, da história e da nacionalidade; e no qual a capacidade de autocrítica dos arquitetos brasileiros, reivindicada por organizadores como Abelardo de Souza, não encontrou respaldo teórico, histórico e critico suficiente, embora possa ter ajudado a desencadear a formulação de propostas menos vinculadas à “escola carioca” entre paulistas e gaúchos.

Outra razão foi a crescente fama, importância, produção e quase onipresença de Niemeyer enquanto representante maior da arquitetura moderna brasileira, tendo sua obra amplamente conhecida e divulgada numa escala em que apenas o Ministério da Educação e o conjunto de Pedregulho puderam, talvez, lhe acompanhar. Na esteira dessa notoriedade, a Casa das Canoas adquiriu logo um caráter icônico enquanto realização que sintetizava o talento do autor aplicado a uma residência unifamiliar, programa quase obrigatório por colocar à prova a capacidade de um arquiteto realizar, em escala reduzida e com os requisitos programáticos habituais, uma pequena obra-prima. Embora Niemeyer tenha tido sua casa indicada para premiação na II Bienal e tenha perdido para a residência Hodgson, do arquiteto Philip Johnson, a casa do arquiteto brasileiro ganhou admiração mundo afora principalmente por suas características plásticas, tornando- se uma pequena (em porte) preciosidade da arquitetura moderna brasileira. E nas incontáveis ocasiões em que foi citada, mencionada ou analisada sob as mais diversas óticas, a história muitas vezes carregava consigo as palavras de Walter Gropius sobre aquela construção. Assim, a frase em que o arquiteto alemão constatou que a residência não era multiplicável conferiu à visita de Gropius um laivo

negativo; o estrangeiro que veio ao Brasil e desdenhou a brilhante obra do reconhecido Oscar Niemeyer.

A terceira razão é atribuída diretamente ao arquiteto carioca. Após seu breve encontro com Gropius e o episódio ocorrido em Canoas, progressivamente Niemeyer passou a tecer críticas cada vez mais pesadas dirigidas à figura de Gropius; mais adiante passou a atacar sua obra como um todo (fosse ela projetada ou escrita); e, por fim, acabou estendendo os ataques à Bauhaus e a todos diretamente envolvidos em suas propostas funcionalistas. Até onde nos foi permitido verificar, não foi possível detectar qualquer sinal de resposta de Gropius, tanto ao mal-estar ocorrido em Canoas, quanto a qualquer um dos ataques posteriores de Niemeyer – ataques que se seguiram ferozmente mesmo anos após o falecimento de Gropius em 1969.

Com a investigação de todos esses episódios foi possível verificar que muito desta história ainda está por ser investigado e, consequentemente, esclarecido. Pesquisas a respeito da modernidade arquitetônica brasileira vêm desbravando e trazendo à luz fragmentos fundamentais que enriquecem e complementam uma história ainda eivada de mitos e passagens ora heróicas, ora anedóticas, ora trágicas. Tais contribuições assumem importância na medida em que permitem recuperar a memória de personagens, como o próprio Gropius, que passaram muito tempo na qualidade de breves menções pouco destacadas pela historiografia.

Embora a passagem de Gropius pelo Brasil não tenha tido a divulgação merecida, suas lições em termos de racionalização do projeto arquitetônico e a defesa da industrialização da construção tiveram eco em experiências importantes na arquitetura paulista, com participação crucial de arquitetos presentes no IV Congresso Brasileiro de Arquitetos, como Rino Levi e seus sócios Roberto de Cerqueira César e Luís Roberto de Carvalho Franco, Hélio Duarte, (que foi posteriormente professor no curso de industrialização da construção da USP, assim como José Luiz Ferreira Fleury de Oliveira e Eduardo de Almeida), Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha. Estes dois últimos, juntamente com Fábio Penteado, iriam protagonizar uma das mais visíveis tentativas de industrialização dos processos construtivos realizados no país, o conjunto residencial Zezinho de Magalhães Prado (CECAP Guarulhos - 1967).

O tema da industrialização seria recorrente nas pranchetas paulistas, estando presente nas obras de Sergio Ferro (residência Boris Fausto) e comparecendo mesmo na produção de discípulos de Oscar Niemeyer como João Filgueiras Lima, em período mais recente.

A figura de Gropius pode, portanto, sinalizar certa quebra na oposição que costuma ser identificada entre a arquitetura moderna brasileira e o funcionalismo europeu, indicando pontos de convergência, alem de divergências já mencionadas que se tornaram célebres através de episódios como os comentários de Max Bill e depoimento do próprio Gropius sobre a Casa das Canoas. Sua visão abrangente do ensino de arquitetura, também presente nas conferências de 1954, teria eco na reforma do currículo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, empreendida sob a liderança de Artigas ocorrida em 1962, que se tornou uma referência para o ensino na área.

Também é possível detectar significativa afinidade projetual (declarada abertamente pelos arquitetos ou não) nas obras de grandes nomes paulistas como Gregori Warchavchik e os já mencionados Rino Levi e Vilanova Artigas. Desde as primeiras residências modernas de Warchavchik até as obras brutalistas de Artigas é possível estabelecer um diálogo com Gropius que não deve ser ignorado.

A averiguação do tema proposto por este trabalho acabou por revelar algumas passagens esclarecedoras e empolgantes sobre os dias em que Gropius esteve no Brasil. Espera-se, portanto, que este trabalho possa vir a contribuir para recuperar a importância do nome do professor Walter Gropius em terras brasileiras e dar fôlego a outras discussões sobre o assunto.

ANEXOS

Anexo A: Créditos dos organizadores da II Bienal Internacional de Artes e Arquitetura, júris e comissões

PRESIDÊNCIA DE HONRA DA SEGUNDA BIENAL