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Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil Sua Excelência Senhor VICENTE RÁO

Ministro de Estado para os Negócios das Relações Exteriores Sua Excelência Senhor OSWALDO ARANHA

Ministro de Estado para os Negócios da Fazenda Sua Excelência Senhor ANTÔNIO BALBINO

Ministro de Estado para os Negócios da Educação e Saúde Pública Sua Excelência Senhor LUCAS NOGUEIRA GARCEZ

Governador do Estado de São Paulo

Sua Excelência Senhor JÂNIO QUADROS Prefeito do Município de São Paulo

Comissão Artística da Segunda Bienal Antônio Bento

Antônio Joaquim de Almeida Carlos Pinto Alves

Flávio de Carvalho José Simeão Leal

Lourival Gomes Machado Mario Pedrosa

Niomar Maniz Sodré Ruy Bloem

Sérgio Millet Tarsila do Amaral

Comissão Artística da Segunda Exposição Internacional de Arquitetura Eduardo Kneese de Mello

Francisco Beck

Oswaldo Arthur Bratke Giuseppina Pirro

Júri de Seleção de Artes Plásticas Antonio Bento

Fávio de Aquino Geraldo Ferraz Sergio Milliet Thomas Santa Rosa

Júri de Seleção de Arquitetura Eduardo Kneese de Mello Francisco Beck

Mario Henrique Glicério Torres Oswald Arthur Bratke

Salvador Cândia

DEPARTAMENTOS DA SEGUNDA BIENAL Secretaria Geral:

Arturo Profili

Arquivos e Secretaria: Maria Rosa Sabatelli Maria Teresa Lara Campos Irene Eunice Sabatini

O plano e a supervisão dos interiores do Palácio das Nações e do Palácio dos Estados ficaram a cargo dos arquitetos Jacob Ruchti e Giancarlo Fongaro.

O catálogo geral da exposição foi realizado pelo EDIAM, Edições Americanas de Arte e Arquitetura, sob direção de Dante Paglia, e impresso nas oficinas da IMPRES em São Paulo. O cartaz para propaganda da Segunda Bienal de São Paulo é de autoria do pintor Antônio Bandeira e a capa do catálogo foi ideada por Danilo di Prete.

Anexo B: Carta de Walter Gropius ao casal Matarazzo.

Anexo C: Le Corbusier fala sobre Gropius

Como integrante do júri que concedeu à Walter Gropius o Grande Prêmio São Paulo de Arquitetura, conferido pela Fundação Andrea e Virgínia Matarazzo, Le Corbusier redigiu (de Paris, em outubro de 1953) o seguinte laudo à respeito da figura de Gropius e o que representava:

“Falar de Gropius é falar de amizade. É pronunciar as palavras que alicerçam esta amizade; dignidade, lealdade, generosidade, sentimento, inteligência e talento. Este conjunto de altas virtudes floresceu ao correr da longa vida e luta desse homem (e, talvez também um pouco, ao correr da mesma longa vida e luta do signatário destas linhas): sempre olhar para cima e para longe, acreditar nos valores positivos da vida e não apostar nos valores negativos. Resumindo, coisas que poderiam verdadeiramente banir uma pessoa de uma sociedade devotada aos proveitos materiais. Destino que não é em absoluto abominável, ao contrário. Basta, para se satisfazer não estudar filosofia, mas tornar-se filósofo: amigo da sabedoria.

Ganha-se com esse acordo! E a recompensa parcial chega mesmo enquanto ainda se vive. Até agora, era preciso geralmente ter paciência, durante cerca de meio século, depois da própria morte.

Hoje em dia, graças ao progresso da fotogravura, da imprensa e dos transportes, todas as coisas vão depressa e as próprias consagrações alcançam as criaturas enquanto vivem. (Obrigado ao progresso!)

Gropius fez brilharem suas virtudes sobre uma juventude vinda de todos os horizontes da terra. A América teve a sorte de fornecer o local e o orçamento. No mundo inteiro o nome de Gropius é pronunciado com respeito.

Afinal, esse respeito é o pedaço de ouro puro saído do crisol de uma existência.” (CORBUSIER, 1954, P. 11)

Anexo D: Transcrição das palestras de Walter Gropius no Brasil

O arquiteto alemão foi o principal convidado a discursar durante a sessão solene de instalação do IV Congresso Brasileiro de Arquitetos no Teatro Cultura Artística, em São Paulo.

A mesa de honra do auditório era composta por muitos integrantes, a saber: Francisco Matarazzo Sobrinho (presidente da Comissão do IV Centenário), os arquitetos Walter Gropius e Alvar Aalto, Cícero Marinho (representante do Ministério da Marinha), o arquiteto Paulo Antunes Ribeiro (presidente do Departamento Central do Instituto de Arquitetos do Brasil), Chaves Amarante (representante do Governo do Estado de São Paulo), o arquiteto Rino Levi (presidente do Departamento de São Paulo do IAB), o arquiteto Antonio Pereira Botelho (presidente do Departamento de Minas Gerais do IAB), Henrique Pegado (reitor da Universidade Mackenzie), Nicolau Tuma (representante da Câmara Municipal de São Paulo), Pedro Gavini (diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo) e os arquitetos Eduardo Corona, Nestor Figueiredo, Vera Machado e Guilherme Prates.

Naquele evento, o arquiteto Rino Levi, em nome do Instituto de Arquitetos do Brasil, conferiu aos arquitetos Walter Gropius e Alvar Aalto os Diplomas de Sócio Honorário. Desta maneira, os dois arquitetos estrangeiros foram incorporados, permanentemente, naquela entidade representativa dos arquitetos brasileiros. O arquiteto Rino Levi comentou os títulos concedidos aos arquitetos estrangeiros com as seguintes palavras:

“A presença, entre nós, de Walter Gropius e Alvar Aalto, constitui acontecimento que nos enche de profunda e indescritível emoção. Desde os bancos escolares recebe a nossa geração de arquitetos os mais notáveis ensinamentos destes insignes mestres, pelo seu exemplo, orientado sempre para novas e fascinantes especulações do espírito e da capacidade criadora. Cada um deles é artista no sentido mais puro da expressão; cada qual tem uma personalidade própria e inconfundível. Os seus princípios, no entanto, convergem e se confundem num objetivo comum: o amor ao ser humano e à sociedade. Dentro da mais perfeita unidade, estes artistas sabem orientar o trabalho de criação sempre em benefício do homem.

Observemos as coisas que nos cercam, fixemos a nossa atenção na produção industrial corrente, na casa, na cidade, na organização do trabalho, culminando nas realizações de arte pura, em todos os seus campos, e notaremos em tudo o reflexo destas duas personalidades, com o encanto de seu espírito de renovadores.

O Instituto de Arquitetos do Brasil, desejando exprimir os sentimentos dos arquitetos brasileiros pela obra tão significativa que estes mestres vêm realizando, sente-se feliz por prestar uma homenagem a Walter Gropius e Alvar Aalto, conferindo-lhes o mais alto título previsto em seus estatutos – o de sócio honorário.

A ocasião é tanto mais feliz por realizar-se esta homenagem durante a instalação solene do IV Congresso Brasileiro de Arquitetos, que reúne os arquitetos do país e também de vários países amigos e por coincidir com a comemoração do IV Centenário da cidade de São Paulo.

Honrados com esta incumbência, na qualidade de representantes do Instituto de Arquitetos do Brasil, fazemos a entrega ao arquiteto professor Walter Gropius e ao arquiteto professor Alvar Aalto, dos diplomas de sócios honorários dessa entidade. A partir deste momento, Walter Gropius e Alvar Aalto estão integrados em nossa associação em caráter permanente e em posição do maior relevo.” (In Anais do IAB: IV Congresso Brasileiro de Arquitetos. 1954, p. 23)

Após a entrega do título anunciado por Rino Levi e com o auditório em sua capacidade máxima de lotação, Walter Gropius realizou a seguinte palestra:

Tema da conferência: “O Arquiteto na Sociedade Industrial”

(In Anais do IAB: IV Congresso Brasileiro de Arquitetos. 1954, p. 25-32)

Conferência pronunciada no Teatro Cultura Artística em São Paulo. (18 jan.1954) Nesta minha análise, quero antecipar que a arquitetura, como arte, começa além dos requisitos da construção e da economia, no plano psicológico da existência humana. A satisfação que a “psichê” humana recebe como o resultado da beleza, é tão importante quanto o preenchimento de nossos requisitos de conforto material, para a realização de uma vida civilizada e completa. Os obstáculos emocionais que barram o desenvolvimento de uma vida mais organicamente equilibrada, devem ser superados ao nível psicológico, exatamente como os nossos problemas práticos se superam ao nível da técnica.

Será o criador da rosa ou da tulipa um artista ou um técnico? Ambos, sem dúvida, porque na natureza a utilidade e a beleza são qualidades constitucionais, mútua e verdadeiramente interdependentes. O processo da forma orgânica na natureza é o padrão constante para toda a criação humana, quer isto resulte da luta mental do cientista quer da instituição do artista.

Todos nós ainda lembramos aquela união do ambiente e do espírito que prevalecia no tempo do carro de boi (Ouro Preto). Temos a sensação de que a nossa época perdeu aquela unidade e que a doença de nosso meio tão caótico, a sua feiúra e desordem muitas vezes entristecedora, são o resultado de nosso insucesso em colocar as necessidades básicas do homem acima dos requisitos econômicos e industriais. Abalada pelas possibilidades milagrosas da máquina a avareza do homem interferiu evidentemente com o ciclo biológico da solidariedade humana, fundamental para uma comunidade sadia. No nível mais baixo da sociedade, o homem tem sido degradado, porque tem sido utilizado como instrumento da indústria. Esta é a verdadeira causa da luta feroz entre o capital e o trabalho e a razão da decadência das relações entre a comunidade. Enfrentamos agora a difícil tarefa de reequilibrar a vida da comunidade e de humanizar o impacto da máquina. Verificamos agora que o componente social tem maior valor do que os componentes técnicos, econômicos e estéticos.

A chave para uma reconstrução feliz de nosso meio – a grande tarefa do arquiteto – é a nossa decisão de permitir que o elemento humano se torne o fator preponderante.

Mas apesar do esforço realizado por alguns, é evidente que não encontramos ainda o elo espiritual que nos uniria num esforço coletivo para estabelecer um denominador cultural bastante forte para diminuir nosso medo, e criar um padrão comum a todos nós.

Os que entre nós são artistas, estão impacientes, porque não foi encontrada ainda a síntese capaz de unificar aquilo que por enquanto está infelizmente separado.

Não podemos negar que a arte e a arquitetura tenham chegado a ser expressão puramente estética, porque durante a revolução industrial tinham perdido contato com a comunidade e com o povo.

O acabamento externo de um edifício foi projetado, sobretudo, para realizar com o do edifício contíguo em lugar de se desenvolver como um modelo que servisse muitas vezes para criação de um padrão orgânico de conjunto residencial. A

característica da nossa última geração de arquitetos foi de ser diferente em lugar de procurar um denominador comum, porque os arquitetos temiam a influência anti- humana da máquina.

A nova filosofia na arquitetura reconhece a predominância dos requisitos humanos e sociais, e aceita a máquina como sendo o veículo moderno da forma, para preencher estes mesmos requisitos.

Se olharmos para o passado, descobriremos o estranho fato da combinação entre um denominador comum da expressão de forma com a variedade individual. Reproduzir uma boa forma padrão “standard” como tal, nada tem a ver com os meios que o produzem: a ferramenta manual ou a máquina. As nossas casas do futuro, não estarão necessariamente uniformizadas, só porque existe a padronização e a pré-fabricação; a concorrência natural no mercado livre encarregarse-á da variedade individual das partes componentes dos edifícios, exatamente como hoje, estamos experimentando com uma farta variedade de tipos, para objetos produzidos em massa para uso diário. Os homens não hesitaram em aceitar formas, padronizadas, nas épocas de civilização anteriores à máquina.

Tais padrões resultaram de seus métodos de produção e da sua maneira de viver. Representavam uma combinação do melhor que muitos indivíduos tinham dado como contribuição para a solução de um problema. As formas estandardizadas da arquitetura do passado expressam uma mistura feliz de técnica e imaginação, ou melhor, uma coincidência completa de ambos. É este espírito – mas não sua forma que é a própria daquela época – que deveria ser ressuscitado para criar o nosso próprio ambiente com o nosso meio de produção: a máquina.

Mas se estes padrões não forem constantemente verificados e renovados, chegarão a estagnar. Já sabemos que é inútil procurar igualar os padrões do passado, pois nossa obsessão recente com a idéia de que os novos edifícios deferiam sempre igualar os já existentes, tem revelado a terrível fraqueza da época – uma confissão silenciosa de bancarrota espiritual que não tem outro exemplo no passado. Depois da revolução que se fez no nosso próprio meio, e que trouxe com ela uma clarificação necessária, parece que estamos nos preparando para um novo esforço criador. Por isso, talvez seja útil investigar até onde o nosso quadro profissional cabe dentro da condição dessa nossa época, que eu procurei delinear. Vejamos, agora, se a modificação gigantesca nos métodos de produção, tem sido por nós suficientemente reconhecida. Porque devemos encarar o nosso caso à luz da

história da tecnologia, e como não estamos vivendo num período de contemplação açucarada e de segurança, deveríamos reconsiderar os nossos princípios básicos, já que sem dúvida alguma existem alguns fatos assustadores que não podem por maior o tempo ser ignorados.

Nas grandes épocas do passado, o arquiteto era o “Mestre dos Ofícios” ou o “Mestre Construtor” que desenvolvia papel predominante dentro do processo de produção de seu tempo. Mas com a modificação, do artesanato para a indústria, ele não ocupa mais esta posição predominante.

Hoje em dia, o arquiteto não é o “mestre da indústria de construção”. Abandonado pelos melhores artesãos (que foram para a indústria, para a fabricação de instrumentos para o exame e a pesquisa), ele tem permanecido, pensando nos termos do velho e anacrônico artesanato, tristemente inconsciente do impacto colossal da industrialização. O arquiteto corre o perigo muito grave de perder o seu pulso, em concorrência com o engenheiro, o homem da ciência e o construtor, a menos que ajuste a sua atitude e as suas finalidades para poder enfrentar a nova situação.

A separação integral do projeto e da execução dos edifícios, conforme vigora hoje em dia, parece completamente artificial, se nos a compararmos com o processo de construção nas grandes épocas do passado. Nós nos afastamos demasiadamente daquele entrosamento original e natural, daquele tempo em que o desenho e a execução de um edifício formavam um só processo indivisível e onde o arquiteto e o construtor eram uma só pessoa. O arquiteto do futuro – se este quer mais uma vez vir à tona – será obrigado pelo correr dos acontecimentos a se aproximar mais uma vez da produção construtora. Se ele constituir, com o engenheiro, o homem de ciência, o construtor, uma equipe estreitamente colaboradora, então o projeto, a construção e a economia poderão voltar a ser uma entidade só: fusão de arte, ciência e negócio.

A AIA nos EE. UU., durante o congresso de 1949 em Houston, Texas, acrescentou ao regulamento mandatório do Instituto um novo parágrafo 7, cujo teor é o seguinte: “Um arquiteto não poderá ser envolvido, direta ou indiretamente no contrato da construção.” Graças a Deus, pelo que sei, esta regulamentação dúbia não existe na organização do Instituto de Arquitetos do Brasil.

Tenho as maiores dúvidas quanto à conveniência deste regulamento, que viria perpetuar a separação do projeto e da construção. Bem ao contrário, nós

deveríamos procurar uma reunificação orgânica que nos devolvesse a ascendência sobre o mestre da construção. É claro que a intenção inerente neste regulamento de bloquear a concorrência desleal foi excelente.

Mas, receio que represente apenas um veto negativo e não procure solucionar de maneira construtiva o nosso dilema.

Não nos enganamos quanto á força de nossa posição atual, no conceito de nossos clientes. O cliente em particular médio parece considerar-nos como elementos de uma profissão de luxo, que poderá chamar para consulta se existir verba disponível para embelezamento. Não parece olhar para nós como se fôssemos indispensáveis ao esforço de construção, como o são o construtor e o engenheiro.

Se acharem que estou exagerando, vejam um pouco os fatos como são nos Estados Unidos.

Mais de 80% de todos os edifícios dos EE. UU. estão sendo construídos sem arquiteto;

O salário médio do arquiteto é menor que o de um pedreiro da faixa leste dos EE. UU.;

O povo simplesmente não compreende a tarefa complicada do arquiteto conforme nós o definimos, e nós não temos conseguido esclarecer o problema.

Quando um cliente está com vontade de construir, ele quer comprar o “edifício” pronto por um preço predeterminado, e com prazo de entrega. Ele não se interessa absolutamente com a questão da distribuição de trabalho entre o arquiteto, o engenheiro e o construtor. Já que no seu subconsciente ele acha que a separação entre o projeto e a construção são artificiais, ele conclui, geralmente, que o arquiteto pode ser o fator ‘x’ desconhecido no seu orçamento, seja em termos de dinheiro, seja em termos de prazo.

E o que poderíamos esperar de diferente? Hoje em dia estamos numa situação impossível, porque não podemos ultrapassar um preço predeterminado, não obstante tenhamos que começar quase toda obra encomendada como uma espécie de pesquisa de laboratório. Confrontemos aquilo com o longo processo na indústria, do projeto no papel até a maquete de ensaio e até o produto final. No nosso campo de desenho devemos absorver todo o custo da pesquisa, e do nosso cargo, porque para nós a maquete e o produto final são uma coisa só.

Esta tarefa se tornou quase sem solução, especialmente porque está sujeita a transformações causadas, seja pelo cliente, seja pelas agências públicas.

Muitas vezes, pomos em dúvida a firmeza do lado econômico das nossas atividades, quando verificamos que quanto maior e mais árduo o trabalho, menor é nossa remuneração.

Por outro lado, o cliente presume que deve ser do interesse material do arquiteto, aumentar propositalmente o custo da construção já que isso também aumentaria os honorários percentuais do mesmo arquiteto. Por isso, o cliente muitas vezes procura fazer um acordo com pagamento de honorários globais. É claro que teremos que nos opor a esta tendência do cliente, porque para nós é totalmente inviável. Aqui, de fato, está o nosso maior dilema ético. Frequentemente há desconfiança do cliente, devido à injustiça inerente às duas partes; e até impede muitos clientes de procurarem nossa colaboração.

Isso não acontece no caso de desenhista de produtos industriais, que é pago, geralmente falando, para seu serviço inicial no desenvolvimento do modelo, além dos direitos autorais provenientes da multiplicação do produto. O êxito de seu trabalho lhe traz lucros não só financeiros, mas também renome, como um sócio legítimo da equipe a qual pertence, na companhia do cientista, do engenheiro e do financiador. Este processo que se desenvolve cada vez mais na indústria, está trazendo o desenhista industrial, até agora isolado, de volta ao seio da sociedade. Estou convencido de que também na indústria construtora o trabalho coordenado de equipe se tornará a tendência principal. Isso acarretaria mais uma vez ao arquiteto do futuro, que é por vocação o coordenador das muitas atividades concernentes à construção, a oportunidade de se tornar o “Mestre Construtor” – se estivermos prontos a fazer as alterações necessárias na atitude e no treinamento. É claro que ele atingirá pessoalmente ao algo desígnio histórico de sua profissão, de integrar pelo seu trabalho todos os componentes sociais, técnicos e estéticos, num todo compreensivo, e humanamente atrativo, dependendo somente da sua própria visão criadora. Digo o seu desígnio porque a possibilidade deste ser de fato o mestre dependente naturalmente de sua atuação dentro da equipe colaboradora. Só sendo o melhor elemento da equipe ele poderá aspirar a liderança. Mas, a missão histórica do arquiteto sempre tem sido a de conseguir a coordenação completa de todos os esforços para elevar o ambiente físico do homem. Se este desejar ser fiel a esta missão tão alta, terá de treinar a geração futura em conformidade com os novos métodos de produção industrial, em lugar de restringir-se ao trabalho na platônica prancheta isolada da criação e da construção.

Certamente a máquina não parou na soleira da construção. Parece que o processo de construção industrializada demorou mais para se aperfeiçoar do que outros campos da produção, que já a construção é tão mais complexa. Uma parte competente da construção após outra está sendo retirada das mãos do artesão para ser entregue à máquina. Só teremos que folhear os catálogos dos fabricantes, para nos certificarmos de que desde já temos ao nosso dispor uma variedade infinita de peças componentes da construção em série. Num processo de evolução gradual, a construção manual de outrora está sendo transformada na montagem de partes industrialmente pré-fabricadas, mandadas diretamente da fábrica para a obra. Além disso, a percentagem proporcional do equipamento mecânico nos nossos prédios está continuamente aumentando. A pré-fabricação tem penetrado muito mais longe na construção dos arranha-céus, do que na construção residencial. De 80% a 90% do material da Lever House, na cidade de Nova York, e os novos blocos de apartamentos da autoria de Mies van der Rohe em Chicago, consistem de partes