5 Resultater og diskusjon
5.7 Endringer i lavbiomasse på Finnmarksvidda
Foi a partir de 1993/1995, após as obras subterrâneas de alargamento dos rios Uberaba e Uberabinha, que o grande "boom" imobiliário teve o seu início. A Vila Olímpia, calma e silenciosa, passou a ouvir o som dos bate estacas por todos os lados - resultado da constante construção de prédios comerciais que não paravam de subir, gerando empregos para mais de 40 mil pessoas e trânsito para mais de 70 mil pessoas que circulavam pelo bairro40.
A valorização dos imóveis, em função de não ocorrerem mais os frequentes alagamentos, foi tamanha que os proprietários não resistiram ao barulho das novas construções e às ofertas tentadoras e acabaram vendendo seus imóveis. Desde então, mais de 190 prédios de pequeno, médio e grande porte foram construídos ou reformados em tempo recorde na região, com capacidade para abrigar mais de 70.000 pessoas e gerar a circulação de mais de 120.000 pessoas diariamente na área41.
Ao notar o crescente desenvolvimento da região, empresas mistas como a Telesp/Telefônica, investiram ali de maneira massiva, procurando trazer recursos com tecnologia de ponta via a instalação subterrânea de fibra ótica. Os incorporadores contribuíram com a construção dos famosos "prédios inteligentes". A instalação desta nova tecnologia atraiu entre os anos 1999 a 2002 diversas empresas de tecnologia da informação, cuja concentração fez com que a Vila
40 Dados referentes à parte baixa e alta da Vila Olímpia. Fonte: Portal Bairro Vila Olímpia. 41 Ibid.
Olímpia recebesse o apelido de “Vila do Silício”, em alusão ao famoso Vale do Silício norte-americano. Posteriormente, com o estouro da bolha da internet (REVISTA ISTO É, 2005), muitas dessas empresas se mudaram ou fecharam, dando lugar a novas empresas de ramos diversificados.
Na imagem 9, a seguir, observa-se o estágio de desenvolvimento da Vila Olímpia em 1999, quando diversos edifícios já podiam ser observados nas proximidades da Marginal do Rio Pinheiros.
Imagem 9 – Vila Olímpia em 1999.
Fonte: Aerofotogrametria (1999). Acervo Aflalo & Gasperini Arquitetos S/C Ltda.
Indústrias que ocupavam grandes terrenos deixaram de existir e deram lugar para casas de shows e eventos, como a Via Funchal, no final da década de 1990. Atualmente, elas já estão também sendo ameaçadas por novos empreendimentos e, principalmente, pela falta de estacionamento, cada vez mais raro na Vila Olímpia. Casas noturnas, bares e danceterias surgiram em locais antes ocupados por fábricas de médio porte e o bairro passou a ser conhecido com o novo point da noite paulistana. Outras grandes áreas viraram estacionamentos justamente para atender à grande demanda.
A baixa densidade e a presença de galpões industriais no bairro somadas à visibilidade permitida pelo eixo da Marginal do Rio Pinheiros atraíram investimentos do mercado imobiliário, que lá enxergou uma perspectiva de maior valor comercial para seus empreendimentos. Além disso, a Operação Urbana Faria Lima permitiu um acréscimo de área construída muito além do que era permitido em outras regiões da cidade.
Assim, ergueram-se os edifícios de escritórios que passaram a caracterizar o bairro pela sua ocupação predominantemente terciária, pois, segundo Castro (2000), estes são os que proporcionam a maior taxa de retorno do capital invertido, o menor tempo de imobilização de capital e os menores riscos dentro da lógica do mercado imobiliário.
A Vila Olímpia abriga hoje inúmeros escritórios de multinacionais e empresas nacionais importantes como: Unilever, Grupo Santander, Camargo Corrêa, Chrysler, CPFL, Bain & Company, Comgas, Gol Transportes Aéreos, AES Eletropaulo, Kimberly-Clark, Parmalat, São Paulo Alpargatas e canais de televisão, como a FOX Latin America Channels e Discovery Communications. Muitas empresas “high tech” que hoje estão entre as maiores do mundo se encontram também na região: Facebook, Google, Yahoo!, Apontador, Maplink, Motorola, Sony Ericsson, Intel, Symantec, Microsoft, entre muitas outras (REVISTA ISTO É, 2005).
Devido à presença destas empresas o bairro possui hoje, nos arredores da Rua Funchal, um número maior de heliportos do que de pontos de ônibus!
Imagem 10 – Heliportos na região da Vila Olímpia.
Fonte: ANAC (apud. CORREIA, [2009?]).
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A urbanista Sueli Schiffer (2010, p. 9) faz uma colocação importante ao expor que “áreas obsoletas e pouco integradas à estrutura urbana não constituem em si dificuldades à reprodução da sociedade de elite”. O interesse em reurbanizar e requalificar estas áreas raramente responde a uma demanda de melhor fluidez e organização do espaço urbano, o que seria de responsabilidade do setor público – ou seja, papel do Estado, mas sim de interesses privados em áreas de localizações específicas com prospectiva de maior valor comercial.Em São Paulo, os exemplos mais gritantes são as operações urbanas Faria Lima e Água Espraiada, como representantes de casos onde havia interesse do setor privado em revalorizar as áreas, já que ambas eram enclaves de áreas degradadas em meio à áreas de alta renda. Não é de se estranhar que a crítica a estes projetos justamente se refere ao resultante processo de gentrificação, como bem analisaram Campos-Pereira (2002) para o caso da Operação Urbana Faria Lima e Fix (2001) tanto para o caso da Faria
Lima como para o da Água Espraiada. Explica-se, deste modo, o atraso ou pouco alcance de outras operações urbanas em São Paulo, como são os casos da Centro e da Água Branca.
Castro (2007) também afirma que as operações urbanas tal como foram desenvolvidas em São Paulo se subordinaram à lógica do empreendedorismo imobiliário, contribuindo para processos de construção especulativa do espaço. A indústria da construção civil e os investidores do setor imobiliário expressam claramente que há maior lucratividade em construir em novas áreas, onde os preços dos terrenos são originalmente mais baixos e onde futuramente haverá a criação de uma nova “centralidade” que irá gerar uma maior valorização da área e, portanto, lucros maiores aos empreendedores.
Além disso, nas Operações Urbanas há a flexibilização do controle do uso do solo pelo poder público em função da estrutura urbana como um todo e, em última instância, do interesse coletivo em função de interesses manifestos por grupos de pressão particulares (MARICATO, 2001). Outra crítica às Operações Urbanas é que os investimentos realizados pelo poder público são de ordens de grandeza superiores aos valores ressarcidos (FERREIRA, 2007). Os investimentos viários no perímetro da Operação Urbana Faria Lima, por exemplo, começaram antes da instituição dos CEPACs, com o prolongamento da Avenida Faria Lima.
Outra questão relevante que limita a atuação do setor imobiliário em áreas obsoletas são alguns aspectos culturais da sociedade brasileira, como aponta Schiffer (2002). Segundo a autora em particular em São Paulo o moderno, o novo e a tecnologia avançada são muito mais valorizados do que o histórico, o recuperado e o antigo – ainda mais no que se aplica à arquitetura e ao espaço urbano. Ferreira (2007) discursa sobre o papel da ideologia na produção dos espaços urbanos, em especial, das novas centralidades na cidade. A onipresença dos arranha-céus nessas áreas específicas tenta velar a diferenciação que em parte a própria burguesia produz, para a realização mais pródiga de seus ritos, como aponta Costa e Gomes (1988) e Harvey (2002).
Ao falar sobre os investimentos feitos com os recursos arrecadados advindos dos CEPACs, Ferreira e Fix (2001, 2001, p. 2) fazem um balanço sobre a Operação Urbana Faria Lima:
Nenhuma contrapartida foi oferecida à sociedade: na Faria Lima, não há notícias das habitações de interesse social e do terminal de ônibus prometidos. Apenas foi feita uma ciclovia [da do Rio Pinheiros] ligando o nada a lugar nenhum. Nem sequer do ponto de vista da qualidade do espaço urbano público houve melhorias: ostensivas cercas continuam dividindo o espaço privado das calçadas estreitas em que se apertam ambulantes, pedestres e pontos de ônibus.
Mesmo com a existência da Lei da Operação Urbana, que prevê investimentos na própria área com os recursos arrecadados com a venda de CEPACs – incluindo as áreas de ZEIS42, a Favela Coliseu permanece na região cercada pelos muros de
grandes empreendimentos imobiliários.
Foto 7 – A frente, favela Coliseu e, ao fundo, uma das torres do complexo WTorre Plaza.
Fonte: Website FLICKR.
42 Zona Especial de Interesse Social
Entretanto, em uma notícia publicada recentemente pelo website do jornal “A Folha de S. Paulo”, parece que finalmente a situação vai melhorar para esta comunidade: “em um prazo de três anos a favela cederá espaço para um condomínio residencial destinado aos moradores da favela, que passarão a viver legalmente na região, num dos metros quadrados mais caros da cidade” (BERGAMIM JR, 2012).
Ainda segundo o jornalista Bergamim Jr. (2012), a área de 4.638m² será desapropriada e ali serão construídas 252 unidades habitacionais, além de equipamentos públicos sociais, de geração de renda e também uma creche. O então prefeito eleito Fernando Haddad (apud BERGAMIM JR, 2012) prometeu em seu discurso de posse “derrubar o muro da vergonha que divide a cidade pobre da rica”. A conferir.
Também vale ressaltar que a primeira fase da Operação Urbana Faria Lima – implementada antes do Estatuto da Cidade, aprovado em 2001, foi mais flexível do que as operações posteriores, pois não previa a aplicação de instrumentos como os relatórios de impacto de vizinhança e ambiental, assim como a doação de calçadas. Ao mesmo tempo, o Ministério Público está cada vez mais atuante no que diz respeito ao cumprimento das exigências. Até mesmo a implantação de desenho urbano já está sendo estudada para se aplicar nas novas Operações Urbanas, como nas da Água Branca e Vila Leopoldina.