List of Tables
6 Analysis – The effect of variation in opening factor
6.2 The Analysis
6.2.2 Windows chosen to vary the opening factor
6.4.1.3 Mass loss rate
Esta dissertação, pela sua proposta inicial, metodologia e procedimentos empregados, é, por excelência, qualitativa. Minayo (2008) conceitua o método qualitativo como aquele que se aplica a história das relações, das representações, das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam. E enfatiza:
as abordagens qualitativas se conformam melhor a investigações de grupos e segmentos delimitados e focalizados, de histórias sociais sob a ótica dos atores, de relações e para análises de discursos e de documentos (p. 57).
A pesquisa com o ser humano faz parte do campo das ciências humanas. Portanto, a pesquisa com sujeitos referem uma abertura para possibilitar a informação a partir do que ela realmente é, a partir da vivência com o sujeito. Esta forma de pesquisa fundamenta o enfoque metodológico da fenomenologia empírica.
O presente estudo partiu do aprofundamento e da vivência do campo social pela construção in locus, da rede social dos sujeitos pesquisados. Buscou-se o levantamento da vivência do itinerário de rede social dos sujeitos com sofrimento psíquico grave do tipo psicótico e crônico, assim como as relações de rede sociais da família circunstancial. Portanto, movimentou-se no campo da pesquisa qualitativa e fenomenológica.
O método fenomenológico surgiu no fim do século XIX, em decorrência da crise do positivismo das ciências e como uma forma de conhecer o ser humano e não apenas contextualizá-lo filosoficamente. Para Rezende (citado por Coltro, 2000) “a fenomenologia não
é um discurso da evidência, mas da verdade em todas as suas manifestações”(p. 39).
A fenomenologia é, neste século, segundo Martins (citado por Guarnica, 1997), “um
nome que se dá a um movimento cujo objetivo precípuo é a investigação direta e a descrição de fenômenos que são experienciados conscientemente, sem teorias sobre a sua explicação causal e tão livre quanto possível de pressupostos e de preconceitos”(p. 113).
Mansini (1989) explica este método no estudo do próprio fenômeno, como são as coisas e não o que se diz delas. Seguindo a ideia deste autor, para a pesquisa no campo social, o importante é expor a experiência direta, como ela é, sem explicações de causas, para que não se torne a experiência do outro. O investigador então deverá aderir aos dados fornecidos. E este é o princípio básico de toda fenomenologia: o pesquisador deve manter fidelidade aos fatos, conforme vão acontecendo. Apresentar na pesquisa a adesão de fatos é abrir espaço de levantar informações de forma qualitativa.
Segundo Garnica (1997), a pesquisa qualitativa “é um saudável exercício para a
educação”(p.111). E que contraria as pesquisas empíricas por uma pesquisa com circularidade em torno do que se deseja compreender, para a qualidade dos dados significativos para o pesquisador-observador.
O recurso qualitativo requer uma busca de dados da convivência entre o observador- pesquisador e seu campo a observar. Podendo tão somente observar o fenômeno em si, a compreensão relacionada à vivência do homem-no-mundo com outros humanos. A pesquisa qualitativa pelo método fenomenológico é a forma de descortinar o mundo (Garnica, 1997).
Portanto, a pesquisa neste olhar é, em si, uma ação fenomenológica e uma interligação de observações, relatos entre outros. Para este autor, a pesquisa apresenta significados quando:
Seleciona o que do mundo quer conhecer; Interage com o conhecido;
E se dispõem a comunicá-lo.
A partir destes conceitos é possível pensar que a pesquisa qualitativa é fenomenológica por natureza, pois possibilita compreender exaustivamente o campo de estudo, fazendo-nos refletir sobre algumas questões básicas, como: o que sabia? O que estou vendo? O que queria ver?
O método fenomenológico é a construção do vivido, que, em si, é pré-reflexivo. Essa vivência do pré-reflexivo ocorre, segundo Amatuzzi (1996): na forma de obra, que seria o expressivo; no mundo que se cria, sendo o intencional, e o que se oculta, o inconsciente. Quando a pesquisa prioriza a expressão devemos considerá-la como análise do discurso, quando privilegia a intenção, fenomenológica; e quando a análise procede do inconsciente, ela é psicanalítica.
As ações sociais partem das observações de fenômenos a partir de relatos descritivos da vida social. Segundo Boss (citado por Coltro, 2000), o método fenomenológico é o que se caracteriza por uma ênfase “ao mundo da vida cotidiana”, um retorno da totalidade do mundo vivido. Não se apega apenas no factual, mais numa penetração nos significados e contextos.
Para Minayo (2008), a definição de pesquisa social em saúde se estende “a todas as
investigações que tratam do fenômeno saúde/doença, de sua representação pelos vários atores que atuam no campo: as instituições políticas e os profissionais e usuários”(p. 47).
Amatuzzi (1996) apresenta vários formatos do método fenomenológico. Dentre as várias formas descritas por este autor, o estudo em questão se molda dentro da psicologia fenomenológica “empírica”, pois trabalha a partir dos dados empíricos, Como descrito no esquema a seguir:
Depoimento Elementos do significado vivido Estrutura do vivido
Este estudo, portanto, caracteriza-se em partir das vivências do pesquisador-observador, dos fenômenos que caracterizam as redes sociais dos sujeitos escolhidos para a pesquisa, identificando-se as que foram levantadas por este autor, como uma pesquisa dialética tipo estudo crítico, pois “é quando a pesquisa elucida teoricamente uma prática situada, de forma a
interferir na tomada de posição das pessoas envolvidas”(Amatuzzi, 1996, p. 9).
A vivência pré-reflexiva é tratada no método fenomenológico como uma postura
eidética, ou seja, de percepção do fenômeno. Como exemplo deste processo, citamos a que ocorreu neste estudo, ou seja, a experiência do itinerário dos atores na rede social foi “suspensa” e gerou uma percepção (eidética) deste itinerário, que possibilitou a elucidação deste fenômeno. Ou seja, dentro do fenômeno, buscou-se se limitar naquilo que se mostra. Este processo significa, para o método fenomenológico, uma redução fenomenológica, eidética ou
epoché(Tenório, 2006).
Resumindo, sem querer esgotar a contextualização, o método fenomenológico consiste, portanto, de acordo com Garnica (1997), nas seguintes etapas (que foram adotadas para esta dissertação):
Situados num contexto, cercado pelas coisas do mundo, optamos no estudo de um tema;
Buscamos compreender o fenômeno colocando-o em suspensão; Estabelecemos o que deste fenômeno iremos compreender, interpretar; Buscamos a essência e estrutura dos discursos dos sujeitos;
Apreendemos os aspectos das percepções sobre os fenômenos;
Finalmente, este autor complementa afirmando a impossibilidade de comunicação plena da experiência subjetiva: “captada pela escrita, a descrição dá indicativo de como o sujeito
percebe o fenômeno, que vai se revelando ao mesmo tempo em que as descrições, agora transcritas, vão sendo analisadas”(Garnica, 1997, p.115).
2.2 OBJETIVOS