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Mass balance for PCBs in Lake Mjøsa

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5. Results and Discussion

5.1 PCB

5.1.3 Mass balance for PCBs in Lake Mjøsa

Jakobson (1969), que trabalhou numa perspectiva funcionalista (portanto, diferente da que aqui estamos abordando) com a seguinte questão: “que é que faz de uma mensagem verbal uma obra de arte?”. A resposta seria a função poética da linguagem, isto é, a maneira como se diz, utilizando-se de recursos estilísticos que diferem da linguagem referencial, a convencional dos usos cotidianos. Mas para a AD, o que viria a ser a discurso literário? Ou reformulando a pergunta do funcionalista: “o que é que faz de um discurso um discurso literário?”.

A AD trabalha com a noção sociológica de instituições; de maneira que todo discurso se instaura numa determinada instituição discursiva, no caso, a literária. Por instituição literária, entendemos com Maingueneau, ser aquela capaz de designar a vida literária, isto é, os escritores, os prêmios, os editores, as representações coletivas sobre os escritores, a legislação que norteia os trâmites literários, as instâncias que legitimam e premiam as obras, os usos etc. Esta limita o dizer e as formas de dizer. Desse modo, entendemos a noção de discurso literário como discurso constituinte, legitimado por práticas sociais do campo literário. Maingueneau (2006b:61) define discursos constituintes como aqueles que conferem sentido aos atos da coletividade, sendo em verdade os garantes de múltiplos gêneros do discurso.

O discurso literário surge, então, de um lugar social que o institucionaliza e o legitima através das práticas anteriormente citadas; sendo que cada época tem seus lugares instituídos, assim como foram os salões no século XVII e XVIII e os cafés para o século XIX, espaços que albergavam os artistas e, por esse pertencimento, eram investidos por ethos de escritores. Em contrapartida, é também motor gerador de sua existência a criação de um outro lugar não-institucionalizado, um não-lugar onde os textos surgem; lugares criados pelo escritor para fazer dialogar com aqueles lugares institucionalizados.

Assim, numa perspectiva discursiva, o que delimita um texto e nos faz dizer ser ou não ser literário é o pertencimento a uma instituição literária que, com suas práticas o legitima. Ao contrário do que possa propor um quadro teórico de orientação mais estruturalista em que a própria literatura abonaria e reconheceria suas formas de expressão, mediante a taxionomia de escolas literárias e estilos de época. Por fim, segundo

Maingueneau (op.cit.:89) para produzir enunciados reconhecidos como literários, é preciso apresentar-se como escritor, definir-se com relação às representações e aos comportamentos associados a essa condição.

Outro ponto importante que decorre da noção maingueneauniana de discurso literário é o conceito de paratopia. A literatura, enquanto um discurso institucional, possui um lugar na sociedade; no entanto, ela remete a outros lugares que não são exatamente aqueles nos quais ela se insere. O discurso literário tem o poder de ser onipresente, já que pode estar dentro e fora da sociedade. Para Maingueneau (op. cit.: 92), pelo discurso literário se tece uma rede de lugares na sociedade, mas não pode encerrar-se verdadeiramente em nenhum território. Daí a necessidade de atermos ao conceito de paratopia, como uma das marcas do discurso literário.

1.3.1 O contexto da obra literária: contribuições a partir do conceito de paratopia

O conceito de paratopia foi introduzido por Maingueneau (2001, 2006a), a fim de tratar da questão problemática acerca da pertinência de um escritor ao campo literário e à sociedade. Essa problemática não pode ser comparada ao centauro em que parte do corpo estaria imersa na sociedade e a outra parte voltada para as estrelas, para a criação. Embora o campo literário se inscreva na sociedade, é a própria enunciação literária que abala a estabilidade da representação convencional daquilo que se entende por lugar, onde fora e dentro encontram-se delimitados. O espaço discursivo da literatura se constitui na fronteira, isto é, não se localiza nem dentro, posto que a literatura não se confunde com a sociedade comum como tantos outros campos da atividade social, nem fora, porquanto não se fecha em si mesma, muito menos vive apartada da realidade. Como bem salienta Maingueneau (2001:28), a pertinência ao campo literário não é, portanto, a ausência de qualquer lugar, mas antes uma negociação difícil entre o lugar e o não-lugar, uma localização parasitária, que vive da própria impossibilidade de se estabilizar.

É importante ressaltar o motivo pelo qual Maingueneau postula o conceito de paratopia. Isso foi em razão de preencher uma lacuna deixada pelos tradicionais analistas da literatura que procediam à análise de uma obra literária sob dois enfoques: ou se

considerava a história literária, numa perspectiva filológica, isto é, a obra seria a expressão e a representação de seu tempo; ou se considerava a clausura literária, numa perspectiva estilística, ou seja, tomada como um universo fechado, traduziria o espírito, a consciência criadora do autor.

Essas visões foram bem marcadas pela Filologia, pelo Estruturalismo e, embora tenham se prolongado por muito tempo, não impediu que uma nova abordagem e concepção do fato literário se instaurassem. Assim, correntes que viam a obra literária sob um novo olhar, um olhar com empréstimos da Pragmática, passam a concebê-la como um ato de comunicação no qual o dito e o dizer, o texto e seu contexto são indissociáveis.

A partir disso, Maingueneau (2001) preconiza dois tipos de paratopia: a paratopia espacial – que corresponde ao não-lugar criado pelo autor, a “Passárgada” de Manuel Bandeira, fugidia à realidade que o faz produzir versos de sangue; e a paratopia social, que compreende o lugar em que o autor de encontra, de onde ele enuncia e se legitima no campo literário, no caso do citado autor, o Modernismo Brasileiro. Em se tratando dos causos que temos estudado, sua paratopia social é o campo literário da Literatura do Interior Paulista, consumida pelos novos cosmopolitas que surgiam na década de vinte; a obra, no entanto, se remetia ao interior, aos “jecas” que ainda não haviam habitado aquele espaço da bela época paulistana.

A paratopia não pode ser entendida enquanto uma noção sociológica, sob esse aspecto, nos referiríamos ao inexplorado interior paulista da década do início do século XX, às favelas do nosso século, aos garimpos... como lugares paratópicos. No entanto, a paratopia é uma noção discursiva que é embasada por um paradoxo. Isto significa ocupar um lugar, sem ocupá-lo, de fato; estar num determinado lugar, sem estar realmente lá. Um texto que exemplifica a noção de paratopia é dado por Maingueneau1 e que está no início do Evangelho de São João: Cristo (o verbo) estava no mundo, fez o mundo, mas o mundo não o conhecia; daí o motivo do verbo fazer carne e habitar no meio de nós. Maingueneau cita protótipos de seres paratópicos como o judeu, que está num país e não pertence a ele. A noção de paratopia é fundamental ao se tratar de discurso literário, pois se torna perceptível a posição paradoxal do discurso constituinte e também dos seus produtores.

1 O exemplo foi dado por Dominique Maingueneau no curso de extensão “A Análise do Discurso por Dominique Maingueneau”, ministrado entre 25 e 29 de agosto de 2008, na Universidade Federal da Bahia.

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