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2. Det østindiske handelskompaniet: Fra handel til herredømme (1763-1813)

3.2 Oxford versus Cambridge i imperiedebatten

4.3.2 Maritime muskler

capacidade de diálogo dos assessores de imprensa. No entanto, é da opinião geral, o fato de Portugal ser um país onde se vive e se “sabe viver”.

Embora não seja um país capaz de produzir notícias diárias com interesse internacional, a verdade é que grande parte dos jornalistas consegue obter rendimentos mensais suficientes para manter uma vida com qualidade. Consideram, ainda, Portugal uma segunda casa e por aqui permanecem longos anos, podendo ser considerados long-

timers.

Há ainda que declarar o aparecimento dos jornalistas correspondentes locais. Esta nova “categoria” surgiu como forma alternativa, de os órgãos tradicionais se desfazerem de algumas bases fixas, sem perder o contato direto em terreno. Assim, como referido no capítulo 6, estão inscritos, na Comissão da Carteira Profissional, 43 jornalistas, de nacionalidade portuguesa, como correspondentes.

Apesar da nacionalidade, os jornalistas correspondentes têm de estar atentos às mudanças que a sua profissão tem vindo a sofrer, ao longo dos últimos anos, tendo que fazer o esforço para a elas se adaptarem, de forma a conseguirem sobreviver. Nesse sentido, estes profissionais tem de perceber que, hoje existe

uma maior necessidade de especialização e formação por parte do jornalista, para este ser capaz de refletir, com precisão, as histórias complexas além-fronteiras. Num mundo interconectado, o jornalismo internacional precisa de estar mais informado e mais consciente culturalmente, do que nunca. (Sambrook, 2010: 95)

VII.2. Observações finais

Cada vez mais, os meios de comunicação tradicionais têm vindo a cortar nas despesas com o jornalismo internacional, investindo na tecnologia digital. Segundo o presidente da ABC, David Westin, (cit. in. Sambrook, 2010) a tecnologia torna possível ter uma base num determinado país, sem que para isso seja necessário ter despesas com pessoas, salas de edição e todo o equipamento necessário. Chuck Lustig, seu antigo colega, (cit. in. Sambrook, 2010) defende a mesma ideia:

76 Nós conseguimos fazer a cobertura com menos pessoas, à medida que o equipamento têm vindo a encolher, chegando ao ponto que apenas um jornalista consegue carregar consigo, tudo o que precisa para filmar, editar e transmitir uma estória. O jornalista correspondente tornou-se apenas num bombeiro que vai de fogo em fogo (…) quando o fogo está apagado ele segue para o próximo. (2010: 18)

Esta citação, deixa clara a ideia que a definição do que é um jornalista correspondente, hoje em dia, é um conceito complexo de formular. E, o significado que lhe atribuímos atualmente estará, certamente, desatualizado num futuro próximo. Hoje, o jornalista correspondente continua a trabalhar para órgãos que têm sede num país diferente, mas cuja nacionalidade não tem, necessariamente, de ser a mesma que a sua. Exemplo disso, são os jornalistas de nacionalidade portuguesa que trabalham para meios internacionais, ou mesmo, os jornalistas estrangeiros que trabalham para órgãos que não são os do seu país de origem: a chamada “aldeia global”29 parece ter chegado ao jornalismo correspondente.

Na mesma linha de pensamento, a própria ligação entre o jornalista e a redação alterou-se devido à evolução tecnológica. O contato entre o editor e a sua base, tornou- se rápido e praticamente instantâneo mesmo que, a milhares de quilómetros de distância. O correspondente, ao mesmo tempo que se tornou um “lobo solitário”, trabalhando sozinho, também perdeu a liberdade editorial que lhe era característica.

O seu editor, devido ao aparecimento de novas fontes de informação, como as redes sociais e os canais de notícias 24horas, passou a estar, muitas vezes, à sua frente no tempo, fazendo com que seja ele a decidir os temas diários. O editor consegue hoje informar o seu correspondente sobre as notícias do país onde está baseado, mesmo antes de este acordar. Esta inversão de papéis vem dificultar, ainda mais, a permanência dos correspondentes em certos países, considerados menos importantes.

É nesta posição que Portugal se encontra. “No século XXI, a importância de Portugal como notícia é esporádica. (…) A realidade portuguesa apenas gera

29“Conceito desenvolvido pelo teórico Marshall McLuhan (1964) para explicar a tendência de evolução

do sistema mediático como elo de ligação entre os indivíduos num mundo que ficava cada vez mais pequeno perante o efeito das novas tecnologias da comunicação.” http://www.infopedia.pt/$aldeia- global

77 acontecimentos relevantes internacionais espaçadamente (…) é o caso do Euro 2004 ou da presidência da Comissão Europeia” (Laranjeiro, 2009: 56), ou da visita dos representantes do FMI. Assim, pode-se afirmar, como a própria história nos conta, que excetuando a Revolução dos Cravos em 1974 e os meses que a sucederam, o nosso país nunca mereceu atenção por parte dos órgãos internacionais. E, o fato da maior parte dos jornalistas correspondentes estrangeiros, em Portugal, trabalhar em regime de

freelancer, vem apenas reafirmar esta posição.

Mas esta situação não é única em Portugal. O mesmo acontece com os jornalistas baseados em África. Na investigação de Paulo Nuno Vicente, em 2013, 50% da sua amostra era caracterizada por trabalhar como freelancer ou stringer. Segundo o autor, este regime faz com que os jornalistas desenvolvam uma narrativa de precaridade socioeconómica: “Esta precaridade no trabalho traduz-se em salários baixos e irregulares, pagamentos por trabalho, contratos de trabalho temporário, insegurança social e rotinas de produção agitas.” (2013: 192).

À semelhança do que Ana Valente Laranjeiro concluiu em 2009, o número reduzido de jornalistas correspondentes em Portugal deve-se, a uma conjugação de muitos fatores. Entre eles:

- O fato destes profissionais trabalharem para vários meios ao mesmo tempo, faz com que um só ocupe o lugar que poderia ser doutro. Porque “um correspondente que trabalhe para vários órgãos de comunicação diminui a necessidade, dos mesmo, enviarem outros profissionais para ocuparem o lugar”. (Valente, 2009: 61);

- A posição de Portugal face aos outros países. “Portugal pode inserir-se nos chamados “países periféricos”, o que leva alguns meios de comunicação internacionais a efectuarem a cobertura do país a partir de Espanha.” (Valente, 2009: 61);

- As novas tecnologias e o aparecimento da Internet permitiram, por um lado, o aparecimento de novos meios e, por outro, a disponibilização de informação à distância, fazendo com que as notícias chegassem de forma instantânea a todo lado.

78 Esta mudança, para além de ter alterado a forma de fazer notícias, pôs em causa a necessidade de ter jornalistas correspondentes, bem como os custos elevados que isso implica, em países da periferia noticiosa.

- A crise económica que assolou o mundo inteiro, veio impulsionar a tendência de despedimentos que o jornalismo correspondente vivia. Com os custos que os jornalistas correspondentes envolvem, as novas fontes e tecnologia, que ligam tudo e todos de maneira fácil, rápida e barata, fizeram com que os meios tradicionais, perante uma situação de crise económica, tivessem de dispensar mais jornalistas correspondentes. Como vimos, nos últimos dez anos, muitos foram os jornalistas correspondentes que perderam os seus vínculos.

“Durante a maior parte do século XX, o jornalista correspondente era tendencialmente masculino, de classe média, trabalhando com um alto nível de independência, com um ou dois trabalhos por dia e com apoio de staff local, numa base bem financiada.” (Sambrook, 2010: 98). Para além de serem a única fonte de informação, da sua audiência em casa, não falavam a língua do país onde estavam estacionados. No futuro, Sambrook, defende que o jornalista será diverso no género, na etnia e no background e falará a língua do país, terá vários trabalhos no mesmo dia, para vários e diversos órgãos e será freelancer “em vez de ser staff de uma organização. Eles provavelmente trabalharão a partir de casa” (2010: 99).

Este futuro que o autor descreveu em 2010, apresenta-se, como o presente da realidade dos jornalistas correspondentes em Portugal: falam português; trabalham principalmente a partir de casa; há diversidade no género e nas etnias; trabalham como

freelancers para vários e diferentes órgãos de comunicação. E isto deve-se às “mudanças

introduzidas pelas novas tecnologias, que estão a dar uma nova forma ao fluxo das notícias internacionais, devido à diminuição das barreiras económicas da publicação e radiodifusão, e à proliferação de fontes não tradicionais de notícias internacionais” (Hamilton & Jenner,2003: 132).

Pode-se concluir que a crise económica, a globalização e a evolução tecnológica, transformou a maneira como se faz e distribui notícias. Estes novos modelos têm levado a uma descida do número de jornalistas correspondentes necessários, um pouco por todo o mundo e Portugal, na cauda da Europa, e com pouco valor noticioso, não é

79 exceção. De década para década, o número de jornalistas correspondentes estrangeiros, em território nacional, vão diminuindo.

Com este relatório de estágio, foi possível traçar o perfil socioeconómico do jornalista correspondente em Portugal, permitindo assim visualizar um rosto que é tantas vezes desconhecido e se esconde por detrás de uma voz ou de um computador. O jornalismo correspondente é e deve continuar a ser reconhecido como um esforço que determinada pessoa fez para dar notícias, sobre um país não nativo, para o resto do mundo.

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