2. Det østindiske handelskompaniet: Fra handel til herredømme (1763-1813)
3.2 Oxford versus Cambridge i imperiedebatten
4.1.5 Couplands stolthetstale: Evolusjonismens kraftverk
O jornalismo correspondente em Portugal nunca foi aposta por parte dos órgãos internacionais. Primeiro, porque somos um país pequeno, e segundo, porque apenas a Europa e os países dos PALOP, devido às ligações geográficas e económicas tem interesse nas notícias e terceiro, porque durante muitos anos, Portugal teve de costas voltadas para o mundo.
Pode-se afirmar que, com a exceção da década de 70/80, Portugal nunca foi um país que tivesse presente uma grande diversidade de jornalistas de diferentes nacionalidades, sendo esse um fator sensível a possíveis vagas. Nos últimos anos, segundo Laranjeiro e Rodrigues, a nacionalidade com maior representação é a espanhola, embora a presença de correspondentes brasileiros esteja a ser cada vez maior: “há um domínio muito forte da Europa, com quase metade dos casos (21), seguida da América Latina” contudo estes valores podem estar “influenciados pelo peso de nacionalidades espanhola e brasileira.” (Rodrigues, 2008: 81).
Serem estas as nacionalidades que mais optam pelo nosso país, deve-se simplesmente ao fator língua. Segundo Rodrigues, “quase metade dos correspondentes presentes na amostra (21, para um total de 44) são espanhóis, brasileiros ou dos PALOP, nacionalidades com relações próximas com Portugal.” (2008: 82).
Como já referido anteriormente neste relatório, desde 2004 que o número de jornalistas correspondentes registados aumentou. Por detrás deste aumento está a inclusão da nacionalidade portuguesa dentro do próprio país, sobrepondo-se a todas as outras. Na Associação, há sete jornalistas portugueses, dos quais, cinco têm dupla nacionalidade, e são sete brasileiros. Quando analisada a lista dos correspondentes inscritos na Comissão, há mais de 40 jornalistas que são portugueses. Espanhóis e brasileiros, as outras duas nacionalidades mais presentes, perfazem 30 jornalistas (18 e 12 respetivamente).
50 Concluiu-se, então, que há mais portugueses a trabalhar para meios de comunicação estrangeiros, do que qualquer outra nacionalidade a trabalhar sobre o nosso país e que, apenas países da Europa e América Latina, tem maior ligação e interesse sobre Portugal.
Ao contrário do panorama jornalístico geral, em Portugal, a média de idades dos correspondentes é tendencialmente alta. Em 2004, o cenário era diferente: 20 jornalistas estavam nos escalões mais baixos, sendo que 14 deles tinham entre 31 e 40 anos, e seis tinham até 30 anos. Este fato deve-se, segundo Duarte Gunis, correspondente espanhol (cit. in Rodrigues, 2008), a uma vaga de novos colegas com menos de 20 anos. Embora com alguma presença jovem, já em 2004, as faixas etárias mais velhas estavam em maioria.
Atualmente, 50% dos correspondentes têm mais de 50 anos e 19% tem entre 42 e 50 anos. Ou seja, cerca de 70% da comunidade dos correspondentes têm pelo menos 42, mas tendencialmente mais de 50. Ressalva-se ainda a inexistência de jornalistas com menos de 26 anos e a presença de apenas três casos de jornalistas entre os 26 e os 33 anos. O que significa que a «onda jovem» no jornalismo correspondente desapareceu de Portugal.
Na luta dos sexos, as mulheres começam a ganhar cada vez mais terreno, ainda que continuem em minoria. Em 2004, 29 eram homens, contra apenas 15 mulheres. Hoje, dos 32 inquiridos, 15 são mulheres e 17 são homens, assistindo-se a uma diminuição do domínio masculino. Ao analisar a lista completa de membros da Associação, a discrepância é maior: atualmente há 34 homens e 23 mulheres, ou seja, 59% da população é masculina. Contudo, em 2004, segundo os dados levantos por Rodrigues, este valor ascendia aos 66%. Esta descida de 7%, em relação à atualidade, é um reflexo da tendência mundial: mais mulheres no mundo do jornalismo.
Outra tendência a nível mundial no jornalismo correspondente, é a presença de um elevado nível de educação por parte destes profissionais. Num estudo realizado por Willnat, Weave e Choi, oito em cada dez jornalistas tinham uma licenciatura, e “maior parte deles não se focaram em jornalismo nos seus estudos.” (2013: 177). Os jornalistas correspondentes que trabalham em Portugal não fogem a esta tendência.
Em 2004, Rodrigues já afirmava que o nível de habilitações destes profissionais era muito elevada: “A grande maioria – mais de quarto quintos dos inquiridos – têm
51 uma formação superior concluída, sendo que metade do total possui uma licenciatura (22 casos) e cerca de um terço (16 casos) uma pós-graduação” (2008: 88). Juntava-se ainda a existência de apenas oito jornalistas que não tinham qualquer tipo de formação superior. Em 2014, o grau de educação dos correspondentes ficou mais apurado, uma vez que 30 dos inquiridos têm pelo menos uma licenciatura: 13 têm mestrado, quatro doutoramento e um jornalista com pós-graduação. É ainda de referir, o fato de apenas dois dos jornalistas inquiridos terem apenas o secundário.
Esta situação, deve-se ao fato de haver uma classe onde predominam as faixas etárias mais velhas, acarretando mais responsabilidades e competências práticas e teóricas: “Jornalistas mais velhos tendem a ser mais experiência profissional e detêm cargos mais avançados nas organizações de notícias para quem trabalham” (Willnat, Weaver e Choi, 2013: 166).
Em relação à área de educação, Rodrigues verificou que havia uma clara tendência para as áreas da comunicação e jornalismo. Em relação aos inquiridos, a tendência mantem-se: mais de 50% tem algum tipo de formação superior – entre licenciatura, mestrado, doutoramento ou pós-graduação – na área das Ciências Humanas, com especial foco em Comunicação (8 casos) e Jornalismo (13).
A existência de um elevado nível de habilitações nesta classe profissional, vem então reforçar a ideia que estes jornalistas são uma elite “dentro de uma comunidade profissional que apresenta marcas de diferenciação educacional” (Rodrigues, 2008: 88).
Como já foi constatado, o regime laboral mais comum entre os jornalistas correspondentes, um pouco por todo o mundo, é o regime freelancer. Os jornalistas que escolhem este regime, fazem-no por ser uma forma de conseguir produzir aquilo que pretendem, vendendo o seu trabalho a quem querem. Este regime ganha cada vez mais adeptos, uma vez que os próprios órgãos de comunicação tradicionais têm vindo a desfazer-se dos contratos profissionais, procurando outras alternativas.
Neste sentido já em 2004 este regime era “a situação laboral mais comum entre a comunidade de correspondentes em Portugal, representando metade do total da amostra (23 casos).” (Rodrigues, 2008: 92). Em 2014, a situação mantêm-se idêntica: 18 dos jornalistas inquiridos afirmam ser jornalistas freelancers.
Outra das tendências do jornalismo correspondente atual, é o fato dos correspondentes trabalharem para vários meios ao mesmo tempo. Em 2004 esta
52 tendência era menos visível, uma vez que 27 dos inquiridos por Rodrigues trabalhava para apenas um órgão. Destes, 14 trabalhavam para agências noticiosas, nove para a imprensa e apenas em quatro casos, jornalistas trabalhavam para rádio ou televisão: tínhamos “assim em Portugal um predomínio claro das agências e da imprensa” (2008: 89).
Hoje, a situação é diferente. No total dos 32 inquiridos, 13 trabalham para apenas um órgão, sendo que oito deles trabalham para agências e quatro para a imprensa. Em 2004, 61% dos inquiridos trabalhavam apenas para um órgão, hoje apenas 40% o fazem. Embora sejam as agências que trabalham, com maior frequência, em regime de exclusividade, 60% dos jornalistas trabalham para mais que um órgão: oito inquiridos trabalhavam para dois e 11 para pelo menos três, sendo que quatro deles trabalham para mais de seis meios.
O tipo de órgão com maior presença em Portugal é a Imprensa, – com 16 menções – as agências, – com 13 – e a rádio – com 10. Embora os meios online sejam os principais inimigos dos órgãos de comunicação tradicionais para o resto do mundo, em Portugal ainda não tem forte presença.
O regime de freelancer poderá ser sinónimo de precaridade, devido ao fato do jornalista não obter um salário fixo mensalmente. De maneira a garantir uma qualidade de vida aceitável, estes profissionais poderão procurar empresas ou instituições não jornalísticas com o objetivo de assegurar maiores rendimentos, como defende Hannerz, (cit. in. Rodrigues, 2008): “free-lancers e stringers constituem aquilo que podemos considerar como o ‘sector informal’ da correspondência estrangeira. (…) Uns desempenham a função a tempo inteiro, outros conciliam-na de forma flexível com outros meios de sobrevivência, quando surge a oportunidade” (2008: 94).
Em Portugal, não são muitos os jornalistas que se encontram nesta situação. Segundo a investigação de Rodrigues, 31 dos jornalistas inquiridos têm o jornalismo como profissão exclusiva. Contudo, os 13 casos que acumulam outras funções “são casos de profissionais em regime free-lancers” (2008: 93). Em 2014, foram encontrados 10 casos de correspondentes que trabalham de forma esporádica com empresas não jornalísticas. Deles, apenas 7 são freelancers.
A tendência é que esta acumulação de trabalhos se mantenha, embora de forma não tão significativa, como acontece noutros países. Talvez porque na sua maioria os
53 correspondentes consigam obter bons rendimentos apenas com o trabalho jornalístico em Portugal.
Importa também referir o fato de que os jornalistas correspondentes que trabalham em Portugal fazem-no principalmente por opção, devido ao elevado número de freelancers e ao fato da maioria deles exercerem este tipo de regime há muitos anos. Já em 2004, Rodrigues deparou-se com as seguintes situações:
- O predomínio de jornalistas com alguma experiência profissional internacional, uma vez que quase três quartos dos jornalistas responderam ter “mais de dez anos de profissão, sendo o escalão de 11 a 20 o que mais ocorrências tem (16 casos)” (2008:89);
- O elevado número de correspondentes com mais de 30 anos de profissão, pode ser indicar de passagem por Portugal pode não ser uma passagem mas uma “opção de vida”. O predomínio de freelancers entre a comunidade vai também consolidar a possibilidade desta opção.
Em 2009, Laranjeiro deparou-se com a mesma realidade, constatando a existência de vários casos de correspondentes que se encontravam em Portugal há mais de duas décadas, grande parte deles por opção pessoal: “No caso dos correspondentes que se encontram no país há mais tempo, pudemos verificar que houve situações em que estes se reajustaram para continuar no país” (2009: 75).
Em 2014, a situação continua semelhante. Em relação à experiência profissional predominam os jornalistas com muita experiência: os escalões com mais ocorrências – sete cada – tem experiencia com intervalo de tempo entre “11 a 17 anos” e “mais de 27 anos” e apenas três casos têm menos de cinco anos de experiência e cinco entre “6 a 11”. Em relação à permanência em Portugal – ou à escolha – é notória uma forte presença de jornalistas estrangeiros baseados em Portugal há várias décadas, sendo que alguns deles começaram a sua profissão aqui.
Tal como acontecia em 2004, hoje pode “dizer-se que há uma tendência para os correspondentes estrangeiros permanecerem alguns anos em Portugal” (Rodrigues, 2008: 90), ou adotarem mesmo este país como seu.
54 Em suma na última década, a comunidade de jornalistas correspondentes em Portugal manteve-se sem grandes alterações nas suas principais características, sendo que o número de jornalistas portugueses a exercer a sua profissão em Portugal aumento muito de 2004 para 2014. Esta situação deve-se também ao fato destes jornalistas só poderem começar a fazer parte da comissão, enquanto jornalistas correspondentes, no ano de 2008, situação justifica mais à frente no relatório. Outra modificação resultante da comparação entre 2004 e 2014 é o envelhecimento da comunidade, mostrando que a maioria dos jornalistas que veio para Portugal, encontraram no nosso país, um local de residência fixa.