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2. Det østindiske handelskompaniet: Fra handel til herredømme (1763-1813)

3.2 Oxford versus Cambridge i imperiedebatten

4.2.3 Livet mellom to stoler

O conceito de «jornalista correspondente» é algo complexo e vai de encontro às características do trabalho do jornalista. “O tradicional jornalista correspondente não exerce mais um papel hegemonia sobre as notícias internacionais. No seu todo, os novos jornalistas correspondentes não são uma elite e as suas características pessoais não são facilmente definidas.” (Hamilton & Jenner, 2003: 137). Hoje, temos jornalistas correspondentes a tempo inteiro e a part-time; jornalistas correspondentes internacionais e jornalistas correspondentes locais; «spitalists» ou «long-timers»; freelancers ou a contrato.

Na base desta multiplicidade, está o fato desta classe já não ser a elite do jornalismo, deixando assim de usufruir de vários benefícios e condições que eram adequados ao seu estatuto, fazendo com que o seu estatuto mude. Hoje, “os correspondentes estrangeiros são jornalistas que trabalham, em muitos casos, como freelancers, desempenhando a sua atividade profissional para vários órgãos de comunicação” (Valente, 2009: 6)

No caso de Portugal, devido a todas as suas características, é ainda de referir que a escolha deste país para trabalhar acaba por ser uma opção, um estilo de vida:

Muitos dos jornalistas que escolherem Portugal como local de trabalho optaram por ficar cá, casaram por cá, educaram cá os seus filhos. Outros, só abraçaram a profissão depois de cá chegarem, para estudar, para acompanhar o cônjuge ou por qualquer outra razão particular. O ingresso no jornalismo tornara-se, para eles, uma forma interessante de (sobre)vivência. 24

24 José Rebelo in Aos Olhos do Mundo: Portugal e os Portugueses Retratados por Correspondentes Estrangeiros, de Ana Luísa Rodrigues, pág. 15.

62 Hoje, em Portugal encontram-se principalmente dois tipos de jornalistas: os jornalistas correspondentes que escolhem Portugal para viver e trabalham como freelancers e os jornalistas correspondentes locais, que são jornalistas portugueses que são contratados pelos órgãos de comunicação como uma alternativa ao jornalista correspondente “tradicional”.

V.3.1. Jornalistas Correspondentes Estrangeiros

Os jornalistas correspondentes em Portugal são na sua maioria «long-timers», segundo Ulf Hannerz (cit. in Rodrigues, 2008):

long-timers ocupam com frequência posições mais modestas – tanto do ponto de vista organizacional quanto local, ou ambos. Mais do que correspondentes de alguma delegação são geralmente free-lancers, o que pode acontecer por várias razões. Não só porque estes profissionais trabalham fora dos grandes centros noticiosos para organizações com menos destaque, como também porque se encontram em locais de importância efetivamente reduzida, onde as empresas de media julgam desejável a presença de um repórter, mas não a qualquer preço (2008: 91)

O contrário de um long-timer, seria um correspondente spiralist que, segundo o autor, muda de posto a cada 3-5 anos (Hannerz, 2007: 302), ao longo de toda uma carreira. A diferença entre eles está no seguinte fato: “os spitalists seriam como raposas e os long-timers como ouriços; raposas sabem muitas coisas, e os ouriços sabem muito sobre uma só coisa” (Hannerz, 2007: 304)

Olhando para o panorama português, apenas poderemos se enquadram nesta caracterização 34% do universo jornalístico (11 jornalistas membros da AIEP). Atualmente a estes jornalistas estão associadas as agências de comunicação por serem os mais impulsionadores da rotação. Todavia, em Portugal, apenas três dos 11 jornalistas trabalham para uma agência e apenas dois em modo exclusivo, o que mostra que esta nova vaga de jornalistas – jornalistas que estão há menos de cinco anos em Portugal – pode estar relacionada com outros fatores.

63 Podemos, no entanto, afirmar que são os correspondentes long-timers que caracterizam a comunidade correspondente em Portugal, uma vez que 66% - 21 jornalistas – já trabalham em Portugal há mais de seis anos e 38% já vive país há pelo menos 18 anos. Esta longa permanência, por parte dos jornalistas, pode também significar que a comunidade de correspondentes “não é muito experiente no que diz respeitos à variedade de países onde exercem a função de correspondência” (Rodrigues, 2008: 91). Esta variedade é costume dos spiralists, como já referido.

Ser correspondente «long-timer» em Portugal parece, contudo, trazer certos benefícios profissionais. O jornalista João Carlos, membro da AIEP, afirma que, à medida que os anos vão passando, torna-se mais fácil trabalhar em Portugal: “A facilidade resultará dos anos de vivência no país e da rede de contatos que o jornalista cria. Quanto mais conhecimento e contato tem com as pessoas/fontes mais facilmente se abrem as portas.”. Isto porque um dos grandes problemas apontados, não só por este jornalista, é o difícil acesso às instituições, sempre demorados e demasiado burocráticos.

Hannerz, também defende que é característico dos long-timers, o trabalho como freelancer e em Portugal 56% dos jornalistas estão nesta posição. Sendo assim, podemos concluir que no nosso país predominam os jornalistas correspondentes estrangeiros os long-timers. Estes jornalistas tem uma posição privilegiado porque “podem aproveitar o background que possuem para a explicação e contextualização da situação” (Rodrigues, 2008: 48) do acontecimento que estão a cobrir.

Quando se trata de acontecimentos rotineiros, mas que são desconhecidos para o público para o qual se escreve, pode haver uma desvantagem: “Ao fenómeno de estranhamento, pode substituir-se o da saturação, pois ao 3º ou 4º artigo sobre um mesmo tema é muito provável que a frescura jornalística já não seja a mesma” (Rodrigues, 2008: 48).

V.3.2. Jornalistas Correspondentes Locais

Durante décadas o jornalista correspondente teve o duplo papel de reportar as notícias que interessavam à audiência do seu país, ao mesmo tempo que analisava e comentava esses mesmos eventos (Sambrook, 2010). Eram a principal fonte de

64 informação, mas a evolução tecnológica fez mudar o que era esperado dos correspondentes.

Segundo Alfred Hermida, (cit. in Vicente, 2013) há duas tendências que estão a marcar a atualidade das notícias internacionais. Uma prende-se com o fato dos principais órgãos de comunicação estarem, como já foi referido, a cortar na cobertura internacional através do despedimento dos correspondentes baseados. Outra, está relacionada com o fato destes mesmos meios procurarem outras alternativas deixadas por este vazio. Uma dessas alternativas é a contratação de jornalistas correspondentes locais: “as noticias internacionais estão a chegar a partir das pessoas desse país; alguns deles são jornalistas, alguns deles não são necessariamente jornalistas profissionais mas estão a ocupar o papel dos jornalistas ao reportar os acontecimentos” (Vicente, 2013: 36).

Rodrigues não identificou a existência deste tipo de correspondentes na sua investigação em 2004, talvez porque não fosse tão forte a sua presença ou então porque só a partir de 2009 é que os jornalistas portugueses puderem inscrever-se na Comissão da Carteira Profissional25, enquanto jornalistas correspondentes, ou por causa de ambas.

Em 2014, na Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal, a nacionalidade portuguesa é, ao mesmo tempo que a brasileira, a nacionalidade com mais presença. Contudo, num total de sete, apenas três não têm dupla nacionalidade. Mas quando se olha para as nacionalidades na lista (Cartão de Correspondente Estrangeiro) da Comissão26, num total de 113 jornalistas, encontram-se 43 portugueses. Esta diferença pode prender-se pela natureza da AIEP, uma vez que o seu objetivo é apoiar os jornalistas correspondentes estrangeiros na sua chegada e durante a sua estadia. Os jornalistas portugueses não precisam desse apoio.

25 Despacho n.º 22266/2009 1 — Ao abrigo do artigo 16.º do Decreto -Lei n.º 70/2008, de 15 de Abril, e

de acordo com o disposto no artigo 16.º da Lei n.º 1/99, de 13 de Janeiro, na redacção que lhe foi dada pela Lei n.º 64/2007, de 6 de Novembro, aprovo o modelo do título de identificação de correspondente local, colaborador especializado e colaborador da área informativa de órgão de comunicação social nacional, regional ou local que exerçam regularmente actividade jornalística sem que esta constitua a sua ocupação principal, permanente e remunerada, que agora se publica em anexo. - http://www.ccpj.pt/comissao/regulamentodacomissao.pdf

65 Este tipo de jornalistas não é exclusivo do nosso país. Segundo Hess, um quinto dos 410 correspondentes que responderam ao inquérito sobre a nacionalidade, disseram que eram americanos (incluindo nove de dupla nacionalidade): estamos a falar de 82 jornalistas. Esta é a nacionalista com maior presença: “Em resumo há mais jornalistas correspondentes nos Estados Unidos de nacionalidade norte-americana que de nacionalidade japonesa (12 por cento) ou de nacionalidade alemã (11 por cento)” (Hess, 2005: 37).

Sean Maguire (cit. in Sambrook, 2010), na altura o editor das notícias gerais e políticas da Reuters, afirma que houve uma alteração na contratação de staff para os diferentes escritórios espalhados pelo mundo: “Nós contratamos muito menos britânicos do que o normal (...). Os nossos funcionários tendem a ser mais do seco feminino, jovens e de nacionalidade do país onde trabalham” (2010: 48). Segundo o Editor Chefe, David Shclesinger, os jornalistas locais são vitais para conseguir uma boa estória: “Eles conhecem as suas áreas; eles têm as capacidades e os contatos” (2010: 49).

Também a Associted Press segue a mesma linha. A agência tem feito um esforço para deixar o modelo tradicional com jornalistas expatriados, através de parcerias com trabalhadores locais. Segundo Kathleen Carrol (cit. in Sambrook, 2010), a Editora Executiva não foi apenas uma questão económica: “Não é apenas uma questão económica, simplesmente não era sustentável. É muito mais eficaz contratar pessoas locais” (2010: 49).

66 CAPITULO VI – Portugal: uma opção de vida

Os dados recolhidos e analisados, incluindo os que foram reunidos por Ana Luísa Rodrigues, demonstram que, trabalhar em Portugal como correspondente internacional é, na maioria dos casos, uma opção de vida. Esta afirmação é fundamentada pelo regime de trabalho dos correspondentes, que opta pelo regime de freelancer; pelo fato de mais de metade dos jornalistas viverem em Portugal há mais de 11 anos e de terem mais de 50 anos de idade. A todas estas características, junta-se ainda o fato do nosso país não ser considerado noticiosamente cobiçado, por parte da maioria dos países.

Sendo então uma opção de vida, várias variáveis devem ser analisadas, para que se compreenda as razões desta escolha. As variáveis em análise são: A Associação da Imprensa Estrangeira e de uma sala para a imprensa estrangeira, enquanto infraestruturas de apoio; as características de Portugal e, em particular, de Lisboa; a produtividade e o vencimento que estes jornalistas obtêm da sua escolha de vida.