NIC 39: Las inversiones disponibles para la venta se valoran a valor razonable con cambios en el patrimonio neto. Únicamente los ingresos por intereses y las
1.9. Marco conceptual convergido 22
1.9.6. El marco conceptual convergido
A partir da análise do questionário inicial e das gravações identifiquei algumas estratégias de aprendizagem já utilizadas pelas participantes, conforme o Quadro 3.5, a seguir:
P A T R Í C I A D A N I E L A L E N A C L Á U D I A B E A T R I Z A N A P A U L A S I M O N Y
Faço comparações entre a L1 e L2 X X
Gosto de imitar a pronúncia dos personagens nos filmes X
Crio meus próprios diálogos X X X
Tento imitar a minha professora X
Utilizo a repetição para fixar novas expressões em inglês e
treinar a pronúncia X X
Converso comigo mesma X
Leio textos em voz alta X
Procuro conversar em inglês com outras pessoas X X X X
Tento utilizar as expressões aprendidas em outros contextos X
Utilizo a L1 para pedir esclarecimentos ou fazer comentários X X X
Peço esclarecimentos ao colega para dizer uma palavra em
inglês X X
Traduzo a palavra para procurar entendê-la X X
Repito a palavra para corrigir a pronúncia X
Utilizo afirmações positivas para promover o auto-
encorajamento X
Quadro 3.5 – Estratégias de aprendizagem utilizadas pelas participantes antes da instrução
Conforme mostra o quadro acima, as participantes apresentaram um número variado de estratégias de aprendizagem para desenvolver suas habilidades de produção oral. Duas participantes disseram fazer comparações entre a L1 e a L2. Ambas as participantes parecem sentir-se mais segura ao falar inglês quando utilizam essa estratégia para aprender. Cláudia, por exemplo, procura comparar o que é dito em inglês com a maneira como é dito em português e, ainda, afirma que é muito difícil para ela construir suas frases em inglês sem comparar as duas línguas. A fala de Cláudia exemplifica essa questão, a seguir:
{18} Cláudia [comentando sobre a aprendizagem no inglês]: Pra mim estudar inglês era como estudar português porque na nossa língua é de um jeito, assim, a posição do verbo, o sujeito, os adjetivos. Só que na língua estrangeira é diferente e outra coisa, não dá pra estudar inglês do jeito que a gente estuda português (...)
(Entrevista)
A utilização da estratégia de comparação entre a L1 e a L2 deve-se pelo fato de a L1 dos aprendizes ser um dos conhecimentos existentes que eles possuem (Ellis, 1985) e, portanto, um dos recursos utilizados por eles para superar suas limitações na aprendizagem (Corder, 1978; Krashen, 1981 apud Ellis, 1985).
Outra estratégia declarada por Cláudia é a de criar diálogos tanto com outras pessoas como com ela própria. Por fim, a participante afirma que procura utilizar as expressões aprendidas nas lições do livro-texto que utiliza em outros contextos, conforme mostra o exemplo, a seguir:
{19} Cláudia [comentando sobre a utilização de expressões formulaícas]: Quando uma pessoa chegava em casa aí eu falava com ela “make yourself at home”. Então, eu fazia assim na brincadeira. No trabalho, eu também procurava utilizar essas expressões, mas o pessoal
achava engraçado☺ ficavam me encarnando.
(Entrevista)
Conforme o Quadro 3.5, há três estratégias que parecem ser bastante utilizadas pela maioria das participantes. Elas são as estratégias de criar diálogos, de procurar conversar com outras pessoas e de utilizar a L1 para pedir esclarecimentos. Lena, por exemplo, disse criar seus próprios diálogos e procurar conversar em inglês com outras pessoas como, por exemplo, com sua mãe, irmão e amigos. É interessante observar que em sala de aula, Lena tem uma baixa produção oral, isto é, sua participação em sala é bastante limitada; quando está praticando a conversação com os colegas utiliza mais a L1 que a L2; e sua utilização de vocábulos em inglês é restrita. O exemplo, a seguir, ilustra essa questão:
{20} Lena [comentário da professora sobre seu desempenho em sala]: Lena não fez nenhuma pergunta. Passou a aula inteira calada. Dirigia-se aos colegas, na maior parte do tempo, em português. Utiliza a L1 também para falar com a professora.
(Notas de campo – 13/04/05)
Semelhante à Lena, Simony disse procurar conversar em inglês com outras pessoas fora do contexto institucional. Segundo a participante, suas interações fora de sala de aula ocorrem no contexto familiar, com simples cumprimentos do tipo “hi”, “good morning”. Entretanto, a participante parece encontrar muita dificuldade para se expressar em público. Ela mostra-se nervosa quando solicitada para responder a alguma pergunta diante dos colegas, em sala de aula. Simony, que declarou ter dificuldades também com sua pronúncia, parecia muito constrangida e nervosa quando precisava falar uma palavra que lhe parecia difícil pronunciar. A fala de Simony, a seguir, exemplifica essa questão:
{21} Simony [comentando sobre sua dificuldade para falar]: (...) a minha dificuldade de falar, de estruturar, de montar as perguntas, né, sempre foi grande e quando eu via os colegas conversando, eu me perguntava, por que que eles conseguem conversar daquela maneira? E o que falta pra eu chegar ao ponto do colega? Por que que o colega consegue falar e eles conseguem se entender naquele momento? Por que eu não consigo? Era sempre muito tenso pra mim saber que eu ia pra aula de inglês, (...) que eu ia ter que falar, que eu ia ter que me concentrar por duas horas seguidas ((a partir daqui a aluna começa a falar com um ton de voz mais baixo)). E se eu não entendesse, se eu não falasse e, se eu não conseguisse fazer a atividade, se eu ficasse pra trás. Essa parte das emoções sempre foram muito complicadas pra mim.
(Entrevista)
A fala de Simony {21} ilustra outra questão não mencionada pela participante que é sua dificuldade com a construção e organização das frases. Como podemos observar, essa dificuldade declarada pela participante pode dificultar sua interação com outras pessoas, especialmente fora do contexto institucional. Uma vez que a participante não apresenta uma produção oral
satisfatória em sala de aula, creio ser complicado considerar que Simony utilize a estratégia de procurar conversar com outras pessoas como ela afirma. Além disso, a própria participante afirmou que sua parte emocional é um aspecto negativo para sua produção oral. Essa afirmação de Simony pode nos mostrar que a participante precisa melhorar sua imagem enquanto aprendiz de língua.
As questões mencionadas por Simony corroboram as explicações de Dörnyei (2001) sobre as experiências negativas dos aprendizes de língua. Segundo o autor, os aprendizes tendem a apresentar uma opinião negativa de si mesmos e a diminuir seus esforços pelo fato de, em algum momento de sua aprendizagem, terem sido fortemente criticados ou corrigidos. Segundo Dörnyei (2001), essa atitude negativa inibe qualquer tentativa de produção por parte do aprendiz de língua. Concluo, assim, que a declaração de Simony sobre a utilização da estratégia de conversar com outras pessoas, pode ter sido um reflexo de sua vontade em, realmente, falar como seus colegas o fazem.
Beatriz declarou que sempre que pode tenta reproduzir em casa as atividades desenvolvidas em sala imitando a maneira como a professora as conduziu. Além disso, utiliza a tradução para facilitar sua compreensão quando está conversando em inglês. A utilização da estratégia de imitação das atividades com base na atuação da professora pode demonstrar que Beatriz procura um modelo que lhe seja confiável e disponível para facilitar sua aprendizagem. Dessa forma, a participante explicita uma necessidade de interagir a partir de um contexto compartilhado, neste caso, a sala de aula, que é comum ao professor e aos aprendizes (Edwards e Mercer, 1987 apud Moita Lopes, 2005). Isto confirma a idéia de que o conhecimento é uma construção social (Moita Lopes, 2005).
É válido mencionar que Daniela, Cláudia e Ana Paula foram as participantes que apresentaram um repertório mais variado de estratégias de aprendizagem. Segundo Oxford
(1990), aprendizes proficientes tendem a utilizar um número variado de estratégias de aprendizagem. Entretanto, observo que Daniela é uma das participantes menos proficientes.
Após comentar as estratégias utilizadas pelas participantes, decidi agrupá-las, de acordo com a categorização de Oxford (1990), com o objetivo de verificar a existência de alguma estratégia que não tenha sido mencionada pela autora. Vejamos em seguida:
Estratégias Diretas Estratégias Indiretas
Cognitivas Metacognitivas Praticar [1] Gosto de imitar a pronúncia dos
personagens nos filmes;
[2] Utilizo a repetição para fixar novas expressões em inglês, treinar ou corrigir a pronúncia;
[3] Tento imitar a minha professora.
Analisar e raciocinar
[4] Faço comparações entre a L1 e L2; [5] Traduzo Criar estruturas para input e output
[6] Crio meus próprios diálogos; [7] Converso comigo mesma; [8] Leio textos em voz alta.
Organizar e planejar a aprendizagem
[11] Procuro conversar em inglês com outras pessoas.
Compensatórias Afetivas Superar as limitações na produção oral
[9] Utilizo a L1 para pedir esclarecimentos ou fazer comentários;
[10] Peço ajuda aos colegas para dizer uma palavra em inglês.
Promover o auto-
encorajamento
[12] Utilizo afirmações positivas.
Quadro 3.6 – Classificação das Estratégias de Aprendizagem Declaradas pelas Participantes37, com base na
Categorização de Oxford (1990)
Como demonstrado no Quadro 3.6, a maioria das estratégias de aprendizagem utilizadas pelas participantes concentra-se no grupo das cognitivas, sendo que dentre essas estratégias
identifiquei duas que não aparecem na categorização de Oxford (1990), entretanto a própria autora observa que sua categorização não pretende ser exaustiva e que esta pode ser expandida. As duas estratégias são: [7] converso comigo mesma e [8] leio textos em voz alta. Essas estratégias foram consideradas de ordem cognitiva porque ambas também proporcionam oportunidades para input e output.
A estratégia – [3] tento imitar a minha professora – também não aparece na categorização de Oxford (1990). Considerei essa estratégia também como cognitiva porque a participante passa a imitar as ações da professora, gerando a repetição. Isto pode ser observado na fala de Beatriz, a seguir:
{22} Beatriz [comentando sobre a utilização da estratégia]: (...) assim, eu procurava chegar em casa e fazer as atividades exatamente do jeito que a professora fazia em sala. E dava certo.
(Entrevista)
Observou-se, no Quadro 3.6, que os grupos de estratégias metacognitivas e afetivas são pouco utilizadas pelas participantes. Além disso, nenhuma delas mencionou a utilização de estratégias sociais.
Com relação à utilização máxima de estratégias cognitivas, Williams e Burden (1997) explicam que os aprendizes, ao se confrontarem com uma tarefa de aprendizagem, têm uma variedade de recursos a seu dispor podendo fazer uso deles de diferentes maneiras. Contudo, os autores ressalvam que, em geral, as estratégias cognitivas têm sido o único recurso disponibilizado para esses aprendizes. Assim, o Quadro 3.6 corrobora a observação desses autores de que a maioria das estratégias utilizadas pelas participantes é de ordem cognitiva. Acredito que a partir desse resultado é possível dizer que as participantes não utilizavam outros recursos para desenvolver sua habilidade de produção oral.
Após finalizar essa seção, passo à seção seguinte em que discutirei o processo de instrução de estratégias de aprendizagem.