4 G RUNNER FOR Å SKILLES
4.3 Relasjonelle grunner
4.3.2 Mannen som familiens hode
Os aspectos gramaticais trazidos à discussão, neste estudo, não estão isolados dos aspectos discursivo-textuais das peças escolhidas para análise. Assim, com a finalidade de especificar as características dos gêneros discursivos e tipos textuais que configuram as peças em questão, cabe esclarecer quais são os conceitos aqui adotados para ―gênero discursivo‖ e ―tipo textual‖.
Aqui, assim como em Silva (1999, p. 87), o termo discurso é considerado como uma atividade sócio-comunicativa, desenvolvida por sujeitos sociais em relações de interação, a partir da qual se produz sentido. O discurso é materializado por meio do texto, um ―todo significativo‖ que independe de sua extensão, e de sua modalidade de expressão, oral ou escrita.
Segundo Bakhtin (1992), os gêneros do discurso são ―formas relativamente estáveis de manifestação do discurso‖ cujas características temáticas, estilísticas e composicionais são configuradas segundo as esferas de uso da língua. Essas características dos gêneros manifestam as formas de normatização dos processos interacionais, instauradas pelos sujeitos ao longo da história. Segundo o autor, os sujeitos aprendem a adequar seu modo de comunicar às formas do gênero que
utilizam, bem como desenvolvem sensibilidade para reconhecê-lo na fala de outros sujeitos.
Conforme Bakhtin (1992), além da esfera de uso da linguagem (pública ou privada), outras condições envolvem o funcionamento dos gêneros discursivos, no que diz respeito ao seu processo de produção, recepção e difusão. Entre o conjunto de fatores, o autor aponta, entre outros, os interlocutores, o lugar e o papel em que esses sujeitos atuam no processo interlocutivo, o intuito discursivo do locutor e a projeção da compreensão responsiva que este faz do seu interlocutor. No caso das peças de Vieira e de Sor Juana, as condições de produção, recepção e difusão dos discursos também definem a maneira como eles serão materializados nos textos, nos gêneros discursivos escolhidos.
Tratando da heterogeneidade de gêneros que há em uma sociedade complexa, Bakhtin (1992) classifica os gêneros em primários e secundários. Os gêneros primários são aqueles que se instauram em instâncias privadas, de atividades cotidianas ou íntimas. Os gêneros secundários, por sua vez, aparecem em instâncias públicas, de atividades caracterizadas como mais formais. Entre os exemplos de gêneros secundários, Silva (1999, p. 95) menciona os sermões e as cartas comerciais. Assim, a análise que se fará adiante tem como objeto de análise textos pertencentes a gêneros discursivos secundários. A Carta Atenagórica de Sor Juana, ainda que seja destinada a uma pessoa específica, está relacionada a uma situação e a um modo de organização bastante formais.
Marcuschi (1995) usa o termo ―gênero textual‖, mas sua conceituação coincide com a de ―gênero discursivo‖ de Bakhtin (1992): ―A meu ver, essa diferença é somente de ordem terminológica, e não conceitual‖, diz Silva (1999, p. 98). Para Marcuschi (1995), a construção conjunta do trabalho linguístico nas atividades interlocutivas, da qual participam os sujeitos, não anula a possibilidade de uma atuação individual de cada um desses sujeitos, por meio da eleição que cada um faz de determinados recursos linguísticos.
Outro conceito importante para a compreensão da estrutura e da intenção comunicativa das peças do córpus é o de tipo textual. Silva (1999, p. 101), remetendo a alguns estudos de linguística textual, define ―tipo textual‖ como um conceito relativo ao modo pelo qual funciona e é constituída a estrutura interna do texto. Dessa maneira, um texto de dado gênero discursivo pode configurar-se por meio de vários tipos textuais: ―o locutor atualiza uma série de operações textual-
discursivas, que incidem nos níveis micro e macroestruturais da configuração formal e conceitual do texto‖ (SILVA, 1999, p.101).
Para a autora, as formas de modalização das operações textual-discursivas, ou seja, dos tipos textuais, são a narração, a descrição, a dissertação/argumentação, e a injunção. No entanto, neste trabalho adota-se uma concepção diferente sobre a argumentação. Para a análise de Vieira e de Sor Juana, não se considera que a dissertação e a argumentação são a mesma coisa. Considera-se a dissertação como um tipo textual. De fato, na dissertação costuma haver argumentação, no entanto a argumentação é uma estratégia de construção textual, não um tipo textual.
Silva (1999, p. 101) aponta que cada modo enunciativo desempenha uma função específica de acordo com a configuração textual e com a finalidade comunicativa. Entre outros gêneros discursivos, a autora apresenta o sermão como exemplo de gênero em que a operação argumentativa pode valer-se de diferentes operações textual-discursivas. De fato, nos sermões que figuram neste trabalho, Vieira narra acontecimentos, descreve, comenta e avalia fenômenos, tudo com a finalidade de orientar seu percurso retórico e convencer seu interlocutor. Contudo, em sua organização estrutural, o modo de operação textual-discursiva predominante é a dissertação. Em muitos outros textos essa predominância de um dado tipo textual que se sobrepõe aos outros também é frequente.
Conforme Fávero e Koch (1987), ―num continuum argumentativo, podem-se localizar textos dotados de maior ou menor argumentatividade, a qual, porém, não é jamais inexistente‖, e alguns discursos estão carregados de um teor argumentativo elevadíssimo. Mais uma vez, o sermão, entre outros gêneros não só do discurso religioso mas também do publicitário, do jornalístico e do jurídico, é exemplo de gênero que apresenta um modo enunciativo argumentativo stricto sensu, em que a argumentação alcança seu grau mais elevado.
É justamente o tipo dissertativo, e com elevada carga argumentativa, o que mais interessa a este trabalho. Considerando que tanto os sermões quanto a carta de Sor Juana buscam convencer o interlocutor com argumentos e refutações, todos os textos aqui analisados apresentam um grau argumentativo alto. Aliás, esses textos apresentam exatamente as mesmas categorias indicadas por Silva (1999, p. 104), como categorias integrantes da superestrutura comum à dissertação: tese
(problematização), conjunto dos argumentos (argumentação ou justificativa) e conclusão (solução do problema).
Sintetizando as idéias que acabam de ser desenvolvidas, as categorias de análise ―gênero discursivo‖ e ―tipo textual‖ abrigam realidades diferentes do discurso. Contudo, pode haver uma relação de entrecruzamento entre elas, quando da caracterização de um discurso, pertencente a determinado gênero, e atualizado em determinada(s) operação(operações) textual-discursiva(s). Segundo Silva (1999, p. 100), para se depreender a natureza do gênero discursivo é necessário explorar, no texto, as dimensões pragmático-social, lingüístico-textual e temática/macroestrutural. Até aqui, estabeleceu-se que as duas primeiras peças de análise são pertencentes ao gênero discursivo sermão e que a terceira peça pertence ao gênero discursivo carta. Além disso, elas trazem em sua configuração vários tipos textuais em diferentes pontos de sua extensão, com predominância do tipo dissertativo e utilização intensa de estratégias argumentativas.
2.3.3 O componente religioso dos textos em análise
Orlandi (1987), apresenta a religião como um espaço institucional que envolve uma diversidade de práticas, por meio das quais uma certa discursividade é expressa. Os diversos discursos religiosos e as diferentes maneiras pelas quais eles se configuram refletem essa multiplicidade das manifestações da religião. Para a autora, o discurso religioso, enquanto objeto de conhecimento, é a territorialização da espiritualidade do homem, um ―lugar‖ em que ele a constrói e expressa.
Para Orlandi (1987, p. 8), no discurso religioso ―o homem fala no dizer que ele coloca na voz de Deus‖. À luz da Análise do Discurso, Deus é o lugar da ―onipotência do silêncio‖, em que o homem institui uma fala sua, e na religião está o espaço encontrado pelo homem para ser completado com palavras que demarcam sua ―vida espiritual‖ (ORLANDI, 1987, p. 8).
De acordo com Satzer (1987, p. 94), o caráter religioso extrapola o espaço da igreja e alcança práticas cotidianas. Com base em Orlandi (1987, p. 9 e 10), pode-se dizer que a religião (sobretudo a cristã) e o discurso religioso são (e foram)
extremamente presentes e atuantes na cultura ocidental, cruzados com outros discursos e com outras atividades culturais que não as religiosas.
Considerando que dois textos do córpus pertencem ao gênero sermão, e que o terceiro texto constitui uma reflexão sobre um sermão, é de grande relevância uma descrição da estrutura estilística e do contexto em que se instaura esse gênero, na condição de representante do discurso religioso. Segundo Setzer (1987, p. 93), o sermão combina uma estilística marcada e formal a um contexto restrito, como o culto religioso e a Igreja. Há uma formalidade situacional, com desnível da relação locutor-ouvintes, devido à assimetria social entre o padre, figura pública, e seus ouvintes (SETZER, 1987, p. 95).
Uma configuração típica do discurso religioso apresenta-se em Orlandi (1983, apud SETZER, 1987, p. 94 e 95). De acordo com essa configuração, o discurso religioso costuma apresentar os seguintes traços: identificação dos sujeitos entre si por meio do vocativo ―Irmãos‖ e tratamento por ―nós‖; parábolas e versículos bíblicos usados como demonstração e validação das situações; uso de sintagmas cristalizados para terminar sermões (exemplo: ―Oremos‖); explicação de metáforas por paráfrases; uso de imperativo; uso de antítese; uso de performativos (exemplo: o padre ordena e condena, os fiéis justificam e aceitam).
Nos dois sermões de Vieira, é possível identificar a maior parte dos traços mencionados. Não há no início do sermão de 1643 nenhum vocativo direcionado ao público, mas no último capítulo Vieira se dirige ao público nas seguintes passagens: ―Eis aqui, fiéis, como nenhum dos remédios...‖ (capítulo VII); ―Que amamos, cristãos, se não amamos a Jesus?‖ (capítulo VII). Ao longo dos sermões é possível notar a referência ao público na primeira pessoa do plural, por exemplo em ―Ponhamo-nos agora com o pensamento no cenáculo‖ (capítulo V) e ―Amemos a quem tanto nos amou‖ (capítulo VII). Os versículos bíblicos e paráfrases da bíblia são constantes durante o sermão, como o versículo do livro de João que constitui a epígrafe, e as histórias de Caim Abel, do rei Davi, de Cristo e seus Discípulos, de Madalena, etc., para validar as ideias expostas.
Também é recorrente o uso de imperativo: ―Notai agora, e notai muito...‖ (capítulo V); ―Ouvi e pasmai‖ (capítulo VI). Em alguns momentos percebe-se uma relação de antítese, como no trecho ―O que neles é tristeza, para ser amor havia de ser alegria, e o que em mim parece que havia de ser alegria, porque é amor, é tristeza‖ (capítulo VI). Sobre os performativos, é possível identifica-los apenas no
que se refere ao padre: ―Quem não pasma tendo ouvido tais palavras, ou não tem juízo ou não tem fé‖ (capítulo VI).
No sermão de 1650, o vocativo ―Cristãos‖ aparece poucas vezes, como em ―Este é, Cristãos, o mandato do amor [...]‖(capítulo XIII). O locutor se dirige aos ouvintes diversas vezes usando ―nós‖: ―É verdade que Cristo Senhor nosso no Sacramento vê-nos com os olhos da divindade‖ (capítulo V). Vieira menciona passagens bíblicas, muitas delas, presentes também no sermão anterior (Madalena, Davi, Cristo e os Discípulos, etc.).
O imperativo aparece em alguns momentos, por exemplo em ―ponhamo-nos com Cristo no cenáculo [...] e façamos esta proposta‖ (capítulo VII), assim como jogos de antítese, como nessas passagens: ―O que vos matou a morte, foi Cristo vivo; e o que vos roubou a ausência, foi Cristo morto...‖ (capítulo II); ―Verdadeiramente não pode haver maior igualdade com todos, mas igualdade que parece injustiça‖ (capítulo IX). Aqui também se encontram performativos (de ordenação e condenação): ―porque nós somos os que havemos e devemos amar‖ (capítulo XI); ―o homem que se não faz amigo do maior inimigo, quase pode desesperar de sua salvação, e resolver-se que não é predestinado‖ (capítulo XIII).
A Carta Atenagórica, por não estar dirigida a um grupo de fiéis, mas sim a um destinatário específico, não apresenta vocativos como ―fieis‖, ―irmão‖, nem ―cristãos‖, mas sim ―Mui Senhor Meu‖ 9 para iniciar o texto, e volta a invoca-lo em outros momentos, como em ―Veja-o vossa mercê‖ 10. Contudo, algumas vezes há referência aos homens ou, mais especificamente aos cristãos, usando-se a primeira pessoa do plural, ainda que esse grupo não apareça como interlocutor: ―e quer Cristo lembrar-nos seu custo e nossa utilidade‖ 11; ―porque como filhos do pecado e concebidos nele, temos a semente da culpa‖ 12.
Assim como nos sermões, na carta há inúmeras paráfrases e capítulos bíblicos, como narrações sobre Jacó, Davi, Madalena, José e Rubens, Moisés, e também uma grande quantidade de falas atribuídas a Cristo/Deus. Também estão presentes estruturas que, de certo modo, podem ser consideradas como expressões
9
―Muy Señor Mío‖ (DE LA CRUZ, 1690).
10
―Véalo V. md.‖ (DE LA CRUZ, 1690).
11―y quiere Cristo acornarnos su costo y nuestra utilidad‖ (DE LA CRUZ, 1690). 12
―porque como hijos del pecado y concebidos en él, tenemos la semilla de la culpa‖ (DE LA CRUZ, 1690).
cristalizadas, por exemplo: ―Ouçamos‖ 13, ―Jesus!‖ 14e ―Valha-me Deus‖ 15. O uso do imperativo, voltado aos homens ou aos cristãos, aparece diversas vezes, com maior frequência no final da carta: ―Não gastemos tempo‖ 16; ―Estimemos o benefício que Deus nos faz […]‖ 17; ―Agradeçamos e ponderemos este primor do Divino Amor […]‖ 18.
Há algumas sequências em que Sor Juana cria uma relação de antítese entre elementos: ―Aqui a maior dor embargou ao pranto, e ali a menor lhe permitia‖ 19; ―não são indício de muito grave dor as lágrimas, [...] que indiferentemente servem ao pesar e ao gosto‖ 20; ―dista a dor de um deleite que não se goza, a uma ofensa que se tolera‖ 21. Assim como o uso de imperativo, também o de performativos é mais frequente no final da carta: ―por sua obediência temos de amar ao próximo‖ 22; ―não invejemos as mercês que Deus lhe fez‖ 23; ―¡Oh, que errado vai o objeto da inveja [...]!‖ 24.
13
―Oigamos‖ (DE LA CRUZ, 1690).
14
―¡Jesús!‖ (DE LA CRUZ, 1690).
15―Válgame Dios‖ (DE LA CRUZ, 1690). 16―No gastemos tiempo‖ (DE LA CRUZ, 1690). 17
―Estimemos el beneficio que Dios nos hace […]‖ (DE LA CRUZ, 1690).
18
―Agradezcamos y ponderemos este primor del Divino Amor […]‖ (DE LA CRUZ, 1690).
19
―Aquí el mayor dolor embargó al llanto, y allí el menor le permitía‖ (DE LA CRUZ, 1690).
20―no son indicio de muy grave dolor las lágrimas, […] que indiferentemente sirven al pesar y al gusto‖
(DE LA CRUZ, 1690).
21
―dista el dolor de un deleite que no se goza, a una ofensa que se tolera‖ (DE LA CRUZ, 1690).
22―por su obediencia hemos de amar al prójimo‖ (DE LA CRUZ, 1690). 23
―no envidiemos las mercedes que Dios le hizo‖ (DE LA CRUZ, 1690).
24
3 CARACTERIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS COMPARATIVAS
A comparação é um mecanismo básico da mente humana, a qual tem por característica essencial a capacidade de discriminar. ―Em geral, vemos e avaliamos as coisas comparativamente, e a nossa linguagem reflete essa base de discriminação que orienta o espírito humano‖ (NEVES, no prelo). Ao tratar das estruturas comparativas, Gutiérrez Ordóñez (1997a, p. 05) afirma que o homem está sujeito a uma ânsia comparativa incessante. O autor menciona o provérbio que diz que ―as comparações são odiosas‖ 25 26, referindo-se à subjetividade do juízo de valor feito pelo homem, resultado do cotejo da comparação. Para ele, a comparação, além de refletir um impulso cognitivo constante, está sujeita, como qualquer juízo de valor, a equívocos e discordâncias de opinião, o que se resume no referido dito popular.
O que se quer mostrar nesta pesquisa são os proveitos que se pode obter por meio do mecanismo comparativo, quando da sua ativação no uso da língua com uma finalidade comunicativa e discursiva. Posto que a análise está fixada nas línguas portuguesa e espanhola, cabe apresentar considerações teóricas com vista à caracterização das estruturas que refletem mecanismos comparativos, direcionadas às duas línguas.
Para Gutiérrez Ordóñez (1997a), historicamente, os estudos gramaticais concederam escassa atenção aos temas que se referem às estruturas comparativas:
[...] em geral, se limitam a realizar uma classificação (igualdade,
superioridade, inferioridade), a situá-las entre as circunstanciais e a apontar
os elementos formais que intervém (más, menos, ... que, como). […] É certo que há alguns anos foram publicadas numerosas reflexões sobre o tema que contribuíram, ao menos, a desvelar os sérios e abundantes problemas que apresentam. Ángel López realizou uma bela classificação tipológica das soluções oferecidas até o momento. Planam sobre o horizonte ainda muitas nuvens carregadas‖ (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ 1997a, p. 05) 27.
25 Provérbio em língua original: ―Las comparaciones son odiosas‖ (apud GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ,
1997a, p. 05).
26
Todas as traduções oferecidas neste trabalho são de minha autoria.
27
―[…] en general, se limitan a realizar una clasificación (igualdad, superioridad, inferioridad), a ubicarlas entre las circunstanciales y a señalar los elementos formales que intervienen (más, menos,
... que, como). […] Es cierto que hace unos pocos años se han publicado numerosas reflexiones sobre el tema que han contribuido, al menos, a desvelar los serios y abundantes problemas que presentan. Planean sobre el horizonte aún muchos nubarrones‖ (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ 1997a, p. 05).
Mesmo em meio a essa carência de tratamentos mais aprofundados de questões ligadas à comparação, atualmente é possível encontrar estudos que apresentam grandes avanços no tratamento das expressões comparativas. Considerando que esta pesquisa busca mostrar o mecanismo comparativo em sua função comunicativa e discursiva, oferece-se, neste capítulo, noções sobre as estruturas que expressam comparação, à luz de propostas de orientação funcionalista.
Há uma grande distância temporal entre as peças do córpus e as obras gramaticais consultadas para este capítulo. As considerações aqui aportadas se referem ao uso atual das construções comparativas, enquanto as construções comparativas presentes nos textos do córpus provavelmente possuam particularidades do uso da época em que foram escritos (século XVII). No entanto, essa caracterização das estruturas comparativas, ainda que referente ao uso atual, pode auxiliar na análise das estruturas comparativas identificadas no córpus, desde que essa análise tenha em conta aspectos relacionados ao contexto histórico, social e artístico dos textos. É o caso, por exemplo, das questões sobre gênero discursivo, retórica e barroco, e das considerações sobre os contrastes percebidos entre os textos e seus autores, apresentadas nos demais capítulos do trabalho.