• No results found

Informantenes argumenter for gjengifte

5 N ÆRE RELASJONER , HELSE OG ØKONOMI ETTER SKILSMISSEN

5.7 Et nytt parforhold?

5.7.2 Informantenes argumenter for gjengifte

O Sermão do Mandato de 1650 trata das maiores finezas do amor de Cristo. Está composto por treze capítulos, um para introdução, um para conclusão, e os capítulos intermediários para os argumentos, sendo que a quantidade de capítulos intermediários não equivale à quantidade de argumentos do sermão.

Assim como o Sermão do Mandato de 1643, esse sermão inicia tratando da passagem bíblica de João, capítulo 13, versículo 1: ―Sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim‖. À luz dessa passagem, Vieira defende que o amor de Cristo para com os homens foi sempre igual. A partir da afirmação dos Santos, de que o amor de Cristo fez mais no fim de sua vida do que em seu início e em seu percurso total, o padre propõe uma separação entre os afetos e os efeitos do amor. Assim, defende que os afetos do amor de Cristo, colocados em uma dimensão interna, tiveram sempre a mesma intensidade, e que os efeitos, em uma dimensão externa, foram mais excessivos no fim da vida de Cristo.

Vieira apresenta, então, o tema de seu sermão: definir qual foi a maior fineza do amor de Cristo, entre todas as maiores. Ao expor qual será o estilo do sermão, afirma que procederá fazendo referência às opiniões dos Santos e que para cada fineza apontada por eles, apontará uma maior, para a qual ninguém poderá indicar outra que se iguale. Termina o primeiro capítulo dirigindo-se a Deus, justificando que qualquer louvor por parte de corações humanos resulta em agravos com a rudeza de suas palavras.

No segundo capítulo, revela-se o primeiro a ser contestado, Santo Agostinho, para quem a maior fineza do amor de Cristo foi morrer pelos homens. Vieira defende que ausentar-se dos homens foi uma fineza maior do que morrer por eles. O argumento primeiro é que morrer significava deixar a vida, ausentar-se significava deixar os homens, e Cristo amava mais os homens do que sua própria vida. Na continuação dos argumentos, Vieira usa o testemunho de Madalena 69. Ele afirma que Madalena chorou mais na madrugada da ressurreição do que no dia da paixão de Cristo, pois chorava pela dor da ausência total de Cristo, de alma e de corpo. Para finalizar o capítulo, estabelecendo uma comparação entre Madalena e

Cristo, padre Vieira questiona como seria grande o sofrer de Cristo por ter de ausentar-se.

O terceiro capítulo trata dos sentimentos de Cristo com relação à sua morte e sua ausência. Vieira defende que no Horto Cristo sofreu de agonia ao despedir-se de seus Discípulos, enquanto na cruz morreu ―plácida e quietamente‖. No último parágrafo, reafirma que Cristo sofreu mais a ausência, que era deixar de estar com quem amava, do que a morte, que representava o deixar de ser quem era.

Dos remédios de Cristo para a ausência e para a morte é que trata o quarto capítulo. Cristo se sacramentou antes mesmo de morrer, o que para Vieira foi o remédio da ausência. A ressurreição foi, nessa linha, o remédio para a morte, e que só ocorreu três dias depois de Cristo morrer. O padre então defende que Cristo apressou o remédio da ausência e dilatou o remédio da morte, porque sentia menos por essa do que por aquela.

No capítulo seguinte é apresentada a opinião de S. Tomás: a maior fineza de Cristo foi, quando se ausentava, deixar-se com os homens no Sacramento. Vieira rebate, afirmando que a maior fineza de Cristo no Sacramento foi encobrir-se. Ele explica que, mesmo estando Cristo entre nós corporalmente, está desprovido do uso de seus sentidos. O encobrir-se, de acordo com Vieira, foi ―renunciar os alívios da presença‖, e estar presente sem poder ver é uma pena maior do que estar ausente.

Em seguida, Vieira usa como ilustração a história de Absalão e Davi 70. Quando Absalão estava ausentado nas terras de Gessur, por conta da morte do Príncipe Amon, seu pai Davi lhe deu licença para voltar a viver na corte, desde que Absalão não lhe visse o rosto a Davi. Vieira conta, baseado no texto sagrado, que Absalão preferia ser morto do que não poder ver o rosto de seu pai. Ele estabelece um paralelo entre Absalão e Cristo, para reforçar que a ausência é ainda melhor do que a presença sem permissão de ver. Então, encerra o capítulo comparando Absalão e Cristo. A maior diferença entre eles, para Vieira, é que Absalão demonstrou grande fineza por amor a seu pai Davi, enquanto Cristo a demonstrou por amor aos homens.

Na sequência do sermão, Vieira realiza uma comparação entre a Paixão de Cristo e o Sacramento. Ele propõe que nos dois eventos Cristo esteve com os olhos encobertos, e que no Sacramento se resumem todos os tormentos de sua Paixão.

69 Ver: A Bíblia Sagrada, João, capítulo 20. 70 Ver: A Bíblia Sagrada, 2 Reis, capítulo 14.

Revela que são duas as portas pelas quais não vemos a Cristo e nem ele nos vê. A primeira é a da humanidade, que não deixa que o vejamos enquanto Deus; a segunda é a dos acidentes do Sacramento, que escondem a Cristo como homem. A conclusão do capítulo vem pela reafirmação de que Cristo fez mais em encobrir-se do que em deixar-se conosco.

O oitavo capítulo apresenta a última opinião dos Santos: para S. João Crisóstomo, a maior fineza do amor de Cristo foi lavar os pés aos Discípulos. Vieira refuta essa opinião: para ele, a maior fineza foi lavar os pés também a Judas. O padre ressalta que, de acordo com o Evangelista, antes do lavatório um dos Discípulos já tinha consentido com o Demônio a entrega de Jesus, e que o próprio Jesus Cristo anunciou que eles estavam limpos, porém nem todos. Vieira afirma que, apesar de já saber que Judas seria seu traidor, Cristo amava a todos os seus Discípulos, e que ―nesta circunstância consistia [...] o mais fino do amor de Cristo‖.

No início do capítulo nono, o padre propõe que a fineza do amor consiste em tratar da mesma maneira bons e maus, merecedores e não merecedores. Ele menciona rapidamente a passagem bíblica dos operários da vinha 71 e do castigo ao Faraó egípcio 72, e explica que Deus, quando faz diferença, age como Juiz severo, diferentemente de quando se comunica com o mundo como Pai amoroso. Também ressalta que Cristo, na condição de homem, foi servo.

Inicia-se então uma descrição comparativa sobre o modo como reagiram Pedro e Judas ao lavatório. Vieira declara que o ato de Cristo para com Pedro foi correspondência, pagar amor com amor, enquanto lavar os pés a Judas foi a materialização de sua fineza, pagar o ódio com amor. Na sequência, comenta a história bíblica em que Davi chorava a morte de Saul e Jônatas 73, pessoas muito amáveis na opinião do rei, apesar de Jônatas ter sido amigo de Davi e Saul seu inimigo. Estabelece-se um paralelismo identificando Davi com Cristo, Jônatas com Pedro e Saul com Judas.

O capítulo de número dez consiste em uma breve mostra do que foi o mais fino de todas as finezas do lavatório. Para Vieira, Judas foi como uma planta que, regada como foram todos os outros discípulos, não deu frutos. Assim, o mais fino foi Cristo ter lavado os pés de Judas mesmo sabendo da ingratidão que receberia como

71 Ver: A Bíblia Sagrada, Mateus, capítulo 20. 72 Ver: A Bíblia Sagrada, Êxodo, capítulos 9 e 10. 73 Ver: A Bíblia Sagrada, 2 Samuel, capítulo 1.

resultado. Refutadas as opiniões dos três doutores, Vieira expõe, no capítulo onze, a sua própria opinião sobre qual foi a maior fineza de Cristo: querer a correspondência do seu amor não para Ele, mas para nós mesmos, em amar-nos uns aos outros. Ele lembra que para as finezas já tratadas no sermão havia sempre exemplos de pessoas que pudessem ilustrá-las, e declara que para esta fineza não há, nem dentro nem fora da bíblia, nenhum exemplo.

Vieira apresenta fundamentos para sua opinião sobre a maior fineza de Cristo no décimo segundo capítulo. Ele se baseia nas palavras do próprio Cristo: ―dou-vos um novo mandamento: Que é que, assim como eu vos amei, vos ameis também um aos outros‖ (Bíblia Sagrada, João 13:34). Para Vieira, amar uns aos outros era um mandamento que já havia sido revelado aos homens. O que havia de novidade no que Cristo chamou de ―novo mandamento‖, segundo o padre, era que esse amor fosse o pagamento do amor com que Cristo amou os homens. Neste sentido, ele enaltece o amor de Cristo, perfeito, comparando-o com o amor dos homens, carregado de ciúmes. Finaliza o capítulo afirmando que essa era a primeira vez que alcançava seu objetivo ao pregar o Mandato.

O último capítulo é um apelo aos cristãos. Vieira declara que os homens, por deverem a correspondência do amor de Cristo, que é infinito, estarão sempre em débito. Ele também afirma, baseado no evangelho de Lucas, que Pilatos e Herodes de inimigos se tornaram amigos, e que, se dois homens malditos se reconciliaram, o cristão que não o fizer não pode esperar ser predestinado à salvação. Por fim, roga a Deus que partilhe de sua graça aos homens para que possam amar como devem.