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Hvordan gikk det med kjærligheten?

4 G RUNNER FOR Å SKILLES

4.3 Relasjonelle grunner

4.3.5 Hvordan gikk det med kjærligheten?

Gutiérrez Ordóñez (1997a) utiliza dois tipos de critérios para a definição da comparação: os semânticos e os formais. Existem definições que utilizam somente critérios semânticos, como a definição para orações comparativas de 1973 da Real Academia Espanhola: ―São aquelas em que expressamos o resultado de uma comparação de dois conceitos que, vistos desde o ponto de vista do modo, qualidade ou quantidade dos mesmos, nos são oferecidos como semelhantes, iguais ou desiguais‖ 43 (RAE, 1973, p. 543). Definições com uma caracterização exclusivamente formal condicionam o estatuto da comparativa à presença de certos elementos que introduzam os segmentos (más, menos, tanto, que, como), e a combinação dos dois critérios (semântico e formal) resulta nas ―definições mistas‖ (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a).

A partir da identificação desses dois tipos de critérios, pode-se estabelecer uma diferenciação entre comparação, pseudocomparativas e estruturas comparativas. Em Gutiérrez Ordóñez (1997a), essa diferenciação é bastante clara: se uma sequência expressa o significado da comparação mas não apresenta a estrutura formal correspondente, há uma comparação mas não uma estrutura comparativa; se a sequência atende somente as condições formais sem o significado, trata-se de uma pseudocomparativa. O verbo preferir serve para ilustrar uma comparação não formal, e uma sequência como ―En el mundo hay más mujeres que Helena‖ é um exemplo de pseudocomparativa (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a). Na opinião do autor, a postura mais adequada para definir uma estrutura comparativa é a que tem em conta a natureza de ‗signo‘ das comparativas:

43―Son aquellas en que expresamos el resultado de una comparación de dos conceptos que, mirados

desde el punto de vista del modo, cualidad o cantidad de los mismos, se nos ofrecen como semejantes, iguales o desiguales‖ (RAE, 1973, p. 543).

―apresentam um significado (<<comparação>>) unido solidariamente a um significante (estruturas do tipo más... que, más... de, etc.)‖ 44.

Em Alarcos Llorach (1994, p. 341), As orações complexas 45 comparativas são definidas, semanticamente, por expressarem basicamente a comparação de duas realidades ou de dois conceitos, entre os quais se estabelece uma equivalência ou uma desigualdade, com relação à quantidade, à qualidade ou à intensidade de ambos. Do ponto de vista Sáez del Álamo (1999, p. 1131), as codas comparativas não fazem referência a indivíduos nem a propriedades, mas sim a graus.

O caráter referencial da comparação, manifesto em Halliday & Hasan (1976), também aparece em Gutiérrez Ordóñez (1997a). Para esse autor, as comparações têm caráter referencial por meio de um processo relativo, não absoluto: ―o emissor pretende transmitir a situação ou posição de uma magnitude, qualidade ou processo dentro de uma escala a partir de um ponto de referência, padrão ou norma que se supõe conhecido‖ 46.

Encontra-se em Gutiérrez Ordóñez (1997a) a demonstração da estrutura paralela e simétrica de funções geminadas, que, segundo o autor, é possibilitada a partir da introdução do intensivo (más, menos, tanto). Essa estrutura paralela tem caráter abstrato, o paralelismo estabelecido entre ela e a primeira estrutura é um requisito de valência semântica, e nem todos os seus elementos afloram, como ilustra o esquema seguinte (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a):

A) ―Jorge fue ayer más rápido en la final B) 1 2 3 4 5 Algumas possibilidades para a estrutura-B: ...que Pepe (1)

...que anteayer (3)

...que Pepe (1) anteayer (3) en las eliminatórias (5)‖.

Em termos gerais, os tipos de comparação sugeridos, relativamente ao valor que expressam, são os mesmos em toda a bibliografia vista neste trabalho (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a; ALARCOS LLORACH, 1994, p. 341; SÁEZ DEL

44

―presentan un significado (<<comparación>>) unido solidariamente a un significante (estructuras del tipo más... que, más... de, etc.)‖ (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a).

45 Termo utilizado por alguns autores para se referir ao período composto por subordinação (A.

MARTÍNEZ, 1999, p. 10; ALARCOS LLORACH 1994, p. 314 e 315).

46―El emisor pretende transmitir la situación o posición de una magnitud, cualidad o proceso dentro de

una escala a partir de un punto de referencia, patrón o norma que se supone conocido‖ (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a).

ÁLAMO, 1999, p. 1131; A. MARTÍNEZ, 1999), e coincidem com o que foi visto na língua portuguesa por Neves et al. (2008) e Neves (no prelo): a partir de uma repartição binária (igualdade e desigualdade), o termo intensificado pode apresentar grau de superioridade, inferioridade ou igualdade.

Alarcos Llorach (1994, p. 340-342) apresenta as estruturas comparativas como orações degradadas47, dependentes de um quantificador, que pode ser um advérbio ou um adjetivo. Em contraparte, em Sáez del Álamo (1999) as chamadas construções comparativas são descritas junto às construções superlativas, ambas classificadas como elementos quantificadores.

A. Martínez (1999, p. 57) observa a existência de comparativas correlativas e interdependentes em que comparativos de igualdade e desigualdade entram em correlação com cuanto(a,os,as), como em ―cuanto más te esfuerces,

(tanto) mayor será tu éxito‖ e ―con cuantos menos hables, con menos te

enfadarás‖.

É comum entre os autores aqui consultados a identificação dos elementos formais da estrutura comparativa. A partir de Gutiérrez Ordóñez (1997), Alarcos Llorach (1994) e Sáez del Álamo (1999), afirma-se que: a comparação está dividida em dois segmentos ou termos, sendo o primeiro o da quantificação e o segundo o ponto de referência; os quantificadores ou elementos de grau da estrutura comparativa podem ser as formas invariáveis más para expressar superioridade e menos para inferioridade, ou a forma tanto(a/os/as) para igualdade (eventualmente, igual ou mismo) que em determinados casos varia a forma; os transpositores 48 ou partículas comparativas que, de ou como introduzem o segundo termo (ou segmento-B).

Para Gutiérrez Ordóñez (1997a) e Alarcos Llorach (1994), a base de valorização, termo que é intensificado ou quantificado, pode ser um nome, um adjetivo, um advérbio ou um verbo. Sáez del Álamo (1999, p. 1132) explica que o quantificador comparativo pode comportar-se de maneira diferente conforme a palavra que ele modifica. Se o quantificador modifica um adjetivo (1), um verbo (4a) ou um advérbio (4b), ele se comporta como um sintagma adverbial, situação em que

47 Orações degradadas ou transpostas são orações de categoria diferente da do segmento que

acompanham, e que desempenham, por transposição, a função dos substantivos, adjetivos e advérbios (ALARCOS LLORACH, 1994, p. 314 e 324; A. MARTÍNEZ, 1999, p. 10 e 46).

48 Transpositor é o termo designado por Alarcos Llorach (1994) ao elemento que introduz a oração transposta (ALARCOS LLORACH, 1994, p. 234).

se tem uma comparativa qualitativa; quando modifica um nome (5a), se comporta como sintagma adjetival, resultando numa comparativa quantitativa (SÁEZ DEL ÁLAMO, 1999, p. 1132): ―(1) Juan es más alto que Luís‖; ―(4) a. Juan corre más que Luis‖; ―(4) b. Juan corre más rápidamente que Luis‖; ―(5) a. Juan compró más libros que Luis‖.

A possibilidade de elipse de alguns elementos nas estruturas comparativas de língua espanhola, assim como nas de língua portuguesa, é reconhecida entre os autores e gramáticos aqui consultados. Entre eles, Neves et. al. (2008) e Gutiérrez Ordóñez (1997a) apontam a base comum, de elementos compartilhados pelos dois segmentos da comparação, motivo pelo qual muitos elementos do segmento-B permanecem submersos, elípticos. Para Gutiérrez Ordóñez (1997a), as comparações mais frequentes são as que apresentam apenas um elemento funcional no segmento-B. Segundo Alarcos Llorach (1994, p. 342), em alguns casos em que ocorre elipse do verbo na oração degradada, ela reiteraria o verbo do núcleo da oração total. Ele diz que é mais frequente a ocorrência de comparativas elípticas, porém a elipse nem sempre é necessária.

Encontra-se em Gutiérrez Ordóñez (1997a) a afirmação de que a ―lei de economia‖ inspira a montagem do discurso, e que, por essa lei, se mantêm elípticos todos os elementos que se repetem no segmento-B, ―sob pena de agramaticalidade‖49. Contudo, o autor admite que a aplicação da lei está sujeita a algumas condições, como a coincidência exata dos elementos funcionais nos dois segmentos. Assim, quando se trata de um signo léxico verbal que adota no segmento-B um morfema verbal diferente, por exemplo, é possível repeti-lo: ―Estudia libros más gordos que los libros que estudiábamos en la escuela (onde se repetem os lexemas estudiar e libros)‖. Sáez del Álamo (1999, p. 1147) defende que algumas codas frasais não são resultado de elipse, assim como defende que a sentença ―(99) Juan compró más libros que tebeos‖ não é o resultado de se ter eliminado o verbo ―compró‖.

Gutiérrez Ordóñez (1997a) inclui as comparações com de entre as estruturas comparativas, visto que elas atendem aos critérios semânticos e formais que ele apresenta para a definição dessa categoria. Com a finalidade de diferenciá- las das comparativas com que e como, o autor se refere a essas como ―comparativas próprias‖ e aquelas como ―comparativas relativas‖. A classificação

feita por A. Martínez (1999, p. 56) é diferente. Segundo essa classificação, a comparativa com de apresenta forma de complemento determinativo, enquanto a comparativa com que possui forma relativa.

Diferenças de classificação à parte, é interessante a relação que A. Martínez (1999, p. 56) estabelece entre os dois tipos de comparativas e a ocorrência ou não de elipse. De acordo com ele, nas comparativas com que é permitido, e até mesmo é preferível, que ocorra a elipse do verbo, como no exemplo ―Pedro estudia más que [estudia] Juan‖. Em contraparte, as comparativas com de são produzidas quando um verbo pessoal é expresso, como nos exemplos ―Pedro estudia más de lo que estudia Juan‖ e ―Tiene menos dinero del [dinero] que ganas tú‖. Alarcos Llorach (1994, p. 347) declara que o uso de grupos adjetivos com de é preferível quando um verbo que dificilmente possa sofrer elipse estiver contido no segundo segmento.

Gutiérrez Ordóñez (1997a) afirma que há casos em que é possível introduzir o segmento-B com de ou com que, indistintamente; em outros casos somente uma das opções é possível, e a quantidade de restrições de uso das comparativas com preposição de é maior. O autor também relaciona o uso de comparativas com de à presença de verbos parentéticos (decir, creer, pensar, parecer, merecer, etc.). Ele defende que a incorporação desses verbos no segmento-B admite somente a comparação com de, e que isso favorece a elipse de elementos repetidos: “Tiene más genio del que parece (tener)”; “* Tiene más genio que parece (tener)”.

Encontra-se em Gutiérrez Ordóñez (1997a) uma explanação relevante sobre as comparativas de igualdade. Além das ―comparativas próprias‖ de igualdade e das relativas de igualdade, o autor trata das comparativas com igual que e com art. + mismo + que.

Sobre as ―comparativas próprias‖ de igualdade, o autor estabelece uma relação entre a classe morfológica do primeiro segmento e a forma adotada pelo quantificador tanto. ―Quando o primeiro segmento é um adjetivo ou um advérbio o quantificador adota a forma suprimida tan. Determina ao verbo a forma adverbial tanto e concorda com o substantivo a forma tanto(a/os/as)‖ 50 (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a):

49

―so pena de agramaticalidad‖ (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a).

50 Cuando el primer segmento es un adjetivo o un adverbio el cuantificador adopta la forma

apocopada tan. Determina al verbo bajo la forma adverbial tanto y concuerda con el sustantivo

Tiene tanto dinero como tú. Come tanta sopa como tú. Son tan buenos como tú. Llegan tan tarde como tú.

Os posicionamentos que Gutiérrez Ordóñez (1997a) adota sobre as comparativas próprias de desigualdade, relacionados à questão da elipse e do estatuto de termo subordinado, são os mesmos no que diz respeito às comparativas próprias de igualdade.

Gutiérrez Ordóñez (1997a) aponta que nas comparativas relativas de igualdade o segmento-B é introduzido por como + art + que no lugar de de + art + que, conforme a sequência ―Tiene tanto dinero como la que te presente ayer‖. O autor acrescenta que, assim como as relativas de desigualdade, as de igualdade apresentam certa limitação de ocorrências devido a suas restrições.

As comparativas de igualdade com art + mismo, de acordo com Gutiérrez Ordóñez (1997a), são oracionais quando art + mismo pode desempenhar função de aditamento do verbo do qual depende, e aparece sem marcas morfológicas de gênero e número: ―Tigre Juan lo mismo redactaba cartas a las novias de los militares que Felisa escribía testamentos a los moribundos‖.

Gutiérrez Ordóñez (1997a) tomando como base o sentido produzido nas comparativas não oracionais com art. + mismo, nas quais este termo atua como complemento nominal, classifica-as em três tipos: comparativas de identidade quantitativa, de identidade qualitativa e de identidade referencial.

Sobre as quantitativas, o autor apresenta condições para sua configuração: nem o substantivo quantificado nem o termo geminado no segmento-B podem levar artigo; a sequência artigo + mismo forma uma unidade inseparável (esse artigo não se refere ao termo intensificado): ―Metieron los mismos goles que penalties les pitaron a favor‖.

As comparativas com art + mismo de valor qualitativo e referencial só são possíveis em forma relativa (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a): ―Vende los mismos huevos que los que venden en Continente‖; “Cuenta los mismos chistes que los que cuenta Eugenio‖. Gutiérrez Ordóñez (1997a) acrescenta que, acompanhada da preposição de, a construção art. + mismo pode adotar forma adverbial com adjetivos e advérbios: “Es lo mismo de caro que caviar”; “Lo mismo de impertinente que de maleducado”.

As características semânticas e sintagmáticas das construções formadas pela sequência artigo + mismo... + que... são bastante semelhantes às das construções com igual... que..., segundo se observou em Gutiérrez Ordóñez (1997a). Neste trabalho, não se apresentam considerações específicas sobre esse tipo de construção comparativa, visto que não há ocorrência significativa dessa construção nas comparações presentes no córpus de análise. A título de ilustração, seguem alguns dos exemplos apresentados pelo gramático:

Unas cerezas iguales que ciruelas. Cerezas igual que ciruelas.

Jugó igual cantidad de partidos internacionales que Camacho. Jugó igual de partidos internacionales que Camacho.

Este niño es igual de alegre que su abuelo.

Em Alarcos Llorach, (1994, p. 345), mismo e igual aparecem junto a outras unidades indefinidas (otro/a), unidades multiplicativas (el doble, la mitad), adjetivos (diferente) e advérbios (antes, después) usados em comparativas de desigualdade no lugar dos quantificadores básicos (más, menos, tanto). Algumas dessas unidades aparecem também como ―comparativas próprias‖ em Sáez del Álamo (1999, p. 1164 - 1166):

¿Será entonces doblemente infinita que la serie par y que la serie impar? (68.I.93).

Antes perdona él […] la blasfemia proferida, que aquella otra hipócritamente guardada en el fondo del alma (68.I.77-8).

Sonrió sin ofrecer otra cosa que los largos dientes amarillos (79.35).

Lo mismo crece en ella [la Naturaleza] la simiente buena que la mala, lo

mismo encuentra albergue en su seno el sapo que el cisne, la cizaña que el trigo (17.154-5).

Una imagen en un espejo plantea para su percepción igual problema que el objetivo mismo (68.I.83).

(187) Compré {el doble/la mitad} de ropa em Roma que em Oslo. (188) Gasté em Roma {igual de/el mismo} dinero que en Oslo. (192) Teo visitó {diferentes/los mismos} museos que Ana.

Os advérbios antes e después encerram uma ―relação entre graus situados em uma escala temporal‖, com sentido equivalente a ―más pronto que‖ e ―más tarde que‖, respectivamente (SÁEZ DEL ÁLAMO, 1999, p. 1164): ―(185) a. Teo vino antes que Luis‖; ―(186) a. Vino antes de lo que tú decías‖.

Gutiérrez Ordóñez (1997a) e Alarcos Llorach (1994, p. 345) afirmam que os quantificadores comparativos podem ser substituídos pelas formas sintéticas comparativas mayor, menor, mejor e peor, que sobrevivem entre as herdadas do

latim e nas quais está implicado o sentido de más. Gutiérrez Ordóñez (1997a) defende que as formas sintéticas sempre conviveram na língua espanhola com as fórmulas do tipo ―más grande que‖ e ―más bueno que‖. Ele esclarece que essas formas sintéticas podem ser usadas tanto em ―comparativas próprias‖ quanto em relativas.

Na comparação de igualdade entre adjetivos (e em certos casos também entre substantivos), é possível substituir como por cuanto/a, em contextos literários (SÁEZ DEL ÁLAMO, 1999, p. 1149). Nesses casos, para o autor, cuanto/a é mais uma variante da partícula como, e não é um relativo, conforme ilustram os exemplos: ―(114) Teo es tan nervioso cuanto inteligente‖; ―(115) b. Tiene tanta inteligencia cuanta capacidad para manifestarlo‖.

Sáez del Álamo (1999, p. 1167) chama de ―disfarce morfológico‖ o motivo pelo qual algumas construções são vinculadas às comparativas. Para ele, não existe propriamente comparação nessas construções. Essas estruturas, chamadas pseudocomparativas, também são identificadas e definidas por Gutiérrez Ordóñez (1997a), com uma maior exploração em Gutiérrez Ordóñez (1997b).

Sáez del Álamo (1999) as classifica em pseudocomparativas aditivas, restritivas e corretivas, com atenção para um bloco de outras pseudocomparativas próprias. Nas aditivas, há uma relação de inclusão, um resultado de uma soma, como em ―(198) a. Juan compró más libros que ‗La Busca‘‖. As restritivas resultam da disposição de elementos que formam a construção aditiva, porém em um contexto negativo. A ideia expressa é de limitação estrita de um conjunto, como em ―(213) b. Juan no compro más libros que ‗La Busca‘‖.

O terceiro tipo de pseudocomparativas examinado por Sáez del Álamo (1999, p. 1173) são as corretivas, que podem ser usadas como resposta de um interlocutor que corrige a afirmação anterior de outro interlocutor, como na sequencia a seguir:

(230) A: Allí compró Teo un montón de cosas, y también libros. B: Te corrijo: sé que Juan compró allí más discos que libros.

(Paráfrase: ―Te corrijo: sé que Juan compró allí más bien discos, y no libros, como tú dices‖)

Entre as ―pseudocomparativas próprias‖, Sáez del Álamo (1999, p. 1176) apresenta as estruturas com o verbo preferir, que aparenta estabelecer uma relação

de superioridade entre graus, como em ―(248) Prefiero conversar con Luis que jugar con Teo‖. Para o autor (1999, p. 1177), ―estas estruturas pertencem ao âmbito das corretivas‖ 51.

Outro caso é o de estruturas nas quais não há comparação de grau nem de quantidade, mas sim uma simples coordenação, que poderia ser parafraseada por meio da utilização da conjunção y (Sáez del Álamo, 1999, p. 1178): ―(257) a. Compró tanto uvas como peras (―Compró uvas y peras‖)‖.

Sáez del Álamo (1999, p. 1179) também inclui entre as pseudocomparativas coordenativas com sentido de adição as estruturas com os elementos igual... que e lo mismo ...que, como ilustra a sentença ―(260) a. Teo {igual/ló mismo} canta que baila, pero mucho más canta‖, em que a sequência iniciada por pero elimina a possibilidade de interpretar a estrutura como uma comparativa de igualdade.

Como apontam Gutiérrez Ordóñez (1997a) e Sáez del Álamo (1999, 1167), as estruturas pseudocomparativas apresentam elementos formais semelhantes aos das estruturas comparativas, porém estabelecem relações semânticas diferentes (como adição e restrição). Considerando a fluidez das categorias gramaticas (seção 2.3), é possível afirmar que algumas dessas pseudocomparativas também podem expressar certo valor comparativo, porém em menor grau.

Ao tratar de aspectos pragmáticos das comparativas, Gutiérrez Ordóñez (1997a) situa o valor denotativo do ponto de referência no ―mundo dos supostos‖, que são conhecimentos apresentados como comuns pelo emissor, e que não fazem parte da competência linguística, mas do ―saber enciclopédico‖ ou ―conhecimento de mundo‖. Nessa perspectiva, os chamados ―supostos‖ são imprescindíveis para a apreensão da informação referencial das comparativas.

Para Gutiérrez Ordóñez (1997a), algumas vezes, o falante recorre a ―expressões prototípicas consagradas pela comunidade para expressar o grau sumo ou ínfimo de uma ação ou de uma qualidade‖. Sobretudo nesse tipo de comparação, o conhecimento enciclopédico, junto ao contextual e cultural, é indispensável. O autor esclarece que nesses casos os referentes selecionados são seres ou magnitudes que, dentro de um conhecimento geral, constituem os representantes superlativos de uma ação ou qualidade, e podem chegar a constituir-se como clichês (GUTIÉRREZ ORDÓÑEZ, 1997a): ―Hace más frío que en Siberia‖; ―Escribe tanto como El Tostado‖; ―Es peor que el veneno‖.

Alarcos Llorach (1994, p. 346) afirma que, ao introduzir a negação em uma comparação de desigualdade, o valor de superioridade ou de inferioridade pode ser suprimido e até invertido. Assim, a sequência ―Los necios no aplauden más que los discretos‖ tem valor equivalente à igualdade ―Los necios aplauden tanto como lós discretos‖.

Do ponto de vista pragmático, a comparação de igualdade expressa pelos elementos tanto... como está incluída no campo de más... que, segundo Gutiérrez Ordóñez (1997a). O autor esclarece que são frequentes as interpretações pragmáticas em que tanto... como equivale a al menos tanto como ou igual o más que, conforme representado na equivalência entre as sequências: ―Pepe es tan listo como su hermano‖; ―Pepe es al menos tan listo como su hermano‖; ―Pepe es tan listo o más que su hermano‖.

Para Gutiérrez Ordóñez (1997a), devido a essa inclusão pragmática, a negação de tanto... como implica uma interpretação equivalente a menos que. Assim, para a sequência Pepe no es tan listo como su Hermano, seguem duas interpretações esperáveis, porém, a primeira delas é a opção preferível: ―Pepe es

menos listo que su Hermano‖; ―Pepe es más listo que su hermano‖. Alarcos Llorach (1994, p. 347) também reconhece que a negação da comparação de igualdade implica valor de inferioridade. Na ilustração desse autor, ―No indicaba tanto oficio como experiência‖ é semanticamente equivalente a ―Indicaba menos oficio que experiência‖.

Em algumas comparativas de superioridade com negação, o quantificador más e o termo da comparação atuam como objeto direto ou como atributo da oração negativa. A combinação que resulta nesses casos (no más que) é equivalente à unidade adverbial solo (ALARCOS LLORACH, 1994, p. 347): ―Yo no sé decir más que lo que pienso, aunque lo que piense sea malo (17.60) (= Solo sé decir lo que pienso)‖; ―No consigo más que ponerme nervioso (28.211)‖.

Em alguns casos, a negação no é requerida para evitar a repetição de elementos. Se uma sequência, previamente degradada pela conjunção que, constitui o termo da comparação, é introduzida a negação no entre essa conjunção e o que comparativo, para evitar a repetição contigua das duas unidades homófonas (que que) (ALARCOS LLORACH, 1994, p. 346): ―Por eso es más fácil que un Marco Antonio, dueño del mundo, o un príncipe como Sakiamuni, sean sencillos y

humildes, que no que lo sea un indiano enriquecido o un dependiente de comercio (17.157)‖.

Em casos em que há comparação entre dois verbos no infinitivo, também pode ocorrer uso de negação depois do que comparativo, porém com um valor mais