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Manipulating Their Products and Services

6.2 How a Supplier Can Support Nation-State Surveillance

6.2.2 Manipulating Their Products and Services

Bertram C. Brookes escreveu uma série de quatro artigos (BROOKES, 1980a, 1980b, 1980c, 1981) para discutir vários fundamentos da CI. Ele propôs uma equação fundamental para representar a relação entre a informação e o conhecimento (BROOKES, 1980c) que, mais adiante ficou conhecida como a ‘Equação Fundamental da Ciência da Informação’, equação 1.

K[S] + ∆I = K[S+ ∆S] (1) A equação 1 teve sua importância confirmada por vários autores como Neill (1982), Le Coadic (1996), Todd (1999), Robredo (2003a), Araújo (2003), Nascimento (2006), Batista Costa e Alvares (2007), Pereira (2008), Bawden (2011), Moraes (2013), Pontes Junior, Carvalho e Azevedo (2013). Mesmo que alguns desses autores relatassem algumas discordâncias quanto a ideias associadas à equação, todos reconheceram a sua relevância. Em um levantamento realizado por Pereira (2008), de 1980 a 2008, 106 autores apresentaram trabalhos que citaram os quatro artigos de Brookes em suas referências.

Brookes teve como base para seu estudo os três mundos de Karl Popper6: (i) Mundo 1: é o conjunto de todas as coisas físicas; (ii) Mundo 2: é conhecimento humano subjetivo ou estados mentais; e (iii) Mundo 3: é o conhecimento objetivo, ou seja, produtos da mente humana porém armazenados em artefatos. Brookes lembrou que, embora esses três mundos

sejam independentes, eles possuem interação entre si, sendo que ele defendeu a ideia de que o domínio da CI é o estudo das interações entre os mundos 2 e 3. Brookes afirmou que a sua equação se aplica a ambas estruturas de conhecimentos subjetivo e objetivo, ou seja, o mundo 2 e o mundo 3 de Popper. Para Brookes, as ideias de Popper tinham grande relevância para a CI (NEILL, 1982).

Brookes formulou a equação 1 seguindo uma linha de estudo que considerou mais fortemente o paradigma cognitivo da CI, tratado na subseção 2.1.2. Ele se baseou na ideia de que a informação provoca transformações nas estruturas cognitivas do indivíduo. Essas estruturas podem ser subjetivas e objetivas, e são formadas por conceitos que estão ligados entre si e com as relações que o indivíduo possui, isto é, a sua imagem de mundo. Assim, K[S] é a estrutura cognitiva do sujeito; ∆I é uma nova informação recebida pelo sujeito que, relacionando-se com a sua estrutura cognitiva atual K[S], provoca alterações representadas por ∆S. A parcela K[S+ ∆S] representa a nova estrutura cognitiva do sujeito após relacionamento com a nova informação ∆I e em função do seu novo estado S + ∆S.

Brookes também observou que a parcela ∆I poderia ser definida como um pequeno pedaço de conhecimento ∆K, como mostra a equação 2.

K[S] + ∆K = K[S+ ∆S] (2) Porém, ele esclareceu que ∆I pode ter diferentes efeitos sobre diferentes estruturas de conhecimento e, portanto, poderia sem prejuízo permanecer ∆I. Além disso, o autor também deixa claro que a equação não diz que o conhecimento é simplesmente aumentado com a chegada da nova informação, mas, a absorção da nova informação em contato com a estrutura de conhecimento do sujeito causa uma modificação nas relações conceituais já existentes e, portanto, não deve ser admitida como um simples incremento de informação, sendo que a percepção desta é dependente da observação sensorial do sujeito.

Em função disso, alguns autores, tais como Le Coadic (1996), Robredo (2003a), Araújo (2003) e Pereira (2008) passaram a escrever a equação de forma a representar essa observação de Brookes, destacando a transformação de ∆I por ∆K, como mostra a equação 3.

K[S] + ∆K = K[S+ ∆S] (3)

Brookes, propositadamente, expressou a equação num formato pseudo-matemático com o intuito de mostrar a relação entre informação e conhecimento de forma compacta. Ele ainda observou que, para os matemáticos, os termos e símbolos de sua equação são indefinidos. Por exemplo, o sinal ‘=’, usado na equação, é mais indicado para representar um equilíbrio do que a igualdade propriamente dita, tal como conhecida na Matemática. Outro exemplo é o sinal de ‘+’ que não representa uma simples adição, mas poderia até mesmo representar uma “[...] disciplina inteira” (NEILL, 1982). Ele ainda destacou que a equação também serve para enfatizar o quão pouco que se sabe sobre as formas nas quais o conhecimento do sujeito cresce.

Brookes (1981) concluiu que a informação oferecida a terceiros deve ser apresentada dentro de uma estrutura cognitiva relevante, pois essa é a única maneira pela qual os usuários podem efetivamente recebê-la. A análise da equação fundamental identifica uma série de pressupostos fundamentais e potenciais hipóteses que são oportunidades para a investigação sistemática detalhada (TODD, 1999). Segundo Pereira (2008) os estudos de Brookes sobre a equação fundamental da CI são importantes e “[...] ainda hoje são utilizados por diversos de seus pares, nas diversas linhas de pesquisa dentro da área da CI, ou como referência principal para o desenvolvimento de novas propostas, ou como base para uma contra-opinião (crítica) e a exposição de uma nova ideia na área” (p. 26). Pereira ainda completa afirmando que “[...] de qualquer forma, a utilização de seus trabalhos como referência é presente e inquestionável” (p. 26).

Araujo (2003) sugeriu uma ampliação da compreensão sobre a relação entre informação e sociedade, usando a equação de Brookes como ponto de partida, pela proposição de uma equação que pudesse explicar o impacto informacional, isto é, conhecer o nível de transformação que ocorre nos sujeitos sociais e nas formações sociais. A equação 4 representa essa ideia, onde: IF - impacto informacional, Ni – as necessidades informacionais, Cs - contextos sociais vivenciados pelos sujeitos, Int – intencionalidade explicita ou não da informação disseminada e/ou utilizada.

IF = Ni + Cs x Int (4)

A equação 4, do impacto informacional, consegue reunir, num só momento, os elementos caracterizadores da transformação/mudança mentais e/ou sociais, segundo a autora: necessidades informacionais dos sujeitos; contextos socioculturais dos sujeitos;

intencionalidade (explicita ou não) da informação disseminada e/ou utilizada. Araujo ainda considera que os dois primeiros elementos têm sido analisados por vários estudos da área, porém, o terceiro elemento surge como algo mais subjetivo e que ainda não tem sido considerado, em termos teóricos conceituais na área da CI.

Por outro lado há quem critique a equação de Brookes e até mesmo a ele próprio quando, por exemplo, Pereira (2008) afirma que a equação serviu para mostrar o quão pouco Brookes sabia, na época, sobre as maneiras em que o conhecimento das pessoas cresce e se desenvolve. Capurro e Hjørland (2003) criticam a definição de informação dada por Brookes através de sua equação, argumentando que é uma definição que “[...] parece-nos servir apenas a essa função persuasiva” (p. 154). Além disso, não é consenso que a equação proposta por Brookes seja considerada a equação fundamental da CI. Por exemplo, Robredo (2003a) disse que o “[...] esquema sugerido por Brookes [...] denominado por ele, um tanto, digamos presunçosamente, equação fundamental da ciência da informação [...]" (p. 14). Apesar disso, Robredo destaca que Brookes acertou ao “[...] reunir a informação (externa ao sujeito detentor de um certo conhecimento), a comunicação (que traz essa informação até o sujeito) e o conhecimento (que se enriquece com a incorporação da informação adicionada)” (p. 16). Porém, o autor sinaliza que falta considerar o processo global de enriquecimento do conhecimento existente por intermédio da “[...] nova informação recebida, de algum componente de natureza psicossomática, tal como o processo específico de análise dessa informação, que permite, entre outras coisas, apreciar seu interesse e decidir sobre a vantagem ou não de incorporá-la ao conhecimento existente" (p. 16). Contudo, Brookes afirmou que a informação deve ser apresentada dentro de uma estrutura cognitiva relevante. Assim ele estava considerando, mesmo que subjetivamente, outros aspectos incluindo também os de natureza psicossomática.

Araujo (2014) alerta que as pesquisas desenvolvidas nas duas últimas décadas reformularam o conceito de conhecimento abordado pela equação de Brookes. Ou seja, não é mais a simples adição de dados a um estado mental, mas, é compatível com um “[...] quadro mais complexo relacionado com diferentes processos de assimilação, acomodação, interpretação, imaginação, análise e síntese [...]” e evidenciando “[...] o caráter essencialmente contextual e intersubjetivo dos fenômenos informacionais”. Por outro lado, Araujo também enfatiza a importância do modelo cognitivo (na qual a equação de Brookes está inserida) como sendo complementar aos outros dois paradigmas apresentados na seção 2.1.2. Contudo, Brookes apenas não descreveu em detalhes o processo de modificação do estado mental. Mas, ele chamou atenção que a chegada da nova informação não causa automaticamente

crescimento do conhecimento, ou seja, não pode ser admitida como um simples incremento de informação, mas, depende do tipo de relação que ela tem com as estruturas cognitivas do sujeito.

Além disso, alertam Batista, Costa e Alvares (2007), a proposta de Brookes tem sido apenas parcialmente aceita porque a CI tem se dedicado à coleta e organização para uso dos registros do mundo 3 de Popper, e não estudo das interações dos mundos 2 e 3 como propõe Brookes em sua equação, sendo esses ocupados por uma área denominada de Gestão do Conhecimento. Dessa forma, os autores recomendam que seja feito um resgate da proposta de Brookes para ampliar a área de atuação da Gestão do Conhecimento. Contudo, Brookes enfatiza muito em seus artigos a ligação da CI com o relacionamento existente entre os mundos 2 e 3 de Popper, e também estabelece uma base para a sua equação que segue mais fortemente o mundo 2.