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Mandat for ekspertgruppen

VEDLEGG

Vedlegg 1. Mandat for ekspertgruppen

Quisemos, igualmente, dar conta, neste capítu- lo, das perceções dos educandos-adultos em processo de RVCC, em matérias diversas afetas à sua educação e for- mação ao longo da vida. Assim, nesta dimensão da investi-

gação pretendemos responder, entre outras indagações, às seguintes questões base, nomeadamente: i) qual o impacto principal que o educando-adulto esperava obter com a cer- tificação formal de competências que justificou a procura de EFA; ii) estando em processo de RVCC, como pensa ago- ra que este se pode repercutir ao nível do seu desenvolvi- mento profissional, pessoal e social; e iii) qual a perceção prevalecente sobre o valor social dos diplomas obtidos pelo processo RVCC. Neste alinhamento, a literatura refere que as dimensões objetivas caracterizam competências e atitu- des que os educandos-adultos entendem ser as mais apro- priadas e capazes de proporcionar orientação relativamente aos processos de mudança por si traçados. Por sua vez, as dimensões subjetivas favorecem a produção de sentido nos resultados dos processos, nos quais as representações se contextualizam e se estruturam. Assim sendo, Domingos e Cardoso referem a este propósito que "há uma tendência para uma conexão entre as práticas e as teorias implícitas que estão incluídas nas representações que cada um e to- dos constroem do mundo onde vivem. Elas acabam por ser uma justificação à lógica e ao sentido subjacente às práti- cas sociais de cada um dos agentes sociais" (1988, p. 157). Ou seja, os educandos-adultos detêm um conjunto de representações que advêm de valores, crenças, aspira- ções e imagens sobre a sua educação e formação ao longo da vida, o que os leva a posicionar-se e a agir de acordo com elas. São essas representações que quisemos captar no inquérito por questionário para visibilizar o seu ponto de vista sobre o grau de importância atribuído ao RAE na formação humana, em geral, e nas suas trajetórias de for- mação, em particular.

Com estes pressupostos, foi aplicado um inquérito por questionário a uma amostra de setenta e dois educan- dos-adultos envolvidos em distintas ofertas de EFA. Porém, neste texto, consideramos apenas os dados de vinte e sete questionários, os correspondentes àqueles educandos-a- dultos que se encontravam em processo de RVCC. Assim, a distribuição dos respondentes, nas diversas fases desta modalidade, foi a seguinte: 20, que se encontravam mais no início do RVCC, e 7, que estavam mais no final do RVCC.

O inquérito por questionário foi estruturado (de forma a ser preenchido pelos próprios) em quarenta e oito questões, agrupadas em duas partes. Os dados recolhidos foram submetidos a uma análise descritiva, quantitativa e percentual. Neste texto foi feita uma seleção parcial (de acor- do com o objetivo traçado já apresentado) do conjunto total de resultados baseados em dados empíricos assim obtidos.

ASPETOS DE CARATERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA

Verificou-se no universo dos 27 inquiridos (RVCC- -Básico e RVCC-Secundário), em que o género feminino era predominante, e constatou-se (quadro 1) que 85,2% dos edu- candos-adultos se encontravam a trabalhar, destes 3% la- borando por conta própria. Em situação de desemprego, en- contravam-se 14,8% dos educandos-adultos, entre eles 7,4% estavam em situação de desemprego há menos de 12 meses.

Quadro nº 1 - Situação Profissional

SITUAÇÃO NÚMERO PERCENTAGEM

Empregado 23 85,2%

Desempregado 4 14,8%

TOTAL 27 100%

Fonte: Dados da pesquisa.

PERCEÇÕES ENQUADRADORAS DA PROCURA DE EFA E DO RAE

Nas razões da procura de EFA num CQ (gráfico 1), sa- lienta-se o item Valorização pessoal/profissional, que obteve

40,7% das respostas, e o de Necessidade de Certificação, com 29,6%. O item Exigência Profissional foi indicado por 11,1%

dos inquiridos. Salienta-se o facto de 18,6% do total dos edu- candos-adultos não terem indicado qualquer resposta.

Fonte: Dados da pesquisa.

Quando inquiridos sobre quais as condições endó- genas e exógenas que o RAE acrescenta e/ou reforça e como se irão repercutir na sua vida (gráfico 2), o item conclusão

de estudos obteve 48,1%, evidenciando-se relativamente aos outros itens que obtiveram os seguintes resultados: melhorar

a autoestima e realização pessoal – 44,4%; criar uma nova oportunidade – 44,4%; melhorar a minha vida – 18,5%.

Da análise destes resultados infere-se que a con- clusão de estudos é a meta pretendida, mas as mais-valias pessoal e social, bem como a elevação da autoestima são, igualmente, consideradas importantes. Atendendo a uma leitura conjunta destes indicadores, os candidatos perce- cionam o RAE como uma oportunidade no seu percurso de vida, no qual podem ocorrer alterações ou incremento de mais-valias.

Gráfico 2 – Repercussão do RAE

Quanto à situação em que se encontram os inqui- ridos em termos de processo (gráfico 3), a maioria dos in- quiridos (74%) declarou que iniciaram o processo, enquanto os restantes (26%) declararam que já o terminaram. O que nos indica que, neste CQ, não se encontravam candidatos a aguardar em lista de espera pelo acesso a ofertas de educa- ção e formação ao longo da vida. Este dado converge com as perceções da equipa técnica, já referidas na secção anterior, acerca dos benefícios, também para o andamento dos as- petos técnico-burocráticos dos processos de RVCC, advin- dos diretamente do reforço das equipas com 2 técnicos de ORVC, a trabalhar a tempo integral.

Gráfico 3 – Situação Atual

Fonte: Dados da pesquisa.

No que concerne ao item “há diferenças de ensino nos cursos RVCC/EFA relativamente ao ensino regular” (grá-

fico 4), 88,8% dos inquiridos responderam que sim e 7,4% não sabem/respondem. Os resultados obtidos permitem afirmar que os educandos-adultos percecionam que há di- ferenças, a vários níveis, entre o ensino regular, que visa crianças e jovens, e estes percursos formativos, que visam educandos-adultos.

Fonte: Dados da pesquisa.

ASPETOS SOBRE PERCEÇÕES REFERENTES ÀS ETAPAS DO RVCC

No que concerne às perceções sobre as competên- cias mais desenvolvidas pelo envolvimento no processo de RVCC (gráfico 5), destacam-se aprender a aprender e tecno- logias de informação e comunicação (TIC), a que se seguem escrita, leitura, matemática e oralidade. A língua estrangeira obteve o menor número de respostas.

Quanto aos contextos de utilização das competên- cias (gráfico 6), salientam-se, quer o contexto profissional, quer o contexto pessoal. Todavia, o contexto profissional as- sume maior expressão.

Gráfico 5 – Competências potenciadas pelo RAE

Fonte: Dados da pesquisa.

Fonte: Dados da pesquisa.

Quanto ao item “A inscrição nesta modalidade de formação foi uma boa solução para mim” (Gráfico 7), cons-

tata-se que 96,2% dos educandos-adultos concordam/ concordam plenamente que a modalidade de formação - RVCC foi uma opção benéfica em termos de ir ao encontro das especificidades pessoais. Ora, segundo Lozano (1999), os programas educativos a desenvolver com adultos de- vem ser concebidos a partir das próprias necessidades das pessoas adultas, o que efetivamente se verifica nesta modalidade assente na metodologia do balanço de compe- tências.

Gráfico 7 – Boa Solução

Fonte: Dados da pesquisa.

No que concerne ao item “Tenho ouvido falar bem destes cursos”, verifica-se (gráfico 8) que 96,6% dos educan-

dos-adultos concordam/concordam plenamente. Destes re- sultados, infere-se que as representações, quer em circuito restrito, mais pessoal, quer num âmbito social mais alarga- do, são positivas.

Gráfico 8 – O que oiço

Fonte: Dados da pesquisa.

Relativamente ao item “Esta iniciativa não permitiu melhorar as minhas condições de vida” (gráfico 9), 61,5% das

respostas são discordantes/plenamente discordantes da afir- mação, deduzindo-se que os educandos-adultos percecionam um aumento qualitativo em diversas áreas da sua vida.

Fonte: Dados da pesquisa.

O item “Melhorei a autoestima e o desenvolvimento pessoal” (gráfico 10) obteve 92,3% de respostas de concor-

dância, permitindo perceber que há um claro aumento de confiança, em relação a si próprio. Este resultado converge com outros estudos que referem o impacto a nível psicoló- gico e um efeito potenciador de valorização e satisfação pes- soal (COUCEIRO, 2002, DGFV, 2004).

Gráfico 10 – Autoestima e desenvolvimento pessoal

Fonte: Dados da pesquisa.

Como é evidenciado no gráfico 11, o item “Esta ini- ciativa não é flexível”, respeitante à organização das modali-

dades dos cursos de formação, 69,2% dos inquiridos discor- dam/discordam plenamente, entendendo, pelo contrário, que todo o processo estruturante é maleável ao longo do percurso.

Fonte: Dados da pesquisa.

No que respeita ao item “É um processo facilitista, porque rapidamente obtenho a certificação com pouco esfor- ço” (gráfico 12), as respostas tendem para o discordo/dis-

cordo plenamente 51,8%, enquanto as respostas concordo/ concordo plenamente chegam a 37%. O resultado obtido pelo nível de concordância evidencia que se mantêm per- ceções de menos esforço e de pouco empenho associadas a estas modalidades formativas quando comparadas com o ensino formal.

Gráfico 12 - Facilitismo

Fonte: Dados da pesquisa.

Fonte: Dados da pesquisa.

Gráfico 14 – Clareza da informação obtida

Fonte: Dados da pesquisa.

O grau de satisfação com o processo de RVCC (grá- fico 13), tem 85,1% de respostas concordo/concordo plena- mente. E, no gráfico 14, em que se pretende aferir da clare- za da informação, os inquiridos afirmam maioritariamente (88,8%) que a informação proporcionada e/ou obtida é sis- tematizada e, portanto, bem compreendida.

Fonte: Dados da pesquisa.

Gráfico 16 – Adequação dos esclarecimentos

Fonte: Dados da pesquisa.

O mesmo se verifica quanto à importância dos escla- recimentos prestados (gráfico 15), no qual a mesma percen- tagem (88,8%) é obtida em concorda/concorda plenamente. Acresce a perceção positiva sobre a adequação dos esclare- cimentos dados, 88,8% de concordâncias (gráfico 16).

Contudo, da análise do item “A informação fornecida, durante o processo, foi excessiva para a qualificação obtida”

(gráfico 17), o grau de concordância atinge 29,6% e o de discordância 55,5%, ou seja, embora a informação prestada seja clara e os esclarecimentos dados sejam considerados importantes, uma parte significativa dos inquiridos per- ceciona, não obstante, que há um excesso de informação. Julgamos que este resultado sugere a necessidade de uma pesquisa posterior mais fina. De assinalar que este resulta- do aponta pistas que contrariam a perceção de facilitismo associada a esta modalidade (gráfico 12).

Gráfico 17 – Demasiada informação

Fonte: Dados da pesquisa.

Verifica-se pelos resultados apresentados nos grá- ficos 18 e 19 referentes à disponibilidade da equipa, bem como à satisfação face ao acompanhamento ao longo do processo, que 92,5% dos inquiridos concordam/concordam plenamente com estes itens. Assim, decorre desta análise

que o apoio a caminhos, percursos e estratégias persona- lizados, com acompanhamento durante todo o processo e construção do portefólio dos educandos-adultos, é percecio- nado como uma mais-valia diferenciadora desta oferta de EFA relativamente ao ensino regular.

Gráfico 18 – Disponibilidade da equipa técnica

Fonte: Dados da pesquisa.

Fonte: Dados da pesquisa.

No que concerne ao grau de exigência (gráfico 20), 59,2% concordam/concordam plenamente com o item “O grau de exigência é elevado”, obtendo-se 33,3%, para o dis-

cordo/discordo plenamente. Será importante apurar melhor, em estudos futuros, possíveis correlações entre a perceção sobre o elevado grau de exigência e a perceção do facilitismo (gráfico 12) inerente ao processo.

Gráfico 20 – Exigência

Fonte: Dados da pesquisa.

Pela evidência demonstrada no gráfico 21, compro- va-se a importância atribuída pelos educandos-adultos ao portefólio enquanto instrumento adequado ao RAE, aten- dendo a que a opção concordo/concordo plenamente obtive- re 92,6% das respostas.

Fonte: Dados da pesquisa.

Conforme o gráfico 22, 77,7% dos inquiridos con- sideram que as competências adquiridas em contexto de formação complementar no processo RVCC são importan- tes para melhorar o nível de empregabilidade. Quanto à va- lorização social (gráfico 23), 92,6% dos educandos-adultos concordam/concordam plenamente que o reconhecimento de competências adquiridas concorre para um aumento da proficiência social.

Gráfico 22 – Competências e empregabilidade

Fonte: Dados da pesquisa.

Fonte: Dados da pesquisa.

No que respeita ao reconhecimento pela entidade patronal da qualificação obtida (gráfico 24), 81,4% dos inqui- ridos concordam/concordam plenamente, pelo que conside- ram que as entidades empregadoras aceitam e reconhecem a certificação proporcionada por esta via sem discriminação face à certificação por via do ensino regular.

No que concerne ao reconhecimento pelos colegas, o nível de concordância baixa para 51,8%, de acordo com a percentagem de respostas obtidas (gráfico 25). Este resulta- do também necessita de maior exploração futura.

Gráfico 24 – Reconhecimento pelo empregador da qualificação obtida pelo RVCC

Fonte: Dados da pesquisa.

Fonte: Dados da pesquisa.

Já quanto à melhoria das condições financeiras (gráfico 26), verifica-se que 48,1% dos inquiridos concor- dam/concordam plenamente, enquanto 11,1% discordam/ discordam plenamente, ou seja, uma parte dos educandos- -adultos perceciona que há ou haverá melhoria das condi- ções económicas através da certificação proporcionada por esta modalidade de EFA. No entanto, da percentagem obtida nas respostas “não sei/não respondo”, 40,7%, depreende-se

que uma percentagem significativa dos inquiridos tem dúvi- das relativamente a essa alteração.

Gráfico 26 – Obtenção de maior rendimento

Fonte: Dados da pesquisa.

O gráfico 27 ilustra o nível de concordância, 51,8%, quanto ao item “Esta qualificação permitiu participar mais nas decisões profissionais”. Bastante significativa é, tam-

bém, a percentagem obtida no nível “não sei/não respondo”, 29,6%, relativamente ao mesmo item. Este resultado poderá,

no entanto, advir do facto de uma parte dos educandos-a- dultos ainda não ter concluído a formação.

Fonte: Dados da pesquisa.

Quando questionados se, em caso de desemprego, esta certificação facilitaria na obtenção de emprego (gráfi- co 28), 55,5% concordam/concordam plenamente, pelo que se depreende que a maioria dos educandos-adultos entende esta certificação como uma mais-valia em termos profissio- nais, confirmando a perceção da relação entre qualificação e acessibilidade ao mercado de trabalho.

Gráfico 28 – Certificação e facilidade na obtenção de emprego

Fonte: Dados da pesquisa.

No item “A organização das sessões permite a concilia- ção das minhas tarefas profissionais e familiares”, as respostas

concordo/concordo plenamente atingem 48,1% (gráfico 29), isto é, a maioria dos educandos-adultos entende que as sessões são programadas respeitando tanto o tempo profissional como o tempo familiar. Contudo, a percentagem expressa no nível

não sei/não respondo, 29,6% é substancialmente considerá-

vel, pelo que importará aferir mais sobre o significado deste silêncio.

Gráfico 29 - Conciliação

Fonte: Dados da pesquisa. Gráfico 30 – Utilidade do conhecimento

Fonte: Dados da pesquisa.

Quanto à utilidade dos novos conhecimentos, even- tualmente adquiridos no processo de RVCC, na vida quo- tidiana (gráfico 30), 51,8% dos inquiridos consideram que o processo RVCC proporciona novos saberes transversais relevantes e profícuos na vida do dia a dia, complementando as competências que os educandos-adultos já tinham.

CONSIDERAÇÕES FINAIS – RUMOS,DILEMAS E