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Managing Norway’s Neutrality

In document The Neutral Enemy? (sider 99-108)

O programa de intervenção constituiu o principal instrumento para a realização deste estudo e, simultaneamente serviu de base para o estabelecimento dos principais objetivos, questão e principais hipóteses que o mesmo implicou. A sua origem deveu-se essencialmente a três fatores inter-relacionados: a motivação do autor advinda da sua experiência pessoal e clínica com a população idosa;29 o levantamento de necessidades junto das instituições; e, por fim, as

28 No que respeita aos protocolos, torna-se necessário fazer-se uma explicação preliminar que se encontra detalhada no Anexo C.

29 Relativamente à motivação do autor, o contacto durante cerca de 24 anos junto da população idosa potenciou o seu interesse em investigar formas de

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pesquisas bibliográficas. Apesar da experiência e motivação do autor, houve o cuidado de ser realizado um levantamento de necessidades junto das US e dos CD, de forma a verificar qual o tipo de intervenções mais apropriado e que permitisse um trabalho sinérgico com os utentes destas instituições. Deste levantamento emergiram três situações pertinentes para além das necessidades relacionadas com o BE: a necessidade de criar mais informação e formação para os seniores relativamente aos problemas associados ao envelhecimento cognitivo, por parte das US; a necessidade de fomentar maior apoio junto dos utentes dos CD nesse domínio, por parte destas instituições; e, criar uma sinergia comunitária para apoiar os CD a desenvolver formas concretas de intervir na estimulação e treino cognitivo.

Por outro lado, foi efetuada uma extensa revisão de literatura acerca destas temáticas, através da qual foram corroboradas este tipo de problemáticas, bem como a urgência em resolvê-las, tendo em conta o contexto crescente de envelhecimento populacional atual.

Com base nestas diretrizes foi desenvolvido um programa que pudesse contribuir para superar todas as dificuldades transmitidas simultaneamente e que, por esse motivo, englobou uma vertente de intervenção (para os utentes dos CD), uma de formação (para os alunos das US) e que ao mesmo tempo procurou conciliar o trabalho sinérgico entre elementos que, apesar de pertencerem a uma mesma população e comunidade, apresentam características e papéis diferenciados entre si. Este último aspeto, ou seja, envolver seniores mais jovens e autónomos, após a aquisição de novos conhecimentos, a intervir e auxiliar seniores mais velhos e com carências, constituiu uma metodologia inovadora e que, de acordo com a literatura consultada através dos motores de busca disponíveis (e.g. B-on e EBSCO), até à execução do projeto, se traduziu num programa pioneiro.

No que respeita à estrutura das intervenções, foi criado um programa que contempla oito módulos, sendo cada um composto por duas sessões semanais. Cada sessão prevê uma duração aproximada de 1h20m, repartida em dois momentos de duração distinta. O primeiro tem uma maior extensão (+- 50 minutos) e é reservado aos exercícios de TC, realizados numa dinâmica de pares (P/Agente - P/Alvo). O segundo momento, de duração mais curta, é reservado a atividades de EC, concretizadas numa dinâmica de par ou entre pares e o plano das sessões foi desenvolvido com base na experiência do autor (Anexo F). O conjunto de tarefas de EC e de TC foi desenhado para indivíduos com DCL e estados demenciais iniciais, permitindo alguma flexibilidade e possibilidade de extensão de aplicação a diferentes sujeitos, conciliando a prática de exercícios standard para os domínios cognitivos, bem como tarefas mais gerais e menos

típicas do envelhecimento. Este contacto ao longo do tempo consistiu na realização de trabalho voluntário junto de diferentes instituições seniores e também no trabalho de intervenção comunitária e clínico desenvolvido, mais recentemente, no âmbito do DCL e demências.

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estruturadas, que no seu conjunto visam promover o funcionamento cognitivo e social. De facto, o conjunto de atividades selecionadas para este programa, não foi orientado para as necessidades de cada indivíduo per se como acontece na RC, mais indicada para estados demenciais mais avançados (e.g. Clare & Woods, 2004; Tardif & Simard, 2011)

Assim, se cada sessão for individualmente considerada, é possível verificar que nela não são trabalhados todos os diferentes domínios cognitivos e que, além disso, a ordem do tipo de exercícios está organizada de forma variada, articulando diferentes funções cognitivas. Em contrapartida, se for tido em consideração o conjunto de exercícios das duas sessões que compõem cada módulo, é possível constatar que cada um deles abrange todos os principais domínios cognitivos, como é o caso da memória, atenção complexa, funções executivas, domínio percetomotor, linguagem e orientação (APA, 2013; MoCA, 2005).

O conjunto de tarefas de EC foi “decalcado” ora da literatura e das recomendações de especialistas (e.g. jogos de provérbios; comentários de peças de notícias), ora de algumas propostas do próprio autor do programa (e.g. proposta de trocas de relatos de tradições natalícias; pedir aos P/Agentes para pesquisar imagens dos locais da sua infância e do respetivo par para que ambos possam trocar conhecimento entre si); e o conjunto de exercícios de TC foi extraído de um manual para esse efeito (Nunes & Pais, 2014), após o consentimento dos respetivos autores (Anexo G). Cada tipo de exercício prevê versões de dificuldade gradualmente crescentes e não implica a obrigatoriedade do término de cada tarefa, sempre que o P/Alvo demonstre dificuldade ou grau de frustração manifesto. Além disso, a estrutura do programa (e.g., número de sessões, duração das mesmas) alicerçou-se nas conclusões de estudos que se dedicaram à análise de vários tipos de IC (Ballesteros, Kraft et al., 2015; Jean, Bergeron et al., 2010; Sherman et al, 2017; Tardif & Simard, 2011)

Para operacionalizar o funcionamento do conjunto das sessões foi necessário estabelecer os critérios de inclusão para a seleção dos participantes; realizar a vertente formativa para os elementos do par convidados a ser voluntários (Anexo F); fornecer material estacionário (lápis de cor, borracha, etc.); estabelecer normas de funcionamento para a participação e permanência dos pares no programa; fornecer cópias dos planos e das páginas do manual com os exercícios estipulados para cada sessão, bem como um guião geral das sessões (Anexo F). Para além disso, a concretização do programa implicou a constituição de uma equipa de Psicologia para supervisionar o desenrolar das sessões junto dos pares constituídos, e ainda o estabelecimento de um momento de intervisão entre os mesmos. Relativamente à constituição da equipa de Psicologia e ao seu papel de supervisão, foi estipulada a regra da presença de um elemento para cada local de intervenção. A presença de um elemento da equipa justifica-se pela dupla função

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que esta deve desempenhar, ou seja, supervisionar o desenrolar das sessões para manter uma uniformidade de execução do programa, coordenando e apoiando as dinâmicas que os pares desenvolvem sem interferir na sua autonomia e, ao mesmo tempo, servir de garante do respeito pelo bom funcionamento do programa junto das instituições.

De forma a cumprir estas atribuições, o programa prevê que cada elemento é chamado a fazer uma breve reunião de 10, 15 minutos com o conjunto de P/Agentes antes das sessões para rever o plano de atividades e alguns exemplos e, ainda, a permanecer no local durante cerca de 50 minutos para averiguar possíveis casos de dificuldade. O facto de não estar sempre presente no desenrolar das sessões visa promover o empowerment dos P/Agentes. Isto porque estes já terão passado pelo processo formativo teórico-prático, requerendo apenas eventuais orientações breves. Também cabia ao elemento da equipa fazer sempre a ressalva que perante alguma tarefa que o par não consiga realizar, o mesmo deve prosseguir com as restantes e deixar a dúvida para um momento posterior onde o supervisor possa estar presente.

O programa também contempla um momento de intervisão semanal entre os elementos da equipa para que os mesmos, antes das sessões semanais, possam rever os planos e as eventuais dificuldades que a crescente complexificação das tarefas possam desencadear, antecipando-se às eventuais dúvidas dos P/Agentes. Esta reunião semanal tem o intuito de poder uniformizar a ação da equipa junto de todos os locais de intervenção.

Quanto aos critérios de seleção (já descritos), foram criados atendendo às características de cada tipo de participante e aos respetivos papéis que viriam a desempenhar.

No que se refere ao funcionamento dos pares, o programa prevê que, por um lado, a intervenção requeira a manutenção dos mesmos durante todas as sessões até ao momento da avaliação dos seus efeitos e, por outro lado, a necessidade de existir alguma flexibilidade da ordem das sessões para garantir essa manutenção. Isto acontece porque a exequibilidade da intervenção e os efeitos que esta pretende promover, ao contrário de outros programas, baseiam- se num modelo de sessões que implica a realização de uma dinâmica de par, ou seja, os benefícios esperados emergem de uma experiência conjunta dos participantes. Se assim não fosse, e caso seguisse um modelo de ajuda externa, o programa perderia o seu cariz de intervenção comunitária entre pares da população sénior que se interajuda. Além disso, o programa prevê que a exigência da permanência dos pares deve ser acompanhada por alguma flexibilidade, para atender às vicissitudes de saúde inerentes a este tipo de população que podem obrigar a eventuais impedimentos pontuais.

Assim sendo, de modo a garantir a exequibilidade e eficácia da intervenção do programa, foram criadas as seguintes regras: uma vez constituído cada par e tendo a primeira sessão já

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iniciado, este deve ser mantido até ao fim; existem quatro possibilidades de ausência para os elementos do par em conjunto; sempre que haja uma ausência de um dos participantes, o par deve prosseguir no outro dia com a sessão estipulada para esse dia e deixar a sessão em atraso para ser realizada, posteriormente, nas duas semanas de substituição previstas após o término dos módulos; sempre que um elemento tenha ou queira abandonar o programa (APA, 2010), o respetivo par deve ser retirado da intervenção e esperar pelo início de um novo programa, à exceção de uma situação específica que consiste no abandono que ocorre no momento final da última sessão. Nestes casos, o abandono de um elemento não coloca em causa a avaliação do respetivo par, pois não inviabiliza uma avaliação da experiência conjunta já concluída.

A flexibilidade de poder adiar a realização de uma a quatro sessões para um período suplementar às datas previstas não interfere com os efeitos que a intervenção no seu conjunto total pretende obter, na medida em que cada sessão tem uma estrutura que, conforme já foi referido, não deve ser considerada individualmente mas no conjunto das sessões.

Por fim, para operacionalizar a intervenção, o programa inclui uma vertente formativa para os elementos dos pares agentes da mesma e que nessa qualidade são chamados a uma responsabilidade acrescida. Por esse motivo, este tipo de participantes precisam de ser dotados de conhecimentos. Para tal, foi criada uma ação formativa teórico-prática, com conteúdos organizados em quatro módulos, cujos capítulos seguem uma ordenação temática contínua. À exceção dos exercícios práticos, toda a transmissão do conteúdo teórico está prevista para ser ministrado com recurso à apresentação de diapositivos (Anexo F). Quanto à duração da formação do programa, a mesma está prevista para duas sessões de quatro horas contemplando momentos de pausa: três momentos letivos com cerca de 70 minutos intervalados com pausas de 20 minutos, devendo cada sessão ser realizada em dias diferentes. Relativamente ao formador, este foi o próprio autor deste estudo e do programa de intervenção, incluindo a vertente formativa.

Quanto à componente teórica, o conjunto dos conteúdos versa sobre diferentes assuntos: organização anátomo-funcional do sistema nervoso; envelhecimento e as suas consequências; DCL; demências; avaliação neuropsicológica e outras ferramentas para realizar um diagnóstico diferencial; intervenção psicológica nos quadros de DCL e de estados demenciais; importância das atividades de integração social (Anexo F). A conjugação destes temas procura suscitar a reunião de informação para que os P/Agentes possam compreender o que é que acontece cognitivamente aos indivíduos perante os diferentes cenários de perda cognitiva e o que é que pode ser feito para prevenir e minorar a sua progressão.

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Relativamente à componente prática da formação esta consiste no fornecimento de informação a respeito do funcionamento das sessões de intervenção, como por exemplo, o tipo de material utilizado, o papel de apoio da equipa de Psicologia às sessões, as recomendações e, ainda, informação sobre eventuais questões que os P/Alvo possam vir a colocar. Toda esta informação mais dirigida às dinâmicas das sessões, foi ainda ministrada através de diapositivos. Depois disso, esta vertente inclui a exposição de um plano de sessões e de vários exercícios exemplificativos para que os P/Agentes possam contactar e realizar exercícios de role-play com os mesmos. Nesses role-plays está também previsto trabalhar os possíveis cenários de dúvidas dos P/Alvo (Anexo F).

O plano de sessões e a ação formativa foram dados a conhecer a dois peritos, pedindo os seus pareceres, os quais foram autorizados a ser referidos neste estudo (Anexo H). Após a obtenção de aval na peritagem, o programa foi submetido a um registo público de autoria.

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