• No results found

The Cost of Escaping

In document The Neutral Enemy? (sider 78-82)

bottom-up.

De acordo com o conceito de EA, a noção de atividade é ampla, integrando tanto atividades não produtivas (e.g. espirituais) como produtivas, sendo que estas não devem ter um entendimento limitado às atividades laborais ou remuneradas. Além disso, a concretização do EA passa pela conjugação de esforços de vários atores sociais, incluindo os próprios seniores (de são José & Teixeira, 2014; Walker 2015; WHO, 2002). Dois bons exemplos de iniciativas de tipo bottom-up respeitantes a atividades produtivas de cariz social são as atividades educativas proporcionadas pelas universidades seniores (US) e o voluntariado.

Tendo por base a dimensão sociocultural do envelhecimento e que a ação educativa não deve ser limitada a nenhuma etapa da vida em específico, o movimento comummente designado por US surge na Europa a partir dos anos 70 como uma resposta socioeducativa às necessidades e aos interesses das populações seniores (Cachioni, 2012; Carvalho & da Silva, 2015; Gil, 2015; Loureiro, 2011; Pocinho, Lacerda & Santos,2015; Puşcaşu, 2015).

Em Portugal, o movimento das US inicia-se em 1976 ganhando gradualmente maior expansão e reconhecimento político. Atualmente a sua rede já se encontra disseminada por todo o território e o seu número ultrapassa as 230. Grande parte das US são associações sem fins lucrativos, enquanto outras resultam como respostas autárquicas ou dependem de IPSS (Carvalho & da Silva, 2015; Jacob, 2012; Pocinho et al., 2015).

As US constituem assim um dos bons exemplos de organização civil a nível do EA. Para além de procurarem fomentar a aprendizagem ao longo da vida, elas também possuem outros objetivos como proporcionar espaços de lazer e convívio, iniciativas e projetos de participação cívica, nas quais se incluem as ações de voluntariado. A prossecução de todos estes objetivos tem como fim último a promoção da saúde, a QV, o BE, o desenvolvimento pessoal, inclusive, para tornarem-se cidadãos mais ativos e úteis nas comunidades (Carvalho & da Silva, 2015; Jacob, 2012; Mackowicz & Wnek-Gozdek, 2016; Pocinho et al., 2015). Um estudo levado a cabo por Cachioni et al. (2014) veio recentemente reforçar que as finalidades supracitadas

35

correspondem na sua generalidade às motivações que levam a procura deste tipo de respostas socioeducativas. Noutro estudo mais recente, foi verificado que uma maior frequência nas US e por conseguinte, mais tempo de contacto com uma aprendizagem contínua, contribuiu para melhores níveis de BES e BEP (Cachioni et al., 2017).

Outra atividade considerada socialmente produtiva de tipo bottom-up é o voluntariado (de São José & Teixeira, 2014; Walker, 2015; WHO, 2002). O voluntariado traduz-se no desejo de doação altruística por parte do voluntário dos seus recursos (e.g. de tempo) e competências para o benefício de outras pessoas, grupos, comunidade ou causas. Pode concretizar-se através de diferentes formas e tipo de ações e, ao contrário de ajudas espontâneas ou informais em prol de familiares, amigos ou estranhos, o voluntariado, normalmente, relaciona-se com um compromisso proactivo livre, tendo em vista objetivos e práticas determinadas que, para além de trazer benefícios para aqueles que recebem ajuda diminuindo assim as desigualdades sociais, também acarreta aportes positivos para o próprio voluntário: o aumento da rede de contatos e da integração social; a descentração dos próprios problemas; um maior contacto com emoções positivas, atividades satisfatórias e um estilo de vida mais ativo e saudável. Acresce que o voluntariado tende a traduzir-se numa atividade recompensadora por estar associada ao serviço dos outros e ao reconhecimento social. Em virtude disto, potencia o aumento da autoestima e uma autoperceção de maior eficácia, competência e pertença comunitária, contribuindo assim, para uma maior sentido de autovalorizarão e propósito existencial que, por via de outro tipo de atividades sociais como hobbies ou atividades de prestação de auxílio com um caráter mais obrigatório (e.g. cuidadores), por vezes não é tão bem conseguido (Choi, Stewart, & Dewey, 2013;Jenkinson et al., 2013; McMunn, Nazroo, Wahrendorf, Breeze, & Zaninotto, 2009; Piliavin & Siegl, 2007; Post, 2005; Principi, Schippers, Naegele; Di Rosa, & Lamura, 2016; UN, 2011; 2015b; Wilson, 2000; 2012).

Nesse sentido, muitos estudos com seniores têm vindo a relacionar a prática regular moderada do voluntariado com vários tipos de benefícios, nomeadamente, a realização de novas aprendizagens, melhores níveis de saúde física, mental e cognitiva, BES, bem-estar psicológico (BEP), redução do risco de depressão e, inclusive, o aumento da longevidade (Anderson et al., 2014; Carr, Kail, & Rowe, 2018; Chen, 2016; Guiney & Machado, 2018; Jenkinson et al., 2013; Kahana, Bhatta, Lovegreen, Kahana, & Midlarsky, 2013; McMunn et al., 2009; Mundaca & Gutiérrez, 2014; Piliavin & Siegl, 2007; Pilkington, Windsor, & Crisp, 2012; Stukas, Hoye, Nicholson, Brown, & Aisbett, 2016; Tabassum, Mohan, Smith, 2016; Windsor, Anstey, & Rodgers, 2008). Em contrapartida, e apesar de corresponder a um comportamento pró-social, a relação entre o voluntariado e o florescimento é ainda pouco estudada e, sobretudo, dirigida a

36

camadas mais jovens (Nelson, Layous, Cole, & Lyubomirsky, 2016), provavelmente por se tratar de um constructo recente (Momtaz, Hamid, Haron, & Bagat, 2016; Araújo et al., 2017). Considerando as vantagens pessoais dos próprios voluntários e os benefícios sociais, o voluntariado deve ser apoiado e incentivado a vários níveis (e.g. político, legislativo, científico), incluindo o formativo, para se tornar uma intervenção de saúde pública difundida que possa envolver também pessoas em circunstâncias mais propensas a situações de exclusão social, como por exemplo, indivíduos com baixos rendimentos, pouca escolaridade ou com idade avançada (Carr et al., 2018; Carvalho & Sampaio, 2017; Hong & Morrow-Howell, 2013; Jenkinson et al., 2013; Pettigrew, Jongenelis, Newton, Warburton, & Jackson, 2015; Principi t al., 2016; Tabassum et al., 2016; UN, 2011; 2015b). Um estudo recente levado cabo por Steunenberg, van der Mast, Strijbos, Inouye e Schuurmans (2016), revela que o treino dos voluntários num contexto hospitalar para as ações diretas supervisionadas com os pacientes (e.g. EC), com os familiares e no suporte aos técnicos de saúde, melhorou a qualidade do serviço prestado, contribuiu para a redução de custos e para que todos os intervenientes neste processo percecionassem mais-valias no contributo das ações de voluntariado: aliviar as dificuldades de intervenção dos técnicos e auxiliar o processo de monitorização, criar um elo de comunicação mais acessível com os pacientes, contribuir para diminuir o sentimento de solidão dos mesmos. Por parte dos voluntários, este tipo de dinâmicas favoreceu a sua satisfação com o trabalho, sentindo um maior empowerment, reforçado pelo reconhecimento do seu contributo e pelo contato com sentimentos de gratidão.

In document The Neutral Enemy? (sider 78-82)