3.6 Assessment
3.6.2 Exploratory assessment
O período de observação participante foi o primeiro contacto com a escola e mais concretamente com a sala de aula, campo onde foi desenvolvido a intervenção. Este tempo inicial de observação do espaço físico, das relações entre os alunos,
professores e funcionários da instituição é um tempo de aprendizagem fundamental para quem começa a “entrar” na profissão.
Neste período, fase de aproximação com a realidade, o diagnóstico foi fundamental e requereu um olhar cuidadoso, cujo “diagnóstico consiste no levantamento de dados e informações para se ter uma visão de conjunto das necessidades e problemas da escola e facilitar a escolha de alternativas de solução.” (Libâneo, 2004, p. 178).
Ao longo da observação participante verificou-se que a turma apresenta muitas dificuldades, sobretudo na área da Língua Portuguesa, que me parecem advir do ano transato. O comportamento dos alunos também parece-me um fator relevante, que interfere na aprendizagem dos mesmos, uma vez que a maioria não respeita a professora, estão em constante burburinho, circulam frequentemente pela sala, conversando com os colegas, isto é, não respeitam as regras de sala de aula. Por outro lado, penso que a postura da professora tem alguma influência nos seus comportamentos, na medida em que o autoritarismo presente leva a esta indisciplina, pois os alunos não têm verdadeiras oportunidades para se desenvolverem cognitivamente. Esta prática não permite que se estabeleça relações entre a experiência vivida com os conteúdos escolares, o que impede a construção do conhecimento de forma significativa. Logo, o professor não deve ser uma figura autoritária, mas um ser amigo, compreensivo e companheiro no processo de construção do conhecimento.
O método de trabalho da professora assenta numa pedagogia transmissiva, em que as aulas são na maioria expositivas e os alunos têm poucas oportunidades de participar e não são estimulados a pensar e a raciocinar, não havendo, deste modo, uma preocupação individual em relação à forma como cada aluno interpreta a informação. De facto, quando um professor não se importa com a realidade do aluno, este tem uma maior dificuldade em aprender e a comunicar. Parece-me então que neste método, devido à própria forma como são transmitidos os conteúdos, os alunos aprendem sobretudo através da memorização adquirindo competências puramente mecânicas e repetitivas, que à luz da minha experiência não é o método mais eficaz para o desenvolvimento de competências. Nesta perspetiva, considera-se que os alunos aprendem com desafios, motivação, entusiasmo e como a motivação, nesta turma, é quase inexistente, traduz-se em desinteresse por parte da maioria. Logo, se os alunos tivessem mais oportunidades de participar nas atividades, o seu comportamento poderia ser alterado.
Nesta linha de ideias, Pilão (1998) destaca a importância da participação do aluno, elucidando que este não pode ter uma atitude passiva, com a simples ação de anotar, memorizar e reproduzir o conhecimento sem o questionar. Por conseguinte, é importante estimular os alunos a participarem e a construírem o seu próprio conhecimento, permitindo que cada um dê a sua opinião e que possam discutir entre si. A mesma autora menciona ainda que o professor não pode ser apenas um mero transmissor de conteúdos, coletando a reprodução exata do saber transferido, porque enfatiza que a aprendizagem exige participação ativa dos sujeitos que interagem. Neste sentido, parece-me que a relação que o professor mantém com o aluno é fundamental e pode estabelecer posicionamentos pessoais em relação à metodologia, à avaliação e aos conteúdos. Uma relação positiva entre ambos possibilitará uma maior aprendizagem.
Durante este período, analisei muitas situações, nomeadamente o comportamento dos alunos, a postura da professora, a abordagem dos conteúdos e verificava que muitas das atitudes da professora não estavam a ter um retorno positivo, como o caso da gestão do comportamento e da forma como lida com a indisciplina. É verdade que a turma é problemática, mas acredito que com estimulação e motivação pode-se contornar alguns dos problemas da turma. Acredito ainda que pode-se atenuar as crenças que a professora cooperante transmite, nomeadamente, ao encarar as crianças como tábuas rasas e incentivar a competição, estimulando e dirigindo discretamente o processo de aprendizagem. É neste campo que gostaria de construir a minha identidade profissional, que se aproxima da minha identidade pessoal, cuja motivação, criatividade, metacognição, competências cognitivas e a autonomia devem ser tidas em conta na consecução do processo de ensino/aprendizagem. Nesta perspetiva, a identidade do profissional não é algo estático mas sim “um dado mutável, dinâmico, não é externo de tal forma que possa ser adquirido e emerge de um contexto histórico como resposta às necessidades postas pelas sociedades, adquirindo estatuto de legalidade.” (Pimenta, 1999, p. 18). Nóvoa (1992) salienta que a identidade do professor não é uma propriedade, um produto em si, palpável e mensurado, mas é como um local de lutas e conflitos, como uma conquista de um espaço, do qual a construção o conduz a ser e estar na profissão.
Diante disto, cabe ao professor fazer uso da sensibilidade para que haja flexibilidade e oportunidade para tornar os alunos mais responsáveis e conscientes das suas aprendizagens e para proporcionar a aprendizagem dos alunos é crucial desenvolver-se continuamente, isto significa observar a própria trajetória profissional,
Quadro 8. Questões e Objetivos da investigação-ação no 1.º CEB.
compreender falhas, ter consciência do que ainda falta aprender e assumir que se pode ser melhor a cada dia.
No decorrer deste período de observação participante foi-nos possível indagar algumas problemáticas presentes neste contexto, que resultaram também da análise documental, presente na contextualização da prática pedagógica anteriormente exposta, da entrevista não estruturada à professora cooperante e do levantamento de dados. Desta recolha de informações, identificou-se as principais problemáticas, ou seja, questões emergentes da observação e da prática, para as quais foi efetuado um conjunto de objetivos de investigação-ação, onde delineou-se algumas atividades/estratégias (Quadro 8), a fim de se verificar as que pudessem atenuar e colmatar estes problemas.
Questões - Principais
Problemáticas Objetivos - Atividades/Estratégias a implementar
Dificuldades de Aprendizagem; Pedagogia Transmissiva; Gestão de Comportamento – Indisciplina; Desmotivação; Ausência de aprendizagem ativa; Ausência de participação.
Estratégias de motivação e manutenção do interesse, como: -monitorizar o trabalho pela observação;
-estimular o interesse dos alunos, solicitando a sua participação, solicitando-os ao quadro, colocando questões, oferecendo tarefas de forma a responsabilizá-los e mantê-los interessados;
-variar as estratégias de ensino/aprendizagem: atividades experimentais, material audiovisual, atividades lúdicas, jogos pedagógicos, materiais apelativos e manipuláveis, trabalhos de pesquisa, entre outros.
-adequar as atividades aos conteúdos e também aos conhecimentos, interesses e nível etário dos alunos.
Estratégias para manter um ritmo adequado de aula, ou seja, um ritmo dinâmico que evite abrandamentos no fluir das atividades, mas com transições suaves.
Trabalho de grupo/cooperativo, incentivando a colaboração. Quadro das Conquistas.
Promover uma aprendizagem ativa. Quadro das Tarefas.
Estratégias que permitem estabelecer relações interpessoais positivas, em que deve-se ter disponibilidade para ouvir os alunos, ser afetuosa, empática, inspirar confiança, respeitá-los, isto é, confiar neles e não os humilhar.
Estimular a autonomia, num ambiente pautado pelo respeito e pela negociação das normas, onde aprende-se a tomar decisões responsáveis.
Neste sentido, pretende-se atender a um conjunto de práticas essenciais, que enfatize uma pedagogia ativa, negando, de certo modo, a visão tradicional do ensino. Por conseguinte, as práticas contextuais disponibilizadas foram executadas de uma
forma cuidadosa de modo a não ferir suscetibilidades, com a introdução de alguns momentos que contrariavam esta metodologia de forma gradual. Como tal, a nossa intervenção abriga a dinâmica de uma aprendizagem ativa, estimulando a participação ativa e responsável dos alunos, a cooperação e o trabalho em grupo, a ampliação de conhecimentos e da capacidade crítica. Logo, assumimos um papel de mediadoras no processo de ensino, desenvolvendo competências quanto à programação, orientação, organização e exploração de recursos, com vista a auxiliar os alunos a relacionar os seus conhecimentos anteriores com os novos (Lebrun, 2008).