Trabalhando a Expressão Plástica
No âmbito da abordagem da estação do ano, o outono, a turma teve a oportunidade de elaborar um álbum – álbum divertido. Para a construção do mesmo, os alunos tiveram à sua disposição várias folhas secas e outros materiais, que aliadas à autonomia e à criatividade de cada aluno, realizaram-se vários desenhos divertidos (Figura 35).
O desenvolvimento deste álbum, com um caráter assente na expressão plástica, teve em conta o recomendado pelo Ministério da Educação (2004), em que as crianças precisam de “explorar, sensorialmente, diferentes materiais e objectos, (…) O carácter
Figura 36. Álbum – OUTONO elaborado pelas crianças.
lúdico, geralmente associado a estas actividades, garante o gosto e o empenho dos alunos na resolução de problemas com que são confrontados” (p. 90). Nesta perspetiva, constatou-se que os alunos, através da manipulação e da experiência dos diferentes materiais e descobertas sensoriais, foram capazes de se expressarem livremente e representarem a realidade. Assim sendo, considera-se que a exploração livre dos meios de expressão gráfica e plástica, além de contribuir para estimular a imaginação e a criatividade dos alunos, permite, de igual forma, o desenvolvimento da destreza manual e a descoberta e organização progressiva de volumes e superfícies (Ministério da Educação, 2004). “A manipulação e experiência com os materiais, com as formas e com as cores permite que, a partir de descobertas sensoriais, as crianças desenvolvam formas pessoais de expressar o seu mundo interior e de representar a realidade.” (Ministério da Educação, 2004, p. 89).
Por fim, e na sequência desta atividade emergiram produções muito criativas e com um enorme sentido estético (Figura 36).
Trabalhando a Expressão Dramática
A expressão dramática é uma área curricular onde se privilegia a educação artística, uma vez que reúne a dimensão plástica, sonora e do movimento. Esta área é desenvolvida a partir de experiências individuais e proporciona a aquisição de novos
Figura 37. Teatro de fantoches – Pão por Deus.
conhecimentos por meio de conteúdos dramáticos, facultando a oportunidade de ampliar a experiência de vida (Ministério da Educação, 2001).
Na abordagem do Pão-por-Deus, os alunos foram convidados a visualizar um teatro de fantoches relativamente a este tema, como forma de os consciencializar para a importância desta época festiva, mas também para tomarem conhecimento da sua tradição e costumes (Figura 37).
Relativamente ao momento da dramatização, os alunos foram incentivados numa primeira fase a interpretar a história, onde foi colocado várias questões relacionadas com o que visualizaram, de modo a identificar a compreensão dos alunos, estabelecendo com os mesmos uma conversa acerca do Pão-por-Deus, em que estes mencionaram os frutos caraterísticos desta época e a importância do significado deste dia, assim como o que habitualmente se fazia e como surgiu.
Posteriormente, os alunos foram convidados a manipular os fantoches, sendo que os mesmos ficaram muito agitados e queriam todos participar (Figura 38). A este respeito, Pato (2001) indica que a motivação dos alunos na atividade é catalisadora do seu interesse e, deste modo, é benéfico à sua predisposição para trabalharem empenhadamente no trabalho. Por outro lado, este momento, além de ter sido muito positivo, gerou alguma agitação entre os alunos, na qual Pato (2001) elucida que, devido ao empenho e entusiasmo coletivo, os alunos tendem a levantarem a voz, cabendo ao professor observar e auxiliar as suas ações.
Figura 38. Exploração dos fantoches pelos alunos.
Durante a exploração dos fantoches verifiquei o quanto os alunos por meio da brincadeira, do faz-de-conta e da observação do seu meio, exploraram o mundo através do jogo de papéis, para não só entendê-lo melhor, mas também conhecer-se com mais intimidade. Para Piaget, citado por Pulaski, (1993), o jogo de papéis é uma forma de expressão e comunicação de si próprio partilhada ou não com os outros, com os objetos e com o meio, em que a criança atua no mundo imaginativo, pois não consegue expressar em palavras o que pensa da sua relação entre a realidade e o simbolismo desta realidade. Este processo permitiu, de certo modo, uma liberdade de expressão que habitualmente não existe na sala de aula e, de igual modo, permite trabalhar o papel da imaginação que se coloca em estreita relação com a atividade criadora do aluno, pois na expressão, ele representa e produz com agilidade aquilo que viu ou que lhe contaram.
De uma forma geral, os alunos foram capazes de desempenhar facilmente diversos papéis e conseguiram recriar situações do quotidiano e explorar diversas possibilidades da voz no jogo sócio-dramático, que envolveu outras crianças. Neste contexto, as práticas dramáticas visaram desenvolver um conjunto de competências, como sejam competências criativas, estéticas, físicas, técnicas, relacionais, culturais e cognitivas. Estas não contemplaram somente os seus saberes específicos, como também a mobilização e a sistematização de saberes oriundos de outras áreas do conhecimento. Logo, o caráter lúdico da dramatização vai ao encontro das competências básicas do ser humano, como a da exteriorização de si no contexto de comunicação e também da procura do prazer na construção da aprendizagem. Pude, desta forma, constatar que a dramatização possibilita a assimilação de experiências e alargar a compreensão do
Figura 39. Acompanhamento da canção com gestos.
mundo, desempenhando um papel importante, mas por vezes desvalorizado, ao longo de todo o processo de crescimento.
A expressão dramática interligou-se, nesta atividade, com a expressão musical, uma vez que a partir da dramatização realizada pelas estudantes estagiárias, os alunos foram solicitados a cantar a música do pão por deus, trabalhada anteriormente na Educação Musical, bem como houve a oportunidade de apresentar uma nova canção, que foi rapidamente interiorizada pelos alunos, em que estes acompanharam-na com gestos, vindo à frente representá-la (Figura 39).
Neste sentido, a expressão musical esteve presente na nossa intervenção pedagógica, em que os alunos demonstraram grande entusiasmo e interesse, participaram de forma ativa nas atividades musicais, conseguindo memorizar as canções, cantar e mimar as músicas e ainda deixavam-se envolver pelo ritmo, criando formas de movimento através da música, no geral. De facto, o gosto pela música é natural nas crianças e é vista como uma linguagem universal e possivelmente o modo de expressão por excelência da espontaneidade. Considera-se que a música, pela sua essência, é um meio para exprimir o que quer que seja. Logo, o professor deve promover com os seus alunos espaços para a Educação Musical, uma vez que a música contribui para a sua formação afetiva, social e intelectual.
Ainda no tema do Pão por Deus, os alunos desenharam o fruto que mais gostam desta época e construíram, em conjunto, alguns acrósticos das respetivas frutas. Por fim, como forma de festejar o Pão por Deus, foi realizado uma salada de fruta, para a qual os alunos trouxeram algumas frutas e deu-se a confeção da salada e a posterior degustação, na sala de aula (Figura 40).
Figura 40. Confeção e degustação da salada de fruta.
Ao longo destas atividades, pretendeu-se que os alunos pudessem desenvolver capacidades de cooperação com os colegas e de participação com empenho, visando o aperfeiçoamento de habilidades, de manipulação correta de materiais e ações mediante o tipo de atividade, investindo na harmonia e fluidez de movimentos, de participação e melhoria das qualidades motoras. Nestas atividades foi importante o relacionamento interpessoal, a responsabilização e autonomia, a promoção de estilos de vida saudáveis e a diferenciação de objetos e atividades para os alunos (Ministério da Educação, 2001).
Em suma, ao longo destas atividades potenciou-se a participação ativa de todos, manifestando empenho, motivação e bem-estar e desenvolvendo não só o seu conhecimento, mas também o seu crescimento enquanto pessoas.
2.3.2.5 Formação Pessoal e Social numa Aprendizagem do Saber Ser e