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CPUE

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2.5 Research vessel surveys

2.5.1 CPUE

Numa sala de aula, conhecer os alunos com quem um professor vai trabalhar é fundamental, pois é a partir deste conhecimento que o docente irá adequar o currículo às emergências do seu contexto. Na verdade, os alunos não são todos iguais, bem como o meio familiar de cada um é muito divergente, ao ponto de existir microculturas dentro da mesma sala de aula, que merecem ser respeitadas e devem ser tidas em consideração. Os ritmos, os saberes e as capacidades dos alunos, na sua maioria, encontram-se em níveis divergentes, pelo que é crucial a compreensão de todas estas situações, para ajustar o ritmo de trabalho ao nível das competências de cada criança. Cada turma possui as suas próprias particularidades, que transpõem as caraterísticas individuais. Como tal, o conhecimento das especificidades gerais da turma é primordial para compreender as interações que aí se estabelecem e adquirir uma visão alargada da mesma.

A turma 2.º D é composta por 23 alunos, com idades compreendidas entre os sete e os oito anos, entre os quais nove são do género feminino e 14 do género masculino. Todos estes alunos já frequentavam a escola no ano transato, sendo que três deles são repetentes. Dos 23 alunos, sete são alunos com Apoio Acrescido, um com problemas de linguagem, quatro com apoio do Ensino Especial, dos quais um possuiu NEE. Este último é acompanhado pela professora especializada e é um aluno com uma grande instabilidade emocional, chorando quando não quer trabalhar, no entanto quando está disposto a trabalhar acompanha muito bem o grupo. Este apresenta ainda problemas de visão.

Pelo que pude apurar são alunos um pouco inseguros e tendem a pensar que o colega do lado sabe mais, em vez de se concentrarem e responderem o que sabem durante as atividades desenvolvidas, copiando, por vezes pelos colegas, o que dificulta a aprendizagem. Alguns alunos, sobretudo os repetentes, demostram pouco interesse nas atividades planeadas. Uma minoria revela uma maior capacidade de aprendizagem, pelo que são capazes de realizar, de forma autónoma e correta, as suas tarefas, assim como são trabalhadores, participativos e interessados, todavia ainda revelam muitos problemas de ortografia.

Na generalidade, os alunos desta turma revelam problemas assentes na carência e na falta de regras sociais e morais, tendo comportamentos e atitudes de rebeldia, pois não assimilaram as regras de convivência e de trabalho. Verificou-se que a turma

demostra imensas dificuldades em cumprir regras, bem como possuem problemas comportamentais, imaturidade e falta de concentração, tornando-se alunos bastante indisciplinados. Estes reconhecem as regras da sala, mas não as respeitam e há a constante necessidade de corrigir atitudes e condutas menos apropriadas. O período mais calmo, em que as crianças apresentam um nível de atenção moderado é nas primeiras duas horas da manhã, decrescendo consideravelmente depois do lanche. Portanto, o comportamento da turma é caraterizado como inconstante, e apesar das suas capacidades, o fator comportamental condiciona, em muito, a sua aprendizagem.

Na turma do 2.º D observa-se níveis diferentes de participação, atenção e interesse pelas atividades desenvolvidas. A maioria dos alunos manifesta efetivamente o seu interesse em participar, contudo o faz de forma desorganizada e pouco refletida. Isto acontece porque ainda não desenvolveram a capacidade de ouvir e agir em conformidade, tornando-se muito impulsivos e reativos. À exceção de um número muito reduzido de crianças, todos transmitem energia e vivacidade, o que facilmente desliza para a brincadeira e consequente distração.

Neste quadro, as situações que requisitam uma preocupação e atenção especial são, principalmente, as dificuldades de concentração da turma em geral, a participação desordenada na sala de aula, os comportamentos desestabilizadores e o ritmo de trabalho, que consequentemente se vão refletindo na qualidade e progressão das aprendizagens. Assim, de forma a respeitar os alunos, quanto aos seus ritmos de aprendizagem, que tem por base os seus interesses, um dos nossos principais objetivos foi apelar à expressão de ideias, à manifestação de opiniões e preferências, que despertassem o sentido de iniciativa.

2.2.5.1 As Famílias

Na contemporaneidade, as famílias continuam a encarar infinitas desigualdades acarretadas pela estratificação social, o que contribui para as desigualdades de oportunidades na educação das crianças, como também pelos aspetos culturais a ela inerentes. Na realidade, “quanto mais rico e variado for o seu mundo familiar, mais oportunidades o aluno tem de adquirir informação relevante e tornar as suas estruturas mentais mais complexas” (Diogo, 1998, p. 62). Neste sentido, uma criança nestas condições tem mais facilidade em aprender, porque a sua cultura poderá estar mais ajustada à da escola. Em contrapartida, uma criança oriunda de meios familiares pobres,

com famílias desestruturadas, tende a estar incluída numa cultura distante à do meio escolar. Logo, torna-se relevante que cada escola possua um conhecimento relativo acerca das famílias dos seus alunos, de modo a adequar o contexto escolar às necessidades e interesses de cada, terminando com as barreiras culturais que desagregam os saberes das crianças com o que a escola tem para oferecer.

A consulta das fichas dos alunos revela que estes habitam com o pai e a mãe, em famílias normalmente estruturadas, à exceção de um aluno que pertence a uma família monoparental. O agregado familiar é, em média, composto por 3 a 5 pessoas. A maioria provém de famílias com um nível social económico médio/baixo. Em contrapartida, algumas crianças são oriundas de famílias com médio/elevado índice de escolaridade e média/elevada qualificação profissional e, consequentemente, um nível social económico médio/elevado.

O ambiente familiar de cerca de metade dos alunos é favorável a um desenvolvimento afetivo e intelectual, pelo que há empenho e participação por parte dos encarregados de educação no processo de aprendizagem dos seus educandos. Os restantes alunos têm pouco acompanhamento familiar, falta de regras de educação e fraco apoio no processo de ensino/aprendizagem.

Como forma de demonstrar um pouco da realidade familiar da turma 2.º D, segue-se alguns dados que caraterizam, de um modo geral, as suas famílias, nomeadamente, as suas habilitações literárias e a sua condição profissional.

No que concerne às habilitações literárias destas famílias e pela análise do seguinte gráfico, verificamos que se encontram entre o 1.º Ciclo e o Bacharelato.

Pela quantidade atribuída a cada nível de escolaridade, constatamos que se destacam um grupo: os que atingiram o 3.º Ciclo (18). Em minoria temos os pais com o ensino secundário (7), com o 2.º Ciclo (4) e um caso de Bacharelato. Concluímos então que, apesar de a maioria dos pais possuir habilitações literárias, existem ainda muitos pais com um nível de escolaridade baixo, havendo um caso com formação intermédia ou superior.

No seguinte gráfico apresentamos a situação profissional dos pais, que nos apresenta o número de pais empregados e desempregados.

Segundo os dados apresentados no gráfico, averigua-se uma grande discrepância entre o número de empregados (34) e o número de desempregados (7). Portanto, a atual situação profissional dos pais não é de todo negativa.

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