6. A regional 3D model of the Møre margin 65
6.4 Modelling Results
O presente capítulo tenta elucidar sobre o cotidiano dos Parques Farroupilha e Bosque dos Buritis. O cotidiano, aparentemente banal, revela-nos aspectos das apropriações estabelecidas pela sociedade de Porto Alegre e Goiânia, em seus respectivos parques. Como dito anteriormente, a intenção do trabalho não é compará-los. Não obstante, por meio das entrevistas e observações realizadas no cotidiano dos dois parques analisaremos a presença da natureza na cidade, as práticas de lazer e turismo cidadão dentro da dimensão dos entrevistados e as observações realizadas pela pesquisadora.
Os parques urbanos como espaços públicos das cidades, em suas paisagens naturais e/ou construídas, propiciam aos citadinos e possíveis turistas atividades de lazer, cultura e educação.
3.1 PARQUE FARROUPILHA
As práticas cotidianas verificadas no Parque Farroupilha revelam os costumes de uma sociedade presente nas atividades – esportivas, artísticas, culturais, educativas e contemplativas – oferecidas pelo parque. Como apresentado no capítulo sobre o histórico do Parque Farroupilha, ele é um espaço que se constituiu ao longo da história, segundo a cultura, a vivência e a fruição desse espaço.
Com o intuito de verificar o perfil do visitante do Parque Farroupilha, questionamos os frequentadores sobre o bairro de sua residência. Constatou-se que 61% dos entrevistados moram próximo ao parque, enquanto que 39% em outros bairros mais afastados. Apesar de os dados apresentarem que os frequentadores são de bairros relativamente próximos ao parque, destaca-se que o parque atende tanto à população próxima quanto a de diversos outros bairros. Isto se confirma na
fala do “18º PF156” e com as especificações apresentadas nas respostas dos
entrevistados ao serem questionados se o Parque Farroupilha é de fácil acesso e como avaliam a localização do parque.
Pelo fato de os frequentadores serem de diversos bairros de Porto Alegre e o Parque Farroupilha ser bastante frequentado, o 18º PF entrevistado afirma que: “uma vez por mês o transporte de ônibus é gratuito. Eles pegam uma data especial, como por exemplo, no dia das crianças e dia do trabalho. Se não tiver uma data especial, eles pegam o primeiro domingo do mês, sendo um dia voltado para a família. Ai vem gente de qualquer canto de Porto Alegre. Nesse dia fica superlotado... É muito bonito.” Do mesmo modo, três entrevistados (7º, 8º e 13º PF) destacaram em comum a facilidade de acesso e a localização do parque, dizendo que vem ao parque o “pessoal da zona norte, zona sul, zona leste e zona oeste”, devido à facilidade do transporte coletivo e/ou pela diversidade de vias de acesso que convergem até o parque, contribuindo para a procura por todo porto-alegrense.
Em resposta à pergunta: “você acha que o Parque Farroupilha é de fácil acesso?”, 100% dos entrevistados concordaram que o parque é de fácil acesso. Eles destacaram que o parque é centralizado e que por ele passam muitos ônibus de vários bairros da cidade. Esse dado mostra tanto a facilidade que os frequentadores têm de virem dos diversos bairros de Porto Alegre quanto reforça a informação de que o parque é frequentado por pessoas que moram longe dele.
Quanto ao meio de locomoção que os entrevistados utilizam para ir até lá, dos 18 entrevistados, 11 usuários moram próximo157 ao parque e vão a pé, enquanto que, dos sete frequentadores que moram em bairros mais afastados158, três vão de
carro e quatro de ônibus.
Além da questão da facilidade de acesso, o Parque Farroupilha possui diferentes atrativos que o destacam dos demais parques de Porto Alegre, fazendo com que ele seja um parque de referência para o lazer da cidade. Os entrevistados mencionaram as seguintes motivações para visitar o Parque Farroupilha: é o maior
156 O 18º entrevistado frequenta o parque há 26 anos, todos os dias da semana. O fato de o
entrevistado frequentar o parque há 26 anos e fazer parte de um grupo do Farroupilha com mais ou menos 500 pessoas (dado que será mencionado ao longo do texto), supõe que ele vivenciou muitas mudanças, tanto no aspecto físico quanto na vida dos frequentadores do parque. Além disso, pude constatar em uma fala de um amigo próximo a ele que: “ele é considerado o ‘Parque Mestre’.”.
157
Dos bairros próximos foram citados: Setor Central, Bom Fim e Cidade Baixa.
158 Bairros mais afastados: Partenon, Petrópolis e Guaíba (Município da Microrregião de Porto
parque de Porto Alegre; tem uma área bastante ampla; pela presença da área verde; pelas diversas opções de comida e bebida com vários restaurantes ao redor do parque; pelo fato de o parque ser bastante movimentado; por favorecer o encontro com amigos; por ser lugar tranquilo, com segurança, bastante iluminação e possuir diversidade de infraestrutura. O 18º PF entrevistado exemplifica que: “ele é o maior em área de extensão; é o que congrega o maior número de opções de atividades, enquanto que os outros são mais específicos em termos humanos e de uso, assim todo mundo se encontra aqui. E o fato de ter o Brique159 que é um acontecimento, uma referência... isso ai também faz parte para torná-lo diferente.”. Diante da observação do entrevistado, pode-se afirmar que, além da facilidade de localização, a atratividade do parque, seja em diversidade de opções de atividades seja como um espaço social, o Parque Farroupilha é um espaço público de destaque para as práticas de lazer individual ou coletivo.
Com relação à caracterização do Brique da Redenção, o entrevistado 18° PF reitera que: “o Brique da Redenção, além de ser uma feira é um espaço cultural que tem muitos poetas, pensadores, gente da arte que troca ideias, muitas apresentações de músicas com aprendizes e amadores. É muito bonito e variado... isso ajudou no progresso do parque, por meio de atividades artísticas e culturais.” Com as entrevistas e as observações em campo, podemos afirmar que as feiras160,
apresentações culturais, artísticas e musicais (Figuras 146, 147, 148 e 149) e a presença de artistas informais pela rua, cantando e contando histórias/piadas, contribuem para atrair uma grande quantidade de pessoas.
159
Cabe (re)lembrar que o “Brique” é a Feira Brique da Redenção que acontece todos os domingos na Avenida José Bonifácio, ao lado do Parque Farroupilha, das 9h às 18h, desde 1978. Assim sendo, pelas observações em campo e pela fala dos entrevistados podemos afirmar que essa feira faz parte do parque aos domingos e é considerada pela população como um atrativo de lazer.
160 Feiras: Agro-Ecológica (sábado); Antiguidade (sábado e domingo) e Brique da Redenção
A realização de apresentações artísticas no Parque Farroupilha mostrou-se relevante para a atratividade, por conquistar um público maior e bem diversificado. Além disso, constatou-se que essas apresentações e o Brique da Redenção singularizam o parque e contribuem para a vida social dos citadinos.
Diante da diversidade de apresentações culturais vivenciadas na visita de campo no domingo, dia 22/07/2012, realizou-se uma conversa informal com um dos apresentadores da peça de teatro sobre a Copa do Mundo, ilustrada na figura 147 acima. Conforme o entrevistado, o grupo de teatro apresenta-se no Parque Farroupilha no mínimo uma vez por mês e no máximo três vezes por mês. O entrevistado enfatizou que ele e o grupo adoram se apresentar no parque, devido à quantidade de pessoas, descrevendo que:
FIGURA 146 – Apresentação artística ao lado do Monumento ao Expedicionário no domingo. Fonte - MELO, 2012.
Figura 147 – Peça de teatro em frente ao Monumento ao Expedicionário no domingo. Fonte - MELO, 2012.
FIGURAS 148 e 149 – Apresentação artística informal de pessoas pela Avenida José Bonifácio, cantando e contando histórias/piadas, ao lado do Brique da Redenção.
a gente percebe uma diversidade muito grande... Tem muita gente que vem de bairros distantes que vem aproveitar o parque no sábado, domingo e feriados. É muito bom apresentar aqui, porque a gente está comunicando com vários tipos de pessoas. A gente percebe que tem desde a madame que trás o cachorro para cá até o cara que mora na Restinga que é um bairro super longe, que vem para cá também. Então é muito legal sentir essa diversidade que o parque oferece...para a gente é muito bom. É um lugar que a gente sente que a peça começa a ter uma visibilidade também, porque são pessoas muito diferentes e levam suas impressões para os bairros ou outros locais. Ai a gente sente que tem um retorno muito grande. A gente apresenta por ter essa diversidade.
Essa afirmativa do entrevistado vem ao encontro do pensamento de que a diversidade de pessoas presentes no parque, advindas de distintos grupos sociais, culturais, econômicos e etários, faz com que a vivência no parque seja compartilhada entre pessoas de diversos lugares e de diferentes culturas corroborando a ideia de que cada um atribui significados singulares ao que está sendo apresentado.
O que vem ao encontro dos estudos de Gomes e Elizalde (2012, p. 83) que descrevem que: “[...] as manifestações culturais constituem práticas sociais complexas permeadas por aspectos simbólicos e materiais que integram a vida de cada pessoa e a cultura de cada povo, podendo assumir múltiplos significados [...]”.
Em continuidade à entrevista, levantou-se o questionamento quanto à escolha da localização para a apresentação da peça de teatro. O artista afirmou que:
sempre quando a gente chega para apresentar se tem algum grupo apresentando a gente espera o grupo terminar para começar a nossa apresentação. Tem também os casos de quando a gente chega para apresentar e a gente percebe que tem um grande número de público em outro ponto e ai a gente se desloca para lá. Se tiver também, por exemplo, um som mecânico próximo que tem um barulho muito alto a gente procura outro espaço para a apresentação, porque a gente fala baixo. Enfim, a gente chega e sente o que o parque está oferecendo.
Diante dessa entrevista, pôde-se perceber que os artistas têm uma satisfação muito grande em apresentar-se no Parque Farroupilha, por ser um espaço que reúne pessoas de diversos horizontes. A fala do entrevistado revela também que a apresentação se faz em absoluta consonância com a vida que anima o parque. Os artistas estão atentos a tudo que dá vida a esse espaço e escolhem o lugar e o momento para se apresentarem. Isso revela ainda que a vida do parque impõe um ritmo para quem o frequenta e para quem ali instala a sua prática artística. Como já apontado tantas vezes, o Parque Farroupilha é composto por uma gama de
manifestações culturais e uma grande quantidade de pessoas que propiciam a socialização, transformando-o em um lugar de encontro por excelência, entre turistas e moradores da cidade, tornando-o um espaço social de destaque no meio urbano. Logo, essas apresentações são atrativos do parque, juntamente com a qualificação da variável acessibilidade, apresentada anteriormente.
Com relação aos hábitos de visita ao Parque Farroupilha, constatou-se uma frequência bastante variada: 33% dos entrevistados vão uma vez por semana; 17% de duas a três vezes por semana; 11% quase todos os dias; 11% de três a cinco vezes por semana; 11% de quinze em quinze dias; 11% uma vez por mês e 6% quase todos os dias (Gráfico 1).
Destaca-se que os moradores próximos ao parque visitam-no com mais frequência. Apesar dessa distinta frequência, podemos perceber que o maior espaçamento de tempo é de apenas uma vez por mês. Esse dado vem ao encontro da constatação de que os indivíduos usufruem de sua própria cidade em seu tempo de lazer. E que as pessoas são sujeitos da construção da sua própria cidade. Na vida cotidiana as formas de apropriação e vivência de seus espaços, entre eles os parques, demonstram que os citadinos exercem as práticas de turismo cidadão, o que os faz desfrutar do espaço de sua cidade de modo diferenciado do seu ritmo cotidiano, contemplando a natureza e fruindo a paisagem.
Dentre os motivos apresentados para visitar o Parque Farroupilha foram citados: tomar sol, com destaque à expressão: “quando está frio e tem sol a galera toda vem ‘lagartear’” (11º PF); infraestrutura; tomar chimarrão; diversidade de
atividades; a beleza do parque; sair do apartamento e passear para espairecer; extensa área verde; contato com a natureza e o ar livre; devido à grande quantidade de pessoas, e sempre é possível encontrar com amigos e conhecidos. Esses motivos remetem à presença da natureza e à diversidade de atividades que o parque oferece (Figura 150). Diante das entrevistas e com as observações em campo foi possível perceber que os porto-alegrenses usufruem intensamente do Parque Farroupilha. Com relação aos motivos tomar sol ou “lagartear” e tomar chimarrão (Figura 151), mencionados pelos entrevistados, podemos dizer que o parque acolhe e reúne essas duas situações, remetendo-nos ora a uma prática cultural gaúcha conhecida, àquela de compartilhar a cuia de chimarrão, favorecendo o encontro entre as pessoas, ora àquela de se deleitar com o sol.
Com relação ao parque ser um espaço que favorece uma melhora na qualidade de vida dos indivíduos, dois entrevistados afirmaram que visitar o parque ajuda a “relaxar quando se está estressado... O stress na real é o medo e essa busca pelo parque teria que ser feita sempre por pessoas que têm problemas de saúde... Que paulatinamente começa a instalar a harmonização e a cura. É uma coisa fantástica, por isso é preciso o parque para ‘pegar na mão’ da pessoa e dar a sua caminhada, assim ajuda a melhorar a saúde” (2º PF) e o segundo disse que: “o parque é um remédio para todos os males, é uma benção para as pessoas que podem usufruir e têm a visão de enxergar e entender o bem estar que ele traz para elas. Inacreditável o que o parque faz por uma pessoa. Quando as pessoas estão bem, ir ao parque é uma opção; no entanto, quando estão mal, com depressão, com
FIGURA 150 – Diversidade de apropriação: bambolê.
Fonte: MELO, 2012.
FIGURA 151 – Pessoas tomando sol e chimarrão.
problemas na vida, devem obrigatoriamente ir ao parque, porque ele corrige todas as nossas preocupações, ele acaba com elas, ele reduz ou diminui muito nossas mazelas, por experiência própria e por experiência vivenciada com outras pessoas.” (18º PF)161.
O parque como um mediador para a recuperação do stress oferece, se assim podemos pensar, àquele que o frequenta o contato com a natureza que revigora e propicia aos indivíduos a sensação de vitalidade, porque, em contato com ela, nos desligamos, nos desconectamos do ambiente urbano e de sua rotina. Isso nos conduz ao que Werneck diz quando lembra que o lazer supre as necessidades físicas e psíquicas, ajudando quando se volta para a rotina.
Diante o exposto, pode-se inferir que vivenciar o espaço do parque é estabelecer conexões com a sua paisagem, encontrar pontos de observação e contemplar a cidade com outros olhos. Essa outra possibilidade de (re)ver o espaço cotidiano é ressaltada por Dias (2010, p. 145-146) quando lembra que para “[...] ver a paisagem é preciso distanciar-se do habitual, retomar a falha, a fresta que aponta para longe, para outra margem que nos fará ver o (in)comum que está tão perto.”. Essa explanação remete à ideia apresentada pelo 18º PF entrevistado que afirma os benefícios do parque quando a pessoa entende o bem-estar que ele proporciona à vida dos seus frequentadores.
Reitera-se ainda que os benefícios do parque, em sua maioria, advêm do fato de ele ser um espaço de sociabilidade e possuir áreas verdes, capazes de oferecer aos seus frequentadores a sensação de distanciamento dos ambientes urbanos construídos, criando um lugar de pausa e de tranquilidade, ao contrário do
161 O 18º PF entrevistado faz parte de um grupo de mais ou menos 500 pessoas que se encontram no
parque para conversar e desfrutar do parque, consequentemente estão sempre trocando conhecimento. Os integrantes não têm dia e horário estipulado para se encontrarem, é de acordo com a disponibilidade de cada um. O entrevistado ressaltou que já vivenciou nesse grupo a mudança de vida de muitas pessoas, com a melhora do estado de saúde relacionado com questões de depressão, morte em família, dentre outras e o parque tanto em seu espaço físico quanto no que se refere à oportunidade de encontro com as outras pessoas foi um instrumento muito importante para a melhora desses indivíduos. O entrevistado especifica: “aqui no grupo, tem uma pessoa que teve um
problema gravíssimo... ele era daquele depressivo que começava a se meter dentro do casulo da casa e não saía para nada... ele saiu e hoje é um camarada normal, vibrante pela vida e pela família, por tudo. Com a vivência no parque... ele conseguiu transformar a vida que ele tinha reclusa e veio para cá e se abriu... tem que abrir o coração, os olhos, não adianta vir para cá e andar como um boneco. Um outro exemplo é um médico famoso, quando a esposa morreu ele ficou em depressão profunda...com a convivência no parque ele começou aos pouquinhos a viver e a ficar vibrante
novamente.” (18º PF). Diante o relato, compreende-se que o parque, como espaço de natureza na
cidade, proporciona um ambiente diferenciado do ambiente urbano, o qual, desfrutado e vivenciado pelo individuo, proporciona aumento da sensação de vitalidade, juntamente com a interação social.
ritmo acelerado e ensurdecedor das cidades. “Esses espaços de natureza cada vez mais rara representam o antídoto para os ritmos urbanos, o stress e a poluição.” (SERPA, 2007, p. 82).
Com relação ao questionamento sobre se os frequentadores visitam o parque sozinhos ou acompanhados, 59% dos entrevistados disseram que vão acompanhados; 23% sozinhos e 18% acompanhados ou sozinhos, dependendo do dia. Dentre as pessoas que foram citadas que os acompanham foram: esposo(a); amigo(a); filho(a); irmão(ã) e sobrinho(a). No tocante ao parque ser um ponto de encontro - espaço de socialização -, 81% dos entrevistados se socializam com outras pessoas que lá estão, enquanto 19% se socializam somente com os seus acompanhantes. Destaca-se que, apesar de os 19% não se relacionarem com desconhecidos, a vivência no parque permite o estreitamento de laços afetivos entre amigos e familiares.
Dos entrevistados que se socializam com outros frequentadores no parque, eles destacaram que o Parque Farroupilha é um espaço que atrai muitas pessoas. Nessa perspectiva, é um parque composto por diferentes perfis de frequentadores e propicia o encontro com conhecidos e, até mesmo, a conquista de novas amizades. O fato de o parque ser um espaço que propicia a socialização vem confirmar que as práticas de lazer, como as que ocorrem em seu espaço, criam momentos de convivência e compartilhamento de experiências que podem gerar mudanças individuais e/ou coletivas.
Além disso, a maioria relatou que sempre encontra com conhecidos pelo parque. Esse fato destaca que a socialização é um aspecto relevante para os entrevistados: “sentar na grama e encontrar com amigos” (11º PF) e “o parque é um lugar interessante para se passar uma tarde: tomar chimarrão e encontrar com os amigos” (17º PF). Diante do exposto e já mencionado no texto, podemos inferir que a grande circulação de pessoas pode ser um atrativo para os indivíduos, haja vista que o contato com o outro está intrínseco às necessidades do ser humano. Como apontam Gomes e Elizalde (2012) quando escrevem que: “[...] o lazer é uma necessidade humana e uma dimensão da cultura, representando, portanto, uma prática social complexa [...]” (p. 81).
Como dito anteriormente, o fato de o parque proporcionar bem-estar e tranquilidade aos frequentadores torna-os abertos para o contato com o próximo.
Além disso, a apropriação do espaço ocasiona o envolvimento humano com o lugar sendo outro fator para a socialização. Deixar-se envolver pelo espaço é experimentá-lo como paisagem. Nesse sentido, Dias (2010) lembra que: “experimentar a paisagem é criar uma situ-ação, uma situação-em-paisagem, onde conscientes desse espaço, estabelecemos laços, enlaces para, quem sabe, emergir daí uma transformação possível” (p. 146, grifo da autora).
Por conseguinte, o Parque Farroupilha, como espaço que facilita a socialização é confirmado nas seguintes falas: “é um ponto de referência para encontrar com amigos e/ou familiares” (5º PF); “no parque tem diversos perfis de pessoas: adolescentes, roqueiros, crianças, idosos, homossexuais, pessoal dos malabares, pessoal com os cachorros162, pessoal que vem fumar maconha, pessoal que vem tomar bebida alcoólica e à noite tem garotos(as) de programa” (11º PF); “‘parque de todas as tribos’, todos se encontram aqui. Tem emo, punk, casais gays, família, enfim todo mundo junto no mesmo lugar e raramente dá problema. Eu já vi briga entre os emos e os punks, mas é raro, e inclusive não sei como não acontece sempre” (16º PF) e “os grupos sociais existem em todos os lugares do mundo. O parque é frequentado por grupos distintos - emos, punks, homossexuais, cosplay, famílias e adolescentes. No domingo à tarde o grupo que se destaca são os punks/darks (de 100 a 200 pessoas), são aqueles que usam roupa preta, cheio de metais... Tudo preto. Eles ficam no grupinho deles e não tem briga.” (18º PF)