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Mage og tarm problemer

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7 Betennelse, belastningsskader og mageproblemer

7.5 Mage og tarm problemer

Os recursos financeiros das escolas, segundo informações do presidente da LIGA, se originam dos eventos que são promovidos pelas agremiações, dos possíveis patrocínios, dos direitos de transmissão cedidos para a emissora de TV e pela verba oriunda dos órgãos públicos. Este último, o valor mais substancial, muitas vezes, é apenas liberado próximo à data do desfile. Este fato compromete a compra dos materiais necessários para os trabalhos no barracão e, conseqüentemente, no prazo da produção das alegorias.

São muitos tipos de matérias-primas usadas na confecção de uma alegoria e seus custos variam bastante. Materiais comuns e de baixo custo, como TNT (tecido não tecido) ou as placas de vacuoform, ganham um novo aspecto e são valorizados, quando agregados à aviamentos como brocados, fitas, galões, debruns e cordões. Os espelhos também são muito usados por Diniz, apesar de ser um material de custo mais elevado. Quando disponível, é um

dos produtos preferidos por ele, devido ao efeito do brilho e reflexo que é causam em um espetáculo noturno75.

Para decorar as alegorias, Diniz aplica os variados tipos de aviamentos sobre os materiais que forram os carros e cria muitas combinações com eles, proporcionando texturas singulares e diferenciadas pelo o brilho e cores vivas que normalmente apresentam.

As negociações para decidir pela escolha dos diversos materiais são cercadas pela questão do custo, facilidade na produção e de um melhor resultado para a apresentação visual. A decoração das alegorias são todas decididas em conversas com a equipe.

Como orientação para a construção das alegorias, o único desenho feito e apresentado pelo carnavalesco é o da arte final. Esta será a única imagem gráfica do objeto, que servirá como ponto de comunicação, para interagir com sua equipe na produção do carro. Os detalhes são orientados por Diniz que os transcreve e troca opiniões com o grupo, sempre envolvendo muita conversa, direcionando os trabalhos de todos os profissionais envolvidos: serralheiro, escultor, pintor, figurinistas, aderecistas, entre outros. Quando necessário, e se houver o pedido de algum membro da equipe, o profissional elabora desenhos mais esclarecedores com recortes plantas baixas e, às vezes, com medidas em escala.

Na heterogeneidade existente na equipe de um carnavalesco, são encontradas pessoas com as mais diversas habilidades como também com ausência de determinados conhecimentos específicos. Esta realidade faz parte das dificuldades encontradas pelo carnavalesco, o que o impulsiona a escolher novos signos para ativar o dinâmico ciclo de comunicação entre eles. Para Lotman (1996, p. 101) “[...] a dificuldade em decifrar os textos, mediante os recursos das linguagens e da cultura existente, resulta um fator essencial”.

China, o serralheiro que o acompanhou para a construção do CAA que aqui observamos, e que foi parceiro de Diniz nas duas produções em que o carnavalesco esteve na Vai-Vai (2005 e 2006), nos fez o seguinte relato: “A gente senta num canto, vamos conversando e viajamos juntos”.

Essa empatia profissional, que se estende a um vínculo de amizade, tem forte influência no bom andamento dos trabalhos, segundo a experiência profissional de ambos, com 25 anos de carnaval. Para eles, esta questão favorece e agiliza a realização dos trabalhos, pois a comunicação flui com mais facilidade, clareza e objetividade.

75 Diniz defende a idéia da “caixa preta” para este espetáculo. Segundo ele, todas as escolas deveriam desfilar no

período noturno, para realçar o brilho das decorações das fantasias e alegorias diante das luzes dos holofotes. Segundo o presidente da LIGA, a instituição tem modificado as regras de acesso e rebaixamento das escolas, de seus respectivos grupos, para diminuir os números de escolas em cada dia de desfile. Ele ainda afirma que a diminuição do tempo para o desfile, seguindo um padrão de tempo de grandes espetáculos, nos moldes internacionais, é mais saudável para o público e oportuno para a imprensa televisiva manter seu público.

Diniz explica que a razão de ter que desenvolver desenhos mais elaborados para outros profissionais, o que não é necessário para China, é porque ele compreende perfeitamente suas idéias, a partir da leitura do desenho inicial, elaborado em perspectiva.

A proposta exposta no desenho final do CAA, que aqui tratamos, foi bastante modificada. Ela passou por um novo processo de criação para ser construída e atender às várias restrições apresentadas, como as questões com custos, materiais, prazo, além da falta de mão-de-obra.

Patrick foi o carpinteiro responsável pelas alegorias criadas por Diniz em 2006 (figura 104). Para suprir a falta da matéria-prima utilizada por ele, a madeira, o auxiliar do carnavalesco usou restos deste material, do carnaval anterior, como estrutura da caravela. Foi o modo encontrado por eles para agilizar a construção da embarcação, o objeto central do CAA, adiantar o trabalho e evitar maiores problemas com os prazos. O uso de materiais alternativos, como lacres de plástico, por exemplo, (figura 103) serviram para unir as ripas, que seriam o apoio para juntar a madeira ao ferro da estrutura da alegoria.

A falta da madeira no prazo oportuno, fez com que a torre ficasse para segundo plano. Para construir a caravela foi possível o uso de ripas e sarrafos, além de madeiras mais maleáveis, com custo menor, para dar o formato curvo na embarcação. Para a torre, não poderiam ser empregada a mesma técnica, pois seriam necessárias as madeiras mais firmes, com custo mais elevado (figura 105).

Dessa forma, alguns acabamentos planejados para a réplica do monumento português, conforme observados no desenho da arte final, foram modificados. A falta do material no tempo oportuno, acrescido à ausência de um escultor e pintor comprometido com a equipe, foram fatores que colaboraram para as mudanças apresentadas na torre final apresentada no desfile.

A alegoria manteve, do monumento português de estilo manuelino, as guaritas e suas cúpulas, em forma de gomos, nos ângulos da edificação. Elas foram construídas nos últimos dias, às vésperas do desfile, e o curto prazo disponível inviabilizou a construção de todas as peças, como expostas no desenho original da torre.

Figura 103 – Lacre de plástico usado na estrutura Figura 104 – Diniz orienta o marceneiro Patrick na do CAA da Vai-Vai montagem da caravela

Fonte: Do próprio autor, em 18 dez.2005 Fonte: Do próprio autor em jan.2006

Figura 105 – No barracão, a caravela, à esquerda, com serviço de carpintaria adiantado em meados de dezembro de 2005, enquanto a torre, à direita, com a parte da serralheria pronta, aguardava a madeira para ser construída. Fonte: Do próprio autor, em 18 dez.2005.

Algumas modificações foram feitas para sanar o problema da falta das esculturas. Elas foram feitas com estrutura em ferro (figura 106) e, na parte superior, foi usada fibra de vidro. Devido ao erro do molde, feito em isopor pelo escultor, as cúpulas ficaram maiores e tiveram

que ser cortadas para serem encaixadas nas estruturas de ferro. Os corpos das guaritas foram moldados com tecido sobre o ferro e, com isso, perderam-se as frestas, como previstas no projeto (figura 106).

Figura 106 - À esquerda, o barracão já vazio, e as cúpulas ainda sendo construídas para serem anexadas à torre que já se encontrava na avenida. Ao fundo, uma das cúpulas sendo cortada por estar maior e não se encaixar na estrutura. Ao lado, a cúpula na torre, feita em tecido e sem as frestas, como apresentada na proposta do desenho.

Fonte; Do próprio autor em fev 2006

Figura 107- Tecidos produzidos sob encomenda para forrar a caravela e a torre do CAA. Eles têm a mesma trama, mas apresentam tonalidades diferentes.

Os problemas com a montagem da torre se estenderam não apenas com a falta da madeira ou de bons profissionais para esculpir, mas também com a ausência do pintor. A decisão de forrar a torre com tecido (figura 107), prática que vai se estender à caravela e ao monstro marinho, foi para sanar o problema da falta do compromisso também do pintor.

Figura 108- No sentido horário, a primeira onda, forrada em lamé. Em seguida, os diversos materiais usados pelo carnavalesco, na tentativa de substituir o brilho do azul. Por fim, com a entrega do tecido previamente escolhido, mais próximo da data do desfile, as ondas puderam ser forradas, decoradas e expostas na lateral da alegoria. Fonte: Do próprio autor, jan.2006

Para estruturar as ondas que contornavam a caravela e a torre, Diniz fez várias tentativas (figura 108). A princípio, segundo o desenho, as ondas seriam esculpidas e, entre elas, seria colocado acrílico. Sob este material transparente, haveria um movimento de água aparente. Embora grandes esculturas e em grande sejam decorações evitadas pelo carnavalesco ao desenvolver um desfile, em função dos altos custos de material e de mão-de- obra, além da dificuldade de encontrar bons escultores, foi algo que Diniz não conseguia evitar nesse carnaval. Ele precisou reorganizar a decoração do CAA e, mais uma vez, o profissional que o ajudou sanar esta dificuldade foi o serralheiro. Foram feitas estruturas de ferro para as ondas para depois serem forradas por tecido, pelas aderecistas.

Diniz teve bastante dificuldade na escolha do material para decorá-las, pois o material que havia escolhido, um lamé azul, não havia em quantidade suficiente nos fornecedores. Ele tentou substituí-lo com outros objetos como o plástico de bolha, a manta acrílica e um sintético metálico que havia no estoque da Escola, mas nenhum deles o satisfez.

Posto isto, o profissional determinou a compra e aguardou o tecido com o tom azul royal (figura 109) e com muito brilho, para fazer o papel do mar na alegoria carnavalesca.

Figura 109 - O material lamé transparente e o monstro pintado pronto para ser forrado. Fonte: Do próprio autor em jan.2006.

Esse mesmo tipo de tecido foi aplicado sobre Adamastor (figura 109), mas como o pedido para o fornecedor foi feito depois, a qualidade do material não era a mesma. Na

segunda remessa, o tecido veio mais fino e transparente. Para disfarçar esta diferença, foi feito um “truque”, como expressa Diniz, quando a equipe tem que solucionar os problemas que aparecem de forma não-convencional. O monstro então foi pintado com uma cor escura para depois ser forrado com este material (figura 109).

A falta da verba antecipada para as compras de materiais prejudica o processo de produção no barracão e, também, interfere nos custos das escolas. Conforme se aproxima a data do desfile, os fornecedores sobem o valor dos materiais, além de, muitas vezes, não terem os produtos para fornecer.

A princípio, o monstro seria pintado, assim como a caravela e a torre, mas o tecido substituiu a falha do pintor e solucionou esta questão. Com monstro e ondas cobertos com o mesmo material, ambos ganham a mesma cor e textura para transmitir a mensagem pretendida por Diniz, a do Mar Tenebroso. Com a escolha desse tecido, o carnavalesco também pôde dar um brilho à alegoria, que os efeitos especiais não puderam dar.

Os efeitos especiais, proporcionados pela tecnologia, estão bastante presentes nos espetáculos carnavalescos atuais, mas os altos custos os mantêm como privilégio para as escolas com verbas mais abastadas.

Com o propósito de obter o sucesso de suas agremiações e apresentar um diferencial para o desfile, as escolas buscam profissionais de outras regiões, como do Rio de Janeiro ou Parintins. A primeira é referência quando o assunto tratado é escola de samba, logo, o centro de profissionais de ponta neste assunto. Em relação às pessoas que são trazidos de Parintins, uma ilha localizada no Amazonas, as escolas buscam os técnicos que têm a experiência para construir grandes esculturas e que tenham movimentos76.

Para o carnaval de 2006, na Vai-Vai, Diniz, não houve parceiros da região norte como apoio, pois o pintor, o escultor e o responsável pela iluminação, um argentino, já haviam fechado acordos antecipadamente com a Escola.

A equipe teve problemas com a estrutura do monstro marinho. China - o serralheiro que é carioca, mas que já presta serviços em São Paulo a muitos carnavais - foi o profissional que ajudou Diniz para dar os movimentos pretendidos ao bicho.

Dessa forma, a escultura de Adamastor ficou demasiadamente pesada, não só pelo tamanho, mas também pelo acréscimo das engrenagens em ferro. Para solucionar este

76 Nos três últimos dias do mês de junho, é apresentado nesta cidade um grande espetáculo. O tema deste festival

folclórico é o boi bumbá. Em uma arena, especialmente construída para o evento, dois grupos se apresentam para a competição, o Boi Caprichoso e o Boi Garantido. Eles dramatizam as lendas da região e a estrutura é formada com alegorias que se assemelham as construídas nos desfiles de carnaval da região sudeste do Brasil.

problema, o serralheiro estruturou um carrinho, para apoiar o animal e não correr o risco de ele tombar (figura 110).

Figura110 - Acima, as engrenagens em ferro, que ficam dentro da escultura, para dar o movimento ao monstro. Abaixo, a estrutura com rodas que serviu de apoio para a escultura não tombar e depois, o objeto decorado. O uso do mesmo lamé que forrou o monstro foi um “truque” para esconder o carrinho.

Fonte: Do próprio autor, em fev.2006

O estrangeiro responsável pelas luzes e efeitos especiais do CAA (figura 111) apenas acompanhou os trabalhos no barracão, nas últimas semanas antes do desfile, e a comunicação entre ele e o carnavalesco foram acordos estritamente orais.

Os efeitos especiais, idealizados por Diniz, como raios de luz que seriam projetados pelos olhos do monstro e uma fumaça que sairia de sua boca, não foram realizados. A falta de materiais e o curto prazo que restava para a data do desfile permitiram apenas a instalação de pouca luz na lateral da alegoria (figura 114) e o néon para iluminar o nome da Escola (figura 113), carregado pelas mãos de Adamastor.

A Vai-Vai foi a penúltima escola a desfilar e, segundo os cálculos do carnavalesco, a primeira metade da Escola passaria na avenida sem a claridade do dia. Desta forma, as luzes no CAA, como anteriormente planejadas, seriam fundamentais para a alegoria se destacar na avenida. Mas, com o efeito sorte, a escola ganhou como aliado o atraso do espetáculo, e

entrou na pista quando o dia já raiava. As luzes que foram possíveis instalar e um tubo fixado no meio da caravela (figura 112), de onde saia uma chuva de papel prateado, acabaram tornando-se efeitos suficientes77.

Figura 111- O responsável pela iluminação, à esquerda, Figura 112- O canhão instalado no acompanha China, na construção do monstro. CAA para soltar chuva de papel. Fonte: Do próprio autor, jan.2006 Fonte: Do próprio autor, fev.2006

Figura 113- O monstro entra na avenida no raiar do dia. Sem luzes nos olhos ou fumaça na boca, apenas carrega o brilho do tecido de que é forrado e o néon sobre o nome da escola.

Fonte: Do próprio autor em 25 fev.2006.

77 Para gerar a energia elétrica necessária para as luzes e o vento do canhão, que soltou a chuva de papéis, foi

Figura 114- Tubo com fios elétricos para proporcionar luz na lateral da caravela do CAA Fonte: Do próprio autor em 23 fev.2006

Outra questão que contribuiu para a mudança da apresentação do CAA foram as composições que vieram trajadas com motivo marinho. A proposta inicial, como apresentada por Diniz no desenho do figurino (figura 115), determinava que esses destaques viessem dentro de uma estrutura, semelhantes a uma cauda de sereia.

Figura 115- Desenho do figurino da composição do CAA Fonte: Acervo de Raul Diniz

A parte de baixo do figurino foi redesenhada por vários motivos. A estrutura planejada (figura 116) para as foliãs ocuparem não possibilitaria a elas ostentar os seus corpos, como normalmente preferem fazer (figura 118). Também, para esculpir as estruturas e reproduzi-las em fibra de vidro, havia a dificuldade da mão-de-obra do escultor. Diniz optou por uma armação de ferro, que teria condição de ser produzida pelo serralheiro, China (figura 117).

Outra questão apontada foi o desentendimento com a costureira que produziria o figurino. O carnavalesco trocou a mão-de-obra e redesenhou a vestimenta, simplificando-a, para agilizar a produção das peças a serem entregues no prazo para o desfile

.

Figura 117- A estrutura planejada para ser ocupada pelas composições do CAA. Ao lado, China e Diniz posam junto a estrutura de ferro feita pelo serralheiro.

Fonte: O desenho::acervo de Raul Diniz, a foto, do próprio autor em nov.2005. .

Figura 118- Uma das 16 composições sobre o queijo e, ao lado, uma exposição do grupo, prontas para entrar na avenida.

Fonte: Do próprio autor, em 25 fev.2006

Em relação à comissão de frente, Diniz tinha como parceiros o figurinista e o coreógrafo. Em ambos os casos, os entendimentos eram marcados também pela oralidade.

O figurino dessa ala foi todo desenhado em preto e branco, assim, o carnavalesco comunicou ao figurinista as cores pretendidas para as vestimentas, com uma cópia da imagem do quadro de Calixto (Fundação de São Vicente) retirada de um dos livros de sua biblioteca.

Para os acordos com o coreógrafo, responsável pela encenação da chegada de Martim Afonso a São Vicente, o diálogo foi fundamental entre os profissionais. Diniz expôs a sua idéia e o próprio coreógrafo redigiu um texto explicativo de como seria a atuação do grupo. Por fim, o carnavalesco acompanhou alguns ensaios, para aprovar o trabalho do parceiro deste projeto.

Em relação às suas equipes, Diniz aprecia e valoriza enfaticamente os profissionais da serralheria. Alega que são eles os responsáveis pela essência das alegorias, que formam a estrutura dos carros, do princípio ao fim.

Pudemos notar como China, que o acompanhou no carnaval de 2006, com sua habilidade como serralheiro, se comprometeu e apoiou Diniz para compensar as falhas e ausência das produções de seus colegas. No carnaval de 2007, notamos uma realidade semelhante ocorrida na X9, quando o serralheiro Rubinho, em vários momentos, fez estruturas em ferro para solucionar falhas ou problemas de outros profissionais da equipe.

Com esses exemplos, podemos entender e endossar a preferência de Diniz por esta classe de profissionais.

Figura 119- China e Diniz em novembro de 2005, no barracão da Vai-Vai, com as estruturas das alegorias já finalizadas. Ao lado, as vésperas do desfile de 2007, no mesmo barracão, já desocupado pelas alegorias, que foram transportadas para a concentração do desfile, o carnavalesco e o serralheiro montam a estrutura das velas da caravela. (os riscos em branco, no chão, servem como moldes para fazer as estruturas de ferro).

4.2.2.2 – O uso do espaço

No processo de criação de um desfile de carnaval, muitas decisões são tomadas, em função do espaço. São vários aspectos que se relacionam a esta questão e interferem nos procedimentos e escolhas de Raul Diniz.

Neste estudo, enfatizamos até agora o impacto que deve causar o CAA por ser o primeiro, junto da comissão de frente, a entrar na avenida. Mas, o carnavalesco deve estar atento a todos os ângulos do espaço onde se apresenta os carros ao longo do desfile e não apenas à frente e à lateral.

Os jurados, por exemplo, dependendo do local onde estejam posicionados na passarela, têm uma visão diferenciada do desfile. Eles ficam posicionados na avenida. Eles permanecem durante todo o espetáculo em torres altas, que ladeiam a avenida e, assim, terão uma visão de cima em relação à pista por onde passa a escola. (figura 120)

Figura 120 - Uma das torres, que ladeiam a avenida, onde os jurados ficam posicionados. Ao lado, ensaio técnico da Escola de Samba X9 Paulistana no Anhembi e ao fundo, a primeira entre as dez torres da pista. Fonte: Do próprio autor em fev.2007.

O carnavalesco, durante a concepção e execução do projeto do desfile, deve levar em conta o ângulo estratégico de posicionamento das cabines de julgamento sob o qual será avaliada a escola. No barracão da Vai-Vai, um dos maiores entre as escolas paulistanas, havia

locais que simulavam essas posições de onde Diniz tivesse esta perspectiva de olhar dos jurados sobre as alegorias (Figura 121). Quando o barracão da agremiação, por alguma razão, não apresenta estes espaços, Diniz sobe nos próprios carros para poder ter esta visão de cima e avaliar, assim os efeitos das alegorias (figura 121).

Figura 121 - Acima, local mais alto no barracão da Vai-Vai, onde a equipe montava os acessórios das fantasias e de onde era possível ver as alegorias de cima. Abaixo, à esquerda, foto tirada de outro local, do mesmo barracão, com possibilidade da visão superior em relação aos carros. Ao lado, Diniz sobre um dos carros, no barracão da X9 Paulistana, para ter a visão de cima como a dos jurados.

Fonte: do próprio autor. Primeira e segunda imagem em fev.2006 e a última em nov.2006.

Também a decoração na parte de trás das alegorias não pode ser esquecida, pois os

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