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4.2 Love and relationships in the Phaedrus

4.2.1 Madness and moderation

Nas obras de Martin Dobrizhoffer e Sánchez Labrador existem diferenças quanto à denominação de parcialidades indígenas do Chaco. Um considerava os índios lenguas como a mesma parcialidade dos guaicurus, o outro considerava a mesma dos payaguás. O segundo, que viveu entre mbayás em Belén219, explicou que os eyiguayeguis receberam dos guaranis dois nomes220: mbayás221 (ou mayás, aos que viviam do lado ocidental do rio Paraguai,

217 MELIÀ, Bartomeu. El Guarani Conquistado..., op. cit., p. 220-230.

218 Madrid, 1º de janeiro de 1806 (AZARA, Felix de. Memoria sobre el Estado Rural del Rio de la Plata y otros informes. Buenos Aires: Bajel, 1943, p. 246-261)

219 Chegou no Paraguai em 1734, com 17 anos, e ficou até a expulsão em1767. Escreveu El Paraguay Católico

em 1772, que foi publicado após sua morte em 1798.

relacionando-os com o nome das palmeiras que utilizavam para fabricar esteiras; eyiguá é uma palmeira comum nas margens do rio Paraguai) e guaycurús222 (nome dado pelos guaranis e espanhóis aos que viviam ao norte do rio Aaba, ou Apa, originado de guacuruygua ou guacuriygua223). Por outro lado, estes davam aos guaranis o nome de uneliodi ou cuneliodi, que significa que eram muitos (ou de um mesmo pai). Os eyiguayeguis estavam estabelecidos nas duas margens do rio Paraguai224, por mais de 60 léguas ao norte e oriente225. Niyololas era o nome dados aos guanás, que viviam sob o domínio dos mbayás no lado ocidental do rio Paraguai. Sánchez Labrador ajuizou que entre senhores e criados, os guaicurus completariam entre sete a oito mil pessoas na época da expulsão dos jesuítas226.

Pouco distantes, nas duas margens do rio estavam os guaranis conhecidos como itatines, com quem guerreavam. Algumas palavras são comuns nas duas línguas: mitá, mini, ecoluguá ou coruguá (porongo), yuqui (sal). Os payaguás (lenguas) habitavam o lado ocidental do rio Paraguai. No mapa publicado junto com o segundo volume de El Paraguay Católico (FIG. 27), apesar da falta de proporção, foram anotada quantidade de detalhes que permitem localizar espacialmente as referências do padre Sánchez Labrador. O rio Cayy, afluente do rio Mboteteu nesse mapa, é o rio Curumiaí227.

FIG. 27. LABRADOR, José Sánchez. El Paraguay Católico. Buenos Aires: Coni Hermanos. t. II, 1910, encarte.

221 Los Mbayas que habitan en la orilla oriental del Paraguay, se denominan Eyiquayegis; los de la orilla

occidental Quetiadegodis (DOBRIZHOFFER, Martin. Historia de los Abipones..., op. cit., v. I. De las restantes naciones indias que deabulan fuera del Chaco, y especialmente los que habitan más al sur).

222 Oaekakalót o Quaycurus o Lenguas. Como el arte de escribir no se usaba entre los bárbaros, creo que todo

lo que los historiadores han escrito sobre esta época, hay que considerarlo como suposiciones. Por lo menos, en los antiguos mapas e historias de Paraguay, muchos nombres de las naciones son indicadas erróneamente como sé de seguro. Estos errores nacieron de la falta de conocimiento de su idioma y localidades, y de fútiles relatos de algunos Españoles rudos y crédulos, que habían caído en manos de los indios. Entre los innumerables ejemplos nos basta uno solo: Los Guaycurus se denominan Oaekakalót. Ignorantes la indicaban como denominación de una gran ciudad. Muchas veces atribuyeron los diversos paraderos de esta nación a hombres de naciones distintas. Con los nombres de los caciques, de los que hay en cada paradero, forjaron igualmente diversas naciones. En el Chaco existieron antes varias naciones, completamente diferentes entre si en lengua, denominación y costumbres, pero hoy en día no queda nada de ellas fuera de los nombres y unos restos insignificantes (Ibidem, De las restantes naciones indias que deabulan fuera del Chaco, y especialmente los que habitan más al sur).

223 No mapa de d’Anville, impresso em 1733, foram assinalados dois rios com esse mesmo nome: um, a 22º de

latitude, que nascia nas serras de Amambaí e desembocava entre os rios Tepotiy (ou Aaba, segundo os guaicurus) e Tarey; o outro era um pequeno rio, pouco abaixo, que chamavam Guacuriy, rio da fruta guacurí ou ibacuri, que nascia da serra de Igatimí e desaguava no Tepotiy (LABRADOR, José Sáchez. El Paraguay

Católico..., op. cit., p. 58-61). 224 Ibidem, p. 59.

225 Ib., p. 124. 226 Ib., p. 31.

O governador Alvar Núñez Vera Cabeza de Vaca chegou ao Paraguai em 1542. Quatro anos depois, atendendo reivindicações dos guaranis e em represália às irrupções que mbayás faziam a Asunción, confederados com outras nações228, armou excursão punitiva, com 400 espanhóis e 10.000 índios. Atravessou o rio com um exército que ocupava uma légua de terreno, conforme relato de Sánchez Labrador. A paz durou até 1671. No ano seguinte, assaltaram o presídio de Tobati. Em 1673, atacaram as povoações de Atyrá (San Benito), Ipané e Guarambaré. Em vez de socorrer e conservar estas povoações que estavam a mais de cem léguas de Asunción, o governador Phelipe Rexe Gorbalán ordenou sua despovoação229, situando-as mais perto da cidade. No ano seguinte, o governador fez mais uma excursão punitiva a essa região, levando 850 homens entre espanhóis e índios, sem conseguir qualquer êxito.

Ytapucú, ou Itatin, como a chamavam antigamente, e Xerez, abandonados pelos espanhóis, foram apoderados, principalmente pelos mbayás, que, por serem mais belicosos, não permitiram o domínio de outra parcialidade “em todo o território do Jejuí até a destruída Xerez230. O frei Francisco Mendes lançou a expressão Tierra Mbayánica, para se referir a esse lugar. Disse que eram corteses y obsequiosos en sus toldos, que se davam muito bem como os espanhóis que se complacen en hospedarlos todo el tiempo que quieran. Andavam en pelo no cavalo (no gastan silla ni arzon). As mulheres mbayás raramente casavam com guanás, preferindo os que descendiam dos espanhóis, ou de outras nações. Por lo general son blancas y de muy buen parecer: sin embargo luego pierden el color, por andar desnudas de medio corpo arriba, y por lo abuso de pintarse la cara y los brazos: aunque estos solo los deben pintar, y los pintan, los nobles ó Caciques. Usavam muitos adornos, alguns de prata, sin diferencia de señora a criada o esclava231. Depois da paz efetuada no governo de Jaime de Sant Just, permitiram que os paraguaios mantivessem bem povoadas suas estâncias além dos campos de Jejuí e nas margens do rio Paraguai, desde o rio Manduvira acima.

Sánchez Labrador anotou algumas das divisões assumidas pelos mbayás. A primeira nomeavam apacachovodi232. A segunda era echag-voteg-vodi, fundada nas imediações de

228 Ib., p. 55-58. 229 Ib., p. 78-79.

230 CORTESÃO, Jaime. Do Tratado de Madri a Conquista dos Sete Povos..., op. cit., p. 53-69. VII - Carta de

Fray Francisco Mendez, Religioso Franciscano, y Cura que fué de la Reduccion del Refugio de Eg-vilechigo en Ytapucú, 1772, copiado de un autografo inedito de D. Felix de Azara.

231 Ibidem, p. 53-69.

232 O frei Francisco Mendes, em 1772, achou que, talvez, o nome fosse pelo seu principal cacique, ou pelo nome

duas formosas lagoas que formavam um pequeno rio chamado Natobaga, que também deságua no Paraguai e que era navegável nas cheias até o local chamado Guamigo, cinco léguas mais abaixo de onde estava a povoação. Tinha seu sítio quase ao acabar um vale chamado Amonguiya, com uma mata de mais de uma légua de largura. Ficava a oitenta léguas de Belén e seu cacique principal se chamava Cambá. Esse cacique, que vivia em área próxima aos morros Três Hermanos, firmou acordo de paz com os espanhóis e mudou seu nome para Pedro Alós. A terceira era chamada caminigo situada a mais oitenta léguas ao norte, próxima ao rio Gueteliyadi, dos gentios eyivevodis. A quarta era a mais retirada e se chamava guacog- tog-devodi, ou vulgarmente guichicotas, situava-se nas nascentes próximas do Mbotetey. O mais numeroso desses acampamentos não alcançava quatrocentos ou quinhentos índios de armas, entretanto ocupavam todo o território que se estendia desde o Jejuí até Xerez destruída. Do outro lado do rio Paraguai e à frente de Ytapucú, existiu outra parcialidade, cujo cacique princiapal se chamava Natalerigui, e, mais no interior, como umas duas ou quatro léguas, estava a dos napidigris ou cambas. Ambos se nomeavam cativogevodi e “as duas compunham uma mesma tribo ou nação". Os últimos e mais retirados mbayás que existiam no rio Paraguai eram os guetiadevogdis ou serranos, porque estavam no coração da serra. Eram estes os mais numerosos233.

Oriundos do Chaco, onde se mantinham no vale do Pilcomayo, avançaram para o norte, à medida que a barreira oposta pelos guaranis foi se enfraquecendo234. Segundo Branislava Súsnik, os eyiguayeguis eram imigrantes no Chaco paraguaio pouco antes da conquista hispânica, com estreitas relações como os pampeanos. Pela sua característica étnica de agressivos caçadores-guerreiros, rapidamente aniquilaram ou deslocaram os proto- povoadores e, na época colonial, já com cultura equestre, constituíram o histórico perigo guaicuru para as províncias do Paraguai. Por sua trajetória migratória, dividiram-se em dois ramais: os eyigua-yeguis, ao norte, e os eyigua-yiquis, ao sul235.

nesse lugar, ou porque as comem e caçam (Ib., p. 53-69). Sanchez Labrador afirmou que era pelo nome da região habitada por eles: Apacachodiyodi.

233 Ib., p. 53-69.

234 Las Tolderias principales de los Bayás distan de la Asumpcion 80 leguas por línea recta, y por rio, ô por el

camino de tierra cien leguas con poca differencia: estàn màs arriva de el Ypaneguazù, y de el rio Corrientes: ay Tolderias de una y otra banda de el Rio; las que están de la banda de el Oriente quedan en la Demarcacion por los Portugueses: las que estàn en la banda Occidental, quedan para España (Ib., p. 25. II – Carta do Padre Quiroga, Cartógrafo, Informando sobre a Situação dos Índios Mbaiá, em Relação à Linha dos Limites do Tratado de Madri, 1752).

Uacury Bastos creditou muita importância à Tierra Mbaiânica para a formação territorial brasileira236. Considerou que tanto Affonso de E. Taunay como Jaime Cortesão atribuíram valor a esse espaço geográfico, sem esmiuçar seu significado. Uacury avaliou que o domínio guaicuru coincidiu com o território de Itatin. Não é simples delimitar o território dominado por um grupo étnico durante quase dois séculos, sem a contrapartida de uma ocupação física. Uma das explicações para esse domínio está no controle exercido pelos índios cavaleiros sobre os caminhos antigos. Daí, atingirem largas distâncias, sem ocupar os espaços adjacentes, avassalando algumas etnias e pressionando outras. Poucos são os relatos de pessoas que conviveram com os guaicurus na época colonial. Alguns foram feitos por inimigos, ocasionais ou não. Mais raros ainda foram os relatos entre guanás, caiuás e monteses.

Foram anotadas muitas diferenças entre a extensa pauta cultural dos mbayás e dos guaranis. A compreensão das fronteiras étnicas contribui para explicar a apropriação dos ervais e os conflitos entre trabalhadores guaranis e criollos ou entre guaicurus e monteses. A identificação da tierra mbayánica tem importância significativa porque configura a temporalidade da atividade ervateira no período colonial. Originalmente, os mbayás habitavam a região entre o rio Verde e o rio Pilcomayo, o que é corroborado por vários autores237. O rio Verde era conhecido antes por Tabebiry. O rio Confuso, nome que alguns autores deram a esse rio, parece ser um dos braços do Pilcomayo, como foi assinalado no mapa de Rondon. Os espanhóis, por mais de um século, tentaram navegar os rios Bermejo e Pilcomayo, para facilitar a comunicação com o Peru. Porém, as muitas cachoeiras na parte superior destes dois rios, o alagamento em seu curso médio, as moléstias que sofreram, além das nações de índios que tinham que vencer, lhes dificultou esse intento238. Os mbayás dominaram uma vasta região que era de domínio dos guaranis e chegaram até as margens do rio Paraná (FIG. 28). Como nos relatos de cronistas coloniais predominou o rio Mbotetey como limite norte da Tierra Mbayánica, esta dissertação acompanhou essa referência. Sua abrangência extrapolou as fronteiras da província jesuítica de Itatin. Os caduvéus são remanescentes dos guaicurus, ou melhor dizendo, era um subgrupo.

236 BASTOS, Uacury Ribeiro de Assis. Expansão Territorial do Brasil Colônia no Vale do Paraguai: 1767-

1801. Tese de Doutoramento: Departamento de História, FFLCH/USP. São Paulo, 1972, p. 148.

237 Ver Tribes of the Gran Chaco: Locations at the first European contact. In: Handbook of South American Indians. Volume 1 The Marginal Tribes. Edited by Julian H. Steward. Smithsonian Institution Bureau of American Ethnology, 1946.

FIG. 28. Tierra Mbayánica (1673 a 1773). Elaborada pelo autor desta dissertação com base nas folhas 8 e 9 (juntas) da Carta do Estado de Mato Grosso e regiões circunvizinhas (RONDON, Cândido Mariano da Silva, 1952).

Junto com mbayás, também migraram guanás239 para o lado oriental do rio Paraguai. Antes, suas tolderias ficavam do lado ocidental e ocupavam o terreno em frente à foz do rio Abba ou Abad240 até onde depois ficaram os napidigris ou cambas. Dividiam-se em: layanás, distantes do paso de Vera e do rio Paraguai, duas ou três léguas241; echoaladis (chavaranás)242; equiniquinaus (quiniquinaos), distante da anterior um dia e meio de caminho243; etchelonaes (terenas)244, a mais retirada ao ocidente e mais próxima dos chiquitos; a última, dos neguicay-temis245, estava a duas léguas do rio Paraguai e paralela com a dos cambas246. Os guanás se sujeitavam aos mbayás em regime de suserania247, com tributação econômica de colheita e de serviço. Mais ao sul, ficavam os lenguas e os mbayás

239 Também designados como chanés, de forma errada, segundo Sánchez Labrador. 240 O mesmoTepotyy, segundo Azara; rio Apa, atualmente.

241 Habitavam dentro da mata e chegavam a três mil pessoas; em 1772, passaram para o lado oriental, com um

povoado pequeno, fundado quase na foz do Abba e que se chama Niguatequidevodi.

242 Eram mais de sete ou oito mil pessoas e estavam frequentemente em guerra com os layanás e os mbayás 243 Passavam de duas mil almas e eram aliados dos echoaladis.

244 Era o povo mais numeroso dos guanás e passavam de oito mil almas.

245 Depois, pueblo de Nuestra Señora del Refugio de Eg-vilechigo; seu número era de 120 pessoas, todos criados

dos cambas.

246 Aguirrre calculou que as cinco parcialidades juntas compunham 3.300 pessoas, em 1793, fora os que viviam

entre os mbayás.

247 O termo “vasallos” não é exato. Traduzido também como “escravos” continua sem precisar a relação entre

estas etnias. Existiu uma relação de dominação baseada no pagamento com alimentos e de serviços em troca de proteção.

enig-magas, lindeiros com os layanás e os echoaladis, inimigos por sua vez dos mbayás e dos guanás. Depois dos lenguas, seguiam inumeráveis parcialidades do Gran-Chaco248.

Desde antes da conquista espanhola, os guaranis disputavam o domínio do território das margens do rio Paraguai com mbayás. O procurador da cidade de Asunción, capitão Francisco de Aquino, pediu aos religiosos em 1613 que dessem parecer sobre qual atitude tomar em razão dos delitos praticados pelos mbayás. Estes haviam degolado todos os homens e mulheres da cidade de Tigre (Concepción del Bermejo), reservando para si as crianças. Também os canoeiros payaguás haviam matado os índios reduzidos de Jejuí e queimado a igreja. Em nome da Companhia de Jesus, os padres Manuel de Lorenzana, reitor, Diego González Holguín, comissário do Santo Ofício, e Francisco de San Martín deram seu parecer. O deão, cabildo e clero aprovaram o parecer dos jesuítas, de opinião que se deveria fazer guerra à fuego y á sangre tanto aos mbayás, como aos payaguás249. Dois anos depois, o procurador da província do Rio da Prata e de suas oito cidades, capitão Manuel de Frias, reiterou a urgência das medidas contra esses índios e indicou o nome de Hernando Arias de Saavedra para governador. Ao mesmo tempo, pediu também a divisão da província e do bispado250. Uma cédula real de 1618 autorizou essas medidas, por serem defensivas251.

Novos ataques mbayás no norte do Paraguai, na segunda metade do século XVII, ocasionaram a retirada dos guaranis para a província de Mbaracayú. Guarambaré, Ipané, Atyrá, Tobati e Arecayá foram reduções pobres; a administração bastante omissa e a distância de Asunción permitiam uma maior liberdade de roças familiares livres ou uma evasão até os conchavos periódicos. Quando os eyiguayeguis atacaram as reduções de San Ignacio de Caaguazú e María de Fe de Aguaranamby, situadas sobre os rios Piraí e Ipané, os indígenas desses povoados começaram uma debandada desordenada. Eles não ofereceram resistência e os socorros provinciais tardaram. Em 1672, os mbayás atacaram o povoado de Atyrá, matando 120 pessoas, roubando o gado e os cavalos; isto motivou a fuga também de outras reduções do norte; segundo o informe de Bazán, os guaranis de Todos Santos de Guarambaré migraram até um local a meia légua de Terecañy, os de Ipané foram até Ytaú, os de Atyrá até Itanará, os de Arecayá, mais numerosos, cerca de 730 almas, se retiraram para o arroio Aruayá252.

248 CORTESÃO, Jaime. Do Tratado de Madri a Conquista dos Sete Povos..., op. cit., p. 53-69. 249 PASTELLS, Pablo. Historia de la Compañía..., op. cit., v. 1, 1912, p. 241; 249-250.

250 Ibidem, p. 261. 251 Ib., p. 302-303.

252 Actas del Cabildo de Asunción, 4 dic. 1673, apud SÚSNIK, Branislava. Los Aborigenes…, op. cit., p. 193-

Esses guaranis missioneiros não fugiram para as matas, porque os monteses representavam para eles grupos selvagens; sentiam-se inseguros nas localidades de Mbaracayú, sobretudo quando havia notícia das malocas de mamelucos. O protetor de naturais pediu a possessão das terras de Ñaendá e Bocayatí, no vale de Guarnipitan, para os pueblos de Ipané e Guarambaré. Pediu também a suspensão do serviço de mitazgo por três anos253. Pressionados então pelos mbayás e mamelucos, os guaranis seguiram o caminho de terra para Asunción. O governo de Asunción demarcou as novas terras a esses povoados migrantes, assentando-os em San Pedro de Ipané, Todos Santos de Guarambaré e San Francisco de Atyrá, este com apenas 60 almas. Cada povoação recebeu 300 cabeças de vaca da estância da cidade de Asunción254. A povoação de Arecayá foi suprimida como instituição e seus habitantes foram assentados em San Lorenzo de los Altos em 1675 e em outros povoados255. Também no sul, os espanhóis e guaranis sofreram constantes ataques de índios da outra margem do rio Paraguai, mbayás, mocovís e tobas.

Uma carta do governador do Paraguai Phelipe Rexe Gorbalán à rainha, em 1674, pediu armas para a defesa da província. Disse que no tempo do governador Alonso Sarmiento, os mbayás cativaram e mataram 700 almas dos pueblos de Santiago de Caaguazú e Nuestra Señora de Fe. Por essa causa mudaram mais de 1.000 famílias de ambos pueblos ao Paraná, próximo aos espanhóis, com autorização da Real Audiencia de Buenos Aires256. Dezesseis meses depois, recebeu a resposta. Outra carta ao rei, de 1682, do governador Juan Diez de Andino, reclamou que não recebeu resposta sobre a convenência de fazer guerra ofensiva aos guaicurus e mabayás257. Lamentou que os governadores e prelados daquelas três províncias do Prata excusassem a atendê-lo, pela distância, gastos e ocupações de seus trabalhos. Afirmou que o bispo do Paraguai julgava lícito fazer esta guerra ofensiva e que de sua parte considerava o mesmo. Remeteu cópia da Cédula datada de Madrid à 25 de julho de 1679 e que disporia da pensão e contribuição dos 8.000 pesos contidos nela para essa operação.

O comércio da erva, tabaco, açúcar e algodão ofereceu aos colonos paraguaios a mais profícua oportunidade de enriquecer-se. Eles tinham muitos meios de reunir grande fortuna, porém, os obstáculos eram ainda maiores. Dobrizhoffer explicou algumas de suas causas258.

253 Actas del Cabildo de Asunción, 20 feb. 1676 e 20 abr. 1676, apud SÚSNIK, Branislava. El Indio Colonial…, op. cit., v. I, p. 141.

254 Actas del Cabildo de Asunción, 27 feb. 1679, apud SÚSNIK, Branislava. El Indio Colonial…, op. cit., v. I,

p. 141.

255 SÚSNIK, Branislava. Los Aborigenes…, op. cit., p. 194-196.

256 PASTELLS, Pablo. Historia de la Compañía..., op. cit., v. 3, 1918, p. 92. 257 Ibidem, p. 457.

258 DOBRIZHOFFER, Martin. Historia de los Abipones..., op. cit., v. I. De los bárbaros payaguas, quaycurus,