4.2 Love and relationships in the Phaedrus
4.2.2 A satisfying account of interpersonal love
Os dados produzidos foram prioritariamente, como classificado por Lankshear e Knobel (2008), dados observados. Os autores citam que esse tipo de dados é coletado no espaço de vida cotidiano dos sujeitos investigados, por meio de observação sistemática. Para a educação, os dados mais comuns são coletados em sala de aula, na experiência da prática pedagógica investigada. Essencialmente os dados observados incluíram o que os autores classificam como “registros de observações indiretas” e “artefatos coletados” (p.152). Registros indiretos são aqueles que ocorrem após o período de observação, anotações post facto, escritas de memória, materializados nesta pesquisa no formato de um diário de campo. O diário foi construído a partir da anotação de tópicos referentes aos principais acontecimentos percebidos. Ao fim de cada encontro da oficina, foram produzidas notas de áudio e, em seguida, as notas foram transcritas em forma de texto para análise. Foram produzidos dados referentes aos encontros presenciais das oficinas, bem como das observações de situações inerentes ao ambiente escolar, como intervalos, recreios e festas.
Já os artefatos coletados são objetos, produtos, ferramentas desenvolvidas ou utilizadas na pesquisa. Lankshear e Knobel (2008) dão o exemplo de potes de argila feitos em aulas de artes, desenhos de crianças, cartazes de parede, ou seja, produções dos sujeitos investigados. Tal técnica foi utilizada na tentativa de atingir o objetivo de análise dos produtos midiáticos de autoria das crianças, destacando os temas por elas representados. Os produtos, resultado da oficina, são essa importante fonte de dados. Durante todo o processo, as crianças desenvolveram diferentes filmagens, além de um trabalho final. O formato midiático utilizado foi o audiovisual, em gravação em vídeo. Assim como
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afirma Belloni (2010), para atingir os sentidos e significados das crianças é preciso que técnicas e metodologias sejam desenvolvidas de forma contextualizada, assim como os produtos das oficinas.
Na tentativa de ilustrar as ferramentas de produção de dados, segue abaixo um quadro resumo (Tabela 2) das técnicas utilizadas, os tipos de dados visados por cada uma dessas técnicas e a relação com os objetivos da pesquisa.
Tabela 2 - Quadro resumo de técnicas de produção de dados para o estudo.
Objetivo Técnica Tipos de dados
Descrever e discutir o
processo de
desenvolvimento de uma oficina de mídia- educação com crianças,
considerando a
abordagem metodológica
e as interações
pedagógicas
Registro indireto (Diário de campo) – observações descritivas não estruturadas. Pontos positivos e negativos; interpretações; opiniões; indagações; colocações e comentários; manifestações verbais, corporais e artísticas; engajamento dos participantes. Analisar os produtos
midiáticos de autoria das crianças, destacando os
temas por elas
representados Produções midiáticas Interpretações; manifestações artísticas; técnicas midiáticas; temáticas; papel da cultura popular Identificar e analisar manifestações culturais infantis relacionadas às mídias, levando em conta tanto o processo pedagógico da oficina quanto os produtos audiovisuais de autoria das crianças
Registro indireto (Diário de campo) – observações descritivas não estruturadas. Produções midiáticas Manifestações em relação à cultura e às mídias; interpretações; opiniões; indagações; colocações e comentários; manifestações verbais, corporais e artísticas Fonte: do autor.
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2.4.2. Análise
Para a análise dos registros indiretos (diário de campo), foi utilizado o método de análise de dados denominado como codificação aberta (LANKSHEAR; KNOBEL, 2008). Este método busca uma análise através da criação de códigos e subcódigos que possam ser desenvolvidos a partir da leitura dos dados observados. A técnica é amplamente usada em diferentes abordagens de pesquisa qualitativa. Consiste basicamente em aplicar conceitos aos dados, agrupar os conjuntos de códigos e subcódigos que possuam alguma semelhança e identificar as propriedades de cada categoria, localizando um exemplo de fenômeno pertencente a esta categoria (LANKSHEAR; KNOBEL, 2008).
Após transcrição do áudio para o texto, como mencionei anteriormente, um primeiro momento de análise dos dados desenvolveu-se a partir da leitura e classificação dos acontecimentos observados, por meio da formação de conceitos chave, ou seja, pela criação de códigos. No segundo momento, os dados foram relidos para aprimoramento dos códigos. Dessa forma, a terceira fase da análise ficou facilitada, uma vez que consistiu em agrupar os trechos que possuíam códigos semelhantes. Para cada conjunto de códigos semelhantes foram criados níveis superiores de codificação.
Os próximos capítulos deste trabalho foram construídos tendo como base os resultados encontrados a partir da codificação aberta. No primeiro espectro surgem três códigos superiores, relacionados diretamente com a descrição e análise do processo da oficina, são eles: descrição dos processos de produção; percepções acerca das manifestações culturais infantis; e reflexões sobre mídias, pesquisa e educação. A leitura minuciosa dos trechos agrupados a partir dos códigos superiores permitiu a criação de subcódigos referentes aos principais destaques do processo da oficina e das manifestações culturais infantis
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percebidas.
Já por meio da observação dos artefatos coletados foram levantados os dados relativos aos temas representados pelas crianças. Assim como os dados do diário estão em sua maioria relacionados à descrição e análise do processo e das manifestações culturais infantis, os artefatos estão prioritariamente conectados à análise dos produtos. Entretanto, os dados dessas observações foram cruzados com os do diário de campo, o que possibilitou uma complementação das percepções, das análises, e promoveu o desenvolvimento do debate a respeito dos temas representados.
Os produtos constituem-se de vídeos produzidos pelas crianças durante toda oficina, sejam eles propostos ou não pelo pesquisador-professor. Ou seja, aqueles vídeos que as crianças produziram por intenção própria, compartilhados no decorrer da pesquisa, também foram considerados. A análise se deu principalmente quanto a sua temática, tendo muita relação com a cultura popular infantil. Vale ressaltar que a análise dos vídeos permite, ao mesmo tempo, um contato com a realidade das crianças, o que auxilia na reflexão e discussão acerca dos temas levantados na análise do diário.
É essencial salientar o papel do pesquisador nesse processo de análise, reconhecendo que nesse caso não há imparcialidade. Na relação com os alunos, com o planejamento, com a escola e os outros professores, no dia a dia da sala de aula, percepções e reflexões são formadas; interpretações e análises são perpassadas por uma visão diretamente relacionada com o desenvolvimento do processo educacional.
Os capítulos que se seguem são a essência deste trabalho, uma vez que neles trago as análises dos dados que surgem a partir da observação do processo da oficina, bem como dos produtos desenvolvidos pelas crianças. Vale ressaltar que a construção dos três capítulos foi dividida entre a análise do processo, do produto, e das manifestações culturais infantis, respectivamente, no intuito de
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facilitar o entendimento das ideias desenvolvidas. Entretanto, há uma relação muito íntima entre as três análises, uma vez que tanto os dados do processo, quanto dos produtos, se complementam, ao mesmo tempo em que são perpassados pelas manifestações culturais infantis. Tópicos como a violência, o “caos” e o interesse peculiar pelos aparelhos celulares, que serão discutidos nestes três capítulos, são, de certa forma, transversais. Entretanto, considerando o momento de destaque de cada tópico, e na tentativa de tornar a leitura mais clara e fluida, fiz a opção por apresentá-los em seu momento preponderante.
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