Ainda com o intuito de reforçar a hipótese H1c, e por forma a determinar a existência de interação entre as variáveis preditoras, efetuaram-se regressões múltiplas com a interação das variáveis independentes preditoras e a variável dependente. Depois de identificadas as variáveis preditoras, procedeu-se a novas correlações e regressões múltiplas, com base nas variáveis apuradas como preditoras e a sua interação (Pestana e Gagueiro, 2008). Consideraram-se importantes as interações para este modelo, porque foi o único que estudou todas as dimensões da partilha do conhecimento (aquisição e transferência) identificadas neste estudo. Assim, considerou-se também importante percebe se as variáveis preditoras mantinham ou não a predição, através das interações, reforçando ou não os resultados obtidos.
Em relação às interações das variáveis independentes preditoras e a variável dependente: partilha do conhecimento global, obtivera-se as seguintes interações: interação 1 corresponde ao global da escala fatores organizacionais vs. aprendizagem; a interação 2 corresponde ao global da escala fatores organizacionais vs. fatores de sucesso e estabilidade; a interação 3 corresponde global da escala fatores organizacionais vs. global da escala desempenho inter-organizacional; a interação 4 corresponde aprendizagem vs. fatores de sucesso e estabilidade; a interação 5 corresponde aprendizagem vs. global da escala desempenho inter-organizacional; a interação 6 corresponde fatores de sucesso e estabilidade vs. global da escala desempenho inter-organizacional.
Relativamente às correlações de Pearson observa-se que a correlação mais elevada (r=0,791) se verifica para a interação 1 e a correlação mais baixa para a interação 5 (r=0,696). Todas as interações apresentam resultados com valor significativo estatisticamente (cf. Tabela 39).
Variáveis r p
Interação 1 (global da escala fatores organizacionais vs. aprendizagem) 0,791 0,000 Interação 2 (global da escala fatores organizacionais vs. fatores de sucesso e estabilidade) 0,788 0,000 Interação 3 (global da escala fatores organizacionais vs. global da escala desempenho inter-
organizacional)
Interação 4 (aprendizagem vs. fatores de sucesso e estabilidade)
Interação 5 (aprendizagem vs. global da escala desempenho inter-organizacional) Interação 6 (fatores de sucesso e estabilidade vs. global da escala desempenho inter- organizacional) 0,776 0,708 0,696 0,727 0,000 0,000 0,000 0,000 Tabela 39 – Correlação de Pearson entre partilha do conhecimento global e as interações entre as variáveis independentes preditoras.
O quadro 13 reporta-se aos resultados obtidos com o último modelo e, pela sua análise, comprova-se que são duas as variáveis que se constituíram como preditoras da partilha do conhecimento global. A correlação que o conjunto destas variáveis estabelecem com a variável dependente é de r=0,791 e r=0,788, e explicam no seu conjunto 65,4% da variação da partilha do conhecimento global e o erro padrão da estimativa foi de 12,551 neste modelo de regressão.
Acresce-se que os testes F ao apresentarem significância estatística dizem que as variáveis são independentes. Pelas probabilidades dos valores de t conclui-se que as variáveis independentes que entraram no modelo de regressão têm poder explicativo na partilha do conhecimento global pois os seus coeficientes são diferentes de zero. Realça-se pelos coeficientes padronizados beta o maior valor preditivo é a interação das variáveis global da escala fatores organizacionais vs. aprendizagem, seguida das variáveis do global da escala fatores organizacionais vs. fatores de sucesso e estabilidade.
VARIÁVEL DEPENDENTE =PARTILHA DO CONHECIMENTO GLOBAL
R = 0,808 R2 = 0,654
R2 Ajustado = 0,649
Erro padrão da estimativa = 12,551 Incremento de R2 = 0,029
F = 12,333 P = 0,001
PESOS DE REGRESSÃO
Variáveis independentes Coeficiente
beta padronizado Coeficiente t p
Constante - 44,124 Interação 1
Interação 2 0,007 0,006 0,426 0,402 3,718 3,512 0,000 0,001
Análise de VARIÂNCIA
Efeito Soma
quadrados GL quadrados Média F p
Regressão Residual Total 44289,276 23469,988 67759,263 2 149 151 22144,638 157,517 140,586 0,000
Quadro 13 – Regressão múltipla entre partilha do conhecimento global e as interações entre variáveis independentes preditoras.
O modelo final ajustado para a partilha do conhecimento global é dado então pela seguinte fórmula:
Partilha do conhecimento global = 44,124 + 0,007 interação 1 (global da escala fatores organizacionais vs. aprendizagem) + 0,006 interação 2 (global da escala fatores organizacionais vs. fatores de sucesso e estabilidade)
Estes resultados permitem afirmar que as variáveis global da escala dos fatores organizacionais têm influência de forma isolada, bem como através da interação com outras variáveis (aprendizagem e fatores de sucesso e estabilidade), assim como os fatores de sucesso e estabilidade têm valor preditivo isoladamente e, também através da interação, com o global da escala dos fatores organizacionais.
Deste modo, o global da escala dos fatores organizacionais em simultâneo com a aprendizagem e com os fatores de sucesso e estabilidade permitem mais partilha de conhecimento nas redes inter-organizacionais estudadas (“controlo” e “experimental”). Estes resultados salientam a importância da aprendizagem no contexto das redes inter- organizacionais da investigação realizada, em simultâneo, com todos os fatores organizacionais e os fatores de sucesso estabilidade. Para as redes estudadas, a aprendizagem é, de todas as dimensões que foram identificadas relativamente ao desempenho inter- organizacional (aprendizagem, capacidade de realização dos objetivos, inovação e satisfação dos parceiros) a mais importante e significativa em termos de interação. Tal fato pode ser
justificado através das caraterísticas das organizações envolvidas na rede, onde são estabelecidas relações entre organizações hospitalares e de ensino superior. Estas últimas privilegiadas e com elevada consciencialização da importância que tem a aprendizagem, visto que a sua principal missão é ensinar. Simultaneamente, as caraterísticas dos atores envolvidos, portadores de habilitações literárias superiores, com diversificada experiência profissional, e o fato de orientarem alunos das organizações de ensino superior que implica a aplicabilidade em contexto prático de conhecimentos teóricos, podem ser algumas das razões para justificar os resultados obtidos relativamente à aprendizagem.
Os resultados obtidos também estão enquadrados com a literatura. Vários autores têm sugerido as redes organizacionais como mecanismos para a aprendizagem organizacional, permitindo às organizações o acesso a capacidades e competências dos seus parceiros (Hyder e Abraha, 2004; Balkundi e Kilduff, 2006; Bai e O'Brien, 2008). Chen et al. (2009) consideram mesmo que as redes são relações cooperativas orientadas para a aprendizagem, e que os parceiros, em geral, têm uma intenção explícita de aprender, e demonstraram que esta intenção, bem como o conhecimento enraizado nas rotinas organizacionais, têm uma influência positiva nos fatores subjacentes aos mecanismos de aprendizagem. Segundo Franco (2006), a aprendizagem que se produz em qualquer processo de rede organizacional é função tanto do acesso ao conhecimento, como da possessão de capacidades para assimilar tal conhecimento o que pode justificar os resultados obtidos.
Por último, os resultados referentes à interação entre o global da escala dos fatores organizacionais e os fatores de sucesso e estabilidade estão de acordo com os obtidos para o modelo de regressão múltipla referente à partilha do conhecimento global, ou seja mantêm a sua importância neste contexto.
De forma esquemática e, segundo as interações entre as variáveis preditoras da partilha do conhecimento global, o modelo de regressão é o seguinte:
Figura 8 - Síntese das relações entre partilha do conhecimento global e as interações entre as variáveis independentes.
Interação 1
Global da escala fatores organizacionais vs. Aprendizagem PARTILHA DO CONHECIMENTO GLOBAL Interação 2
Global da escala fatores organizacionais vs. Fatores de sucesso e estabilidade 0,426 0,402