AUTOMOLIÍSTICO DA FÓRMULA 1
Há quem considere os 100 metros rasos do atletismo a prova mais importante das Olimpíadas. E é uma das mais rápidas. Costuma levar, desde o final dos anos 1980, menos de 10 segundos para ser cumprida. Antes da corrida se iniciar todo o estádio se silencia. Qualquer mínimo ruído atrapalha a concentração dos corredores, prontos para largarem assim que escutarem o disparo de indicação da largada. Em no máximo dois décimos de um segundo, os corredores reagem e tentam correr em linha reta o mais rápido que podem. A partir de então a torcida que se calava começa a ficar agitada e gritar de todas as formas. O barulho da torcida prossegue para além da prova.
9 segundos e 28 décimos, um tempo frações de segundo menor que a duração de uma prova de 100 metros rasos, foi durante esse tempo que a expectativa sobre o título da temporada de 1990 da Fórmula 1 durou da largada até a colisão entre Ayrton Senna e Alain Prost logo na primeira curva do traçado de Suzuka no Grande Prêmio do Japão.
96 Entrevista com Jackie Stewart.
Jackie Stewart: Se eu listasse todos os campões mundiais e o número de vezes em que eles entraram em contato com outros pilotos. E você nesses últimos 36 ou 48 meses você entrou em contato com mais carros e pilotos que todos eles juntos.
Ayrton Senna: Eu estou surpreso com sua pergunta, Stewart, porque você é um piloto com muita experiência que sabe muito sobre corridas, e deve saber que ser um piloto de corrida é estar constantemente sob risco. E um piloto de corrida tem que correr com outros. E se você não tentar ultrapassar quando há uma oportunidade, você não é mais um piloto de corrida. Porque correr é competir. E estamos competindo para ganhar. A motivação maior de todos nós é competir para vencer. Não é chegar em terceiro, quarto, quinto ou sexto.
Stewart: Mas não foi sempre assim?
Senna: Eu acho que é irrelevante. Tudo o que está dizendo, Jack, é realmente irrelevante. Porque eu sou o piloto que venceu mais corridas nestes últimos três anos. Sou o piloto que conquistou mais pole positions que qualquer um na história. E sou o piloto que conquistou dois títulos nos últimos três anos. E não sei como... não consigo entender como você pode inverter a situação e dizer que eu estive envolvido em mais acidentes que todos porque isso também não é verdade.77
A rivalidade entre Ayrton Senna e Alain Prost se iniciou em 1988, quando os dois se defrontam pela primeira vez numa disputa de um título mundial ao longo de todo o ano e perdurou até a aposentadoria de Prost no final de 1993. Porém, os momentos mais intensos dessa rivalidade confinam-se nos anos de 1989 e 1990. É preciso voltar para o ano de 1988 e analisar em detalhes o cotidiano desses dois pilotos para evitar os problemas gerados em uma análise que vê já tudo em andamento, e é enviesada pelas narrativas construídas posteriori. Até 1988 Senna e Prost nunca tinham sido companheiros de equipe, estavam os dois em estágios distintos da carreira na Fórmula 1, com Prost mais experiente e tendo já conquistado dois títulos, Senna com seis vitórias, mas nenhum título mundial conquistado até então. A maneira como os dois olhavam um para o outro naquele momento e comparavam-se era drasticamente diferente comparada àquela a qual eles passaram a se observar anos depois. Ingenuamente os dois acreditaram ser possível um convívio pacífico e então passaram a não se gostarem mais, evitar o olhar um do outro, gestos de companheirismos como um aperto de mão e qualquer outra espécie de contato. A razão geralmente levantada por aqueles que se concentraram em analisar a vida dos dois, os jornalistas, biógrafos, entre outros, costuma levantar os aspectos psicológicos de cada um. O que essas análises não revelam é que tais confrontos individuais entre os dois são confrontos sociais, entre
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YOUTUBE. Ayrton Senna’s famous interview with Sir Jackie Stewart – “designed to win”. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ySBRcXZ_Dfo> Acesso em 5 de fevereiro de 2019.
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visões de mundo que confrontam-se, mas que tais confrontos só podem existir nessas dinâmicas interacionais, ou melhor dizendo para ser mais adequado aos propósitos desta pesquisa, situações presenciais, em que as "ideações" sentem necessidade de materializarem para comunicarem-se. A rivalidade intensa é uma prova de como duas pessoas podem confrontar-se imergindo com uma imensa credulidade em suas convicções, com uma imensa disposição, para provarem a si mesmos e aos outros que estão do lado certo.
‘I first met Nigel Mansell when we were racing in British Formula 1. While I was at the front winning races, he was a wanker driver – always at the back. After that we were in Formula 1. I raced for Bernie Ecclestone at Brabham for seven years and never had a contract. The Frank Williams called me and asked if I wanted to join Williams as team-mate to Nigel. I said to Frank, “I will come and drive for you on one condition. I want to be No. 1. I want to be undisputed the best driver. I know how to develop a car, I know how to win the championship and I want to help to do that again.” His reply was: “No problem.”
“So we had a 19-line contract – everything was sorted. Then, before the start of the 1986 season, Frank had his accident. I arrived at the first race and had no T-car [spare], nothing. But I could not talk to Frank as his problems were 100,000 times bigger than mine were. So I kept my mouth shut and did my job. Them I started to fight with Nigel. It was an English team with an English driver and I was a two-times champion. He was nothing. Like Hamilton and Alonso at Mclaren last year – it was the same. Nigel was a nice guy. I tried to start a fight with him because I wanted to divide the team. So I said his wife was ugly. The problem is people in England don’t fight with their hands like they do in Brazil. I tried everything I could to get him to hit me. I called his wife [Rosanne] everything under the sun. But I had nothing against him, he’s not a bad guy really’.
(…)
‘France has not a big consideration for the Champion, like Brazil, Argentina or England has,’ he said. ‘The public in France likes me a lot, but we don’t have this perception of keeping champions at a high level. It does not mean very much. It is difficult to be a French driver in a English team – because the relations between the French and English people are always a little tricky! But because I never had the French mentality, I always had a good relationship with English people and an English team. I always said I don’t like some French attitudes; sometimes, I never felt one hundred per cent French, to be honest.’.78
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"Eu conheci Nigel Mansell quando estávamos correndo na Fórmula 1 britânica. Enquanto eu estava na corrida vencedora da frente, ele era um piloto idiota - sempre na parte de trás. Depois disso, estávamos na Fórmula 1. Eu corri para o Bernie Ecclestone em Brabham por sete anos e nunca tive um contrato. O Frank Williams me ligou e perguntou se eu queria me juntar a Williams como companheiro de equipe para Nigel. Eu disse a Frank: “Eu irei e dirijo para você com uma condição. Eu quero ser o No. 1. Eu quero ser indiscutível o melhor piloto. Eu sei como desenvolver um carro, sei como ganhar o campeonato e quero ajudar a fazer isso de novo ”. Sua resposta foi:“ Sem problemas ”.
“Então tivemos um contrato de 19 linhas - tudo foi resolvido. Então, antes do início da temporada de 1986, Frank sofreu o acidente. Cheguei na primeira corrida e não tinha T-car [spare], nada. Mas eu não podia falar com Frank, pois seus problemas eram 100.000 vezes maiores do que os meus. Então eu mantive minha boca fechada e fiz o meu trabalho. Eu comecei a lutar com o Nigel. Foi uma equipe inglesa com um piloto inglês e eu fui duas vezes campeão. Ele não era nada. Como Hamilton e Alonso na
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Após três temporadas completas pela equipe francesa Renault na Fórmula 1 o piloto Alain Prost transfere-se para a Mclaren em 1984 para enfim não somente ter um carro competitivo mas que perdurasse até o término das corridas, o que realmente lhe possibilitaria a conquista do título mundial. A saída de Prost da Renault serviu como uma forma de entregar uma justificativa ao público pelos sucessivos fracassos, em outras palavras, Prost se tornou uma espécie de bode expiatório, algo que à época apareceu como uma solução à francesa – ignorando aqui essa tipologização dammaniana que vê práticas comuns em todo mundo como típicas de uma nacionalidade. Por um lado era fácil acusar a incompetência de Prost, nenhum outro piloto francês havia conquistado o título do campeonato de Fórmula 1, alegar que o piloto não foi capaz de conter toda a pressão que se exerceu sobre ele parecia muito fácil enquanto já não era tão fácil ignorar as várias quebras que geraram inúmeros abandonos. Em todo caso, não deixou de pesar o fato de que Alain Prost abandonou uma equipe francesa para correr em uma inglesa o que contribuiu para uma imagem negativa da sua pessoa em seu próprio país. Mais tarde, quando teve de disputar u m campeonato diretamente com Ayrton Senna, Prost veio a receber da imprensa francesa um tratamento o qual fez o piloto acreditar que os franceses mais o odiavam que torciam por ele. As conquistas posteriores em 1985 e 1986 não foram suficientes para apagar a traição de Prost que duelava com um piloto que encontrava uma maior correspondência com os fãs de seu próprio país. Senna, diferentemente de Prost, era amado pelo Brasil. Ainda que se suspeite de muitas de suas atitudes, nunca ficou a impressão de que ele deixou de fazer algo pelo seu país, não traíra sua própria nação, pelo contrário, foi fiel a ela. Compromissado com a nação, não entregou a imagem ao seu público, como fez Prost, de ter corrido tão somente por si mesmo – e o que aqui também cabe levantar, Nelson Piquet também correu por si mesmo. E àqueles que
Mclaren no ano passado - foi o mesmo. Nigel era um cara legal. Eu tentei começar uma briga com ele porque eu queria dividir o time. Então eu disse que sua esposa era feia. O problema é que as pessoas na Inglaterra não brigam com as mãos como fazem no Brasil. Eu tentei tudo o que pude para ele me bater. Liguei para sua esposa [Rosanne] tudo sob o sol. Mas eu não tinha nada contra ele, ele não é um cara mau realmente '. PP. 140-141.
"A França não tem uma grande consideração pelo Campeão, como o Brasil, a Argentina ou a Inglaterra", disse ele. "O público na França gosta muito de mim, mas não temos essa percepção de manter os campeões em um nível alto. Isso não significa muito. É difícil ser um piloto francês em um time de inglês - porque as relações entre os franceses e ingleses são sempre um pouco complicadas! Mas como nunca tive a mentalidade francesa, sempre tive um bom relacionamento com ingleses e ingleses. Eu sempre disse que não gosto de algumas atitudes francesas; às vezes, nunca me senti cem por cento francês, para ser sincero. P. 168.
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correm tão somente por si mesmos, por que motivos outros podem se comover por eles? E se Emerson Fittipaldi havia feito muito em nome do Brasil nos anos 1970 e no início dos anos 1980, Nelson Piquet fez muito pouco, conquistou os títulos, o que é importante esportivamente, mas deixou a desejar enquanto personalidade pública. Intriga obviamente porque Fittipaldi não ficou tão marcado na memória pública brasileira quanto ficou Ayrton Senna.
Ao lado de Alain Prost e Nelson Piquet, Ayrton Senna também rivalizou com Nigel Mansell. O inglês teve uma trajetória inicial semelhante à Prost, em suas cinco primeiras temporadas na Fórmula 1 pilotou por uma equipe de seu próprio país, a Lotus. Que diferentemente da Renault já havia conquistado títulos no passado e possuía uma reputação que a colocava entre as grandes no grid79 da Fórmula 1. Outra divergência em relação à Prost é que a sua saída de 1984 da Lotus para outra equipe já em 1985 foi para outra equipe da mesma nacionalidade, a Williams, equipe inglesa que mais recentemente havia conquistado os campeonatos de pilotos de 1980 e 1982. Mansell não conquistou nenhuma vitória pela Lotus, equipe a qual Ayrton Senna pilotaria entre os anos de 1985 e 1987 conquistando suas primeiras pole-positions e suas primeiras vitórias. Já na Williams, com alguns anos de experiência e com um carro muito mais competitivo muito poderia se esperar de Nigel Mansell. Ele conquista suas primeiras vitórias no ano de 1985 e nos dois anos seguintes competiria até as últimas corridas pelo título mundial fracassando seguidamente para Alain Prost e Nelson Piquet. Sucumbiu-se então inicialmente pelo piloto que ficaria conhecido como O Professor pela característica que lhe apresentou durante a temporada de 1986. Enquanto Mansell e Piquet duelavam por vitórias Prost à margem conquistava pontos importantes ao longo de todo o campeonato. Já em 1987 foi a vez de Piquet mostrar todo o seu talento que ia muito além de sua própria pilotagem. Mais esperto e sagaz, Piquet conseguiu manipular uma equipe inglesa para que esta conseguisse fornecer o melhor equipamento para ele próprio e não para Mansell. Em 1991, depois de uma passagem fracassada, ofuscada pelo sucesso de seu companheiro de equipe Prost, pela mais tradicional de todas as equipes da Fórmula 1, a Ferrari, Mansell retornaria à equipe Williams e mais uma vez competiria pelo título. Não conseguindo pontuar nas três primeiras corridas teve de correr atrás pelos pontos e em muitas corridas triunfou sobre Ayrton Senna que
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Estava palavra é utilizada em dois sentidos ao longo desta tese. Nesta primeira oportunidade grid abarca todo o conjunto de pilotos e equipes que disputam o campeonato.
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finalmente veio a rivalizar diretamente com Mansell. O piloto inglês só viria a conquistar um título em 1992, naquela que supostamente seria sua última temporada na Fórmula 1, ironicamente retornaria em 1994 para pilotar no lugar deixado por Senna, após sua morte, na equipe Williams, se aposentando definitivamente somente em 1995 após apenas duas corridas pela Mclaren naquele ano. Ao lado de Alain Prost, Nelson Piquet e Ayrton Senna, Mansell – que conquistou apenas um único título, enquanto os seus outros três rivais haviam se tornado multi campeões – ficou marcado por uma espécie de fraqueza mental, necessária aos grandes pilotos, que de uma forma ou de outra manifestavam suas forças, sendo mais frios e calculistas como eram Prost e Piquet ou mais agitados e impetuosos como era Senna. De um certo modo é mais fácil colocar Mansell próximo de Senna do que dos outros dois. Mansell colocava toda a sua habilidade na condução sem ser o melhor dos estrategistas, mas errou inúmeras vezes.
Para além dessas projeções parciais ainda muito iniciais a análise deverá refazê- las colocando cada uma delas em relações às outras em uma tentativa de construir um panorama outro que se isente dos problemas relacionados a uma perspectiva que se dá através de um único ponto de vista e que consiga visualizar o quanto cada um desses pontos de vistas são influentes sobre os vários outros pontos de vistas e se influenciam em suas relações. Certamente, para os propósitos dessa pesquisa é o ponto de vista brasileiro que mais importa, mas este não se fez refratando todas as influências externas entre as quais podemos destacar a própria forma como os franceses se viam e os ingleses se viam. Compor esse quadro é importante para notar como os rivais de Senna fizeram parte da composição de sua narrativa mítica na qual ele se adaptou de uma forma mais justa aos anseios e expectativas de sua própria nação, do Brasil, mas de um Brasil que teve de duelar e triunfar sobre a França e a Inglaterra e até mesmo de quem, apesar de sua nacionalidade também brasileira, não conseguiu se firmar como protagonista mítico para a sua própria nação.
Esse universo que reúne uma série de práticas automobilísticas, que vão do kartismo, como uma categoria de base, passando por várias outras categorias, com carros de diversos tipos, chegando até a Fórmula 1 e que tem como partícipes mais diretos os pilotos e suas equipes e também partícipes não tão diretos, como as instituições reguladoras como a FIA, os jornalistas esportivos, os espectadores e demais outros, é um espaço social caracterizado por uma divisão entre os que correm com os
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"seus cérebros" e os que correm com os "seus braços e pernas", caracterizado pela técnica e pelo arrojo, pela cautela e pela periculosidade, pela sobriedade e pela excitação, e por mais um conjunto de sentidos associados às essas duas principais posições, tendo seus partícipes uma devida posição a ser ocupada nesse espaço. Esses sentidos são mobilizados nas práticas automobilísticas, de forma tal que essas práticas não se podem ser sentidas, vivenciadas, ou apreciadas, se não se estruturando a partir das estruturações desse próprio espaço social, nas divisões que esse espaço define, não sendo interessante para esse espaço, aquilo que não se regula a partir dele.
É por isso que já não existe mais a prática automobilística per se, como que o aprendizado "puro" no contato com os carros, como que estruturação originária do contato físico de um corpo humano com uma máquina. Os aprendizados já não podem mais ocorrer como que de fora do espaço social e das propriedades que o definem. Não se vê, portanto, pilotos arrojados como não pertencendo à técnica "pura" automobilística, afetados pelas demais idiossincrasias humanas, oriundas das mais diversas esferas psicológicas e sociais, de um dos lados do espectro; de outro lado aqueles que conseguiram refratar as demais influências do mundo social, entrando em contato com a "natureza" técnica dos bólidos. Tanto uns quanto outros, são produtos de uma estruturação de um mesmo espaço social, em que os sentidos de uma determinada posição social desse espaço, só devem sua significância na relação com os sentidos da posição social oposta. São todos, sob essa condição, afetados, porque não podem existir mais sobre (no sentido de acima) a historicidade que compõem a natureza desse espaço, corporificada nas disposições corporais, institucionalizada nas instituições.
Mas enquanto que em espaços sociais como o campo artístico as disputas por legitimidade não podem contar com instrumentos precisos de legitimação, e que por essa característica mesma, nesses espaços a legitimidade tem de recorrentemente ser conquistada, os espaços sociais esportivos possuem como característica a probabilidade de construir os seus critérios de objetividade com muito mais firmeza e solidez, ainda que, assim como o campo artístico, o espaço social esportivo nem sempre consegue definir com exatidão, suas definições estendendo-se para todo o espaço. Falo aqui da possibilidade que o espaço social esportivo dá de uma das posições se legitimarem através das conquistas de títulos objetivados, semelhantes aqui como aqueles conquistados nos espaços sociais educacionais, em que os títulos são capazes de atestarem as competências, transformando-as em capitais valiosos e duradouros dentro
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desses próprios espaços – capitais esses que podem contar com a probabilidade de se converterem nas mais diversas espécies de lucros sociais. Uma vez que um competidor obtém um título, este se torna inviolável do conquistador. A certeza do valor desse título pode ser sentida na diferença entre a quase conquista e a plena conquista. Enquanto que a quase conquista dificilmente pode ser convertida em lucros sociais, a plena conquista facilmente confere aos conquistadores os mais diversos lucros sociais. O árbitro possui um poder mágico, mesmo que ele erre em seu juízo na incompetência de cumprir com a regra, os seus atos possuem poderes efetivos de diferenciar os vencedores dos