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De acordo com a empresa Ellerbe Becket (2002), existem algumas estratégias fundamentais para a missão crítica; são elas:

Redundância

Redundância = (N + r) um sistema composto por N equipamentos onde r equipamentos podem sair de serviço, sem haver descontinuidade do serviço e sem afetar a plena capacidade.

Segundo a Norma TIA/EIA_942 (2005), as características de arranjos dos equipamentos e sua redundância definem ao nível (Tier) de energia do Data Center.

Considerando que os equipamentos possuem as mesmas características, há algumas técnicas de redundância que são mais utilizadas em Data Center:

N+1: redundância de N equipamentos em operação com um equipamento de reserva. Essa técnica possui menor custo, mas exige uma automação perfeita para a rotação dos equipamentos. É o exemplo de 3 condicionadores de ar, sendo um reserva, a lógica do sistema de automação irá estabelecer os dois condicionadores que irão operar e no caso de defeito em um deles ou por tempo de operação, o sistema irá acionar o condicionador reserva;

2 N: redundância centralizada, ou seja, o sistema tem dois grupos de equipamentos com suas respectivas reservas.

No sistema elétrico, as duas fontes de energia estão ativas e trabalhando em cargas parciais de 45 a 50 % da potência nominal. Essa redundância atende a sites nível III ou IV, possui investimento inicial muito elevado e perdas de energia significativas por estar operando em cargas parciais.

1,5N: redundância distribuída, ou seja, um sistema com no mínimo 3 equipamentos, sendo um reserva.

Essa técnica permite utilizar menos equipamentos, operando com maior eficiência e menores custos de manutenção. Essa redundância no sistema elétrico é chamada de tribus, ou seja, três barramentos com redundância distribuída. Ela atende a sites nível III ou IV e possui menor investimento inicial, pois será instalada 1,5 vezes a potência requerida contra 2 vezes da redundância 2N e menor perda de energia por operar em cargas parciais de 60 a 65% da potência nominal.

Mantenabilidade

Como explicado no ICOR (2007), os Data Centers são ambientes altamente complexos, onde os seus elementos devem ser planejados, projetados, equipados e mantidos corretamente visando a alcançar segurança e disponibilidade exigidas pelos clientes.

Falhas são inevitáveis e suas conseqüências podem afetar diretamente a missão crítica, com conseqüente paralisação dos serviços. Os sistemas de redundância permitem que os equipamentos possam sofrer manutenção sem interromper o serviço; a mantenabilidade tem papel preponderante na disponibilidade dos sistemas.

Terotecnologia

Essa estratégia não foi citada no trabalho da Ellerbe Becket (2002), mas é imprescindível que seja aplicada à missão crítica. É no planejamento e no projeto que se definem os níveis de operacionalidade que o Data Center irá possuir ao longo da sua vida útil. A terotecnogia empregada no projeto define a qualidade da mantenabilidade dos sistemas.

Os Data Centers são empreendimentos com ciclo de vida que variam de 10 a 20 anos. Seus custos operacionais são altíssimos, e a utilização do conceito de terotecnologia é de fundamental importância para a concepção e implantação de soluções práticas relativas a esses aspectos.

Em 1970, o Ministério de Tecnologia da Grã-Bretanha, analisando o envolvimento dos custos no processo de gestão da operação e de manutenção dos equipamentos, criou o conceito de terotecnologia. Tal estratégia visa estudar alternativas técnicas capazes de combinar os meios financeiros, estudos de confiabilidade, avaliações tecnicoeconômicas e métodos de gestão, de modo a obter ciclos de vida dos equipamentos e sistemas cada vez menos dispendiosos. Em 1992, a British Standards criou a BS 3843 – Terotecnology.

Segundo Kelly e Harris (1980), a importância da experiência de profissionais de operação e de manutenção no início de um projeto beneficia a mantenabilidade e reduz os custos operacionais dos equipamentos e sistemas.

Para Monchy (1989), a manutenção deve iniciar na fase de concepção de um projeto, e as características de confiabilidade e disponibilidade são também definidas nesta fase.

De acordo com o Núcleo de Treinamento Tecnológico (NTT) (1997), a terotecnologia é uma concepção global e integrada do modo como deve ser estudada, escolhida e implantada uma nova tecnologia; essa estratégia está centrada nos seguintes princípios básicos:

- técnicos especialistas em operação devem fazer parte da equipe de planejamento, projeto e instalação do empreendimento;

- A equipe técnica que assumir a manutenção deve conhecer em detalhe as especificações dos equipamentos e acompanhar as fases de implantação e

comissionamento; deve se preparar para operar o sistema logo no início de seu funcionamento;

- as decisões da escolha dos equipamentos, topologia e soluções de instalação terão a participação desses técnicos;

- a gestão da operação e manutenção deverá ser previamente organizada e estruturada antes da partida da instalação;

- a gerência da manutenção deve ocupar nível hierárquico idêntico ao da operação do empreendimento.

Flexibilidade

Já definida como a habilidade de antecipação de mudanças, de aspectos relativos ao crescimento, sem aumento da capacidade e sem que e afete a aplicação crítica ao sistema.

Escalabilidade/flexibilidade: são facilidades previstas na implantação, visando ampliações e alterações da planta de infraestrutura, sem perturbar a operação do Data Center.

Blindagem

O Data Center deve estar apto para prevenir interferências internas ou externas como: impacto de objetos, descargas atmosféricas, sobretensão da rede elétrica, fogo, gases corrosivos, umidade, vapor, descargas elétricas e induções eletromagnéticas.

Alguns Data Centers utilizam salas-cofre para definir ambientes específicos com uma blindagem certificada pela ABNT NBR 15247 e por órgãos internacionais, como o Conselho Europeu de Certificações de Sistemas de Segurança - Norma ECB-S EM 1047-2.

Esses ambientes são construídos em painéis modulares metálicos, com fechamento de piso, paredes e forro, resistentes a fogo, explosão, impacto, arrombamento, pó e água pressurizados, balística e estanqueidade.

Seguridade

A norma BS 7799 do BSI (2000), organização britânica especializada em normas, é um padrão completo para gerenciamento da segurança da informação, sendo adotada em vários países. Essa norma visa à preservação dos seguintes objetivos:

- integridade: garantia de que a informação ou recursos de infraestrutura não foram alterados de maneira não autorizada ou desconhecida;

- confidencialidade: garantia de que a informação é legível só os autorizados;

- disponibilidade: garantia de que o usuário autorizado obtenha acesso à informação, aos equipamentos instalados e aos recursos de infraestrutura sempre que necessário. A BS 7799 é dividida em duas partes: 1.ª, Código de Prática para Gestão da Segurança da Informação; 2.ª Especificação de Sistema de Gestão de Segurança da Informação. Em 2001, o Brasil adotou essa norma por meio da ABNT, sob o código NBR ISO/IEC 17799.

Há, também, a recomendação da International Telecommunication Union (ITU-T) de número X.805 (2003), que define dimensões de segurança de rede, estendendo-se ainda para aplicações, informações de usuários finais, provedores de serviço e empresas oferecendo serviços de segurança a seus clientes, como por exemplo: controle de acesso; autenticação, não-repúdio; confidencialidade e integridade de dados; segurança de comunicação; disponibilidade e privacidade.