GM- 1947 GM - 1925 Estação S.Bernardo MBB Ford Toyota Scania K.Guia
Localização das m ontadoras na Região do ABC at é a década de 70
Font e: Correia, J.C./ D.E.R.
Sendo São Paulo o centro da econom ia cafeeira, que com andou o Brasil entre 1870 e 1930, esta era a região m ais desenvolvida e infra- est rut urada do País, onde j á se concent rava boa parte da industrialização em curso. Naturalm ente, o m esm o se deu com o parque m et al- m ecânico, produt or de aut opeças.
Nos anos 70 e 80, na segunda onda de invest im ent os aut om ot ivos, esse processo com eça a se m odificar, m as m uit o t im idam ent e. De um a m aneira geral, as m ontadoras e as fabricant es de aut opeças j á inst aladas opt am por const ruir algum as de suas novas plant as no Vale do Paraíba. As m udanças m ais relevant es ficam por cont a da Volvo e da Fiat, que, chegando ao País com unidades de produção relat ivam ent e pequenas, optaram por se localizar fora do est ado de São Paulo.
A Volvo, com um a fábrica de cam inhões e ônibus, foi para a Cidade I ndust rial de Curit iba e a Fiat , com um a fábrica inicialm ent e de veículos populares, se localizou em Bet im , na região m etropolit ana de Belo Horizonte.
I m portante observar que, ainda que opt ando por est ados vizinhos, Paraná e Minas Gerais, a saída de São Paulo não era um a opção trivial. São Paulo não só perm anecia com o o principal m ercado final, com o det inha a quase t ot alidade do parque produt or de autopeças. Dessa m aneira, sair de São Paulo significava custos m uito m ais alt os, o que exigia fort es incent ivos com pensat órios.
Esses incentivos ocorreram em am bos os casos, sendo m ais m arcantes no caso da Fiat por trat ar- se de um a planta produtora de veículos. Em linhas gerais, para at rair a Fiat , em m eados dos anos 70, o Governo m ineiro teve de doar o terreno, invest ir pesadam ent e em infra- est rut ura, ret ornar um quart o do I CM gerado, garant ir um em prést im o
subsidiado de 20 m ilhões de dólares e ainda part icipar com 46% do capit al invest ido ( Arbix, 1997) .
Em bora não t ão am plos quant o os concedidos à Fiat , os incent ivos para at ração da Volvo não foram pequenos. Segundo relat o, o poder público paranaense, além de assegurar a com pra de um determ inado núm ero de ônibus para o seu program a de t ransport e urbano, t am bém part icipou acionariam ent e do proj eto e concedeu grat uit am ent e o terreno infra- est rut urado. ( Arbix, 1997) .
Depois da im plant ação da Volvo ao final dos anos 70, o Brasil passa por t oda a década dos 80, a cham ada década perdida, apenas t ent ando com bater a inflação. Esse cenário só será revertido nos anos 90, quando, com um a fixação da t axa de câm bio, a econom ia brasileira se est abiliza através de um a forte abertura ao com ércio internacional. Esse processo, concebido com o um a inserção com petit iva na globalização, deixou o m ercado nacional ext rem am ent e at rat ivo para as im port ações. No caso da indúst ria aut om ot iva, cont udo, at ravés de um a das poucas ações de polít ica indust rial adot adas no período, vinculou- se a im port ação, com baixas tarifas, ao com prom et im ento com a produção local. Assim , via o cham ado Regim e Aut om ot ivo, nos anos 90 foram decididas e im plant adas um a série de novas unidades m ont adoras no País.
Assim , tem - se a terceira onda de invest im ent os aut om ot ivos, com a decisão e im plantação de 10 novas unidades de m ontagem , a grande m aioria delas em preendidas por em presas que ainda não operavam no
País. No t ot al, essas unidades represent am um invest im ent o nada desprezível de cerca de seis bilhões de dólares e a geração de quase 14,5 m il novos em pregos diret os.
Segundo vários analist as, a vinda de novas m ontadoras decorreu, t am bém , da sat uração do set or no âm bit o int ernacional, aliado ao grande pot encial do m ercado local. De fat o, enquant o nos Est ados Unidos e Europa a relação habitantes por veículo é inferior a dois, no Brasil é superior a dez. Ainda que m uit o desse pot encial não vá se realizar t ão cedo, dada a baixa renda per capita e a extrem a concentração da renda t ot al, no com eço dos anos 90, com o incent ivo aos carros populares de at é 1000 cc, dem onst rou- se a possibilidade concret a para significat ivas expansões de m ercados. Arbix ( 1997) .
A m aior dessas unidades, no ent ant o, não se localizará em São Paulo. Ao cont rário, à exceção das pequenas unidades da Honda e da Toyot a, m eras m ont adoras na form a CKDs, t odas as dem ais opt am por outros estados, o que não é de se est ranhar. Sendo concebidas no sist em a de produção enxut a, t odas t inham grande liberdade de localização. Nesse sent ido, a exem plo do ocorrido nos países cent rais, est abelece- se, t am bém no Brasil, um int enso leilão com base em incent ivos fiscais, m udando por com pleto a configuração espacial da indúst ria no País.
3 .4 - A globalização e o princípio da acum ulação flexível
Ao longo dos anos 1950, o t oyotism o j aponês pôde conviver com o fordism o am ericano sem com ele se at rit ar, dado que a indúst ria aut om obilíst ica j aponesa ainda era incipient e e o gigant ism o do m ercado am ericano garantia altos lucros às Três Grandes ( GM, Ford e Chrysler) , que não precisavam se preocupar sist em at icam ent e com seus cust os de produção.
No ent anto, quando a econom ia j aponesa recuperou- se dos est ragos da guerra, o toyotism o com eçou a m ostrar sua capacidade produtiva e os autom óveis j aponeses penet raram o m ercado int erno am ericano, j á nos anos 1960, a hist ória com eçaria a m udar. Por outro lado, nest e m esm o período, e por razões internas aos Est ados Unidos, com o a Guerra do Viet nam , a rigidez dos com prom issos polít icos, a sat uração do m ercado interno e o fracasso da tentativa de incorporação dos negros ao proj eto de sociedade norte- am ericano através dos program as da Grande Sociedade de Lyndon Johnson, o próprio fordism o keynesiano com eçaria a dar sinais de fragilidade.
Nest e m om ent o, o que poderia se cham ar de Ordem do New Deal se esgarça, com a crise fiscal do estado keynesiano, a queda da rent abilidade das grandes corporações, o isolam ento político do m ovim ento sindical, e especificam ente do UAW- CI O em razão do apoio de suas lideranças e
bases ao conflit o asiát ico, e a crise do Part ido Dem ocrat a, at é ent ão o condut or de t al conflit o e que havia sido o fiador de tal Ordem .( LI MONCI C, sd)
A part ir de ent ão, as m ont adoras j aponesas iniciaram a inst alação de plant as dent ro dos Est ados Unidos de acordo com seus princípios organizacionais e t ecnológicos, dando início a um período de enfrentam ento entre elas e o UAW- CI O, em que o sindicat o viu- se crescentem ente alij ado das conquistas que havia obt ido em suas relações com as m ontadoras am ericanas. A Tabela 18 revela o encontro do fordism o e do toyotism o no interior dos Estados Unidos, em term os de produt ividade do t rabalho, j á nos anos 1980. A fábrica da GM Fram ingham adot ava ent ão m odelos fordist as de produção, a Toyota Takaoka adotava, evident em ent e, m ét odos t oyot ist as, e a NUMMI Frem ont represent ava um a j oint- vent ure da GM com a Toyot a, at ravés da qual a GM buscava incorporar os m ét odos t oyot ist as:
Tabela 18 - GM FRAMI N GHAM VERSUS TOYOTA TAKAOKA VERSUS