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A discussão sobre conhecimento vem de muito longe, para Maturana e Varela (2003, p.267), a bíblia já fazia referência “quando Adão e Eva comeram o fruto do conhecimento do bem e do mal, viram transformados em outros seres e não mais voltaram à antiga inocência [...] sabiam-se desnudos; sabiam que sabiam”
Ao longo dos séculos houve filósofos que fracassaram em definir o conhecimento, como Garcia (2002, p.28), ao sustentar que “o conhecimento é um termo impossível de se definir”. Na década de 1920, Hessen (2000) salienta que o conhecimento é a relação entre sujeito e objeto. E na década de 1960, Berger e Luckman (1966, p.17) definem o conhecimento como “a certeza de que os fenômenos são reais e possuem características especificas”. Consideração complementada por Carbone (2006, p.16), quando afirma que “enquanto não houver problemas, aceita-se a realidade como certa e o conhecimento como verdadeiro”.
No final do século XX, Nonaka e Takeuchi (1997) recuperam a antiga definição, feita por Platão, para construção da teoria da criação do conhecimento da crença verdadeira e justificada. A criação do conhecimento para Nonaka e Takeuchi (1997) representa a perspectiva, que viabiliza a geração de inovações duradouras, permitindo que as empresas criadoras do conhecimento sejam competitivas e longínquas.
A partir dessa definição, segundo Carbone (2006), a criação do conhecimento é dividida em duas dimensões: a epistemológica e a ontológica.
A dimensão epistemológica baseia-se na distinção entre as formas de conhecimento tácito e explícito, integrando-se através de símbolos, metáforas e analogias para criação do conhecimento nas organizações.
A dimensão ontológica considera o conhecimento como a criação individual, que se propaga pela organização através da espiral do conhecimento, formando a rede de conhecimentos. Para Terra (2000) a Gestão do Conhecimento – GC sempre existiu nas empresas, a novidade é ela estar se tornando um objetivo explícito. Reconhecendo o desafio da Gestão do
Conhecimento, algumas empresas estão criando funções como a de gerente do conhecimento, essa nova função envolve habilidades relacionadas à cultura do aprendizado.
Diversas são as definições para a Gestão do Conhecimento e muitas são as suas possibilidades, como segue:
Segundo Sabbag (2007), a Gestão do Conhecimento visa atuar sistemática e intencionalmente sobre o saber da organização, estabelecendo vantagens comparativas ao longo do tempo. Oliveira (2003) atesta que a Gestão do Conhecimento se preocupa em agregar valor às informações, e é um processo contínuo de aprendizagem, que se dá pela sinergia das informações e pela capacidade das pessoas.
Para Grotto (2001), a Gestão do Conhecimento é o processo de promover e administrar a geração, o compartilhamento, o armazenamento, a utilização e a mensuração de conhecimento, experiências e especializações nas organizações.
Mello (1999) define a Gestão do Conhecimento como tentativa de alavancar o desempenho organizacional pela localização, aplicação e manutenção do conhecimento.
Davenport e Prusak (1998) salientam que a Gestão do Conhecimento envolve a geração, codificação, coordenação e transferência do conhecimento.
Moran (1994) afirma que a Gestão do Conhecimento é um conjunto de processos que governa a criação, a disseminação e a utilização de conhecimento no âmbito das organizações.
A Gestão do Conhecimento pode ser definida também como o “processo pelo qual a organização consciente e sistemática coleta, organiza, compartilha e analisa seu acervo de conhecimento para atingir seus objetivos” (FALCÃO; BRESCIANI FILHO, 1999, p.162). Schultze e Leidner (2002 p. 218) definem Gestão do Conhecimento como “a geração, representação, estoque, transferência, transformação, aplicação, incorporação e proteção de conhecimento”.
Para Valentim (2003, p.1) a Gestão do Conhecimento “é um conjunto de estratégias para criar, adquirir, compartilhar e utilizar ativos de conhecimento, bem como estabelecer fluxos
que garantam as informações necessárias no tempo e formato adequados, a fim de auxiliar na geração de idéias, solução de problemas e tomada de decisão”.
Para tanto, construir conhecimento é atividade inerente ao ser humano, todo empregado dentro de sua empresa, tem diferentes necessidades de informações e conhecimentos para efetuarem suas atividades.
Sarkar e Bandyopadhyay (2008) associam a Gestão do Conhecimento à melhoria de desempenho organizacional, com base na combinação de tecnologia da informação com os processos de negócios.
Segundo Terra (2000) no desenvolvimento estratégico e organizacional, a Gestão do Conhecimento implica o desenvolvimento de competências inter-relacionadas nos planos estratégicos, organizacional e individual. Terra (2000) descreve ainda a Gestão do Conhecimento como associada à própria evolução da teoria organizacional e necessitando de análise nas variáveis: econômico e social, tecnológica, organizacional e definições sobre a natureza humana.
O’Dell e Grayson (1998, p.154), destacam que:
Os executivos reconhecem que dentro de suas organizações existe um vasto tesouro interno desconhecido e não utilizado de conhecimento, know-how e melhores práticas. Eles consideram essas perdas decorrentes de falhas ou falta de Gestão do Conhecimento nas organizações.
A efetiva Gestão do Conhecimento no ambiente empresarial para Terra (2000) requer:
• A criação de novos modelos organizacionais;
• Novas posições quanto ao papel da capacidade intelectual dos empregados; e
• Liderança capaz de enfrentar os processos de transformação.
Porém existem desafios a superar na Gestão do Conhecimento, que, segundo Santos et al (2001), é saber influenciar o comportamento do trabalhador; fazer com que as lideranças das organizações comprem a idéia; e saber classificar os conhecimentos identificados. Outro desafio, considerado problema, é a tendência das pessoas em reter o conhecimento.
Santos et al (2001) sustentam que, para que a Gestão do Conhecimento obtenha efeitos práticos, ela deve estar apoiada nas decisões e compromissos estratégicos e organizacionais da alta administração, além da infra–estrutura tecnológica e cultura organizacional, que influenciam o compartilhamento.
Percebe-se que os conceitos de Gestão do Conhecimento refletem caminhos diferentes, que encontram um objetivo comum, o do conhecimento para todos, com a valorização do humano. Então para melhor compreensão da Gestão do Conhecimento nas organizações temos a necessidade de conhecer e entender o processo de construção do conhecimento através dos conceitos, dos dados, das informações e do conhecimento.