DEL 4 ANALYSE OG DRØFTING
7.3 Lovendringsforslagets betydning for praksisfeltet
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Dentre os aspectos necessários ao desempenho satisfatório da biblioteca escolar, destacam-se os recursos humanos. Investimentos em livros, ainda que de qualidade, por si só, pouco contribuem para elevar o grau de envolvimento do aluno com a leitura, quando o corpo de educadores responsável por mediar, otimizar a relação do educando com o livro não puder ser caracterizado como leitor contumaz e não estiver integrado em um objetivo único – contribuir para implantar uma cultura leitora no interior da escola. Deste corpo fazem parte os vários educadores engajados nas funções pedagógica e administrativa da escola – diretores, coordenadores, professores, responsáveis pelas bibliotecas... Nele está a tarefa de estimular a participação da escola e da comunidade em práticas de leitura, por meio de ações culturais, educativas e de lazer que busquem a conscientização sobre a importância da leitura, da escola e da biblioteca.
Sob essa perspectiva, Martinez (2001, p.41) propõe, baseando-se em estratégias de marketing, a “venda conceitual” da biblioteca, o que, segundo a autora, pressupõe técnicas de criatividade e gestão. É o marketing sócio-cultural que, aplicado aos espaços de leitura nas escolas, é definido como um meio de promover a “’venda’ de seus serviços, de sua imagem e de seus objetivos” e de ajudar a “criar uma consciência coletiva sobre sua importância e valor social”, podendo propiciar uma mudança na forma como a biblioteca é vista, transformando atitudes e comportamentos. Para isso, são necessárias estratégias de planejamento e investimentos em expressões artísticas diversificadas, como teatro, danças, pinturas, contação de histórias, dramatizações e músicas, articulados a um projeto pedagógico maior de incentivo à leitura, do qual façam parte programas de conscientização da importância da biblioteca e da leitura na formação cultural de cada indivíduo, propiciando, ao mesmo tempo, lazer e conhecimento.
Para concretizar esse objetivo, torna-se fundamental nas bibliotecas, de acordo com Milanesi (2002, p.88), a presença de um “profissional da informação”, não a de um mero organizador de acervo:
Nas bibliotecas, principalmente nessas que são centros culturais, o intermediário, uma espécie de diretor de comunicação, abastece, atualiza o seu estoque e cria estratégias de disseminação. Essa função, que sai da exclusividade de relacionamento entre os códigos e os acervos, e vai em busca da relação do acervo com o público, é específica de um profissional da informação.
Sobre isso Macedo (2005, p. 176) acrescenta que o bibliotecário, além de ser um mediador da informação, que entende a operacionalização da biblioteca escolar, precisa estar “a par das intenções educativas da escola”, trabalhando “em sincronia com o processo de ensino-aprendizagem” (p.177). Nesse sentido, esse profissional necessita articular suas atividades de acordo com os assuntos tratados em sala de aula, viabilizando aos alunos o acesso a livros e a outros materiais pedagógicos, como audiovisuais e eletrônicos, dentro da temática discutida, incentivando os educandos a ler, sendo ele mesmo um modelo de leitor, e interagindo com os professores na programação de feiras culturais e atividades afins, oferecendo, assim, subsídios para um trabalho pedagógico mais efetivo.
Nessa perspectiva, observa-se que não basta colocar a criança e o jovem em contato com os livros para formar uma disposição leitora, é preciso transformar a biblioteca em um espaço que articule diferentes formas de sensibilizar o aluno para o ato de ler. Assim, promover atividades como contação de histórias, entrevistas com escritores, projeção de filmes, gincanas culturais, dramatizações é também função do responsável pela biblioteca que, trabalhando de forma articulada com os professores de sala, pode criar um ambiente agradável e um encontro prazeroso do jovem com a leitura.
Dessa forma, a transformação dos espaços de leitura passa necessariamente pela figura de um profissional competente que saiba como dinamizar a leitura, valorizando os leitores em potencial e suas expectativas. Contudo, pesquisadores (CARNEIRO SILVA, 1999); (FERRAZ E MANTA, 1992 apud CARNEIRO SILVA, 1999) apontam que alguns responsáveis por bibliotecas das escolas públicas brasileiras são professores readaptados por problemas de saúde que, por despreparo e desconhecimento, em muitos casos, adotam comportamentos e atitudes não condizentes com o que se espera de um educador que tem
como principal função o estímulo à leitura. Assim, são comuns práticas excessivamente burocráticas, cuja principal finalidade é a manutenção da ordem dos livros, do comportamento dos usuários e dos serviços oferecidos. Carneiro Silva (1999), ao discorrer sobre os fatores intrabibliotecários que atrapalham o uso da biblioteca escolar em nosso país, pontua algumas dessas práticas: ”o empréstimo de documentos, quando existe, é caracterizado por punições para aqueles que atrasam a devolução do material emprestado” (p.60), e prossegue:
Há bibliotecas escolares que preferem suprimir o serviço de empréstimo a ter que conviver com eventuais atrasos cometidos por leitores. (p.60) [...] O mesmo raciocínio vale para a questão do acesso às estantes, algumas vezes vetado para que a biblioteca possa manter as obras em bom estado de conservação, bem como para preservar o acervo de eventuais furtos. (p.61)
Ainda que reconheçamos a importância vital de se manter a ordem nos espaços de leitura, é preciso salientar que se for por meio de ações arbitrárias, tal atitude pode inviabilizar o desenvolvimento de um comportamento leitor. Faz-se necessário que se constituam ambientes adequados para que os educandos vivenciem atividades e práticas que incentivem a leitura. Sobre isso Carvalho (2005, p.21) acrescenta: “A escola que pretenda investir na leitura como ato verdadeiramente cultural não pode ignorar a importância de uma biblioteca aberta, interativa, espaço livre para a expressão genuína da criança e do jovem”.
Neste capítulo, apresentamos uma revisão bibliográfica retratando algumas pesquisas que enfocam a prática de leitura de textos a partir de uma perspectiva mais lúdica e prazerosa. Discorremos sobre um espaço privilegiado de leitura, a biblioteca, enfatizando o papel que a biblioteca escolar pode exercer na sociedade atual, imagética e marcada pelo excesso de informação, contribuindo para a formação de sujeitos leitores, por meio de práticas mediadas por educadores-leitores, professores e bibliotecários, que busquem privilegiar as interações entre os educandos e os livros e as diversas manifestações artísticas em ambiente envolvente e aconchegante, marcado pela ludicidade e o prazer, no qual organização física e humana contribuam de forma conjunta.
A seguir, apresentamos o contexto no qual se deu a conformação dos sujeitos da pesquisa, o programa de enriquecimento curricular HORA DA LEITURA, de acordo com a perspectiva oficial da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo. Visamos tecer algumas
considerações com respeito aos objetivos do programa, abordando as ações de implementação, o perfil dos docentes, os procedimentos metodológicos e as formas de avaliação. Na segunda parte, apresentamos os desafios da entrada em campo, bem como o
Capítulo 3 - H
ORA DAL
EITURA: o programa e a pesquisa
Este capítulo tem como objetivo principal apresentar o programa HORA DA LEITURA, de acordo com a perspectiva oficial da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo. Visamos não somente apresentar o contexto em que se deu a constituição dos sujeitos de pesquisa, mas também tecer algumas considerações com respeito aos objetivos do programa. Assim, surge, inicialmente, a necessidade de mencionarmos, ainda que brevemente, o momento histórico no qual ocorreu sua implementação, para, em seguida, abordar as ações de implementação, os objetivos, o perfil dos docentes exigido para a HL, os procedimentos metodológicos, as formas de avaliação e, finalmente, alguns aspectos concernentes à formação continuada oferecida pela SEE-SP aos profissionais envolvidos no programa.
Na segunda parte, apresentamos os desafios da entrada em campo, assim como o perfil de 34 professores que atuam na HORA DA LEITURA.
3.1 “HORA DA LEITURA”: o programa
Visando conhecer um pouco mais o programa HORA DA LEITURA, contexto no qual se delineou essa pesquisa, passamos a discorrer sobre alguns de seus principais aspectos.