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DEL 4 ANALYSE OG DRØFTING

5.1 Diskurser om barnevernloven som en rettighetslov

particular os textos literários, cuja ênfase vincula-se “à criação, à sensibilidade, ao analógico, à recriação, à ambigüidade, à intuição, à subjetividade” (SEMEGHINI- SIQUEIRA, 1994, p.185) e que, portanto, pressupõem atividades desenvolvidas em um ambiente propício à leitura, aconchegante e instigante, em que se considere a especificidade da obra literária, enquanto objeto artístico por excelência, privilegiando a subjetividade, o desejo, o prazer, a ludicidade, a sedução, a criação e a fluência. Nesse pilar, práticas como a contação de histórias, a roda de conversas, e outras que envolvam o livre acesso a livros e incentivem as produções artísticas em arte visual, música, teatro, dança, precisam ser priorizadas, permitindo uma interlocução, uma troca entre parceiros.

A forma de leitura proposta por Semeghini-Siqueira, no pilar da Magia, traz em seu bojo a perspectiva da fruição e do prazer. Mas o que significa ler por prazer? Que implicações pedagógicas há nesta forma de leitura?

1.8.1 A leitura sob a perspectiva do prazer

Mas é preciso que sejam comidos com prazer para fazerem bem a inteligência. E notem que “prazer” não quer dizer “facilidade”. Existe um prazer imenso em escalar uma montanha… Livros comidos com prazer são livros para serem ruminados o resto da vida. Livros não- ruminados são livros esquecidos. Não entraram no sangue, não viraram carne.

Ruben Alves Nos últimos vinte anos, as discussões relativas à leitura, à escola e ao texto literário intensificaram-se sobremaneira. Primeiro, porque à literatura começaram a atribuir a função salvadora de minimizar os problemas evidenciados pela suposta crise da leitura: o afastamento da criança e do jovem da leitura, o possível declínio do gosto pela leitura, e os baixos índices de proficiência leitora e escritora detectados em exames nacionais e internacionais. Segundo, pois algumas publicações e pesquisas concernentes à leitura literária passaram a dar uma maior ênfase à relação entre o estatuto do prazer e a leitura literária, particularmente, a obra O Prazer do Texto (1996), de Roland Barthes, lançada na França em 1973.

Nesta obra, Barthes (1996, p.10) salienta que o prazer do texto está no jogo, nas relações, no diálogo estabelecido entre leitor e escritor no ato da leitura, ao preencher os vazios, ao ter contato com as formas de linguagem, criando formas diversas de leitura. Nela, o autor assemelha o prazer do texto a um “instante insustentável, puramente romanesco, que o libertino degusta ao termo de uma maquinação ousada, mandando cortar a corda que o suspende, no momento em que goza”. E acrescenta:

Se aceito julgar um texto segundo o prazer, não posso ser levado a dizer: este é bom, aquele é mau. Não há quadro de honra, não há crítica, pois esta implica sempre um objetivo tático, um uso social e muitas vezes uma cobertura imaginária. (1996, p.20)

A leitura, sob essa perspectiva, vincula-se diretamente ao sujeito que lê e às relações que estabelece com o texto lido, portanto ao aspecto afetivo/emocional da leitura. O prazer, nesse sentido, é um ato solitário que não pode ser transferido e/ou mensurado, tampouco julgado o objeto do prazer – o livro. É, por conseqüinte, uma questão pessoal que, de acordo com Solé (1998, p.97), “só pode estar sujeita a si mesma”. Nesse sentido, o que melhor define esse tipo de leitura é a liberdade, que possibilita ao leitor escolher o livro que mais lhe atrai, ler algumas páginas de um romance, ler um livro todo com avidez, voltar a um mesmo texto inúmeras vezes, pelo simples prazer que esta leitura possa lhe proporcionar. É a leitura descompromissada que permite ao indivíduo criar vínculos com a prática da leitura, ao estabelecer critérios de seleção, avaliando, criticando, recusando determinadas leituras, abraçando outras de acordo com sua disposição interior. Como bem pontua Kleiman (2004, p.34), “...não há objetivos na leitura por prazer. O objetivo é o prazer.”

É importante ressaltar também que, ainda que Geraldi (2006, p.98) nos chame atenção para o fato de que ler pelo simples prazer de ler não é uma atividade exclusiva do texto literário, já que podemos ir a outros textos, dependendo de nossos interesses, de forma gratuita, desinteressada, para satisfação própria, quando, por exemplo, lemos um jornal pelo prazer de informar-nos, um panfleto de viagem pela alegria de conhecer novos lugares…, este modo de leitura associou-se mais diretamente à literatura, a arte das palavras. Para Solé (1998, p.93), “isso é natural que aconteça, pois os textos literários, cada um em seu nível e no nível adequado dos alunos, poderão ‘enganchá-los’ com maior probabilidade”.

Essa associação entre literatura, escola e prazer não é uma visão recente. Colomer (2007, p. 37) nos lembra que já em 1894, Gustave Lanson, considerado na França uma referência da educação moderna, afirmava:

A idéia de que um jovem quando sai do Liceu tem que “saber” literatura é uma das mais absurdas que conheço; a literatura, para a maior parte das pessoas, não há de ser um objeto de conhecimento concreto, mas um instrumento de cultura e uma fonte de prazer. Há de servir ao aperfeiçoamento intelectual e há de produzir um prazer intelectual. Portanto, não se trata de “saber” literatura; trata-se de ler literatura e de amá-la.

Se a escola durante décadas havia trabalhado a literatura de uma forma mecânica, que não motivava o gosto pela leitura, antes, pelo contrário, provocava um maior distanciamento, essa maneira diferenciada de vivenciar o texto literário na prática escolar pareceu, na época, uma solução plausível e bem aceita por muitos, mas que traria sérias implicações pedagógicas. Assim, de acordo com Marcelino (2003, p.22), “em conseqüência dessas discussões, muitas das práticas escolares em torno da leitura de literatura foram postas em questão, juntamente com as idéias de ‘hábito da leitura’ e ‘prazer de ler’”.